O dia 5 de março de 2025 entrou para a história do Carnaval do Rio de Janeiro com a apuração dos desfiles do Grupo Especial, marcada para começar às 16h na Cidade do Samba, na região central da cidade. O evento, transmitido ao vivo, carrega a expectativa de milhares de foliões que lotaram a Marquês de Sapucaí durante as três noites de apresentações – 2, 3 e 4 de março –, quando 12 agremiações, como Mangueira, Portela, Grande Rio e Viradouro, cruzaram a avenida com até 80 minutos cada. Pela manhã, o sorteio da ordem de leitura dos quesitos definiu Comissão de Frente como o primeiro critério de desempate, em uma sequência que começa com Enredo e termina com Samba-Enredo, passando por Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Bateria, Harmonia, Alegorias e Adereços, Evolução e Fantasias. Neste ano, o Carnaval inovou com desfiles distribuídos em três dias, quatro escolas por noite, e um julgamento em quatro cabines ao longo da Sapucaí, elevando o nível técnico e a competitividade. Com mais de 70 mil espectadores por noite e uma movimentação econômica de 4 bilhões de reais, a apuração decidirá as seis escolas que retornarão no Desfile das Campeãs, em 8 de março, em um processo que avalia 432 notas, descartando a menor de cada quesito para um máximo de 270 pontos por escola.
A mudança para três noites trouxe enredos mais elaborados, como o culto ao vodum serpente da Viradouro, e permitiu que o público aproveitasse rodas de samba após os cortejos nos setores 12 e 13.
Realizada na Cidade do Samba, a apuração substitui a tradicional Praça da Apoteose, oferecendo um ambiente mais estruturado e próximo dos barracões onde as escolas preparam seus desfiles.
Novo formato amplia espetáculo na Sapucaí
Pela primeira vez, o Carnaval carioca dividiu os desfiles do Grupo Especial em três noites consecutivas – 2, 3 e 4 de março –, com quatro escolas por dia, começando às 22h e terminando antes do amanhecer. A alteração, planejada desde 2024, aumentou o tempo de apresentação de 70 para 80 minutos, permitindo que agremiações como Salgueiro e Beija-Flor explorassem enredos mais detalhados, com carros alegóricos grandiosos e coreografias complexas, elevando a qualidade da competição.
A nova estrutura trouxe ingressos mais acessíveis e ocupação hoteleira de 90% em áreas como Copacabana, impulsionando o turismo e a economia local, que atraiu 1,5 milhão de visitantes.
A inclusão de rodas de samba nos setores 12 e 13 após os desfiles transformou a Sapucaí em um espaço de celebração contínua, conectando o público às raízes da festa.
Sorteio dos quesitos aquece clima na Cidade do Samba
Na manhã de 5 de março, a Cidade do Samba foi palco do sorteio que definiu a ordem de leitura dos quesitos, um momento de alta expectativa para dirigentes e torcedores. Comissão de Frente, último quesito a ser lido, foi estabelecido como o primeiro critério de desempate, seguido por Samba-Enredo, Fantasias e os demais na ordem inversa. A sequência completa – Enredo, Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Bateria, Harmonia, Alegorias e Adereços, Evolução, Fantasias, Samba-Enredo e Comissão de Frente – será usada na apuração das 16h, quando 36 jurados avaliarão as 12 escolas, descartando a menor nota de cada quesito.
A escolha da Cidade do Samba como sede da apuração reflete uma mudança iniciada em 2024, aproximando o evento dos barracões e oferecendo uma estrutura mais controlada para a leitura das 432 notas.
O julgamento em quatro cabines, nos setores 3, 6, 9 e 10 da Sapucaí, garante uma visão ampla das apresentações, captando detalhes que poderiam variar ao longo da avenida.
Como as notas decidem a campeã do Carnaval
O processo de apuração do Grupo Especial é detalhado e rigoroso, avaliando cada uma das 12 escolas em nove quesitos com quatro jurados por critério, totalizando 36 notas por agremiação. As pontuações variam de 9 a 10, com décimos, e a menor nota de cada quesito é descartada, resultando em um máximo de 30 pontos por quesito e 270 no total. A introdução de quatro cabines de julgamento, distribuídas nos setores 3, 6, 9 e 10, substituiu o modelo anterior de módulos duplos, oferecendo uma análise mais equilibrada e reduzindo o impacto de falhas pontuais, como buracos na evolução ou problemas de harmonia em trechos específicos da Sapucaí.
Em caso de empate, Comissão de Frente será o primeiro tira-teima, seguido por Samba-Enredo, Fantasias, Evolução e os demais na ordem inversa, até que uma vencedora seja definida ou, em último caso, um sorteio ocorra.
O resultado apontará as seis escolas que desfilarão novamente em 8 de março, enquanto as duas últimas colocadas enfrentam o risco de rebaixamento ao Grupo de Acesso.
Agenda detalhada das três noites de desfiles
O Carnaval carioca de 2025 trouxe uma programação expandida com desfiles em três dias. Veja os principais momentos:
- 2 de março: Domingo abriu a festa com quatro escolas, como Unidos de Padre Miguel e Mangueira, iniciando às 22h e terminando antes do amanhecer.
- 3 de março: Segunda-feira apresentou Salgueiro, Beija-Flor e mais duas agremiações, mantendo o mesmo horário e ritmo intenso.
- 4 de março: Terça-feira encerrou com Grande Rio, Portela e outras duas escolas, destacando enredos culturais em até 80 minutos cada.
- 8 de março: Sábado será o Desfile das Campeãs, com as seis melhores colocadas retornando à Sapucaí a partir das 20h.
Cada apresentação teve entre 70 e 80 minutos, ampliando o espaço para enredos mais ricos e performances elaboradas.
Economia impulsionada e cultura em destaque
O Carnaval do Rio de Janeiro é um gigante econômico e cultural, e em 2025 seu impacto foi ainda maior com o formato de três noites. A festa atraiu 1,5 milhão de turistas, gerando uma movimentação de mais de 4 bilhões de reais e sustentando milhares de empregos temporários, desde costureiras até motoristas. A ocupação hoteleira atingiu 90% em regiões como Zona Sul e Centro, enquanto bares e restaurantes registraram lotação máxima, refletindo o poder do evento como motor do turismo e da economia local.
Os enredos das escolas conectam o público à diversidade brasileira, com temas como o vodum serpente da Viradouro e as reflexões históricas da Paraíso do Tuiuti, mostrando o samba como ferramenta de narrativa cultural.
A adição de rodas de samba nos setores 12 e 13 após os desfiles ampliou a participação popular, com foliões dançando na avenida até o amanhecer, reforçando o caráter comunitário da celebração.
Critérios de avaliação: o que os jurados observam
Os nove quesitos do Carnaval carioca exigem precisão e criatividade de cada escola. Comissão de Frente avalia a coreografia e a narrativa inicial, muitas vezes com performances teatrais que impressionam o público. Samba-Enredo julga a qualidade da letra e da melodia, enquanto Bateria, com pelo menos 200 ritmistas, analisa a cadência e os efeitos percussivos. Alegorias e Adereços e Fantasias examinam a execução técnica e a fidelidade ao enredo, penalizando falhas ou desvios temáticos.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira foca na dança harmoniosa do casal que apresenta o pavilhão, um símbolo tradicional. Harmonia mede o canto dos componentes em sincronia com o intérprete, e Enredo analisa a narrativa desenvolvida ao longo dos 80 minutos. Evolução verifica a fluidez do desfile, punindo paradas ou acelerações excessivas.
As quatro cabines de jurados, distribuídas ao longo da Sapucaí, garantem uma análise detalhada, captando a performance em diferentes pontos da avenida e tornando o julgamento mais justo.
Inovação e tradição: o equilíbrio da festa carioca
A divisão dos desfiles em três noites mostra o esforço de modernizar o Carnaval sem perder suas raízes. Com quatro escolas por dia e 80 minutos de apresentação, o público pôde apreciar cada detalhe, enquanto agremiações como Mocidade e Beija-Flor investiram em carros alegóricos grandiosos e coreografias elaboradas. A apuração na Cidade do Samba trouxe uma nova dinâmica, aproximando os torcedores dos bastidores e oferecendo uma estrutura mais adequada para a leitura das 432 notas.
A tradição segue viva no sorteio dos quesitos, na emoção da apuração e na espera pelo Desfile das Campeãs, combinando o legado do samba com as demandas de um público contemporâneo.
A presença de rodas de samba após os desfiles reforça a conexão com a história da festa, mantendo o espírito comunitário que define o Carnaval carioca.
Episódios históricos da apuração: momentos que marcaram
A apuração do Carnaval carioca já protagonizou momentos memoráveis ao longo dos anos. Confira alguns destaques:
- 1998: Beija-Flor e Mangueira dividiram o título, um raro empate permitido apenas quando os subtotais dos quesitos são idênticos.
- 2020: Grande Rio e Viradouro terminaram com 269,6 pontos, mas o desempate em Evolução deu a vitória à escola de Niterói.
- 2024: A apuração passou a ser realizada na Cidade do Samba, tendência mantida em 2025 para maior controle do evento.
Esses episódios mostram como o sorteio dos quesitos e os critérios de desempate podem alterar o rumo da competição, mantendo a emoção até o último momento.