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Operação militar encerra sequestro de trem no Paquistão com 33 separatistas e 21 reféns mortos

Sequestro em trem no Paquistão
Sequestro em trem no Paquistão - Foto: Reprodução Sequestro em trem no Paquistão - Foto: Reprodução

Uma operação militar de grande escala colocou fim a um sequestro de trem no sudoeste do Paquistão, na província do Baluchistão, após mais de 24 horas de tensão. O confronto, que envolveu o Exército paquistanês e militantes do Exército de Libertação do Baluchistão (ELB), terminou com a morte de 33 separatistas e 21 reféns, além da libertação de centenas de passageiros. O ataque, que começou na terça-feira, dia 11 de março, marcou um novo capítulo na longa história de instabilidade na região, conhecida por seus conflitos separatistas e pela riqueza em recursos naturais. O trem, identificado como Jaffar Express, transportava mais de 400 pessoas entre Quetta e Peshawar quando foi alvo dos insurgentes em uma área remota e montanhosa.

O sequestro começou com a explosão dos trilhos ferroviários, seguida por disparos intensos contra a locomotiva. Os militantes, armados e determinados, tomaram o controle do trem próximo a um túnel no distrito de Bolan, exigindo a libertação de prisioneiros políticos balúchis em troca dos reféns. A presença de homens-bomba entre os passageiros complicou a resposta inicial das forças de segurança, que optaram por uma abordagem cautelosa para evitar perdas maiores. Durante o impasse, helicópteros e centenas de soldados foram mobilizados, enquanto as autoridades locais declararam estado de emergência em hospitais próximos, como em Sibi, a cerca de 160 quilômetros de Quetta.

A resolução do confronto veio no início da tarde de quarta-feira, 12 de março, pelo horário de Brasília, noite no Paquistão. O porta-voz militar Ahmed Sharif Chaudhry anunciou que todos os 33 atacantes foram eliminados, e os reféns restantes foram resgatados com sucesso. A operação foi descrita como “prolongada, intensa e ousada”, destacando o desafio imposto pela geografia acidentada e pelas táticas dos militantes. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o ministro do Interior Mohsin Naqvi condenaram veementemente o ataque, classificando-o como um ato de terrorismo destinado a desestabilizar o país.

Como o ataque ao Jaffar Express aconteceu

O Jaffar Express partiu de Quetta, capital do Baluchistão, na manhã de terça-feira, com destino a Peshawar, uma viagem de mais de 1.600 quilômetros que dura cerca de 30 horas. Por volta de três a quatro horas após a partida, entre as localidades de Pehro Kunri e Gadalar, no distrito de Bolan, os militantes executaram seu plano. Primeiro, explodiram os trilhos, forçando o trem a parar dentro de um túnel. Em seguida, abriram fogo contra a locomotiva, ferindo o maquinista e matando guardas a bordo, cujos números exatos não foram divulgados. A ação foi rápida e coordenada, com o ELB assumindo a responsabilidade quase imediatamente.

Entre 70 e 80 militantes participaram do ataque, segundo estimativas de uma fonte de segurança. O grupo alegou ter capturado 214 reféns, incluindo militares e agentes de segurança que viajavam de licença, e ameaçou executar cinco pessoas por hora caso suas demandas não fossem atendidas. Na noite de terça-feira, as forças paquistanesas conseguiram libertar 190 passageiros, muitos dos quais mulheres e crianças. Os demais reféns permaneceram sob controle dos separatistas até a operação final na quarta-feira, quando o Exército lançou um assalto decisivo, eliminando os atacantes e resgatando os sobreviventes.

A presença de explosivos e a ameaça de homens-bomba dificultaram as negociações e a intervenção militar. O ELB chegou a divulgar um vídeo mostrando o momento do ataque, reforçando sua narrativa de resistência contra o governo paquistanês. Apesar de afirmarem ter executado 50 reféns em retaliação, o Exército confirmou apenas 21 mortes entre os passageiros, sem esclarecer se ocorreram durante o ataque inicial ou em execuções posteriores. A operação de resgate foi concluída com o envio de um trem especial carregando caixões e equipes médicas para o local.

Detalhes da operação de resgate no Baluchistão

A resposta do Exército paquistanês ao sequestro foi marcada por uma mobilização massiva. Centenas de soldados, apoiados por helicópteros e forças especiais, foram enviados à região montanhosa de Bolan, onde o terreno acidentado dificultava o acesso e a comunicação. A estratégia inicial priorizou a segurança dos reféns, evitando um confronto direto enquanto os militantes mantinham homens-bomba entre os passageiros. Na noite de terça-feira, a primeira fase da operação libertou 190 pessoas, que foram levadas para a estação de Mach, próxima ao local do ataque.

Na quarta-feira, a situação escalou quando o ELB intensificou suas ameaças, exigindo a libertação de prisioneiros políticos balúchis em um prazo de 48 horas. Horas depois, o grupo anunciou a suposta execução de 50 reféns, embora o número oficial divulgado pelo Exército tenha sido menor. A operação final, iniciada no início da tarde, envolveu um ataque coordenado que resultou na morte de todos os 33 militantes. O porta-voz militar destacou que nenhum civil foi morto durante essa fase, creditando o sucesso à precisão das forças armadas. Os reféns resgatados foram encaminhados para tratamento médico em Mach e Quetta, enquanto os corpos das vítimas começaram a ser transportados.

O esforço logístico incluiu o envio de ambulâncias e um trem especial com caixões, evidenciando a gravidade da situação. A província do Baluchistão, já acostumada a ataques insurgentes, viu nesse episódio uma escalada inédita, sendo a primeira vez que o ELB sequestrou um trem de passageiros. A operação foi celebrada pelas autoridades como um exemplo de eficiência, mas também levantou questões sobre a segurança das rotas ferroviárias na região, frequentemente usadas por militares e civis em meio a um contexto de crescente violência separatista.

Contexto do conflito no Baluchistão

O Baluchistão, maior província do Paquistão em área, mas a menos populosa, é palco de uma insurgência de décadas liderada por grupos como o Exército de Libertação do Baluchistão. Rico em petróleo, gás e minerais, o território abriga projetos estratégicos como o porto de Gwadar, parte do Corredor Econômico China-Paquistão, uma iniciativa de 62 bilhões de dólares vinculada ao plano Cinturão e Rota da China. No entanto, a população local, majoritariamente da etnia balúchi, reclama de marginalização e exploração, acusando o governo central de Islamabad de negligenciar suas necessidades enquanto extrai os recursos da região.

O ELB, estimado em cerca de três mil combatentes, busca maior autonomia ou independência para o Baluchistão, frequentemente alveitando forças de segurança e projetos estrangeiros, como os financiados pela China. Nos últimos anos, o grupo intensificou suas ações, adotando táticas como ataques suicidas e sequestros. Em novembro passado, uma bomba em uma estação ferroviária de Quetta matou 26 pessoas, enquanto em fevereiro deste ano, sete trabalhadores punjabis foram assassinados após serem retirados de um ônibus. O sequestro do Jaffar Express reflete essa escalada, sendo descrito por analistas como um “desafio grave” à segurança do Paquistão.

A localização do Baluchistão, na fronteira com Irã e Afeganistão, adiciona camadas de complexidade ao conflito. O Paquistão acusa o governo talibã afegão de abrigar líderes do ELB, enquanto mantém tensões com o Irã devido a grupos militantes transfronteiriços, como o Jaish al-Adl. Em janeiro de 2024, os dois países trocaram ataques aéreos contra alvos insurgentes, resultando em 11 mortes, mas conseguiram evitar uma guerra aberta por meio de negociações. A porosidade da fronteira de 900 quilômetros facilita a movimentação de militantes, agravando a instabilidade regional.

Cronologia do sequestro do Jaffar Express

Segue a linha do tempo dos principais eventos do sequestro do trem no Paquistão:

  • Terça-feira, 11 de março, manhã: O Jaffar Express sai de Quetta com mais de 400 passageiros rumo a Peshawar.
  • Terça-feira, por volta das 12h (horário local): Militantes do ELB explodem os trilhos e atacam o trem no distrito de Bolan, matando o maquinista e guardas.
  • Terça-feira, tarde: O grupo assume o controle, faz 214 reféns e exige a libertação de prisioneiros balúchis em 48 horas.
  • Terça-feira, noite: Forças paquistanesas libertam 190 reféns na primeira fase da operação.
  • Quarta-feira, 12 de março, manhã: ELB ameaça executar cinco reféns por hora; confrontos matam 30 militantes.
  • Quarta-feira, início da tarde (horário de Brasília): Operação final elimina 33 separatistas e resgata os reféns restantes; 21 mortes entre passageiros são confirmadas.

Essa cronologia reflete a rápida escalada do incidente e a resposta militar que encerrou o impasse em menos de dois dias.

Repercussões do ataque na região

O sequestro do Jaffar Express gerou reações imediatas dentro e fora do Paquistão. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif prometeu medidas firmes contra o terrorismo, enquanto o ministro do Interior Mohsin Naqvi classificou os militantes como “inimigos do país”. A China, que mantém milhares de trabalhadores no Baluchistão devido a projetos como o porto de Gwadar, condenou o ataque por meio da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, reafirmando seu apoio ao Paquistão na luta contra grupos insurgentes. O ELB já atacou cidadãos chineses no passado, incluindo um atentado em Karachi em outubro que matou dois trabalhadores.

Internamente, o episódio expôs vulnerabilidades nas rotas de transporte do Baluchistão, consideradas uma das últimas opções seguras após meses de ataques em rodovias. Passageiros resgatados relataram momentos de terror, com alguns se escondendo sob os assentos durante o ataque. Um sobrevivente, Muhammad Tanveer, descreveu a falta de comida e o uso de água dos banheiros do trem para sobreviver até a chegada do Exército. Os feridos estão sendo tratados em hospitais locais, enquanto os mortos começaram a ser identificados e trasladados para suas cidades de origem.

Analistas apontam que o foco do ELB em civis pode custar apoio popular ao grupo. Syed Muhammad Ali, especialista em segurança baseado em Islamabad, observou que, ao falhar em atingir alvos militares significativos, os separatistas estão voltando-se contra alvos mais fáceis, como trens de passageiros, o que pode alienar a população balúchi que dizem representar. A operação militar, embora bem-sucedida, não resolve as causas profundas do conflito, como a pobreza e a exclusão econômica, que continuam a alimentar a insurgência.

Impactos na segurança e economia do Paquistão

A violência no Baluchistão tem implicações diretas para a economia paquistanesa, especialmente para projetos internacionais. O Corredor Econômico China-Paquistão, que inclui o porto de Gwadar e minas como Reko Diq, operada pela Barrick Gold, depende da estabilidade da região. Em 2024, os ataques militantes na província aumentaram mais de 80%, resultando em mais de 320 mortes, segundo o Instituto Paquistanês para Estudos da Paz. O sequestro do Jaffar Express intensifica os temores de investidores estrangeiros, já hesitantes diante da crescente insegurança.

Fatos que destacam a situação no Baluchistão:

  • A província é rica em recursos como gás, petróleo e minerais, mas tem altos índices de pobreza.
  • O ELB já realizou pelo menos 15 ataques contra trabalhadores não balúchis em 2024.
  • Cerca de três mil combatentes integram o grupo, segundo estimativas.
  • Projetos chineses, como o porto de Gwadar, são alvos frequentes dos separatistas.

A dependência de militares nas ferrovias, devido à insegurança nas estradas, tornou os trens alvos estratégicos para os insurgentes. O ataque ao Jaffar Express reforça a percepção de que partes do Baluchistão estão se tornando ingovernáveis, desafiando os planos do governo de integrar a província ao corredor comercial com a China.

Relatos dos sobreviventes e apoio às vítimas

Sobreviventes do sequestro compartilharam histórias de medo e alívio. Muhammad Bilal, um dos reféns libertados, descreveu a experiência como aterrorizante, destacando a dificuldade de escapar dos militantes armados. Allahditta, de 49 anos, foi liberado por causa de uma condição cardíaca, mas viu outros passageiros em pânico se escondendo durante o ataque. Após o resgate, o Exército forneceu comida, água e proteção aos sobreviventes, que foram levados para estações ferroviárias como Mach e Quetta.

Familiares dos passageiros passaram horas angustiantes buscando informações. Um homem, cujo cunhado estava no trem, tentou chegar ao local, mas encontrou estradas bloqueadas. Hospitais em Sibi e Mach receberam os feridos, enquanto um trem com caixões foi enviado para Bolan, evidenciando a escala das perdas. As autoridades estão organizando o transporte dos resgatados para suas cidades, mas a falta de detalhes sobre as vítimas mantém muitas famílias em suspense.

O governo provincial declarou que os passageiros resgatados receberão assistência, enquanto os corpos das vítimas serão identificados e entregues aos familiares. A presença de mulheres e crianças entre os reféns sensibilizou a opinião pública, aumentando a pressão por medidas que evitem novos ataques. Apesar do sucesso da operação, a memória do sequestro permanece como um lembrete da fragilidade da segurança no Baluchistão.

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