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Torcida rubro-negra e Jovem Fla: diferenças, histórias e impacto no Flamengo

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Flamengo - Foto: Adriano Fontes / CRF Flamengo - Foto: Adriano Fontes / CRF

O Flamengo, um dos maiores clubes de futebol do Brasil, tem em sua torcida um de seus maiores trunfos. Conhecida como “Nação Rubro-Negra”, essa multidão de fãs apaixonados é famosa pela lealdade e pelo impacto que causa, tanto dentro como fora dos estádios. No entanto, dentro dessa massa de torcedores, existem grupos específicos que se organizam em torno de um único objetivo: apoiar o Flamengo de forma intensa e ativa. Dois dos principais grupos são a Torcida Jovem do Flamengo (TJF) e a Raça Rubro-Negra, ambos com trajetórias marcantes e algumas diferenças significativas em suas histórias e comportamentos.

A Raça Rubro-Negra: uma das pioneiras

Fundada em 1977, a Raça Rubro-Negra é uma das torcidas organizadas mais antigas do clube. Desde sua criação, a Raça se destacou pelo apoio vibrante ao time, sendo conhecida por sua presença massiva nos estádios e pela criação de uma atmosfera de apoio constante. A Raça foi responsável por algumas das músicas de arquibancada mais famosas do Flamengo e sempre esteve presente nos momentos mais importantes do clube, seja nas vitórias gloriosas, como a conquista da Libertadores, seja nos momentos difíceis, quando o time enfrentava crises internas e externas.

Um dos traços marcantes da Raça Rubro-Negra é seu caráter popular. Como o Flamengo é um clube historicamente associado às camadas populares do Rio de Janeiro, a Raça sempre foi uma expressão dessa ligação entre o clube e as classes trabalhadoras, ajudando a construir uma identidade de resistência e apoio incondicional ao clube. Seus integrantes estão sempre presentes nos jogos, carregando bandeiras, faixas e cantando sem parar, independente das circunstâncias do jogo.

Torcida Jovem do Flamengo: rebeldia e protagonismo

A Torcida Jovem do Flamengo (TJF), por sua vez, foi fundada em 1967, surgindo como uma dissidência da Charanga Rubro-Negra, outra torcida tradicional do clube. Desde seu início, a TJF adotou uma postura mais radical e combativa, o que a levou a conquistar uma grande base de seguidores, especialmente entre os jovens. A imagem da TJF é marcada pelo seu lema: “Nada do Flamengo, tudo pelo Flamengo”, e pelo símbolo peculiar de um tanque de guerra, representando a força e a intensidade do grupo.

Embora a TJF tenha ganhado notoriedade pelo apoio incondicional ao Flamengo, ela também ficou conhecida por seu envolvimento em episódios de violência e confrontos com torcidas rivais e até mesmo com outras organizadas do próprio Flamengo, como a Raça Rubro-Negra. O grupo chegou a ser banido dos estádios em 2013, junto com outras torcidas organizadas, após diversos incidentes de brigas e depredações. Mesmo assim, a TJF manteve sua base de torcedores ativa, e em 2022, ela conquistou o direito de voltar aos estádios, após um acordo com as autoridades do Rio de Janeiro.

Comparações e rivalidades

Quando comparamos a Raça Rubro-Negra e a Torcida Jovem do Flamengo, algumas diferenças claras emergem. Enquanto a Raça é vista como uma torcida mais “família”, com um caráter popular e menos envolvida em confrontos, a TJF sempre teve uma postura mais aguerrida e rebelde, o que atraiu principalmente os jovens torcedores do Flamengo. A rivalidade entre as duas, embora não seja sempre explícita, já resultou em alguns confrontos, especialmente quando ambas discordaram sobre alianças com torcidas de outros clubes.

A Raça Rubro-Negra, por exemplo, tem uma aliança com a torcida Camisa 12, do Corinthians, enquanto a Torcida Jovem tem uma antiga parceria com a Independente, torcida organizada do São Paulo. Essas alianças criaram um ambiente de desconfiança e, em alguns momentos, tensão entre as duas organizadas do Flamengo, especialmente durante confrontos entre o Flamengo e esses clubes paulistas.

Além disso, a Raça e a TJF têm abordagens diferentes quando se trata da relação com a diretoria do clube. A Raça Rubro-Negra sempre manteve uma postura mais conciliatória, buscando o diálogo com os dirigentes, enquanto a TJF se envolveu em várias manifestações mais críticas e, em alguns momentos, agressivas contra a administração do Flamengo. Um exemplo disso foi a participação de ex-líderes da TJF em eleições internas do clube, demonstrando o nível de envolvimento e influência que o grupo tenta exercer sobre os rumos do Flamengo.

O retorno ao Maracanã

Após anos de proibição, tanto a Raça Rubro-Negra quanto a Torcida Jovem voltaram a ocupar as arquibancadas do Maracanã em 2023. A reintegração das duas maiores organizadas do Flamengo marcou um momento simbólico para o clube e seus torcedores, que puderam novamente desfrutar do apoio massivo e organizado nas arquibancadas. Essa volta foi possível graças a um acordo com as autoridades do Rio de Janeiro, que permitiu que as organizadas voltassem a usar bandeiras, faixas e baterias dentro dos estádios, sob a condição de que seus membros respeitassem regras de comportamento.

Para muitos torcedores, a volta dessas torcidas organizadas ao Maracanã trouxe de volta o “calor” das arquibancadas, algo que havia se perdido com o banimento. O retorno de Raça e TJF ajudou a reavivar o espírito vibrante que sempre caracterizou os jogos do Flamengo em sua casa histórica, criando uma atmosfera que intimida adversários e motiva os jogadores.

A força das torcidas na identidade do Flamengo

Ambas as torcidas, a Raça Rubro-Negra e a Torcida Jovem do Flamengo, desempenham papéis fundamentais na construção da identidade do clube e de sua torcida. Elas são responsáveis por muitas das músicas que ecoam pelos estádios, por organizar viagens para acompanhar o time em diferentes cidades e até por promover ações sociais em nome do Flamengo. Mesmo com suas diferenças, as duas torcidas contribuem para a mesma causa: o apoio incondicional ao clube.

No entanto, é importante notar que, com o passar dos anos, tanto a Raça quanto a TJF têm buscado se reinventar. Com o aumento das restrições em relação ao comportamento das organizadas nos estádios e fora deles, ambos os grupos têm trabalhado para se adaptar às novas regras e garantir que sua presença seja marcada mais pelo apoio ao clube e menos pelos episódios de violência que marcaram suas histórias no passado.

A Raça Rubro-Negra e a Torcida Jovem do Flamengo são pilares importantes da Nação Rubro-Negra. Cada uma, à sua maneira, contribui para a cultura vibrante e apaixonada da torcida do Flamengo. Enquanto a Raça representa uma tradição de apoio popular e pacífico, a TJF carrega um histórico de intensidade e militância, que reflete o espírito mais aguerrido dos jovens torcedores. Juntas, elas ajudam a moldar a identidade do Flamengo como um clube movido pela paixão incondicional de sua torcida.

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