O Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, viveu um momento de grande importância para a aviação no sul do Brasil com a retomada dos voos comerciais após cinco meses de paralisação. O aeroporto, um dos principais hubs da região, enfrentou sérios desafios devido às enchentes que atingiram o estado do Rio Grande do Sul, deixando o terminal fechado por um longo período para a execução de obras emergenciais e reestruturação da pista de pouso e decolagem.
A enchente e o impacto na infraestrutura do aeroporto
A paralisação das operações no Aeroporto Salgado Filho ocorreu em maio de 2024, quando o terminal foi gravemente afetado por fortes enchentes. Durante esse período, o Rio Grande do Sul enfrentou um dos desastres naturais mais severos de sua história recente, com inundações que causaram prejuízos em diversas áreas do estado, incluindo a infraestrutura de transportes. No caso do Salgado Filho, as águas atingiram diretamente as pistas e áreas de movimentação, o que impossibilitou a realização de qualquer tipo de operação aérea comercial.
A necessidade de reparos extensivos foi identificada de imediato, envolvendo a reconstrução de partes críticas da pista principal. Além da pista, outros sistemas de drenagem, sinalização e controle de tráfego aéreo precisaram ser revitalizados. A concessionária responsável pela administração do aeroporto, em conjunto com autoridades locais e federais, iniciou rapidamente os trabalhos de recuperação, mas a extensão dos danos exigiu uma longa fase de ajustes.
Primeiros passos para a reabertura
Com o avanço das obras, as autoridades anunciaram a retomada parcial das operações no aeroporto para outubro de 2024. A reabertura foi marcada por eventos oficiais que contaram com a presença de autoridades do governo federal, incluindo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta. Os dois estiveram a bordo do primeiro voo oficial de retorno ao Salgado Filho, que aterrissou por volta das 9h40, simbolizando o marco de reconstrução do principal aeroporto gaúcho.
Nos primeiros dias de operação, estima-se que 71 voos serão realizados, com a previsão de movimentação de aproximadamente 9 mil passageiros. Esses números são bastante significativos, considerando que, durante o período de fechamento do aeroporto, o terminal da Base Aérea de Canoas assumiu algumas funções emergenciais, permitindo a continuidade de viagens essenciais.
O processo de reconstrução da pista
Para que o aeroporto pudesse voltar a operar, uma série de reparos fundamentais foi realizada ao longo de mais de cinco meses. A pista principal do Salgado Filho, que possui uma extensão de 3,2 mil metros, sofreu danos severos e precisou de obras estruturais em grande escala. A primeira fase da reabertura permitiu a utilização de 1.730 metros da pista, enquanto a fase final dos reparos, que inclui a recuperação de mais 1.400 metros, está prevista para ser concluída até o final de dezembro de 2024. Essa divisão do trabalho foi necessária para garantir a segurança das operações sem comprometer a continuidade das obras de longo prazo.
As obras incluíram a fresagem do pavimento, a recomposição de camadas de asfalto, inspeções detalhadas das placas de concreto da pista e a limpeza de detritos deixados pela enchente. Essas etapas garantiram que o terminal pudesse, inicialmente, receber apenas voos nacionais, com a perspectiva de, em breve, também atender voos internacionais.
Retomada gradual dos voos comerciais
No dia 21 de outubro de 2024, o aeroporto finalmente retomou suas operações com voos comerciais regulares. Entre os primeiros destinos confirmados estão as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A expectativa é que, até o final de novembro, o número de voos diários aumente para 122, com a movimentação de cerca de 16 mil passageiros por dia. Esses voos serão realizados por diversas companhias aéreas nacionais, que já começaram a oferecer passagens para as novas rotas saindo de Porto Alegre.
A Latam, uma das maiores operadoras no terminal, anunciou que seu primeiro voo de retorno ao Salgado Filho será realizado com uma tripulação 100% composta por gaúchos, reforçando o simbolismo do momento para a comunidade local. Outras empresas aéreas, como Gol e Azul, também estão prontas para retomar suas operações no aeroporto.
Desafios enfrentados e expectativas para o futuro
A reabertura do Aeroporto Salgado Filho representa um alívio não só para o setor de aviação, mas também para a economia regional. O Rio Grande do Sul, sendo um estado de forte participação no agronegócio e na indústria, depende muito do transporte aéreo para movimentação de executivos, turistas e carga. Durante o período de inatividade do aeroporto, a economia local foi diretamente impactada, com perdas significativas em setores como o turismo, o comércio e os serviços.
Apesar do otimismo com a reabertura, as autoridades reconhecem que ainda há desafios a serem enfrentados. A conclusão das obras na pista principal e a total recuperação das operações internacionais são metas que continuam no horizonte, com expectativa de que o aeroporto volte a operar com 100% de sua capacidade até o início de 2025.
A reabertura também levanta discussões sobre a resiliência da infraestrutura aeroportuária frente a eventos climáticos extremos, que estão se tornando cada vez mais frequentes em várias partes do mundo. No caso do Rio Grande do Sul, especialistas destacam a necessidade de planos de contingência mais robustos para mitigar os impactos de futuras enchentes.
A volta das operações no Aeroporto Salgado Filho marca uma nova fase para o transporte aéreo no sul do Brasil. Após meses de esforços conjuntos entre o governo federal, estadual e a iniciativa privada, o terminal aeroportuário de Porto Alegre está pronto para retomar seu papel central na logística e mobilidade da região. A expectativa é que, com a finalização das obras, o aeroporto não só recupere, mas expanda suas operações, consolidando-se como um dos principais hubs do país.