O Cruzeiro anunciou nesta segunda-feira (23) a demissão do técnico Fernando Seabra após uma sequência de resultados insatisfatórios no Campeonato Brasileiro. A gota d’água foi o empate sem gols contra o Cuiabá, vice-lanterna da competição, em partida disputada no último domingo (22). A decisão foi oficializada nas redes sociais do clube e inclui também a saída do auxiliar técnico Álvaro Martins.
Fernando Seabra assumiu o comando do Cruzeiro no início do Campeonato Brasileiro de 2024, após um período de destaque nas categorias de base do clube, onde chegou a conquistar a Copa do Brasil Sub-20. Com a chegada da SAF (Sociedade Anônima do Futebol), mantida por Pedro Lourenço, Seabra continuou no cargo e teve a missão de liderar o time em um ano de expectativas tanto no Brasileirão quanto na Copa Sul-Americana.
Nos cinco meses à frente da equipe principal, Seabra comandou 35 jogos, alcançando 17 vitórias, 10 derrotas e 8 empates. Um dos pontos altos de sua trajetória foi a surpreendente eliminação do Boca Juniors nas oitavas de final da Copa Sul-Americana, consolidando o Cruzeiro como um dos favoritos na competição continental. No entanto, apesar de uma campanha promissora na Sul-Americana, o desempenho da equipe no Brasileirão deixou a desejar, com resultados irregulares desde agosto, o que levou à insatisfação da torcida e à consequente demissão do treinador.
Trajetória de Fernando Seabra no Cruzeiro
Fernando Seabra chegou ao clube inicialmente para comandar o time Sub-20, onde rapidamente ganhou destaque com a conquista de títulos e o desenvolvimento de jovens promessas. Com isso, sua promoção ao time principal parecia natural, principalmente com o respaldo da então gestão de Ronaldo Fenômeno e a continuidade de seu trabalho mesmo após a compra da SAF por Pedro Lourenço.
Durante seu comando na equipe profissional, Seabra lidou com diversos desafios, incluindo a pressão por resultados consistentes no Brasileirão e a disputa simultânea de competições. Seu início foi promissor, com uma boa campanha na Sul-Americana, mas os tropeços no campeonato nacional começaram a pesar, especialmente após o empate com o Cuiabá, que agravou a instabilidade.
A equipe vinha oscilando desde o início de agosto, o que acendeu alertas tanto na diretoria quanto entre os torcedores. A queda de rendimento foi evidenciada principalmente no setor ofensivo, com dificuldades para converter chances em gols, mesmo jogando contra equipes da parte de baixo da tabela.
Desafios enfrentados por Seabra
A demissão de Fernando Seabra ocorreu em um momento delicado para o Cruzeiro, que ainda disputa as fases finais da Copa Sul-Americana. O time está nas quartas de final da competição, após uma vitória expressiva contra o Libertad no Paraguai por 2 a 0. A expectativa era de que Seabra pudesse conduzir a equipe às semifinais, especialmente pela vantagem adquirida no primeiro confronto, mas a diretoria optou por uma mudança antes da partida de volta, marcada para a próxima quinta-feira (26) no Mineirão.
Apesar do sucesso inicial, o Cruzeiro começou a demonstrar sinais de desgaste sob o comando de Seabra. As limitações do elenco, aliadas a lesões de jogadores importantes, acabaram impactando negativamente o desempenho da equipe, que foi gradualmente perdendo terreno na disputa por uma vaga no G-6 do Brasileirão. A pressão da torcida, que esperava um desempenho mais consistente, também foi um fator decisivo para a diretoria optar pela mudança de comando.
Os números de Seabra no Cruzeiro
Seabra encerra sua passagem pelo Cruzeiro com números razoáveis, mas insuficientes para manter seu cargo. Em 35 jogos, o técnico obteve 17 vitórias, o que corresponde a um aproveitamento de 48%. No entanto, as 10 derrotas e os 8 empates, muitos deles em jogos nos quais a equipe era favorita, acabaram por comprometer sua permanência.
Além disso, a falta de evolução tática e a dificuldade em lidar com adversários teoricamente mais fracos, como o próprio Cuiabá, foram fatores que pesaram na decisão da diretoria. No último jogo, a equipe celeste não conseguiu furar a defesa do time mato-grossense, mesmo após uma pressão intensa nos minutos finais.
Seabra deixa o Cruzeiro ocupando a sétima colocação no Campeonato Brasileiro, fora da zona de classificação direta para a Copa Libertadores de 2025, e com o time ainda vivo na Sul-Americana, mas sob a incerteza de quem será o próximo comandante a conduzir a equipe na competição internacional.
Próximos passos para o Cruzeiro
Agora, a diretoria do Cruzeiro volta suas atenções para a busca por um novo técnico. O clube precisa de um substituto que tenha a capacidade de revitalizar o elenco e trazer consistência à equipe, principalmente no Brasileirão, onde ainda há chances de alcançar o G-6 e garantir a vaga na próxima edição da Libertadores.
Entre os nomes especulados para assumir o cargo, destaca-se a busca por um treinador experiente, com histórico de conquistas e que conheça bem o futebol brasileiro. A prioridade é anunciar o novo técnico antes do jogo decisivo contra o Libertad pela Sul-Americana, mas caso não haja tempo hábil, o auxiliar técnico deverá comandar a equipe interinamente.
Além de ajustar o desempenho no Brasileirão, o próximo técnico terá a responsabilidade de guiar o Cruzeiro nas fases decisivas da Sul-Americana, uma competição que pode salvar a temporada do clube e garantir sua participação em torneios internacionais no próximo ano.
A pressão da torcida e os desafios da nova gestão
A saída de Fernando Seabra reflete, em grande parte, a pressão exercida pela torcida e pela nova gestão de Pedro Lourenço, que busca resultados mais imediatos. Após a transição para a SAF, a expectativa é de que o Cruzeiro retome sua posição de destaque no cenário nacional e internacional, o que aumenta a cobrança sobre o time e o treinador.
A torcida, que já vinha demonstrando descontentamento nas últimas rodadas, espera que o novo comandante traga um estilo de jogo mais ofensivo e eficiente. O principal desafio do Cruzeiro agora é equilibrar a busca por resultados imediatos com o desenvolvimento de um projeto sólido para o futuro, algo que a SAF de Pedro Lourenço promete implementar, mas que ainda precisa de ajustes.
Com a saída de Seabra, o Cruzeiro entra em uma nova fase de sua reestruturação, em busca de um técnico que consiga transformar o time em um competidor constante nas principais competições do futebol sul-americano.