Cruzeiro encara desafios no Grupo E da Copa Sul-Americana 2025 com portões fechados

O Cruzeiro inicia sua jornada na Copa Sul-Americana de 2025 sob um cenário desafiador. O clube mineiro, atual vice-campeão do torneio, terá de disputar sua primeira partida em casa, contra o Mushuc Runa, do Equador, sem o apoio da torcida no Mineirão. A punição, aplicada pela Conmebol, é reflexo de incidentes ocorridos na semifinal do ano passado contra o Lanús, da Argentina, e impacta diretamente a estratégia celeste na competição continental. Com adversários como Palestino, do Chile, e Unión Santa Fé, da Argentina, no Grupo E, a Raposa busca repetir a campanha histórica de 2024 e, desta vez, levantar a taça inédita.
A definição dos grupos ocorreu em um sorteio realizado na sede da Conmebol, em Luque, no Paraguai, na noite de segunda-feira, 17 de março. O Cruzeiro, cabeça de chave do Grupo E, estreia fora de casa contra o Unión Santa Fé na semana de 2 de abril, mas o jogo seguinte, marcado para 9 de abril, será com portões fechados devido à sanção. Além da ausência de público, o clube enfrenta uma multa de 157 mil dólares (aproximadamente R$ 1 milhão), resultado do uso de sinalizadores pela torcida no empate por 1 a 1 contra o Lanús, em 23 de outubro de 2024. O departamento jurídico celeste tentou reverter a decisão, mas o recurso foi negado.
No ano passado, o Cruzeiro chegou à final da Sul-Americana, mas acabou derrotado pelo Racing, da Argentina. Agora, a equipe comandada por Pedro Junio, vice-presidente da SAF, encara a competição com a responsabilidade de representar sua tradição internacional. Apesar do início sem torcida, o dirigente destacou a necessidade de superação, lembrando a campanha de 2024, quando o time se recuperou de uma largada difícil na fase de grupos para alcançar a decisão.
ADVERSÁRIOS DEFINIDOS! ⚔️
— Cruzeiro ???? (@Cruzeiro) March 17, 2025
O Cabuloso está no Grupo E, com Palestino-CHI, Unión de Santa Fé-ARG e Mushuc Runa-EQU, pela primeira fase da CONMEBOL Sudamericana!! ????
Vamos em busca da classificação, La Bestia! ???? pic.twitter.com/nrqvACvD7J
Portões fechados: o impacto da punição no Mineirão
A punição da Conmebol ao Cruzeiro tem raízes em um episódio marcante da última edição do torneio. Durante o confronto com o Lanús, no Mineirão, torcedores acenderam sinalizadores, prática proibida pelas regras da entidade sul-americana. O jogo, válido pela semifinal, terminou empatado em 1 a 1, mas o comportamento da torcida gerou consequências severas. Além da multa financeira, a ausência de público na estreia caseira de 2025 representa um golpe tanto no apoio emocional quanto na receita do clube, que costuma contar com grandes públicos no estádio.
Pedro Junio, em entrevista após o sorteio, lamentou o ocorrido e fez um apelo por reflexão. Ele enfatizou que a punição serve como alerta para a necessidade de autocontrole entre os torcedores, já que ações como o uso de sinalizadores prejudicam diretamente o time. O dirigente destacou que a perda de renda e a falta da energia da arquibancada na segunda rodada podem dificultar o desempenho em um momento crucial da fase de grupos. Apesar disso, o clube mantém o foco em superar o obstáculo e avançar na competição.
O Mushuc Runa, adversário do jogo punido, é uma equipe equatoriana fundada em 2003, com pouca tradição internacional. Mesmo assim, o Cruzeiro não espera facilidades, já que a Sul-Americana é conhecida por equilibrar forças entre clubes de diferentes portes. Sem o apoio da torcida, a Raposa precisará confiar ainda mais na preparação tática e no desempenho em campo para largar bem em casa.
Adversários do Grupo E: quem o Cruzeiro vai enfrentar
O sorteio colocou o Cruzeiro em um grupo que mistura desafios inéditos e adversários com históricos distintos. Além do Mushuc Runa, a Raposa terá pela frente o Palestino, do Chile, e o Unión Santa Fé, da Argentina, em confrontos que testarão a capacidade do time mineiro de se adaptar a diferentes estilos de jogo. O clube celeste nunca enfrentou esses rivais em competições oficiais, o que adiciona um elemento de imprevisibilidade à campanha.
O Unión Santa Fé, primeiro adversário na estreia, é um clube tradicional da Argentina, fundado em 1907. Atualmente na 13ª posição do campeonato argentino, a equipe dirigida por Kily González já eliminou o Atlético-MG, maior rival do Cruzeiro, na Sul-Americana de 2020, demonstrando capacidade de surpreender brasileiros. O jogo de abertura será disputado no Estádio 15 de Abril, em Santa Fé, com capacidade para 26 mil torcedores, prometendo um ambiente hostil na semana de 2 de abril.
Já o Palestino, representante chileno, tem uma história mais modesta, mas com momentos de destaque. Fundado em 1920, o clube de Santiago conquistou a liga chilena nas décadas de 1950 e 1970 e, mais recentemente, a Taça do Chile em 2018. Na Sul-Americana de 2024, chegou às oitavas de final, eliminando o Cuiabá nos playoffs antes de cair para o Fortaleza. Sob o comando do argentino Lucas Bovaglio, o time aposta em organização tática para complicar os adversários.
Calendário da fase de grupos: datas e compromissos do Cruzeiro
O Cruzeiro já conhece o caminho que percorrerá na fase de grupos da Copa Sul-Americana, com datas base definidas pela Conmebol. A competição terá início em abril e se estende até o fim de maio, com seis rodadas que determinarão os classificados para as etapas eliminatórias. Confira o cronograma dos jogos da Raposa:
- 1ª rodada: Unión Santa Fé (Argentina) x Cruzeiro – 2 a 3 de abril
- 2ª rodada: Cruzeiro x Mushuc Runa (Equador) – 8 a 10 de abril (portões fechados)
- 3ª rodada: Palestino (Chile) x Cruzeiro – 22 a 24 de abril
- 4ª rodada: Mushuc Runa (Equador) x Cruzeiro – 6 a 8 de maio
- 5ª rodada: Cruzeiro x Palestino (Chile) – 13 a 15 de maio
- 6ª rodada: Cruzeiro x Unión Santa Fé (Argentina) – 27 a 29 de maio
A estreia fora de casa contra o Unión Santa Fé abre a campanha, seguida pelo jogo sem torcida no Mineirão. As rodadas seguintes incluem viagens ao Chile e ao Equador, com o encerramento da fase de grupos em Belo Horizonte, diante dos argentinos. Apenas o primeiro colocado do grupo avança diretamente às oitavas de final, enquanto o segundo disputará um playoff contra equipes vindas da Libertadores.
Histórico na Sul-Americana: a busca pelo título inédito
Desde sua primeira participação na Copa Sul-Americana, em 2003, o Cruzeiro já disputou o torneio em sete ocasiões, mas nunca conseguiu o título. A edição de 2024 marcou o auge da trajetória celeste na competição, com a chegada à final após uma recuperação impressionante na fase de grupos. Naquele ano, o time empatou os três primeiros jogos contra Universidad Católica, Unión La Calera e Alianza, mas venceu as partidas restantes e avançou com autoridade até a decisão, perdida para o Racing.
A campanha de 2024 serve como inspiração e alerta para 2025. Pedro Junio lembrou que, mesmo com adversários teoricamente acessíveis, a dificuldade foi enorme na fase inicial, exigindo uma virada histórica para a classificação. Agora, como vice-campeão, o Cruzeiro carrega o peso de ser um dos favoritos, mas também a motivação de conquistar o troféu que falta em sua galeria. A ausência de torcida na estreia caseira adiciona um obstáculo extra a essa missão.
O torneio de 2025 terá sua grande final em 22 de novembro, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Antes disso, o Cruzeiro precisará superar os desafios do Grupo E e, caso avance, encarar as fases de mata-mata, que incluem playoffs em julho, oitavas em agosto, quartas em setembro e semifinais em outubro. A experiência recente na competição pode ser um diferencial para a equipe celeste.
Curiosidades sobre os rivais do Cruzeiro no Grupo E
Os adversários do Cruzeiro no Grupo E trazem histórias e particularidades que enriquecem a disputa. Veja alguns destaques sobre cada um deles:
- Unión Santa Fé: Fundado em 1907, o clube argentino tem como maior feito a eliminação do Atlético-MG na Sul-Americana de 2020, um resultado celebrado por cruzeirenses na época.
- Palestino: Representante da comunidade palestina no Chile, o clube já enfrentou o Flamengo em sete ocasiões, sendo o adversário brasileiro mais frequente em sua história internacional.
- Mushuc Runa: Criado em 2003, o time equatoriano compartilha uma coincidência curiosa com o Cruzeiro: ambos foram fundados em 2 de janeiro, embora em anos diferentes (1921 para a Raposa).
Esses detalhes mostram que, apesar de não serem gigantes continentais, os rivais do Grupo E possuem características que podem surpreender. O Cruzeiro, com sua tradição e elenco, entra como favorito, mas precisará de atenção para evitar tropeços.
O que esperar da campanha celeste em 2025
Com um grupo equilibrado e a experiência de 2024, o Cruzeiro tem condições de brigar pela liderança do Grupo E. A estreia fora contra o Unión Santa Fé será um teste imediato de resistência, enquanto o jogo sem torcida contra o Mushuc Runa exigirá concentração máxima dos jogadores. As partidas contra o Palestino, especialmente fora de casa, também prometem dificuldades, dado o desempenho recente do clube chileno em competições sul-americanas.
A ausência de altitude significativa nos confrontos fora de casa é um ponto positivo, já que nenhum dos adversários atua em cidades de grande elevação, como ocorre em outros grupos com equipes bolivianas ou peruanas. Isso pode facilitar a adaptação física do elenco celeste, que contará com o retorno ao Mineirão com público a partir da quinta rodada, contra o Palestino, em maio.
Pedro Junio reforçou a responsabilidade do Cruzeiro como atual vice-campeão e a ambição de chegar novamente à final. A combinação de superação, como na campanha passada, e ajustes para evitar os erros de 2024 será essencial para que a Raposa conquiste o título inédito e marque seu nome na história da Copa Sul-Americana.
