O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Romeu Tuma Júnior, deu andamento ao pedido de impeachment do atual presidente do clube, Augusto Melo. A decisão foi tomada na última sexta-feira, apenas quatro dias após um grupo de conselheiros ter protocolado a solicitação formal. O caso foi encaminhado para a Comissão de Ética do clube, que já investigava questões relacionadas ao contrato de patrocínio com a VaideBet.
Tuma não iniciou um novo processo, optando por incluir o pedido de impeachment na investigação já em curso. Isso implica que os dois processos, tanto o pedido de destituição de Melo quanto a análise do contrato de patrocínio, serão tratados de maneira conjunta. Em nota, Tuma explicou: “Não há necessidade de dupla tramitação se a apuração dos fatos já em andamento na Comissão de Ética é a mesma em ambos os procedimentos.”
A Comissão de Ética do clube tem agora um prazo de cinco dias para analisar o pedido e notificar Augusto Melo sobre o processo que está sendo movido contra ele. Após ser informado, Melo terá um período de dez dias para apresentar sua defesa. Em seguida, o caso retornará à Comissão de Ética, que terá mais dez dias para emitir um parecer oficial e enviá-lo a Romeu Tuma Júnior.
ENTENDA O CONTEXTO
No início da semana, especificamente na segunda-feira, 26, um grupo de 90 conselheiros, denominado “Movimento Reconstrução SCCP”, entrou com um pedido formal para a abertura do processo de impeachment contra o presidente Augusto Melo. A iniciativa foi liderada por Mário Gobbi, ex-presidente do clube, que criticou duramente a atual gestão.
Gobbi foi enfático em sua declaração: “O Corinthians não suporta mais todo esse desmando, toda essa confusão e falta de gestão. É preciso organizá-lo o quanto antes, seja para o clube parar de sangrar, seja para que nosso time dê a resposta no campo e saia dessa situação no Campeonato Brasileiro que aflige a todos nós.” O documento entregue pelos conselheiros, com 19 páginas, detalha as razões para o pedido de destituição, sendo a principal delas as supostas irregularidades no contrato com a VaideBet, uma patrocinadora que rompeu o vínculo com o clube em junho deste ano. Além disso, o grupo menciona a rescisão anterior do contrato com a Pixbet, outra patrocinadora do Corinthians.
O requerimento apresentado exige não apenas o afastamento imediato de Augusto Melo, mas também de toda sua diretoria. Segundo os conselheiros, a atual administração tem sido prejudicial ao clube, e mudanças drásticas são necessárias para evitar um colapso administrativo e esportivo.
PRÓXIMOS DESDOBRAMENTOS
A Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians tem um prazo de cinco dias para notificar Augusto Melo sobre o processo de impeachment que está em curso. Após ser notificado, o presidente terá dez dias para elaborar e apresentar sua defesa formal. Esse é um procedimento padrão que assegura o direito de defesa ao dirigente.
Posteriormente, será convocada uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo para avaliar a defesa de Melo e decidir se o processo de impeachment deverá avançar para a fase de votação. Caso o Conselho decida pela continuidade do processo, uma assembleia geral com os associados do clube será marcada. Nessa assembleia, os associados votarão pela aprovação ou rejeição do impeachment do presidente.
Romeu Tuma Júnior, em uma declaração recente, explicou como funciona o processo: “Para afastar um dirigente eleito, você tem que aprovar um procedimento de impeachment. Esse processo precisa ser votado no Conselho, e aí, antes de ele ser julgado pela Assembleia Geral, fica afastado. Enquanto isso não acontecer, ninguém fica afastado.” Essa afirmação esclarece que, até que todas as etapas do processo sejam cumpridas, Augusto Melo continuará no exercício de suas funções como presidente do Corinthians.
O caso de impeachment de Augusto Melo atrai grande atenção, não apenas dos torcedores do Corinthians, mas também da mídia esportiva em geral. A situação do clube, tanto no campo quanto nos bastidores, vem gerando preocupações e debates sobre o futuro da instituição.