A cobertura tríplex de 340 metros quadrados na Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo, segue sem compradores após ser anunciada por R$ 2,8 milhões com a revelação de que o imóvel sediou o assassinato de Marcos Matsunaga em maio de 2012. A corretora Cristiane Gomes registrou a recusa de uma interessada logo após o marido da cliente pesquisar o histórico da residência.
A cliente desistiu da compra.
Desistência de cliente após descoberta sobre o crime
A compradora havia visitado a propriedade e aprovado as dimensões do imóvel antes de mudar de ideia, conforme relatou Gomes, que atua há 15 anos no mercado imobiliário da capital paulista. Ela afirmou que a mulher ligou em desespero ao descobrir a morte ocorrida no local. A profissional informou que também desconhecia o passado da unidade antes de receber o telefonema da cliente.
Desconto no preço de mercado para tentar atrair compradores
O imóvel entrou no mercado em julho após a conclusão de disputas na Justiça. Corretores afirmam que o valor de R$ 2,8 milhões está abaixo da avaliação tradicional da região, na qual Cristiane Gomes calcula que o preço real atingiria cerca de R$ 3,5 milhões.
Apesar das visitas frequentes e de propostas apresentadas recentemente por interessados, nenhuma oferta avançou para a assinatura de contrato definitivo.
Composta pela união física de duas coberturas originais compradas e reformadas pelo empresário Marcos Matsunaga para criar uma residência ampla com comodidades exclusivas, a propriedade conta com uma área externa equipada com churrasqueira grande e piscina privativa, além de manter uma vista panorâmica da capital paulista que atrai os visitantes logo no primeiro contato. A corretora afirmou que os cômodos são amplos e negou qualquer sensação negativa nos ambientes durante o atendimento.
Detalhes da estrutura e despesas fixas do tríplex
Os anúncios imobiliários apontam a proximidade com o parque Villa-Lobos como um dos principais pontos fortes da unidade.
- Área útil de 340 metros quadrados
- Cinco suítes distribuídas nos pavimentos
- Quatro vagas de garagem na escritura
- Condomínio mensal de aproximadamente R$ 6.000
- IPTU fixado em R$ 19,3 mil por ano, parcelado em 12 quotas
Vizinhos do edifício confirmaram que a administração predial recebe as taxas de condomínio com pagamentos em dia, sem registros de inadimplência. A família Matsunaga não atendeu aos contatos sobre a venda da residência.
Regras de conduta e histórico penal da propriedade
O Creci-SP orienta os profissionais a informarem eventuais episódios criminais aos compradores para evitar punições jurídicas futuras. Cristiane Gomes declarou que prefere perder a intermediação a omitir informações aos clientes que atende. A corretora afirmou que conclui entre quatro e cinco vendas de imóveis por mês mantendo essa conduta com os interessados.
A posse da propriedade passou aos parentes de Marcos Matsunaga depois que a Justiça retirou os direitos patrimoniais de Elize. A ré sofreu condenação em 2016 pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver, com pena inicial de quase 19 anos de reclusão.
A Quinta Turma do STJ reduziu a condenação em dois anos e seis meses em maio de 2019, e a detenta obteve a progressão para o regime aberto em 2022.

