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Médicos alertam: sintomas da sarna não devem ser ignorados

Sarna
Sarna - Foto: Kunlathida6242/ Shutterstock.com Sarna - Foto: Kunlathida6242/ Shutterstock.com

A sarna, também conhecida como escabiose, é uma doença de pele causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, um parasita microscópico que se alimenta de queratina, uma proteína presente na camada superficial da pele humana. Esta condição é altamente contagiosa e, apesar de ser mais comum em ambientes com más condições de higiene ou superlotação, pode afetar qualquer pessoa, independentemente de sua condição socioeconômica. Os médicos de clínica geral têm reforçado a importância de não subestimar os sinais e sintomas da doença, uma vez que a detecção precoce pode evitar complicações sérias e a transmissão para outras pessoas.

Principais sintomas da sarna

O sintoma mais característico da sarna é a coceira intensa, que costuma piorar à noite. Isso ocorre devido à reação alérgica do corpo à presença dos ácaros. Além da coceira, outros sinais comuns incluem:

  • Pequenas bolhas ou pápulas: Lesões que aparecem especialmente nas dobras da pele, como entre os dedos das mãos, nas axilas, ao redor da cintura, nos pulsos e nos genitais.
  • Linhas ou túneis na pele: Resultantes do deslocamento dos ácaros sob a pele, que criam minúsculos túneis visíveis em algumas áreas afetadas.
  • Irritação e crostas: Nas fases mais avançadas, a coceira constante pode levar a arranhões que causam crostas e possíveis infecções secundárias na pele.

Esses sintomas podem demorar semanas para aparecer após a infestação, o que torna a sarna uma doença traiçoeira. Durante esse período, uma pessoa pode transmitir o ácaro a outros indivíduos sem saber que está infectada.

Como ocorre o contágio?

A sarna é transmitida principalmente pelo contato direto e prolongado com a pele de uma pessoa infectada, como apertos de mão prolongados ou relações íntimas. No entanto, ela também pode ser disseminada por meio de objetos contaminados, como roupas de cama, toalhas e até mesmo móveis estofados. Isso faz com que a doença se espalhe rapidamente em ambientes com muitas pessoas, como creches, escolas, prisões e asilos.

É importante lembrar que animais como cães e gatos também podem ser infectados por uma versão diferente do ácaro da sarna, embora esses ácaros específicos não sobrevivam por muito tempo na pele humana. No entanto, o contato com animais infectados pode provocar irritação temporária na pele de humanos.

Grupos de risco

Embora a sarna possa afetar qualquer pessoa, alguns grupos são mais vulneráveis. Pacientes imunossuprimidos, como aqueles com AIDS, linfomas ou que fazem uso de medicamentos imunossupressores, têm um risco maior de desenvolver formas graves da doença, como a sarna crostosa. Esta variação da sarna é caracterizada por crostas espessas que cobrem grandes áreas do corpo e é altamente contagiosa, uma vez que contém um número muito maior de ácaros do que a versão comum da doença.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da sarna é geralmente clínico, ou seja, feito com base nos sintomas e no histórico médico do paciente. Em alguns casos, o médico pode solicitar um exame de raspagem da pele para confirmar a presença dos ácaros ou de seus ovos. A observação das lesões, sua localização característica (geralmente nas mãos, pulsos e genitais) e a coceira intensa noturna são fatores importantes na avaliação clínica.

O tratamento envolve o uso de medicamentos conhecidos como escabicidas, que podem ser aplicados diretamente na pele em forma de loções ou cremes. A permetrina 5% e o benzoato de benzila são os tratamentos tópicos mais comuns. Além disso, em casos mais resistentes ou em surtos que afetam várias pessoas, como em lares ou presídios, a ivermectina oral também pode ser prescrita. A ivermectina é geralmente tomada em dose única, com uma repetição após duas semanas.

Durante o tratamento, é fundamental que todos os membros da família ou pessoas em contato próximo também sejam tratados, mesmo que não apresentem sintomas. Isso ajuda a prevenir a reinfestação, já que o ácaro pode sobreviver fora do corpo por um curto período de tempo, em roupas ou objetos.

Prevenção e cuidados adicionais

Para evitar a propagação da sarna, os médicos recomendam algumas práticas de higiene importantes:

  • Lavar roupas e roupas de cama em água quente: O calor é essencial para matar os ácaros, então as roupas, toalhas e lençóis de uma pessoa infectada devem ser lavados em temperaturas acima de 55ºC.
  • Evitar o compartilhamento de objetos pessoais: Toalhas, roupas e até mesmo pentes e escovas de cabelo não devem ser compartilhados.
  • Limpeza regular de superfícies e objetos: Para eliminar qualquer chance de contágio indireto, móveis estofados e outros objetos de uso compartilhado devem ser desinfetados regularmente.

Além dessas medidas, é aconselhável evitar contato físico próximo com outras pessoas até que o tratamento esteja completo e os ácaros tenham sido eliminados. Para pacientes que trabalham em ambientes onde há muita interação com o público, como escolas e hospitais, pode ser necessário afastamento temporário até a cura total.

Complicações da sarna

Se a sarna não for tratada adequadamente, ela pode levar a complicações sérias. Uma das complicações mais comuns é a infecção bacteriana secundária, causada pelos arranhões que rompem a barreira protetora da pele. Isso pode resultar em impetigo, uma infecção de pele que, se não for tratada, pode se espalhar e causar maiores complicações.

Outra complicação possível é a sarna crostosa, uma forma mais severa da doença que, como mencionado, afeta principalmente indivíduos imunocomprometidos. Essa variação é marcada por crostas espessas e pode cobrir grandes partes do corpo, sendo muito mais difícil de tratar do que a sarna comum.

A importância da conscientização

Os médicos destacam que a escabiose é uma condição que, embora comum, pode ser prevenida e tratada com sucesso. O mais importante é não ignorar os sinais e procurar atendimento médico assim que os sintomas começarem a se manifestar. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, mais rápido e eficaz será o tratamento, evitando o sofrimento prolongado do paciente e a disseminação da doença para outras pessoas.

A conscientização sobre a sarna é essencial para reduzir o estigma em torno da doença. Muitas pessoas ainda associam a sarna a falta de higiene ou condições de vida insalubres, o que não é verdade, já que qualquer pessoa pode ser infectada. A educação sobre os sintomas, formas de transmissão e tratamentos disponíveis pode ajudar a diminuir a incidência de casos e garantir que os pacientes recebam o cuidado adequado.

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