Para combater surto de metanol, bebidas ganham selo digital contra falsificação
As intoxicações por metanol mataram ao menos 25 pessoas no Brasil durante o ano de 2025. O quadro levou autoridades sanitárias a publicarem avisos formais sobre a autenticidade dos produtos em circulação.
O comércio clandestino e as perdas financeiras das empresas deram lugar à urgência médica provocada por substâncias tóxicas.
A Diageo anunciou uma parceria técnica com a Securetrace. A fabricante de marcas como Johnnie Walker e Smirnoff adotou o mecanismo para confirmar digitalmente a produção original de suas bebidas.
O consumidor faz a checagem.
O projeto atende o mercado brasileiro nas linhas com histórico frequente de adulteração criminosa. A lista inclui uísques, vodcas, gins, tequilas e licores.
“O selo é muito claramente para o consumidor, no sentido de resgatar a confiança, de ele conseguir ter autonomia e visibilidade daquilo que está consumindo”, declarou a presidente da Diageo no Brasil, Paula Lindenberg.
Cerca de 4 milhões de garrafas recebem o dispositivo mensalmente no país. Essa barreira atinge a totalidade dos produtos importados e a vodca Smirnoff envasada localmente, o que abrange 95% das operações de destilados do grupo.
A tecnologia reproduz os métodos de segurança das notas de cem reais, do papel-moeda de euro e do passaporte brasileiro.
Cada unidade carrega um padrão microscópico exclusivo que funciona como identificação própria e invisível a olho nu. Os cálculos da empresa indicam mais de 27 trilhões de combinações viáveis.

A câmera do aparelho lê a gravura, e a inteligência artificial valida o código no banco de dados antes de exibir o termo “Verificado”.
O recurso possui a certificação internacional ISO 12931, direcionada à proteção contra fraudes, segundo informou o executivo-chefe da Securetrace, Mario Nicoli Netto. A proteção contra réplicas não autorizadas atinge o patamar de 99,99%.
“A tecnologia transforma a câmera do celular em uma ferramenta de acesso direto à origem do produto”, afirmou Mario Nicoli Netto.
As contaminações causadas pelo composto químico aceleraram a busca por mecanismos de verificação. A fraude traz perigo letal.
A ingestão de metanol desencadeia danos neurológicos severos, cegueira definitiva, falência pulmonar e morte de pacientes internados.
A elevação súbita das contaminações forçou a administração pública a coordenar uma estrutura emergencial de respostas no segundo semestre de 2025. O governo federal emitiu orientações diretas aos consumidores.
Novos envenenamentos continuaram a dar entrada nos hospitais durante o calendário de 2026.
As apurações policiais rastrearam redes clandestinas encarregadas da estocagem e da circulação de bebidas adulteradas até 13 de setembro de 2026. Os agentes mapearam transportadores envolvidos no esquema.
Vítimas hospitalizadas permanecem sob cuidados para tratar lesões corporais definitivas.
Prejuízos financeiros causados pelas redes clandestinas de destilados
A circulação de substâncias venenosas compõe uma fatia restrita de um circuito ilícito muito mais extenso. A evasão tributária e as fábricas ilegais abastecem pontos comerciais sem controle.
As operações ilegais no setor nacional de bebidas movimentam R$ 28 bilhões anualmente, segundo dados compilados pela Euromonitor International.
A produção clandestina de destilados corresponde a 4,7% do volume comercializado no mercado brasileiro. Esse índice gera os maiores riscos de intoxicação entre a população consumidora.
A comercialização ilegal desvia receitas tributárias dos cofres públicos e alimenta organizações que operam galpões de distribuição sem autorização.
Departamentos estatais de segurança e entidades do setor produtivo formaram frentes de trabalho para conter o avanço do contrabando. Os grupos buscam frear a evasão fiscal.
Medidas regulatórias para impedir desvios de combustíveis
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis prepara exigências operacionais para dificultar o desvio de álcool combustível para garrafas adulteradas.
A diretoria da agência aprovou a avaliação de fórmulas que adicionem substâncias amargas ao etanol hidratado em setembro de 2026. A regra busca barrar a transferência da matéria-prima automotiva para indústrias clandestinas.
O órgão analisa a aplicação compulsória de benzoato de denatônio, componente de sabor repulsivo empregado na produção de itens de limpeza doméstica.
A inclusão de pigmento verde na saída do biocombustível das usinas desponta como medida imediata para a identificação visual rápida de cargas irregulares.
Técnicos do setor analisam como os novos componentes reagem com os motores e sistemas mecânicos dos veículos antes da publicação da regra definitiva.
A fiscalização de pátios industriais complementa os sistemas de rastreabilidade digital implementados pelas empresas de bebidas em colaboração com investigadores policiais.
Inquéritos policiais e penalidades judiciais severas mantêm o cerco contra quadrilhas organizadas que distribuem lotes químicos irregulares no país.
“A preocupação de combater a falsificação é uma preocupação para sempre e é a partir daí que vem a iniciativa desse selo, com uma intenção clara de que episódios como esse nunca mais voltem a acontecer”, concluiu a executiva Paula Lindenberg.













