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Como o INSS calcula a aposentadoria por invalidez e quando ela pode ser integral?

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Andrey_Popov/shutterstock.com Andrey_Popov/shutterstock.com

A aposentadoria por invalidez, agora chamada de aposentadoria por incapacidade permanente, é um dos benefícios oferecidos pelo INSS a trabalhadores que se encontram incapazes de exercer suas funções profissionais por conta de doenças ou acidentes. A Reforma da Previdência de 2019 trouxe mudanças importantes, afetando diretamente o cálculo do benefício e os critérios para concessão do valor integral.

O que é a aposentadoria por invalidez e quem tem direito?

A aposentadoria por invalidez é um benefício destinado a segurados do INSS que não conseguem mais exercer nenhuma atividade laboral devido a limitações permanentes. Essa incapacidade pode ser causada por doenças graves, acidentes de trabalho ou lesões incapacitantes. Para ter direito ao benefício, o segurado deve passar por uma perícia médica do INSS, que determinará se ele realmente está inapto para qualquer tipo de trabalho.

As regras de concessão incluem:

  • O segurado deve estar contribuindo regularmente com o INSS ou estar dentro do período de graça, que garante a manutenção da qualidade de segurado por um tempo após cessar as contribuições.
  • Em casos de doenças graves ou acidentes, o requisito de carência, que exige um número mínimo de contribuições, pode ser dispensado.
  • O segurado precisa apresentar laudos médicos, exames e documentos comprobatórios de sua condição de saúde.

Como é calculado o valor da aposentadoria por invalidez?

O cálculo do benefício depende de dois fatores principais: o início da incapacidade e o tempo de contribuição. A Reforma da Previdência de 2019 alterou as regras para o cálculo, distinguindo os segurados que tiveram sua incapacidade reconhecida antes ou depois da mudança.

Antes da Reforma: O cálculo era simples e mais vantajoso. O valor do benefício correspondia a 100% da média dos 80% maiores salários de contribuição do segurado. Ou seja, desconsideravam-se os 20% menores salários, resultando em uma média mais alta e, geralmente, no valor integral.

Depois da Reforma: O cálculo tornou-se mais complexo e, na maioria dos casos, menos favorável. Agora, considera-se a média de todos os salários de contribuição do segurado, sem excluir os menores valores. A regra geral é que o segurado recebe 60% dessa média, acrescidos de 2% por cada ano de contribuição que exceda 15 anos para mulheres e 20 anos para homens.

Exemplo prático: Uma segurada com 18 anos de contribuição terá o cálculo baseado em 66% da média de seus salários, sendo 60% mais 6% referentes aos três anos excedentes.

Situações em que o benefício pode ser integral

Mesmo com as mudanças impostas pela Reforma, há condições que garantem ao segurado o direito de receber 100% do benefício. São elas:

  1. Acidente de trabalho: Quando a incapacidade é decorrente de um acidente ocorrido no ambiente laboral.
  2. Doenças ocupacionais: Condições de saúde diretamente ligadas à atividade profissional desempenhada.
  3. Incapacidade reconhecida antes da Reforma: Segurados cuja invalidez tenha sido diagnosticada antes de 13 de novembro de 2019.
  4. Tempo elevado de contribuição: Mulheres com 35 anos e homens com 40 anos de contribuição podem receber o valor integral.

Acréscimo de 25% para segurados que necessitam de ajuda permanente

Uma característica adicional importante da aposentadoria por invalidez é a possibilidade de acréscimo de 25% no benefício para segurados que necessitam de assistência permanente para realizar atividades básicas, como se alimentar ou tomar banho. Esse aumento é garantido por lei e se aplica mesmo que o valor total do benefício ultrapasse o teto previdenciário.

O segurado deve comprovar a necessidade de ajuda por meio de documentos médicos e passar por uma nova perícia. Vale lembrar que esse acréscimo cessa com o falecimento do segurado e não é transferido para dependentes como parte da pensão por morte.

Exemplo de aplicação prática

A mudança no cálculo após a Reforma da Previdência pode ser ilustrada com exemplos reais. Em 2019, a médica veterinária Carolinna foi diagnosticada com neuralgia do trigêmeo, uma condição extremamente incapacitante. Com base na média dos 80% maiores salários, ela recebeu o valor integral de R$ 2.128,25. Já em 2024, a auxiliar de limpeza Fernanda, com uma doença degenerativa, teve seu benefício calculado em 66% da média salarial, resultando em R$ 1.575,42, devido à aplicação das novas regras.

Como solicitar o acréscimo de 25% na aposentadoria?

O processo para requerer o adicional de 25% é realizado pelo portal ou aplicativo Meu INSS. O segurado precisa seguir etapas específicas:

  1. Acessar o sistema e localizar a opção “Solicitar acréscimo de 25%”.
  2. Preencher os dados pessoais e anexar os documentos médicos que comprovem a necessidade de assistência permanente.
  3. Agendar e comparecer à perícia médica.

Este acréscimo pode ser essencial para garantir maior qualidade de vida ao segurado que precisa de apoio constante.

Impacto da Reforma da Previdência na concessão do benefício

A Reforma da Previdência trouxe impactos significativos para os segurados. Antes da mudança, a exclusão dos 20% menores salários de contribuição permitia uma média salarial mais elevada, resultando em benefícios com valores mais próximos da realidade financeira dos trabalhadores. Após a reforma, a inclusão de todos os salários de contribuição e a redução do percentual inicial tornaram o benefício menos vantajoso em muitos casos.

Além disso, o tempo de contribuição passou a ter um papel ainda mais relevante no cálculo, o que pode prejudicar segurados mais jovens ou com carreiras instáveis. Entretanto, as exceções para casos de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais continuam assegurando condições mais justas para aqueles em situações específicas.

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