A influenciadora Aline Campos, de 37 anos, surpreendeu seus seguidores ao revelar, em um vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira, 7 de março de 2025, que passou por uma cirurgia para remover uma lesão pré-cancerígena no colo do útero, causada pelo Papilomavírus Humano (HPV). O procedimento, realizado em fevereiro, foi bem-sucedido, mas a experiência levou a modelo a usar sua visibilidade para conscientizar outras mulheres sobre a importância da prevenção contra o vírus, que pode permanecer silencioso no organismo por anos. Aline aproveitou o Março Lilás, campanha dedicada à conscientização do câncer de colo de útero, para compartilhar sua história e destacar como a descoberta precoce evitou um desfecho mais grave, como o desenvolvimento de um câncer. O relato emocionado da influenciadora rapidamente ganhou repercussão, trazendo à tona um debate essencial sobre saúde feminina no Brasil. No vídeo, ela enfatizou que cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas terão contato com o HPV em algum momento da vida, muitas sem apresentar sintomas, o que reforça a necessidade de medidas preventivas e exames regulares.
A experiência de Aline Campos não é um caso isolado. O HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo, e seus tipos de alto risco, como o 16 e o 18, estão associados a 70% dos casos de câncer de colo de útero, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). No Brasil, o câncer de colo de útero é o terceiro tipo mais frequente entre mulheres, com cerca de 17 mil novos casos registrados anualmente e uma média de 6,5 mil mortes por ano. A influenciadora relatou que o vírus estava “silencioso” em seu corpo, sem sinais aparentes, até que exames de rotina detectaram a lesão. Seu depoimento reforça a importância de ações como a vacinação, disponível gratuitamente pelo SUS para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, e o uso de preservativos, embora este não garanta proteção total contra o HPV.
No mesmo vídeo, Aline destacou que a cirurgia foi um sucesso e que decidiu tornar sua experiência pública para incentivar outras mulheres a se cuidarem. Ela mencionou que, se tivesse dado mais atenção à prevenção, talvez não precisasse passar pelo procedimento. O alerta da influenciadora chega em um momento em que a cobertura vacinal contra o HPV no Brasil está aquém do ideal, com taxas abaixo dos 80% recomendados pelo Ministério da Saúde, enquanto países como Austrália e Reino Unido já registram quedas significativas nos casos de câncer de colo de útero devido a programas robustos de imunização.
O impacto do HPV e a história de Aline Campos
Um vírus silencioso que afeta milhões
O Papilomavírus Humano é um grupo de mais de 150 vírus, dos quais cerca de 40 afetam a região genital. Transmitido principalmente por contato pele a pele durante relações sexuais, o HPV pode permanecer assintomático por meses ou até anos, o que dificulta sua detecção sem exames específicos. No caso de Aline Campos, a lesão pré-cancerígena só foi identificada graças a uma rotina de cuidados que incluiu exames como o Papanicolau e a colposcopia, métodos essenciais para o rastreamento de alterações no colo do útero. A influenciadora relatou que o vírus estava latente em seu organismo, sem sinais visíveis, até que a lesão foi diagnosticada e exigiu intervenção cirúrgica em fevereiro de 2025.
No Brasil, a prevalência do HPV é alta entre a população sexualmente ativa. Um estudo conduzido entre 2016 e 2017, envolvendo jovens de 16 a 25 anos em todas as capitais do país, apontou que 53,6% dos participantes apresentavam algum tipo do vírus, com maior incidência entre mulheres (38,6% com tipos de alto risco). Os tipos 16 e 18, responsáveis pela maioria dos casos de câncer de colo de útero, foram detectados em 14,8% das amostras analisadas. Esses números mostram o quanto o HPV é comum e subdiagnosticado, especialmente em mulheres que não realizam exames preventivos regularmente. A experiência de Aline Campos serve como um alerta para a necessidade de maior adesão a essas práticas.
A cirurgia realizada pela influenciadora, conhecida tecnicamente como conização, é um procedimento comum para remover lesões pré-cancerígenas no colo do útero. O método consiste na retirada de uma pequena porção do tecido afetado, geralmente sob anestesia local ou geral, e tem alta taxa de sucesso quando a lesão é detectada em estágio inicial. Aline celebrou o resultado positivo de sua operação, mas lamentou não ter priorizado a prevenção antes, como a vacinação contra o HPV, que poderia ter reduzido o risco de infecção pelos tipos mais perigosos do vírus.
Prevenção e desafios no Brasil
Combater o HPV exige uma combinação de estratégias que incluem vacinação, uso de preservativos e rastreamento regular. A vacina quadrivalente, disponível no SUS desde 2014, protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do vírus, responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero e 90% das verrugas genitais. Apesar disso, a cobertura vacinal no Brasil permanece baixa: em 2021, apenas 76% das meninas de 9 a 14 anos receberam a primeira dose, e 57% completaram o esquema com a segunda dose. Entre meninos de 11 a 14 anos, os números são ainda menores, com 52% para a primeira dose e 36% para a segunda.
Aline Campos reforçou em seu vídeo a importância dessas medidas preventivas, destacando que o preservativo, embora essencial para reduzir o risco de várias infecções sexualmente transmissíveis, não elimina completamente a chance de contágio pelo HPV, já que o vírus pode estar presente em áreas não cobertas, como a vulva ou a região pubiana. A influenciadora também mencionou a relevância de exames como o Papanicolau, que detecta alterações celulares no colo do útero, e a colposcopia, que permite uma análise mais detalhada de lesões suspeitas. Esses procedimentos são oferecidos gratuitamente pelo SUS, mas a adesão ainda é limitada por falta de informação ou acesso em algumas regiões.
A baixa cobertura vacinal e a resistência a exames preventivos são desafios que o Brasil enfrenta há anos. Países como a Austrália, que alcançaram taxas de vacinação acima de 80%, já observam uma redução de até 90% nas infecções pelos tipos de HPV cobertos pela vacina, além de quedas expressivas nos casos de lesões pré-cancerígenas. No Brasil, fatores como desinformação, mitos sobre efeitos colaterais da vacina e dificuldades logísticas em áreas remotas contribuem para o cenário preocupante, que Aline Campos busca mudar com seu alerta público.
Conscientização e o poder do Março Lilás
A campanha que inspirou o relato de Aline
O Março Lilás, instituído pelo Ministério da Saúde, é uma campanha anual que visa sensibilizar a população sobre a prevenção do câncer de colo de útero, o terceiro tipo de câncer mais comum entre mulheres brasileiras, atrás apenas do câncer de mama e do colorretal. Em 2025, a iniciativa ganha ainda mais força com histórias como a de Aline Campos, que decidiu usar sua plataforma para ampliar o alcance da mensagem. No vídeo publicado nesta sexta-feira, 7 de março, ela compartilhou que o diagnóstico da lesão pré-cancerígena a motivou a falar abertamente sobre o HPV, um vírus que, segundo ela, “80% das mulheres sexualmente ativas terão contato em algum momento da vida”.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que o câncer de colo de útero atinge cerca de 17 mil mulheres por ano no Brasil, com uma taxa de mortalidade de aproximadamente 38%. A doença é considerada evitável, já que está diretamente ligada à infecção persistente por tipos de alto risco do HPV, que podem ser prevenidos com vacina e detectados precocemente por exames. Aline enfatizou que sua lesão poderia ter evoluído para um câncer se não tivesse sido identificada a tempo, destacando como a conscientização pode salvar vidas. Seu relato foi acompanhado de um pedido para que outras mulheres façam exames regulares e compartilhem informações sobre prevenção.
A campanha Março Lilás também promove ações educativas em unidades de saúde, escolas e comunidades, incentivando a vacinação e o rastreamento. Em 2025, o foco está em alcançar populações vulneráveis, como mulheres em áreas rurais e periferias urbanas, onde o acesso a serviços de saúde é mais limitado. A história de Aline Campos reforça a urgência dessas iniciativas, mostrando como até mesmo pessoas com acesso a informações e cuidados médicos podem ser surpreendidas pelo HPV.
Passos para se proteger do HPV
Proteger-se do HPV é possível com medidas simples, mas que exigem consistência e informação. Aline Campos listou algumas delas em seu vídeo, destacando opções acessíveis à população brasileira. Veja as principais formas de prevenção:
- Vacinação: Disponível no SUS para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, a vacina quadrivalente protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV.
- Uso de preservativo: Reduz o risco de contágio, embora não ofereça proteção total, já que o vírus pode ser transmitido por contato com áreas não cobertas.
- Exames regulares: O Papanicolau e a colposcopia detectam alterações no colo do útero antes que evoluam para câncer.
- Consulta médica: Visitas anuais ao ginecologista ajudam no monitoramento da saúde reprodutiva.
Essas estratégias, segundo especialistas, poderiam reduzir significativamente os casos de câncer de colo de útero no Brasil, que registra uma morte a cada 90 minutos devido à doença. O sucesso da cirurgia de Aline Campos é um exemplo de como a detecção precoce pode mudar o curso de uma condição potencialmente fatal.
Cronologia do caso de Aline Campos
A trajetória de Aline com o HPV reflete a importância do acompanhamento médico contínuo. Confira os principais momentos relatados pela influenciadora:
- Fevereiro de 2025: Aline realiza exames de rotina que detectam uma lesão pré-cancerígena no colo do útero.
- Fevereiro de 2025: Ela passa por cirurgia de conização para remover a lesão, com sucesso.
- 7 de março de 2025: Publica vídeo no Instagram revelando o procedimento e alertando sobre o HPV.
Esse cronograma mostra como a rapidez no diagnóstico e no tratamento foi essencial para evitar complicações maiores, um ponto que Aline reforça em sua mensagem às seguidoras.