Durante um comício realizado no último sábado (24 de agosto de 2024) na Praça do Campo Limpo, em São Paulo, a declamação do Hino Nacional em linguagem neutra chamou a atenção e gerou controvérsia nas redes sociais e entre políticos. O evento, que contou com a presença do candidato à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da candidata a vice-prefeita Marta Suplicy (PT) e da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), foi marcado pela inovação na interpretação de um dos principais símbolos nacionais.
O uso da linguagem neutra no Hino Nacional
A intérprete, ao declamar o Hino Nacional, utilizou a linguagem neutra ao modificar o verso “dos filhos deste solo és mãe gentil” para “des filhes deste solo és mãe gentil”. A mudança, que busca incluir pessoas de todos os gêneros, foi rapidamente difundida nas redes sociais, gerando debates acalorados sobre a apropriação da linguagem neutra em um símbolo nacional tão representativo.
A linguagem neutra, que tem como objetivo incluir pessoas não-binárias e evitar o uso de termos de gênero específico, tem sido tema de debate em diversas esferas da sociedade. No entanto, sua aplicação em um símbolo nacional como o Hino Brasileiro foi vista por muitos como uma afronta às tradições e à cultura brasileira.
Reações e críticas
O uso da linguagem neutra no Hino Nacional não passou despercebido pelos políticos de oposição. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou duramente a ação em suas redes sociais, questionando se a intenção era “tirar sarro” dos símbolos nacionais. Em sua postagem, ele manifestou indignação e sugeriu que a ação foi uma tentativa de desrespeitar o patriotismo brasileiro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também se posicionou contra o uso da linguagem neutra no Hino, afirmando que “desrespeitar os símbolos nacionais é crime, um crime que aconteceu embaixo do nariz do presidente da República”. Para o senador, essa atitude fere o respeito que deve ser mantido pelos símbolos que representam a nação.
A defesa dos envolvidos
Por outro lado, defensores da linguagem neutra argumentam que essa forma de expressão é uma maneira de tornar a linguagem mais inclusiva e de reconhecer a diversidade de identidades de gênero existentes na sociedade. Os apoiadores de Boulos e da linguagem neutra afirmam que o Brasil precisa avançar em termos de inclusão e que a adaptação do Hino Nacional foi um gesto simbólico, mas significativo, nesse sentido.
O contexto político
O episódio acontece em um momento sensível da política brasileira, com as eleições municipais se aproximando e com o debate sobre identidade de gênero e inclusão ganhando força no cenário nacional. Guilherme Boulos, que já é conhecido por suas posições progressistas, se tornou um dos principais defensores da causa LGBTQIA+, e a utilização da linguagem neutra em um evento de sua campanha foi vista como uma forma de reforçar seu compromisso com essas pautas.
O impacto nas eleições
Ainda não se sabe qual será o impacto desse episódio na campanha de Boulos, mas é certo que a polêmica trouxe mais visibilidade para o debate sobre a linguagem neutra e a inclusão de pessoas não-binárias na sociedade. Enquanto alguns eleitores podem ver a ação como uma demonstração de avanço e respeito à diversidade, outros podem interpretá-la como uma afronta às tradições e aos valores nacionais.
A legislação sobre símbolos nacionais
O debate sobre o uso da linguagem neutra no Hino Nacional também levanta questões sobre a legislação que rege os símbolos nacionais. O Hino, assim como a bandeira e o brasão da República, é protegido por lei, e qualquer alteração em sua forma oficial pode ser considerada um desrespeito, sujeito a penalidades.
Os críticos argumentam que a modificação de um símbolo nacional para fins políticos ou ideológicos pode abrir precedentes perigosos, enquanto os defensores veem a ação como uma evolução necessária para acompanhar as mudanças sociais.