Espanha registra primeiro fóssil de Diplodocus na Europa

Fotos e mapa da escavação do sítio La Tejería, na Espanha - Estudo de Sergio Sánchez Fenollosa, Josué García-Cobeña e alberto Cobos.

Fotos e mapa da escavação do sítio La Tejería, na Espanha - Estudo de Sergio Sánchez Fenollosa, Josué García-Cobeña e alberto Cobos.

Pesquisadores da Fundação Dinópolis identificaram em 14 de setembro a primeira evidência esquelética do dinossauro Diplodocus fora da América do Norte, após escavações no sítio La Tejería, em El Castellar, no leste da Espanha. O material rochoso inclui restos datados de 150 milhões de anos.

O achado amplia o catálogo regional de animais jurássicos.

Identificação das peças ósseas encontradas em Teruel

Os paleontólogos Sergio Sánchez-Fenollosa, Josué García-Cobeña e Alberto Cobos analisaram 14 vértebras caudais e diversos ossos chevron localizados durante os trabalhos de campo no município espanhol. As estruturas anatômicas confirmaram a presença do gênero pertencente à família dos diplodocídeos. Os cientistas relataram no Journal of Vertebrate Paleontology que o exemplar figura entre os esqueletos do grupo com melhor estado de conservação já catalogados em território europeu.

“Esta descoberta constitui a primeira evidência de Diplodocus fora da América do Norte e é uma das provas mais fortes que sustentam o intercâmbio de faunas continentais entre a América do Norte e a Europa durante o Jurássico Superior”, escreveram os autores. Fragmentos europeus costumavam ser raros.

Dispersão geográfica através do oceano primitivo

Estudos recentes na Península Ibérica apontam que o proto-Oceano Atlântico apresentava faixas transitórias de terra firme e variações no nível das águas marinhas durante o intervalo entre o Kimmeridgiano tardio e o Titoniano inicial, o que permitia a travessia de grandes dinossauros quadrúpedes herbívoros por extensas faixas territoriais que conectavam regiões costeiras então contíguas.

Registros obtidos em áreas litorâneas da Espanha e de Portugal reforçam a existência de corredores terrestres ligando o sudoeste da Europa ao território que hoje forma o Canadá. Pesquisas indicam que o planeta passava por um processo gradual de fragmentação continental. Outros caminhos terrestres também operavam de forma transitória naquele período geológico.

Rotas de travessia mapeadas durante a divisão continental

  • Caminho terrestre setentrional unindo a América do Norte à Escandinávia
  • Faixa territorial central ligando a Península Ibérica ao atual território do Canadá
  • Passagem meridional primitiva conectando as áreas territoriais do Brasil e de Camarões

O réptil herbívoro alcançava cerca de 15 metros de comprimento quando adulto. Um exemplar esquelético famoso desse gênero permaneceu exposto por décadas no Museu de História Natural em Londres.