O quinto dia útil de março de 2025, que neste ano cai na quinta-feira, dia 6, promete movimentar cerca de R$ 70 bilhões na economia brasileira com o pagamento de salários, aposentadorias, pensões e benefícios sociais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Essa data, tradicionalmente aguardada por milhões de trabalhadores e beneficiários, é definida pelo artigo 459 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que estabelece o prazo limite para empresas quitarem a folha de pagamento do mês anterior, fevereiro, o mais curto do ano com apenas 28 dias. Em um cenário de inflação acumulada em 4,5% nos últimos 12 meses e um salário mínimo de R$ 1.531, o repasse desses valores deve impactar diretamente o consumo em setores como comércio varejista, serviços e alimentação, injetando fôlego extra em um início de ano marcado por desafios econômicos. Além disso, o governo federal antecipou o calendário do INSS para aposentados e pensionistas com benefícios até um salário mínimo, começando já no dia 3, enquanto o Bolsa Família segue o cronograma habitual a partir do dia 17.
Cerca de 21 milhões de trabalhadores formais do setor privado, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), devem receber seus salários até o dia 6, totalizando aproximadamente R$ 45 bilhões, considerando a média salarial nacional de R$ 2.149 estimada pelo IBGE em 2024 e ajustada para 2025. No serviço público, outros 11,6 milhões de servidores federais, estaduais e municipais também terão seus vencimentos depositados, somando cerca de R$ 18 bilhões à economia, com valores médios que variam entre R$ 1.500 e R$ 3.000, dependendo do cargo e da esfera. Para os 38 milhões de beneficiários do INSS, o pagamento escalonado entre os dias 3 e 7 de março, começando pelos que ganham até um mínimo, adiciona R$ 5 bilhões ao montante circulante na primeira semana do mês. Já o Bolsa Família, que atende 20,8 milhões de famílias, injetará mais R$ 2 bilhões a partir do dia 17, com o valor médio do benefício fixado em R$ 965 por família em 2025.
A coincidência do quinto dia útil com os pagamentos antecipados do INSS e a proximidade do início do Bolsa Família cria um efeito cascata no comércio e nos serviços. Pequenos negócios, como supermercados, farmácias e padarias, já se preparam para um pico de vendas entre os dias 6 e 10 de março, enquanto bancos e fintechs registram aumento nas transações digitais, com um crescimento projetado de 12% em saques e transferências em relação ao mesmo período de 2024. O impacto, porém, não é uniforme: em regiões mais pobres, como o Nordeste, onde 48% das famílias dependem do Bolsa Família, o dinheiro circula mais lentamente até o dia 17, enquanto capitais como São Paulo e Rio de Janeiro sentem o efeito imediato dos salários do setor privado e público logo no dia 6.
Calendário define fluxo de pagamentos
O quinto dia útil de março, que neste ano é 6 de março, segue uma regra fixa da CLT: empresas devem pagar os salários referentes ao mês anterior até o quinto dia útil, excluindo sábados, domingos e feriados. Como fevereiro tem 28 dias, o cálculo considera os dias 1º (segunda), 3 (terça), 4 (quarta), 5 (quinta) e 6 (sexta) como dias úteis, fixando o prazo final na quinta-feira. Esse padrão beneficia trabalhadores formais, que representam 42% da força de trabalho brasileira, segundo o IBGE, garantindo previsibilidade para cerca de 21 milhões de pessoas no setor privado.
Para os beneficiários do INSS, o governo ajustou o cronograma em 2025, antecipando os pagamentos para aposentados e pensionistas com benefícios de até um salário mínimo. Os depósitos começam no dia 3 para quem tem cartão com final 1, seguindo até o dia 7 para o final 0, enquanto os que recebem acima do mínimo têm depósitos escalonados entre 10 e 14 de março. Já o Bolsa Família mantém o calendário tradicional, iniciando no dia 17 para finais de NIS 1 e encerrando no dia 28 para finais 0, totalizando 10 dias úteis de repasses.
Impacto econômico ganha destaque
O volume de R$ 70 bilhões movimentado até o fim de março reflete a importância do quinto dia útil e dos benefícios sociais na economia. No setor privado, os R$ 45 bilhões em salários devem aquecer o consumo em cidades de médio e grande porte, onde o comércio varejista espera um aumento de 8% nas vendas em relação à média mensal, especialmente em itens de primeira necessidade como alimentos e higiene. No setor público, os R$ 18 bilhões pagos a servidores federais, estaduais e municipais reforçam o poder de compra em regiões com alta concentração de funcionários públicos, como Brasília, que abriga 350 mil servidores federais.
Os benefícios do INSS, com R$ 5 bilhões na primeira semana, beneficiam diretamente 38 milhões de aposentados e pensionistas, muitos dos quais vivem em cidades pequenas e dependem desses valores para despesas básicas. O Bolsa Família, com R$ 2 bilhões, alcança 20,8 milhões de famílias, sendo 48% no Nordeste, onde o impacto no PIB local chega a 2,5% em meses de pagamento, segundo estimativas econômicas. Essa injeção de recursos ocorre em um contexto de PIB projetado para crescer modestos 2,8% em 2025, com a inflação pressionando o poder de compra das famílias.
Setores se preparam para o pico de consumo
O comércio varejista já ajusta estoques para o quinto dia útil. Supermercados nas periferias de grandes cidades, como São Paulo e Recife, esperam um aumento de 15% nas vendas de alimentos básicos, como arroz, feijão e carne, entre os dias 6 e 10 de março. Farmácias preveem alta de 10% na procura por medicamentos de uso contínuo, enquanto padarias e pequenos restaurantes antecipam maior movimento no fim de semana seguinte ao dia 6. Em 2024, o varejo registrou um incremento de R$ 12 bilhões em vendas nos cinco dias após o quinto dia útil de março, e a expectativa para 2025 é de um salto similar, ajustado pela inflação.
Bancos e fintechs também se mobilizam. O volume de saques em caixas eletrônicos cresce 12% nos primeiros dias úteis de março, enquanto transferências via Pix, que representaram 45% das transações em 2024, devem atingir um pico de 90 milhões de operações diárias no dia 6. Em paralelo, o comércio eletrônico se beneficia, com plataformas como Mercado Livre e Shopee registrando alta de 7% nas compras de eletrônicos e eletrodomésticos logo após o pagamento de salários e benefícios.
Benefícios sociais ampliam o alcance
O INSS inicia os pagamentos no dia 3 para beneficiários com até um salário mínimo, alcançando 24 milhões de pessoas nos primeiros cinco dias úteis. Os valores variam de R$ 1.531 para quem recebe o mínimo a R$ 2.500 em média para os que ganham acima, totalizando R$ 5 bilhões até o dia 7. Já o Bolsa Família, com início no dia 17, distribui R$ 965 por família em média, beneficiando 20,8 milhões de lares, muitos em situação de vulnerabilidade. Em 2024, o programa injetou R$ 24 bilhões na economia ao longo do ano, e a projeção para 2025 é de um impacto anual de R$ 25 bilhões.
Esses repasses têm efeito multiplicador em cidades menores. Em município como Juazeiro do Norte, no Ceará, 60% das famílias recebem o Bolsa Família, e o comércio local vê um aumento de 20% nas vendas nos dias seguintes ao pagamento. Para o INSS, cidades como Ribeirão Preto, em São Paulo, com alta concentração de aposentados, registram picos de consumo em farmácias e serviços de saúde logo após o dia 3.
Cronograma detalhado dos pagamentos de março
Os pagamentos de março seguem um calendário escalonado que define o fluxo de recursos:
- 3 de março: INSS para final 1 (até um salário mínimo).
- 4 de março: INSS para final 2.
- 5 de março: INSS para final 3.
- 6 de março: quinto dia útil, salários privados e públicos; INSS para final 4.
- 7 de março: INSS para final 5 a 0.
- 10 a 14 de março: INSS acima de um salário mínimo.
- 17 a 28 de março: Bolsa Família, do final 1 ao 0.
Esse cronograma garante uma distribuição contínua de recursos ao longo do mês.
Números que ilustram o impacto
O quinto dia útil e os benefícios movimentam cifras expressivas. Confira alguns dados relevantes:
- R$ 45 bilhões em salários do setor privado para 21 milhões de trabalhadores.
- R$ 18 bilhões para 11,6 milhões de servidores públicos.
- R$ 5 bilhões do INSS na primeira semana para 38 milhões de beneficiários.
- R$ 2 bilhões do Bolsa Família a partir do dia 17 para 20,8 milhões de famílias.
Esses valores destacam o peso econômico da data no Brasil.
Efeitos regionais e desafios econômicos
Regiões como o Sudeste, com 44% dos trabalhadores formais, sentem o impacto imediato do dia 6, com São Paulo e Rio liderando o consumo. No Nordeste, o Bolsa Família, que atinge 9,9 milhões de famílias, impulsiona a economia local a partir do dia 17, reduzindo desigualdades regionais. Em 2024, o programa respondeu por 10% do faturamento do comércio em cidades como Salvador nos dias de pagamento.
O cenário econômico,however, traz desafios. Com a inflação a 4,5% e o PIB projetado em 2,8%, o poder de compra caiu 3% desde 2023, pressionando famílias de baixa renda. O aumento do salário mínimo para R$ 1.531, um ajuste de 6,97% sobre os R$ 1.431 de 2024, tenta compensar, mas especialistas apontam que o efeito no consumo pode ser limitado por dívidas acumuladas, que atingem 78% dos lares brasileiros.