O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou nesta sexta-feira (30) a suspensão da rede social X (antigo Twitter) em todo o Brasil. A decisão foi motivada pela falta de cumprimento de uma ordem judicial para a nomeação de um representante legal no país, uma exigência que havia sido dada à empresa com prazo de 24 horas, expirando às 20h07 da quinta-feira (29).
Anatel deve retirar a rede social X do ar
Para garantir o cumprimento da decisão, Moraes notificou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para que a rede social X seja retirada do ar em todo o território nacional dentro de um prazo máximo de 24 horas. A Anatel é responsável por instruir as operadoras de internet a bloquearem o acesso dos usuários ao X, um processo que pode não ser imediato devido a questões técnicas.
A suspensão da rede social X ocorre após o descumprimento de outras determinações judiciais anteriores, que incluíam a remoção de perfis que disseminam informações falsas e ataques contra as instituições democráticas. As multas acumuladas devido à desobediência às ordens judiciais somam R$ 18 milhões, mas a rede social também não efetuou o pagamento desses valores.
Fechamento do escritório do X no Brasil
No dia 17 de agosto, o X desativou seu escritório no Brasil, alegando que ordens judiciais emitidas por Moraes, sob sigilo, mencionavam a possibilidade de prisão da então representante legal da empresa no país, Rachel de Oliveira Villa Nova Conceição, caso as ordens judiciais fossem descumpridas. Apesar do fechamento do escritório, a plataforma continuou a oferecer seus serviços aos usuários brasileiros.
Segundo o X, as ordens de Alexandre de Moraes para a remoção de perfis com conteúdos considerados golpistas ou que atacam as instituições democráticas são “ilegais”. A empresa afirma que não obedecerá a tais ordens e, após o vencimento do prazo estipulado pelo ministro, declarou que esperava a “breve” determinação para o fechamento da plataforma no Brasil.
Contexto das decisões de Moraes
Alexandre de Moraes tem se destacado por suas decisões que visam regular o funcionamento das redes sociais no Brasil, especialmente quando se trata da disseminação de informações falsas e ataques às instituições democráticas. O ministro argumenta que a nomeação de um representante legal no país é essencial para garantir que as plataformas cumpram as leis brasileiras e colaborem com as autoridades judiciais.
Essa exigência se aplica a todas as plataformas de redes sociais que operam no Brasil. O Telegram, por exemplo, recebeu um prazo similar em 2023 para nomear um representante legal e cumpriu a determinação. No entanto, o X tem se mostrado relutante em seguir as regras brasileiras.
Bloqueio da Starlink também entra em pauta
Além da suspensão da rede social X, Alexandre de Moraes determinou o bloqueio das contas da Starlink Holding no Brasil. A Starlink, empresa de internet via satélite que também pertence a Elon Musk, foi impactada pela falta de um representante legal do X no país. Em resposta à decisão, a Starlink declarou, por meio de uma postagem na própria rede social X, que as medidas impostas por Moraes são “inconstitucionais” e anunciou que pretende recorrer na Justiça.
O próprio Elon Musk, proprietário tanto do X quanto da Starlink, usou seu perfil na rede social para criticar as ações de Moraes. Musk argumentou que a SpaceX, empresa matriz da Starlink, e o X são entidades “completamente diferentes, com acionistas diferentes”, e que a decisão do ministro pune injustamente outros acionistas e o povo brasileiro. Ele também chamou Alexandre de Moraes de “ditador” e classificou suas decisões como “absolutamente ilegais”.
Consequências para as empresas de Elon Musk no Brasil
O bloqueio da Starlink no Brasil, assim como a suspensão da rede social X, representa uma escalada nas tensões entre Elon Musk e as autoridades brasileiras. A ação de Moraes reflete a postura rigorosa que o ministro adotou em relação às redes sociais, que ele vê como plataformas que precisam operar dentro dos limites legais e constitucionais do Brasil.
A suspensão do X e o bloqueio da Starlink terão implicações significativas para os usuários brasileiros e para a própria empresa de Musk, que está enfrentando um ambiente regulatório cada vez mais desafiador no país. Essa decisão também destaca a crescente preocupação das autoridades brasileiras com o impacto das plataformas digitais na disseminação de desinformação e na estabilidade democrática.
Futuro do X no Brasil
Com o prazo de 24 horas para a retirada da plataforma do ar, resta saber como a Anatel e as operadoras de internet vão proceder tecnicamente para garantir o bloqueio da rede social. O desfecho desse conflito pode ter repercussões não apenas para o X e outras empresas de tecnologia operando no Brasil, mas também para a relação entre grandes corporações globais e as leis locais que regulamentam o uso das redes sociais e a proteção das instituições democráticas.
Enquanto isso, o público brasileiro aguarda para ver como essa situação se desenrolará e quais serão os próximos passos das autoridades e das empresas envolvidas.