Aos 38 anos, Sergio Ramos continua a ser um dos nomes mais falados do futebol mundial, agora em terras mexicanas. No último domingo, dia 16 de março, o zagueiro espanhol protagonizou um momento que reacendeu debates sobre seu estilo de jogo agressivo: foi expulso nos acréscimos da vitória do Monterrey por 3 a 1 contra o Pumas, em partida válida pelo Campeonato Mexicano. O lance, que envolveu um chute no atacante Guillermo Martínez, marcou o primeiro cartão vermelho de Ramos com a camisa do clube mexicano e trouxe à tona críticas e polêmicas que acompanham sua carreira há anos. Desde sua chegada ao Monterrey, em fevereiro, o ex-jogador do Real Madrid já acumula três gols em cinco jogos, mas também demonstra que sua intensidade em campo permanece inalterada.
Contratado sem custos após rescindir com o Sevilla no final do ano passado, Ramos assinou um contrato de um ano com o Monterrey, equipe que se prepara para o Mundial de Clubes. A diretoria do clube apostou em sua experiência para reforçar o elenco, e o zagueiro rapidamente assumiu a braçadeira de capitão. Sua estreia ocorreu no dia 22 de fevereiro, em uma vitória por 3 a 1 contra o Atlético San Luis, mas foi somente na terceira partida que ele começou a deixar sua marca com gols. Contudo, o incidente contra o Pumas reacendeu as discussões sobre o limite entre competitividade e excesso, características que definem o jogador há quase duas décadas.
Rapidamente, a expulsão ganhou destaque nas redes sociais e na imprensa mexicana, com reações que vão desde críticas duras até apoio ao veterano. Após o jogo, Ramos usou seu perfil oficial para comentar o ocorrido com um tom irônico, destacando a vitória e brincando sobre o cartão vermelho. O episódio, que resultou em seu 30º cartão vermelho na carreira, reforça a imagem de um jogador que não teme ultrapassar os limites, algo que já foi visto em passagens por Real Madrid, Paris Saint-Germain e Sevilla.
Sergio Ramos teve sua primeira expulsão jogando pelo Monterrey.
— ⚽ (@DoentesPFutebol) March 17, 2025
Só porque chutou o adversário. Bobagem. pic.twitter.com/XTzKvnZmeG
Expulsão reacende debate sobre estilo de jogo
O lance que culminou na expulsão de Sergio Ramos aconteceu em um momento em que o Monterrey já tinha a vitória garantida. Aos 92 minutos, o zagueiro disputou a bola com Guillermo Martínez, do Pumas, e, após o adversário levar a melhor, reagiu com um chute nas costas do atacante enquanto a bola saía pela lateral. O árbitro Ismael Rosario López Peñuelas não hesitou e mostrou o cartão vermelho direto, encerrando a participação de Ramos na partida. A ação gerou revolta no banco do Pumas e entre os torcedores, que viram o gesto como desnecessário em um jogo praticamente decidido.
No México, a repercussão foi imediata. Efraín Juárez, técnico do Pumas, foi um dos mais incisivos ao comentar o incidente. Ele afirmou que Ramos deveria ter sido expulso ainda no primeiro tempo, aos 20 minutos, quando acertou uma cotovelada em um jogador adversário, lance que passou despercebido pela arbitragem. Juárez destacou a necessidade de proteger o futebol mexicano e sugeriu que, caso o mesmo tivesse sido feito por um jogador local, a punição viria mais cedo. A crítica reflete o impacto da chegada de um nome como Ramos, cuja fama mundial traz tanto admiração quanto expectativas de comportamento exemplar.
Apesar das controvérsias, o Monterrey saiu de campo com os três pontos, mantendo-se na oitava posição do Clausura 2025, com 19 pontos. A equipe, comandada pelo argentino Martín Demichelis, mostrou força ofensiva, mas a atuação de Ramos dividiu opiniões. Enquanto alguns elogiaram sua entrega como capitão, outros questionaram a falta de controle em um momento que não exigia tal reação. O episódio, no entanto, não apaga o bom início do espanhol no clube, onde ele já se destaca como artilheiro improvável entre os zagueiros.
Trajetória de advertências marca carreira de Ramos
Sergio Ramos não é estranho a cartões vermelhos. Com 30 expulsões ao longo de sua carreira, o zagueiro detém um recorde impressionante – e controverso – no futebol mundial. Durante seus 16 anos no Real Madrid, ele foi expulso 26 vezes, número que o coloca como o jogador com mais cartões vermelhos na história de LaLiga. Além disso, acumulou duas expulsões no Paris Saint-Germain e uma no Sevilla, clube onde retornou brevemente antes de rumar para o México. Curiosamente, em seus 18 anos defendendo a seleção espanhola, onde conquistou a Copa do Mundo de 2010, ele nunca recebeu um vermelho.
Aos 38 anos, Ramos mantém o mesmo estilo que o consagrou e, ao mesmo tempo, o colocou sob os holofotes por polêmicas. Sua agressividade em campo, combinada com técnica apurada e liderança natural, fez dele um dos maiores defensores da história, mas também um alvo constante de críticas. No Monterrey, essa dualidade já se faz presente: em apenas cinco jogos, ele marcou três gols, algo raro para um zagueiro, mas também não escapou de reacender debates sobre suas atitudes impulsivas. O chute em Martínez foi apenas o capítulo mais recente de uma trajetória marcada por momentos de genialidade e controvérsia.
No contexto mexicano, onde o futebol é vivido com paixão intensa, a presença de Ramos eleva o nível de atenção sobre o Monterrey. A equipe, que já conquistou cinco títulos da Liga MX e busca o sexto na Concacaf Champions Cup, vê no espanhol um reforço de peso para competições internacionais, como o Mundial de Clubes. Contudo, a suspensão que ele enfrentará após o vermelho – provavelmente contra o Tijuana, no próximo jogo – pode ser um obstáculo em um momento crucial da temporada.
Cronologia dos primeiros passos de Ramos no México
A chegada de Sergio Ramos ao Monterrey foi um marco para o futebol mexicano. Após meses de especulações sobre seu futuro, o zagueiro assinou com o clube em fevereiro, trazendo consigo um currículo invejável: 22 títulos com o Real Madrid, incluindo quatro Ligas dos Campeões, e uma Copa do Mundo com a Espanha. Veja os principais momentos de sua trajetória inicial no novo time:
- Fevereiro: Ramos é anunciado como reforço do Monterrey, com contrato de um ano e salário estimado em 4 milhões de dólares anuais, além de bônus por jogos, gols e assistências.
- 22 de fevereiro: Estreia como capitão na vitória por 3 a 1 contra o Atlético San Luis, mostrando boa forma física após quase nove meses sem atuar oficialmente.
- Início de março: Marca seu primeiro gol pelo clube, em seu segundo jogo, consolidando-se como peça-chave na defesa e no ataque em jogadas de bola parada.
- 16 de março: Recebe o primeiro cartão vermelho no México, na vitória contra o Pumas, gerando polêmica e suspensão para o jogo seguinte.
O impacto de Ramos vai além dos números. Sua presença elevou o status do Monterrey, que agora é observado de perto por fãs internacionais, especialmente na Espanha e na Europa.
Reações e consequências do cartão vermelho
Após o jogo contra o Pumas, as redes sociais foram inundadas com opiniões sobre a expulsão de Ramos. Em sua publicação, o zagueiro escreveu que a vitória era o mais importante, mas não resistiu a ironizar o vermelho, dizendo que “era óbvio” que não sairia da Liga MX sem uma advertência desse tipo. A mensagem, acompanhada de um emoji sorridente, dividiu os torcedores: alguns viram humor e personalidade, enquanto outros interpretaram como falta de respeito ao adversário e ao campeonato.
No lado do Pumas, a frustração foi evidente. Além das declarações de Efraín Juárez, o atacante Guillermo Martínez, alvo do chute, tornou-se símbolo do embate. Um dia antes da partida, ele havia expressado admiração por Ramos, afirmando que seria uma honra enfrentá-lo. Após o jogo, porém, o gesto do espanhol foi recebido como uma decepção por parte do jovem jogador e da torcida local. Jornalistas mexicanos, como Heriberto Murrieta, classificaram a atitude de Ramos como “vergonhosa” e incompatível com sua stature de ídolo global.
A suspensão de Ramos terá impacto imediato no Monterrey. Sem ele, a dupla de zaga deve ser formada por Héctor Moreno e Stefan Medina contra o Tijuana, em um duelo que, embora contra o lanterna da tabela, exige consistência defensiva. A ausência do capitão pode ser sentida não apenas na defesa, mas também na liderança em campo, algo que ele trouxe desde o primeiro dia no clube.
Preparação para desafios internacionais
Fora das polêmicas, Sergio Ramos tem um objetivo claro com o Monterrey: o Mundial de Clubes, que será disputado em junho nos Estados Unidos. O torneio, em formato expandido pela FIFA, colocará o clube mexicano contra gigantes como Inter de Milão, River Plate e Urawa Reds no Grupo E. A competição é uma chance de ouro para Ramos adicionar mais um título de peso à sua coleção e para o Monterrey reafirmar sua força no cenário global, após a eliminação precoce na Concacaf Champions Cup deste ano contra o Vancouver Whitecaps.
O contrato de Ramos reflete a ambição do clube para o Mundial. Além do salário milionário, ele conta com incentivos por titularidade, gols e participação no torneio internacional, o que demonstra a confiança da diretoria em seu desempenho. Em campo, sua capacidade de marcar gols em jogadas aéreas – já são três em cinco jogos – pode ser um trunfo contra adversários de alto nível. A experiência em decisões, adquirida em anos de Real Madrid, também será essencial para um elenco que mescla jovens promessas e veteranos como Sergio Canales e Lucas Ocampos.
Até lá, Ramos terá de lidar com os altos e baixos de sua adaptação ao futebol mexicano. O vermelho contra o Pumas foi um lembrete de que sua intensidade, embora admirada, nem sempre é bem recebida. Ainda assim, o zagueiro parece determinado a deixar sua marca no Monterrey, seja com gols, liderança ou, como ele mesmo ironizou, com os inevitáveis cartões que acompanham sua carreira.