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Papa Francisco supera pneumonia grave e avança na recuperação em Roma

Papa Francisco
Papa Francisco - Foto: Drop of Light / Shutterstock.com Papa Francisco - Foto: Drop of Light / Shutterstock.com

O Papa Francisco, internado desde 14 de fevereiro no Hospital Gemelli, em Roma, deu um passo importante em sua recuperação, conforme anunciado pelo Vaticano na segunda-feira, 10 de março. Após quase um mês enfrentando uma pneumonia bilateral que comprometeu ambos os pulmões, o pontífice de 88 anos não está mais em perigo iminente, segundo uma fonte da Santa Sé. A retirada da reserva sobre seu prognóstico pelos médicos sinaliza uma evolução positiva, sustentada por exames de sangue, avaliações clínicas e uma boa resposta aos medicamentos. Apesar disso, a complexidade do quadro clínico exige que ele permaneça no hospital por mais alguns dias, sem previsão de alta, enquanto segue em tratamento e alterna momentos de repouso com atividades espirituais. A notícia trouxe alívio aos fiéis que acompanham sua saúde em todo o mundo, especialmente após semanas de incertezas e boletins que oscilaram entre estabilidade e preocupação.

A melhora de Francisco foi marcada por uma noite tranquila na véspera do comunicado, um padrão que se repetiu nos últimos dias. Na segunda-feira, ele participou de videoconferências para acompanhar os Exercícios Espirituais da Cúria, recebeu a Eucaristia e dedicou um momento à oração na capela privada de seu quarto no hospital. Esses sinais de vitalidade, aliados aos indicadores médicos, reforçam a tendência de recuperação, embora o Vaticano mantenha cautela devido à gravidade inicial da infecção e à idade avançada do pontífice, que já enfrentou problemas respiratórios no passado, incluindo a remoção de parte de um pulmão na juventude.

Passar por essa fase crítica representa um marco para Francisco, cujo estado de saúde mobilizou orações em massa, desde a Praça de São Pedro até comunidades católicas globais. Líder espiritual de 1,4 bilhão de fiéis, ele segue internado há 26 dias, a ausência mais longa de seu papado, iniciado em 2013, destacando a seriedade do quadro que o levou ao hospital há quase quatro semanas.

Uma trajetória de luta contra a pneumonia

Francisco chegou ao Hospital Gemelli em meados de fevereiro, inicialmente para tratar um surto de bronquite que evoluiu para uma pneumonia bilateral, uma infecção grave que afeta os dois pulmões e pode dificultar a respiração. Nos primeiros dias, o quadro foi descrito como crítico, com episódios de insuficiência respiratória aguda registrados no início de março. Durante esse período, ele precisou de oxigenoterapia de alto fluxo e, em alguns momentos, ventilação mecânica não invasiva para aliviar o esforço respiratório, um reflexo da complexidade da infecção causada por múltiplos micro-organismos.

A virada começou a se desenhar na última semana, quando boletins médicos passaram a apontar estabilidade e ausência de novas crises respiratórias. Em 3 de março, o pontífice enfrentou dois episódios graves de insuficiência respiratória, mas desde então os parâmetros clínicos, como trocas gasosas e exames laboratoriais, mostraram melhorias graduais. A resolução de uma insuficiência renal leve, relatada anteriormente, também contribuiu para o otimismo cauteloso dos médicos, culminando na decisão de retirar a reserva sobre o prognóstico no dia 10.

Mesmo com a evolução positiva, o Vaticano enfatiza que a recuperação exige paciência. A pneumonia bilateral, agravada por histórico pulmonar e idade, demanda um tratamento prolongado, e a internação contínua visa garantir que os avanços se consolidem antes de uma eventual alta.

Atividades mantidas em meio à internação

Apesar das limitações impostas pela internação, o Papa Francisco não interrompeu completamente suas responsabilidades espirituais. Na segunda-feira, ele acompanhou os Exercícios Espirituais da Cúria por videoconferência, conectando-se com a Sala Paulo VI pela manhã e à tarde. Além disso, encontrou tempo para orar na capela privada e receber a Eucaristia, gestos que demonstram sua determinação em manter a proximidade com os fiéis, mesmo de um leito hospitalar.

Essas ações ecoam um padrão observado ao longo das últimas semanas. Desde o início da internação, Francisco tem se mantido informado por jornais, atendido chamadas telefônicas e realizado pequenas tarefas administrativas. Em 6 de março, ele gravou um áudio divulgado pelo Vaticano, e no dia 8, assinou um documento em homenagem às mulheres, lido pelo cardeal Pietro Parolin. A capacidade de retomar parcialmente o trabalho, ainda que com pausas para descanso, reflete a resiliência do pontífice argentino, conhecido por sua simplicidade e força diante de adversidades.

A continuidade dessas atividades também serve como um sinal de esperança para os católicos, que temiam uma interrupção mais drástica de suas funções. Enquanto todos os compromissos públicos permanecem cancelados, a presença virtual de Francisco mantém viva sua liderança em um momento delicado.

O impacto global da saúde do pontífice

A internação prolongada do Papa Francisco gerou uma onda de solidariedade mundial. Na Praça de São Pedro, fiéis e cardeais se reuniram em vigílias noturnas, como a liderada pelo cardeal Luiz Antonio Tagle em 25 de fevereiro, rezando por sua recuperação. Em Buenos Aires, sua cidade natal, missas especiais foram celebradas, enquanto líderes globais, como Donald Trump, Emmanuel Macron e Nicolás Maduro, enviaram mensagens de apoio, destacando a influência de Francisco como uma figura ética e espiritual.

A saúde do pontífice, que completará 89 anos em dezembro, também levantou debates sobre o futuro do papado. Embora boatos de renúncia tenham circulado, o cardeal Óscar Rodríguez Maradiaga afastou essa possibilidade, afirmando que “ainda não é o momento” para Francisco deixar o cargo. A melhora recente alivia essas especulações, mas a fragilidade evidenciada pela internação mantém a atenção voltada para sua sucessão a longo prazo.

Com 1,4 bilhão de católicos no mundo, qualquer alteração no estado de Francisco reverbera amplamente. A retirada da reserva sobre o prognóstico foi recebida com alívio, mas a cautela recomendada pelo Vaticano reflete a consciência de que a recuperação total ainda está em curso.

Cronograma da internação de Francisco

Acompanhe os principais momentos da internação do Papa Francisco desde fevereiro:

  • 14 de fevereiro: Internação no Hospital Gemelli devido a um surto de bronquite que evoluiu para pneumonia bilateral.
  • 23 de fevereiro: Primeira menção a uma insuficiência renal leve, controlada, com estado crítico mantido.
  • 3 de março: Dois episódios de insuficiência respiratória aguda, tratados com oxigenoterapia e ventilação não invasiva.
  • 8 de março: Estabilidade clínica confirmada, sem febre ou crises respiratórias, e retomada parcial de atividades.
  • 10 de março: Retirada da reserva sobre o prognóstico, indicando melhora significativa, mas sem previsão de alta.

Esse calendário ilustra a gravidade inicial e a progressão positiva do quadro, que agora entra em uma fase de consolidação.

Um histórico de desafios respiratórios

A pneumonia atual não é o primeiro obstáculo respiratório enfrentado por Francisco. Na juventude, aos 21 anos, ele desenvolveu pleurisia, uma inflamação da membrana pulmonar, que resultou na remoção de parte de um pulmão. Esse passado o torna mais vulnerável a infecções como a que o levou ao hospital em fevereiro, agravada por uma bronquite que se complicou rapidamente.

Nos últimos dois anos, problemas de saúde têm sido frequentes. Em 2023, ele passou por uma cirurgia abdominal para tratar uma hérnia, e em 2021, enfrentou outra internação por uma infecção respiratória. A combinação de idade avançada e histórico médico explica a cautela dos médicos, mesmo com os sinais atuais de melhora. A pneumonia bilateral, descrita como uma infecção “complexa” por múltiplos micro-organismos, reforça a necessidade de um tratamento cuidadoso e prolongado.

A resistência de Francisco, no entanto, impressiona. Mesmo com um pulmão comprometido desde jovem, ele liderou a Igreja Católica por mais de uma década, viajando pelo mundo e enfrentando agendas intensas, o que torna sua recuperação atual ainda mais notável.

Sinais de melhora em detalhes

A retirada da reserva sobre o prognóstico foi embasada em indicadores concretos. Exames de sangue mostram estabilidade nos parâmetros hematológicos, enquanto a avaliação clínica aponta uma resposta positiva aos antibióticos e à fisioterapia respiratória, que ele realiza diariamente. A ausência de febre e crises respiratórias nos últimos dias, somada à melhora nas trocas gasosas, sugere que os pulmões estão se recuperando da inflamação causada pela pneumonia.

Na prática, isso significa que Francisco respira com menos dificuldade, embora ainda dependa de suporte como máscaras de oxigenação em alguns momentos. A alternância entre repouso e atividades leves, como orações e videoconferências, indica que ele recupera energia gradualmente. Contudo, a infecção inicial foi tão severa que os médicos optaram por mantê-lo internado, evitando riscos de recaída.

A prudência destacada pelo Vaticano reflete o entendimento de que, em pacientes idosos com histórico pulmonar, a recuperação total pode levar semanas ou meses, especialmente após uma internação tão longa.

Como Francisco mantém a fé em meio à doença

Participar de videoconferências e orar na capela privada são mais do que gestos simbólicos para o Papa Francisco. Essas ações refletem sua determinação em permanecer conectado aos fiéis, mesmo em um momento de fragilidade física. Na semana passada, ele expressou proximidade com a paróquia de Gaza por telefone e, em seu texto para o Angelus de 9 de março, falou sobre a “ternura da cura” que experimenta no hospital, mostrando sensibilidade espiritual em meio à adversidade.

A rotina hospitalar de Francisco inclui:

  • Momentos de oração diária, muitas vezes na capela de seu quarto.
  • Leituras de jornais para se manter informado sobre o mundo.
  • Atendimento a chamadas de líderes religiosos, como o pároco de Gaza.
  • Assinatura de documentos, como o texto sobre as mulheres em 5 de março.

Esses hábitos reforçam sua imagem de um líder que não se deixa abater, mantendo a missão pastoral apesar das limitações impostas pela doença.

Um olhar para o futuro do papado

Superar o perigo iminente é uma vitória para Francisco, mas a internação prolongada levanta questões sobre sua capacidade de retomar plenamente as funções papais. Com todos os eventos públicos cancelados desde fevereiro, a Igreja Católica ajustou sua agenda, com o cardeal Pietro Parolin assumindo papéis de destaque, como a leitura do texto sobre as mulheres no dia 8 de março. A visita de Parolin e do arcebispo Edgar Peña Parra ao hospital na semana passada também sinaliza um esforço para manter a continuidade administrativa.

A ausência de previsão de alta mantém o foco na saúde do pontífice como prioridade. Quando deixar o Gemelli, Francisco provavelmente precisará de um período de convalescença, possivelmente no Vaticano, antes de retomar viagens ou audiências presenciais. Sua última aparição pública foi em 1º de fevereiro, em uma foto registrada por Tiziana Fabi, antes da internação que mudou sua rotina e a da Igreja.

Enquanto isso, a mobilização de fiéis segue intensa. Em Roma, velas e mensagens decoram a estátua de João Paulo II diante do hospital, e escolas católicas italianas pararam em 26 de fevereiro para orar por ele, evidenciando o impacto de sua figura no catolicismo global.

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