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Lula exige ações globais contra mudanças climáticas em discurso na ONU

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Durante seu discurso na 79ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a urgência das ações contra as mudanças climáticas, ressaltando os desafios enfrentados pelo Brasil, que vive o impacto de queimadas devastadoras e eventos climáticos extremos. Em sua fala, Lula criticou a falta de cumprimento de acordos internacionais e cobrou dos países desenvolvidos maior responsabilidade na mitigação dos efeitos do aquecimento global.

Crise climática e interdependência global

Lula iniciou seu discurso alertando para a interdependência climática global, afirmando que o mundo está “condenado à interdependência das mudanças climáticas”. Ele destacou que o planeta já não pode esperar que a próxima geração resolva os problemas ambientais. “Estamos fartos de acordos climáticos que não são cumpridos”, declarou. Segundo o presidente, o auxílio financeiro prometido pelos países ricos para apoiar as nações mais vulneráveis nunca chega, e as metas de redução de emissões de carbono são constantemente negligenciadas.

O presidente brasileiro também apresentou um panorama de eventos climáticos extremos que ocorreram ao redor do mundo e no Brasil, reforçando a urgência de enfrentar a crise ambiental de forma coletiva e imediata. “O negacionismo sucumbe ante às evidências do aquecimento global”, disse Lula. “Dois mil e vinte e quatro caminha para ser o ano mais quente da história moderna.”

Eventos extremos no Brasil e no mundo

O Brasil, assim como o restante do mundo, tem sentido os efeitos das mudanças climáticas de forma drástica. Lula mencionou que o sul do país enfrentou, em 2024, a maior enchente desde 1941. Ao mesmo tempo, a Amazônia está atravessando a pior seca em 45 anos, e incêndios florestais devastaram cerca de 5 milhões de hectares no mês de agosto.

Ao citar furacões no Caribe, tufões na Ásia, e inundações e chuvas torrenciais em várias partes do mundo, Lula reforçou que esses eventos são claros sinais de que o planeta está sofrendo os efeitos diretos do aquecimento global. “É preciso agir agora, não podemos mais adiar decisões que impactam diretamente o futuro das próximas gerações”, pontuou o presidente.

Ações do governo brasileiro

Lula aproveitou a oportunidade para destacar as medidas que seu governo tem adotado no combate às mudanças climáticas e à degradação ambiental. Ele ressaltou que o Brasil conseguiu reduzir o desmatamento na Amazônia em 50% no último ano e reafirmou o compromisso de erradicar a destruição florestal até 2030. “O meu governo não terceiriza a responsabilidade e nem abdica da sua soberania”, declarou.

O presidente também enfatizou o combate ao garimpo ilegal e a crimes ambientais organizados. “Não transigiremos com ilícitos ambientais”, afirmou, reiterando a importância de ouvir as comunidades indígenas e tradicionais que habitam as florestas tropicais.

Brasil e a transição energética

Outro ponto central do discurso de Lula foi o papel do Brasil na transição energética global. Ele destacou que o país possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com 90% da eletricidade sendo gerada a partir de fontes renováveis como a biomassa, energia hidrelétrica, solar e eólica. Lula reforçou que o Brasil é pioneiro na produção de biocombustíveis, uma política iniciada há mais de 50 anos, muito antes do debate sobre energias alternativas se tornar mainstream.

Além disso, o presidente brasileiro mencionou o potencial do país na produção de hidrogênio verde, o que coloca o Brasil em uma posição de destaque no cenário global da transição energética. “O Brasil desponta como um celeiro de oportunidades neste mundo transformado pela transição energética”, declarou.

Lula reafirmou que a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) do Brasil será apresentada ainda este ano, com metas alinhadas ao objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C.

Incêndios florestais e crise das queimadas

O presidente também abordou a grave situação das queimadas no Brasil, que, em 2024, atingiram níveis alarmantes, especialmente nos biomas do Pantanal e da Amazônia. Dados do Observatório Europeu Copernicus, divulgados no dia 23 de setembro, indicam que os incêndios nesses biomas são os piores dos últimos 20 anos. Esses focos de incêndio têm afetado a qualidade do ar em boa parte da América do Sul, causando impactos severos na saúde pública.

No Brasil, a seca extrema agravou a situação de rios e reservatórios em vários estados do Norte. Lula mencionou que, no interior do Acre, o Rio Iaco registrou sua menor marca histórica durante a seca de 2024, um reflexo direto das mudanças climáticas. “A maior seca da história do Brasil afeta cerca de 1,4 mil cidades em nível extremo ou severo”, apontou o presidente.

Combate ao desmatamento e desenvolvimento sustentável

Durante o discurso, Lula destacou a importância de combater o desmatamento ilegal e promover o desenvolvimento sustentável. Ele mencionou que seu governo está trabalhando para fortalecer a bioeconomia no Brasil, com um olhar para o futuro da economia verde. O presidente reforçou a necessidade de garantir a inclusão de comunidades locais e povos indígenas nos debates e ações de proteção das florestas.

Reformas nos organismos multilaterais

Em um tom mais incisivo, Lula criticou a estrutura atual dos organismos multilaterais, como a ONU, que, segundo ele, estão nas mãos de poucos países e não refletem a realidade global. O presidente voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU, um tema recorrente em seus discursos anteriores.

“A governança global precisa ser democratizada”, afirmou Lula, argumentando que a participação de países em desenvolvimento nas decisões internacionais é essencial para enfrentar crises como as mudanças climáticas e a desigualdade global.

Pressão por mais ações dos países ricos

Em 2023, Lula já havia cobrado dos países ricos o financiamento de ações de preservação ambiental nas nações emergentes. Este ano, o presidente voltou a tocar no tema, reforçando que as promessas de auxílio financeiro feitas durante conferências climáticas, como a COP, precisam ser cumpridas.

O presidente finalizou seu discurso reiterando que o Brasil está comprometido com o combate às mudanças climáticas e que a COP30, que será realizada no país em 2025, será uma oportunidade para reafirmar esse compromisso. “O Brasil está na vanguarda da transição energética e do combate às mudanças climáticas, mas sabemos que não podemos fazer isso sozinhos. É hora de o mundo agir em conjunto”, concluiu.

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