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Fifpro e ligas europeias se unem contra o calendário da Fifa: “Abuso de poder”

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Poetra.RH / Shutterstock.com FIFA - Foto: Poetra.RH / Shutterstock.com

O calendário do futebol internacional está no centro de uma grande crise. A Fifa, entidade máxima do futebol mundial, está sendo alvo de críticas contundentes das ligas europeias e do sindicato internacional de jogadores (Fifpro). Em uma reunião realizada nesta segunda-feira (14) em Bruxelas, Bélgica, representantes das principais ligas da Europa e membros da Fifpro afirmaram que a Fifa está “abusando de seu poder” ao expandir incessantemente o calendário de competições, o que estaria colocando em risco a saúde física e mental dos atletas. O descontentamento é tamanho que até uma greve geral está sendo discutida, caso as demandas das entidades não sejam atendidas.

Meta Descrição: As ligas europeias e o sindicato internacional de jogadores criticam a Fifa por inchar o calendário e ameaçam greve.

Aumento desenfreado do calendário da Fifa

Nos últimos anos, a Fifa tem implementado mudanças significativas no calendário do futebol internacional, expandindo o número de competições e aumentando a quantidade de jogos por temporada. Entre as principais mudanças estão a criação de um Mundial de Clubes com 32 equipes, previsto para 2025, o aumento do número de rodadas da Liga dos Campeões e a ampliação da Liga das Nações de seleções. Além disso, a Copa do Mundo, que tradicionalmente contava com 32 seleções, será expandida para 48 a partir de 2026.

Essa expansão, no entanto, não é vista com bons olhos pelas ligas e pelos jogadores. O presidente da Fifpro, David Terrier, foi direto ao criticar a postura da Fifa: “A nossa queixa para a Comissão Europeia é clara: a Fifa está abusando de seu poder de ditar o calendário de jogos internacionais e expandir suas próprias competições – e, assim, aumentar suas receitas”, declarou durante a coletiva de imprensa realizada após a reunião.

A ameaça de uma greve

Com o descontentamento crescente, a ideia de uma greve geral começa a ganhar força nos bastidores do futebol europeu. Jogadores de diversas ligas já demonstraram seu descontentamento com o aumento da carga de trabalho e, nos últimos dias, vários atletas se manifestaram publicamente contra as novas mudanças. A Fifpro tem se mostrado um dos maiores defensores dos atletas e promete pressionar a Fifa para que o calendário seja revisado.

“O calendário internacional de futebol saturado coloca em risco a segurança e o bem-estar dos jogadores e ameaça a sustentabilidade econômica e social de competições nacionais que são apreciadas há gerações pelos torcedores”, afirmou a Fifpro em conjunto com as Ligas Europeias em um comunicado oficial. A queixa foi formalmente apresentada à Comissão Europeia, e as entidades envolvidas esperam que a Fifa leve em consideração as preocupações levantadas e volte atrás em algumas de suas decisões.

As principais demandas das ligas e da Fifpro

Os líderes das ligas europeias, bem como os executivos da Fifpro, apresentaram uma série de demandas à Fifa. Entre elas, destaca-se a necessidade de uma revisão no calendário, levando em conta o bem-estar dos atletas e a sustentabilidade do futebol em longo prazo. A preocupação não é apenas com a saúde física dos jogadores, mas também com o impacto mental de um calendário tão apertado.

Segundo Richard Masters, CEO da Premier League, uma das principais ligas do mundo, a situação chegou a um ponto crítico. “O feedback que temos dos jogadores é que há muito futebol sendo jogado e há uma expansão constante. A Premier League não mudou de forma. O que mudou nas últimas décadas foi a marcha das competições internacionais e regionais de futebol”, criticou o dirigente. A fala de Masters reflete a insatisfação de muitos dirigentes das principais ligas europeias, que veem na Fifa um órgão mais preocupado com o lucro do que com a preservação do esporte.

A visão dos dirigentes sobre o impacto nas competições nacionais

O CEO da Serie A, Luigi De Siervo, compartilhou da opinião de Masters e criticou a sobrecarga no calendário, que, segundo ele, não é causada pelas ligas nacionais, mas sim pela Fifa e pela Uefa. “A Serie A, como quase todas as outras Ligas Europeias, nos últimos 20 anos não aumentou o número de jogos. Pelo contrário, a Fifa e a Uefa, ciclo após ciclo, aumentaram constantemente o tamanho de suas competições para clubes e seleções nacionais e agora chegamos a um ponto de saturação no calendário”, lamentou De Siervo.

Esse cenário gera preocupação para clubes, jogadores e torcedores. Para as equipes, um calendário tão cheio compromete a preparação adequada para as competições, além de aumentar o risco de lesões. Para os atletas, o desgaste físico e mental é evidente, o que pode comprometer a longevidade de suas carreiras. Já para os torcedores, há o receio de que a qualidade do futebol apresentado caia, uma vez que os jogadores estarão sempre no limite de suas capacidades físicas.

O papel da Uefa na discussão

Além da Fifa, a Uefa também é alvo de críticas. A entidade europeia, responsável por competições como a Liga dos Campeões e a Liga Europa, tem contribuído para o inchaço do calendário, especialmente com a criação de novas competições, como a Liga das Nações, e a ampliação de torneios já consolidados.

A Liga dos Campeões, por exemplo, passará a contar com mais rodadas a partir da próxima temporada, o que, para muitos, é mais uma evidência de que as entidades estão mais focadas no lucro do que no bem-estar dos atletas. “O problema do calendário sobrecarregado não é causado pelas competições da liga, mas pela Fifa, com seu novo formato e duração dos torneios, e pela Uefa com a Liga das Nações e as novas competições de clubes da Uefa com o aumento do número de datas e jogos”, destacou Luigi De Siervo.

O futuro do futebol e as possíveis consequências

Com a reunião desta segunda-feira, as ligas europeias e a Fifpro deram um importante passo na tentativa de reverter as decisões da Fifa. No entanto, o caminho até um consenso parece longo e cheio de obstáculos. Caso a Fifa não esteja disposta a reconsiderar suas decisões, a possibilidade de uma greve geral no futebol europeu pode se tornar uma realidade, algo que seria prejudicial não apenas para as competições, mas para a imagem do futebol mundial.

As próximas semanas serão decisivas para o futuro do calendário do futebol internacional. A pressão das ligas e dos jogadores é grande, e a Fifa terá que decidir se está disposta a dialogar ou se seguirá com seus planos, independentemente das críticas que tem recebido.

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