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Romeiro atropelado na Via Dutra era cunhado de ex-líder do PCC

Romeiro PCC
Romeiro PCC - Foto reprodução

Um trágico incidente ocorreu no início de outubro de 2024, quando Edmilson de Menezes, de 51 anos, morreu ao ser atropelado por um ônibus enquanto participava de uma romaria em direção ao Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo. O caso chamou atenção não apenas pela morte durante uma peregrinação, mas também pelas conexões que Menezes tinha com o crime organizado, sendo cunhado de Roberto Soriano, o “Tiriça”, ex-líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores facções criminosas do Brasil.

O acidente fatal

Edmilson Menezes, mais conhecido pelos apelidos “Grilo” ou “Bicho que Pula”, estava realizando a peregrinação anual em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Durante o percurso, na Rodovia Presidente Dutra, próximo à cidade de Santa Isabel, ele foi atropelado por um ônibus de turismo. O acidente, que ocorreu durante a noite, deixou outras duas pessoas feridas, mas que recusaram atendimento médico no local.

A ausência de coletes refletivos pode ter contribuído para o acidente. Segundo relatos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), os romeiros não seguiam as recomendações de segurança, como o uso de roupas claras e coletes, o que dificultaria a visibilidade dos motoristas à noite. Esse tipo de romaria é comum na época do feriado de 12 de outubro, quando milhares de fiéis caminham até o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, porém, a caminhada pelas rodovias é extremamente perigosa, principalmente à noite.

A conexão com o crime organizado

A história de Edmilson de Menezes vai além de sua devoção religiosa. Ele era cunhado de Roberto Soriano, mais conhecido como “Tiriça”, uma figura de destaque dentro do PCC. Soriano foi preso após disputas internas na organização criminosa, principalmente com Marco Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, o atual líder do PCC. Tiriça, que foi expulso da facção após um conflito com Marcola, ainda é um nome relevante nos bastidores do crime organizado, e a ligação familiar com Menezes trouxe mais atenção ao caso do atropelamento.

Menezes já havia sido alvo de investigações em operações policiais, como a Operação Shark, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). As investigações apontaram que ele fazia parte do braço financeiro do PCC, movimentando milhões de reais provenientes do tráfico de drogas. Apesar das graves acusações, Menezes foi absolvido das acusações em junho de 2022, após recorrer à Justiça.

Durante o período das investigações, Edmilson de Menezes foi associado à “Sintonia dos Gravatas”, uma célula do PCC responsável por cuidar dos negócios jurídicos da facção, incluindo a comunicação entre os líderes presos e os advogados. Esse setor também é conhecido por intermediar informações importantes que saem das penitenciárias para os outros membros do grupo criminoso.

Disputas internas no PCC

A morte de Edmilson Menezes acontece em um contexto de disputas internas dentro do PCC. “Tiriça”, seu cunhado, tornou-se inimigo de Marcola após o vazamento de uma conversa gravada, que contribuiu para a condenação de Soriano pelo assassinato de uma psicóloga em um presídio de segurança máxima no Paraná. Esse incidente aprofundou as divisões no alto escalão do PCC, levando à criação de uma facção dissidente chamada “Primeiro Comando Puro”, liderada por Soriano e outros antigos membros da cúpula da facção.

Essas disputas internas, embora ocorram nas sombras do crime organizado, continuam a ter repercussões graves tanto para os envolvidos quanto para a segurança pública, especialmente no estado de São Paulo, onde o PCC mantém suas principais operações.

A romaria interrompida

Todos os anos, milhares de romeiros seguem em direção ao Santuário de Aparecida, percorrendo longas distâncias a pé ou de bicicleta. No entanto, essa tradição de fé também é marcada por riscos. A Rodovia Presidente Dutra, que liga o Rio de Janeiro a São Paulo, é uma das principais vias utilizadas pelos peregrinos. Nos dias próximos ao feriado de 12 de outubro, a rodovia recebe um fluxo intenso de romeiros, o que aumenta o risco de acidentes, especialmente quando não são seguidas as orientações de segurança.

As autoridades rodoviárias alertam anualmente para o uso de roupas adequadas e a preferência por horários diurnos para caminhar. No entanto, acidentes como o que vitimou Edmilson Menezes infelizmente não são raros. A concessionária responsável pelo trecho da Dutra confirmou que não houve interdição da pista após o acidente, mas reforçou a necessidade de cuidados redobrados por parte dos peregrinos.

Implicações para a segurança pública

A morte de um romeiro com ligações diretas ao crime organizado traz à tona discussões sobre a segurança nas estradas e o alcance do PCC em diversas esferas da sociedade. A facção, que já demonstrou capacidade de infiltração nas mais diversas camadas da sociedade, continua a ser uma das maiores preocupações das autoridades brasileiras. A complexa teia de relacionamentos entre criminosos e suas famílias, como no caso de Edmilson Menezes, demonstra que o crime organizado não está apenas nas prisões, mas também se reflete nas vidas cotidianas de muitos.

Por outro lado, a romaria a Aparecida continua sendo um dos eventos religiosos mais importantes do país, atraindo milhões de fiéis. A tradição de caminhar até o santuário é vista como um ato de fé e devoção, mas é fundamental que medidas de segurança sejam reforçadas para evitar mais tragédias.

A morte de Edmilson de Menezes, além de ser uma tragédia familiar, revela as camadas profundas de violência e criminalidade que permeiam certos segmentos da sociedade brasileira. O envolvimento dele com o PCC e sua absolvição em uma das maiores operações contra o tráfico de drogas do país são apenas parte da complexa história de um homem que, mesmo em uma caminhada religiosa, não pôde escapar de seu passado turbulento.

Essa tragédia serve de alerta tanto para os peregrinos quanto para as autoridades, que precisam estar mais atentas aos riscos que envolvem as romarias, além de evidenciar como a sombra do crime organizado se estende até mesmo em momentos de fé e devoção.

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