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Ministério estuda pagar 13º de aposentados em duas parcelas a partir de abril

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INSS - Foto: Divulgação/INSS INSS - Foto: Divulgação/INSS

Com a aprovação do Orçamento da União pelo Congresso Nacional, o governo federal avalia uma medida que pode trazer alívio financeiro a milhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O plano, liderado pelo Ministério da Previdência, prevê a antecipação do 13º salário em duas parcelas, com pagamentos programados para abril e maio. A proposta, que depende de um decreto presidencial, já foi encaminhada ao Ministério da Fazenda e pode ser oficializada nas próximas semanas, com a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperada até o início de abril. Estima-se que a iniciativa injete cerca de R$ 70 bilhões na economia, beneficiando aproximadamente 35 milhões de pessoas, entre segurados e dependentes da Previdência Social. A medida, que não gera impacto fiscal adicional, apenas altera o fluxo de pagamentos tradicionalmente realizados no segundo semestre, em agosto e novembro.

A antecipação do 13º salário do INSS não é uma novidade. Nos últimos anos, o governo tem adotado essa estratégia para estimular a economia e oferecer suporte financeiro em momentos de dificuldade. Em 2024, por exemplo, os pagamentos também ocorreram no primeiro semestre, uma decisão que coincidiu com a necessidade de aquecer o comércio e os serviços em um cenário de inflação persistente e queda na popularidade do governo. Desta vez, a aprovação do Orçamento de 2025, concluída na semana passada, abriu caminho para que a medida fosse novamente considerada, reforçando a tendência de priorizar o adiantamento do benefício.

O processo para viabilizar os pagamentos já está em andamento. Técnicos do governo afirmam que a folha do INSS começa a rodar na segunda semana de cada mês, o que torna os meses de abril e maio ideais para a execução do plano. A expectativa é que o decreto presidencial seja publicado em breve, garantindo que os beneficiários recebam a primeira parcela ainda no próximo mês, junto com o benefício regular, enquanto a segunda parcela chegaria em maio, seguindo o mesmo cronograma.

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INSS – Foto: rafastockbr/Shutterstock.com

Por que antecipar o 13º salário agora

A decisão de antecipar o 13º salário reflete uma estratégia econômica consolidada. Com a injeção de R$ 70 bilhões na economia, o governo espera estimular o consumo em setores como comércio varejista e serviços, que costumam ser diretamente impactados pelo aumento da circulação de recursos. Diferentemente de outras medidas fiscais, essa antecipação não exige gastos adicionais, já que os valores já estão previstos no Orçamento anual, apenas redistribuídos para o primeiro semestre.

Além disso, o contexto atual favorece a iniciativa. A inflação, que pressiona o custo de vida, especialmente em itens básicos como alimentos, tem reduzido o poder de compra de aposentados e pensionistas, muitos dos quais dependem exclusivamente do benefício do INSS. Dados recentes mostram que cerca de 70% dos segurados, ou 28,5 milhões de pessoas, recebem o piso nacional, atualmente fixado em R$ 1.518, enquanto 12,2 milhões têm benefícios acima desse valor, com um teto de R$ 8.157,41.

Outro fator relevante é o impacto político. A medida ocorre em um momento de desafios para o governo Lula, que enfrenta críticas pela condução da economia e busca recuperar popularidade. A antecipação do 13º pode ser vista como uma resposta direta às necessidades da população mais vulnerável, oferecendo alívio financeiro imediato e reforçando a imagem de compromisso social.

Quem terá direito ao benefício antecipado

Nem todos os beneficiários do INSS receberão o 13º salário antecipado. O abono é destinado a segurados e dependentes que, ao longo de 2024, tenham recebido algum dos seguintes benefícios previdenciários:

  • Aposentadoria (por idade, tempo de contribuição ou invalidez)
  • Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença)
  • Auxílio-acidente
  • Pensão por morte
  • Auxílio-reclusão

Por outro lado, quem recebe benefícios assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), não tem direito ao 13º salário, uma vez que esse pagamento está vinculado exclusivamente à Previdência Social. Essa distinção reduz o número total de contemplados em relação ao total de beneficiários do INSS, que supera os 40 milhões.

Como funciona o pagamento em duas parcelas

O pagamento do 13º salário do INSS segue um modelo consolidado, dividido em duas etapas. A primeira parcela, equivalente a 50% do valor do benefício mensal, é depositada sem descontos, acompanhando o calendário regular de abril. Já a segunda parcela, paga em maio, pode incluir deduções do Imposto de Renda, dependendo da renda total do beneficiário. O cronograma é ajustado conforme o valor do benefício e o número final do cartão de benefício, excluindo o dígito verificador.

Para quem ganha até um salário mínimo, os depósitos começam no dia 25 de cada mês. Aqueles com benefícios superiores ao piso recebem nos cinco primeiros dias úteis do mês seguinte. Esse escalonamento visa organizar a distribuição dos recursos e evitar sobrecarga no sistema bancário.

Impactos econômicos da medida

A injeção de R$ 70 bilhões na economia tem potencial para gerar um efeito cascata positivo. Especialistas apontam que o consumo impulsionado pelo 13º antecipado beneficia diretamente pequenos comerciantes, supermercados e prestadores de serviços, setores que empregam grande parte da população. Em 2024, a antecipação movimentou cerca de R$ 66 bilhões, e a expectativa para este ano é ainda maior, considerando o reajuste do salário mínimo e o aumento no número de beneficiários.

Por outro lado, economistas alertam que o impacto é temporário. Como o pagamento apenas altera o fluxo de caixa, e não representa uma renda extra, os efeitos tendem a se dissipar no segundo semestre, quando o 13º não estará mais disponível. Ainda assim, a medida é vista como uma ferramenta eficaz para aliviar pressões imediatas, especialmente em um cenário de alta nos preços de alimentos e energia.

A experiência dos últimos anos reforça essa percepção. Desde 2020, a antecipação do 13º tem sido usada como uma resposta a crises econômicas, como a pandemia de covid-19, e se consolidou como uma prática recorrente. Em 2022 e 2023, por exemplo, os pagamentos ocorreram entre maio e junho, enquanto em 2024 a escolha por abril e maio respondeu à necessidade de acelerar a recuperação econômica.

Calendário previsto para os pagamentos

O governo ainda não divulgou o calendário oficial, mas, com base em anos anteriores e no plano do Ministério da Previdência, as datas prováveis seguem o padrão do INSS. Veja como pode ficar o cronograma:

  • Primeira parcela: Depositada a partir de 24 de abril, junto ao benefício mensal de abril.
  • Segunda parcela: Liberada a partir de 26 de maio, acompanhando o pagamento de maio.
  • Para quem recebe até R$ 1.518: Pagamentos iniciam no dia 25 de cada mês.
  • Para quem recebe acima do mínimo: Depósitos ocorrem nos cinco primeiros dias úteis do mês seguinte.

Os beneficiários podem consultar o extrato com valores e datas exatas no aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135, canais que oferecem informações atualizadas sobre o benefício.

Benefícios para os aposentados

Receber o 13º salário antecipado representa um alívio significativo para os aposentados e pensionistas. Muitos planejam usar o recurso para quitar dívidas acumuladas, pagar contas essenciais ou cobrir despesas médicas, que frequentemente pesam no orçamento. Com a inflação afetando itens básicos, como arroz, feijão e energia elétrica, o adiantamento chega em um momento crucial.

Para famílias que dependem exclusivamente do benefício, a antecipação permite maior segurança financeira no primeiro semestre. A professora aposentada Darsonia Maria Pereira, de 59 anos, ilustra bem essa realidade. Ela já planeja usar o valor para garantir alimentação em casa e ajudar os filhos, destacando a importância de receber o dinheiro antes do período tradicional.

A medida também beneficia quem precisa negociar dívidas. Bancos e financeiras costumam oferecer descontos para pagamentos à vista, e o 13º antecipado pode ser uma oportunidade para regularizar pendências e evitar juros altos.

Histórico da antecipação no Brasil

A prática de antecipar o 13º salário do INSS começou a ganhar força em 2006, mas foi a partir de 2020 que se tornou recorrente. Durante a pandemia, o governo adiantou os pagamentos para mitigar os impactos econômicos do isolamento social, injetando bilhões na economia em um momento de crise. Desde então, a estratégia foi mantida, com ajustes no calendário conforme as necessidades do país.

Em 2019, uma medida provisória chegou a propor a antecipação permanente do benefício para o terceiro trimestre, mas a ideia não avançou. Nos anos seguintes, a decisão passou a depender de decretos anuais, como o assinado por Lula em 2024, que liberou as parcelas em abril e maio. Agora, com o Orçamento de 2025 aprovado, o governo tem a flexibilidade necessária para repetir a iniciativa.

Vale lembrar que a antecipação não inclui um 14º salário, proposta que já foi debatida no Congresso, mas segue sem aprovação. O Projeto de Lei 4.367/2020, que prevê esse pagamento extra, permanece parado, deixando o 13º como o único abono garantido aos segurados.

Planejamento financeiro com o 13º antecipado

Orientar-se financeiramente com o 13º antecipado é essencial para aproveitar ao máximo o benefício. Especialistas recomendam priorizar o pagamento de dívidas com juros altos, como cartão de crédito e cheque especial, que comprometem a renda mensal. Outra sugestão é reservar parte do valor para despesas futuras, como impostos e contas do segundo semestre.

Veja algumas dicas práticas para os beneficiários:

  • Quitar dívidas pendentes com descontos à vista.
  • Planejar compras essenciais, como medicamentos e alimentos.
  • Guardar uma reserva para emergências ou despesas sazonais.
  • Evitar gastos impulsivos que possam comprometer o orçamento.

Essa abordagem consciente ajuda a garantir que o dinheiro extra tenha um impacto positivo e duradouro na vida dos aposentados e pensionistas.

Expectativas para a economia local

A chegada de R$ 70 bilhões no primeiro semestre deve aquecer as economias locais, especialmente em cidades menores, onde o benefício do INSS é uma fonte significativa de renda. Comerciantes e prestadores de serviços já se preparam para um aumento na demanda, que pode incluir desde a venda de produtos básicos até serviços como consertos e reformas.

Em estados como Amazonas, por exemplo, a antecipação do 13º em anos anteriores movimentou mais de R$ 54 milhões apenas entre aposentados e pensionistas locais. Esse padrão deve se repetir em escala nacional, com reflexos positivos no Produto Interno Bruto (PIB) e na geração de empregos temporários.

A medida também alivia a pressão sobre outros programas sociais, como o Bolsa Família, ao oferecer suporte financeiro direto a uma parcela expressiva da população. Com isso, o governo equilibra estímulos econômicos e mantém o foco em políticas de redistribuição de renda.

Próximos passos do governo

A confirmação da antecipação depende agora da assinatura do decreto presidencial. Luiz Inácio Lula da Silva, que está em viagem ao Japão, deve retornar ao Brasil no fim da semana, mas o vice-presidente Geraldo Alckmin pode assumir a responsabilidade em sua ausência. O Ministério da Previdência já sinalizou que o tema será debatido internamente nos próximos dias, com prioridade para agilizar o processo.

Enquanto isso, os beneficiários aguardam ansiosamente a definição oficial. A publicação do decreto deve trazer detalhes sobre o calendário e os valores exatos, que variam conforme o tempo de recebimento do benefício em 2024. Para quem se aposentou recentemente, o 13º será proporcional aos meses de contribuição.

O governo também monitora os impactos da medida no cenário econômico. Com pressões inflacionárias e incertezas globais, a antecipação do 13º surge como uma ferramenta estratégica para manter a estabilidade e apoiar milhões de brasileiros que dependem da Previdência Social.

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