A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vive dias de intensa movimentação nos bastidores após a goleada de 4 a 1 sofrida pela Seleção Brasileira diante da Argentina, em 25 de março, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. O resultado desastroso no Monumental de Nuñez, aliado a atuações inconsistentes ao longo do ciclo, colocou o técnico Dorival Júnior sob pressão máxima. Na sede da entidade, no Rio de Janeiro, já se discute abertamente a substituição do treinador, com nomes como Carlo Ancelotti, do Real Madrid, e Jorge Jesus, do Al-Hilal, aparecendo como principais alternativas. A urgência por uma solução rápida tem levado a CBF a priorizar negociações que possam ser concretizadas antes da próxima Data Fifa, marcada para 5 e 10 de junho, quando o Brasil enfrenta Equador e Paraguai.
Dorival assumiu o comando da Seleção em janeiro de 2024, mas os números não têm convencido. Em 16 jogos, foram sete vitórias, sete empates e duas derrotas, incluindo a eliminação nas quartas de final da Copa América de 2024 para o Uruguai. A falta de identidade tática e os resultados aquém do esperado intensificaram as críticas, culminando na derrota para os argentinos, que expôs fragilidades defensivas e ofensivas da equipe. Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, reeleito na última segunda-feira para um mandato até 2030, deixou o estádio em Buenos Aires sem falar com a imprensa, mas prometeu se posicionar oficialmente ainda nesta semana.
Enquanto isso, a entidade já mantém conversas paralelas com dois treinadores estrangeiros de peso. Carlo Ancelotti, sonho antigo de Ednaldo, segue como o favorito, mas sua situação no Real Madrid torna a negociação complexa. Jorge Jesus, por outro lado, emerge como uma opção mais prática, com a possibilidade de assumir o cargo já em junho, antes do Mundial de Clubes, competição que pode atrasar a chegada de outros candidatos.
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— Planeta do Futebol ???? (@futebol_info) March 27, 2025
CBF conversa com Jorge Jesus como plano B para evitar novela por Ancelotti.
O técnico do Real Madrid é prioridade, mas o treinador do Al Hilal é visto como opção mais fácil e com possibilidade de assumir já na Data FIFA de junho.
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Ancelotti como plano A: um sonho distante?
Carlo Ancelotti, técnico italiano do Real Madrid, é o nome que encabeça a lista de desejos da CBF desde o início do ciclo para a Copa de 2026. Com um currículo recheado de títulos, como duas Ligas dos Campeões (2021/22 e 2023/24) e dois Campeonatos Espanhóis (2021/22 e 2023/24), ele é visto como o perfil ideal para resgatar o prestígio da Seleção Brasileira. No entanto, sua permanência no clube espanhol até pelo menos o fim do Mundial de Clubes, em julho, dificulta uma transição imediata.
O contrato de Ancelotti com o Real Madrid vai até meados de 2026, mas há sinais de que ele poderia deixar o clube após o torneio interclubes, dependendo dos resultados da temporada. Internamente, o treinador já manifestou a pessoas próximas que aceitaria o convite da CBF, mas apenas se a entidade estivesse disposta a aguardar até o fim de julho. Essa postura repete o que ocorreu há dois anos, quando a CBF esperou por ele sem sucesso, optando por Fernando Diniz como interino antes de contratar Dorival.
A relutância de Ancelotti em entrar em conflito com Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, é outro obstáculo. A CBF sabe que uma negociação arrastada pode comprometer o planejamento para as Eliminatórias, especialmente com a Copa do Mundo a pouco mais de um ano de distância. Diante desse cenário, a entidade busca alternativas que ofereçam maior agilidade na troca de comando.
Jorge Jesus entra em cena como alternativa viável
Diferentemente de Ancelotti, Jorge Jesus aparece como uma solução mais acessível e imediata. O português, atualmente no Al-Hilal, da Arábia Saudita, tem contrato até o fim do Mundial de Clubes, mas com uma multa rescisória regressiva que facilita ajustes com o clube saudita. A CBF trabalha com a informação de que ele estaria disposto a abrir mão da competição para assumir a Seleção já em junho, antes dos jogos contra Equador e Paraguai.
Jesus tem um histórico vitorioso no Brasil, onde comandou o Flamengo entre 2019 e 2020, conquistando cinco títulos, incluindo a Libertadores e o Brasileirão. Sua familiaridade com o futebol brasileiro e a cultura do país são pontos a favor, defendidos por uma corrente dentro da direção da CBF. Além disso, o Campeonato Saudita termina em 26 de maio, e a Champions da Ásia, outro compromisso do Al-Hilal, encerra-se em 3 de maio, o que abre uma janela para a liberação antecipada, especialmente se o time não tiver mais chances de título na liga local.
Atualmente, o Al-Hilal ocupa a segunda posição no Campeonato Saudita, com quatro pontos a menos que o líder Al-Ittihad. Caso a equipe não consiga reverter essa diferença nas rodadas finais, a saída de Jesus poderia ser ainda mais simplificada, favorecendo os planos da CBF.
Obstáculos na relação entre Jorge Jesus e Neymar
Um ponto sensível na possível chegada de Jorge Jesus à Seleção é sua relação com Neymar, principal estrela do time nacional. Em janeiro, quando o atacante deixou o Al-Hilal rumo ao Santos, o treinador português fez críticas públicas ao desempenho físico do jogador, afirmando que ele não conseguia acompanhar o ritmo da equipe saudita. Neymar, por sua vez, respondeu em fevereiro, declarando que ficou “muito chateado” com as palavras de Jesus.
Apesar disso, o tema não foi mencionado nas conversas iniciais entre a CBF e o treinador. Neymar, que voltou a ser convocado por Dorival em março após mais de um ano afastado por lesão, foi cortado dos jogos contra Colômbia e Argentina devido a um desconforto na coxa esquerda. Sua influência na Seleção segue significativa, mas a entidade parece disposta a aparar eventuais arestas para viabilizar a contratação de Jesus, caso necessário.
Pressão sobre Dorival atinge ápice após goleada
A derrota por 4 a 1 para a Argentina marcou um dos piores momentos da Seleção sob o comando de Dorival Júnior. O jogo expôs falhas táticas gritantes, com a equipe sofrendo dois gols quase idênticos e mostrando pouca capacidade de reação. A pressão, que já vinha crescendo desde os empates contra Venezuela e Uruguai em novembro de 2024, atingiu seu nível máximo, levando a CBF a acelerar as discussões sobre o futuro do treinador.
Na próxima sexta-feira, Dorival e o coordenador Rodrigo Caetano se reunirão com Ednaldo Rodrigues na sede da CBF para avaliar o trabalho. Uma demissão imediata aumentaria a urgência por um substituto, favorecendo Jorge Jesus. Por outro lado, caso o técnico ganhe sobrevida até junho, a entidade poderia optar por esperar Ancelotti, esticando a corda do atual comando.
O desempenho de Dorival nas Eliminatórias também não ajuda. O Brasil ocupa a quinta posição na tabela, com 18 pontos, atrás de Argentina, Uruguai, Equador e Colômbia. Embora a classificação para a Copa de 2026 não esteja ameaçada, a falta de consistência tática e os resultados abaixo das expectativas têm gerado insatisfação entre torcedores e dirigentes.
Cenários possíveis para o comando da Seleção
A CBF enfrenta um dilema claro: agir rápido com Jorge Jesus ou aguardar Carlo Ancelotti, correndo o risco de prolongar a crise. A participação de ambos os treinadores no Mundial de Clubes, entre junho e julho, nos Estados Unidos, é um fator que pode influenciar o timing da decisão. Veja os cenários em jogo:
- Demissão imediata de Dorival: Jorge Jesus assume em maio ou junho, aproveitando o fim de seus compromissos com o Al-Hilal.
- Sobrevida até junho: Dorival comanda os jogos contra Equador e Paraguai, e a CBF espera Ancelotti após o Mundial.
- Plano híbrido: Jesus chega como interino até julho, abrindo espaço para Ancelotti assumir em definitivo.
Números e desempenho: o que está em jogo
Analisar os números de Dorival Júnior à frente da Seleção ajuda a entender a crise atual. Em 16 partidas, o Brasil marcou 22 gols e sofreu 14, com uma média de 1,37 gol por jogo. Na Copa América, a equipe avançou às quartas de final, mas caiu nos pênaltis para o Uruguai, em um torneio marcado por atuações irregulares. Nas Eliminatórias, foram quatro vitórias, três empates e duas derrotas em nove jogos, um aproveitamento de 55,5%.
A goleada para a Argentina foi a pior derrota para o rival desde 1964, quando o Brasil perdeu por 3 a 0. O resultado reacendeu o debate sobre a necessidade de um treinador com experiência internacional e capacidade de impor um padrão de jogo competitivo, algo que Ancelotti e Jesus trazem em seus currículos.
Calendário decisivo para a CBF
O cronograma da Seleção Brasileira e dos possíveis substitutos de Dorival impõe prazos apertados à CBF. Confira as datas-chave que podem definir o futuro do comando técnico:
- 26 de maio: Fim do Campeonato Saudita, liberando Jorge Jesus caso o Al-Hilal não dispute o título.
- 5 e 10 de junho: Jogos contra Equador e Paraguai pelas Eliminatórias.
- Junho e julho: Mundial de Clubes, com Ancelotti (Real Madrid) e Jesus (Al-Hilal) envolvidos.
- Fim de julho: Possível janela para Ancelotti se posicionar sobre a CBF.
Outros nomes no radar da entidade
Além de Ancelotti e Jesus, outros treinadores aparecem como possibilidades, embora com menos força. Filipe Luís, ex-lateral e atual técnico do Flamengo, ganhou destaque após um início promissor no clube, mas sua falta de experiência no comando de uma seleção pesa contra. Abel Ferreira, do Palmeiras, também é especulado, mas seu contrato até o fim do ano e o desejo do clube de renová-lo tornam a negociação improvável no curto prazo.
Pep Guardiola, do Manchester City, é um sonho distante de torcedores. Apesar de estar em má fase no clube inglês, com uma sequência de resultados ruins na temporada, ele renovou recentemente até 2027 e já descartou assumir o Brasil em um futuro próximo, brincando que uma goleada sofrida na Champions League o tirou da disputa.
Impacto da troca no ciclo para a Copa de 2026
Faltando pouco mais de um ano para a Copa do Mundo de 2026, a ser realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, a CBF não tem margem para novos erros. O torneio será o primeiro com 48 seleções, ampliando as vagas sul-americanas para seis diretas e uma na repescagem. Mesmo com a classificação praticamente garantida, o objetivo é chegar ao Mundial com uma equipe competitiva, capaz de brigar pelo hexa.
A troca de treinador agora pode oferecer ao novo comandante cerca de quatro rodadas das Eliminatórias e mais quatro Datas Fifa para amistosos (outubro e novembro deste ano, além de março e junho de 2026). Esse tempo, porém, é considerado curto para implantar uma filosofia de jogo consistente, o que reforça a necessidade de um nome com experiência e adaptação rápida, como Ancelotti ou Jesus.
Desafios táticos à espera do novo técnico
Quem assumir a Seleção herdará um elenco talentoso, mas desorganizado taticamente. A derrota para a Argentina evidenciou problemas como vulnerabilidade defensiva, falta de criatividade no meio-campo e dependência de individualidades como Vinicius Júnior e Neymar. Dorival tentou implementar variações com três zagueiros e mais mobilidade no ataque, mas os ajustes não surtiram efeito contra adversários de alto nível.
Jorge Jesus, com seu estilo ofensivo e de pressão alta, poderia trazer uma nova dinâmica, enquanto Ancelotti é conhecido por sua capacidade de gerir estrelas e adaptar sistemas táticos. Ambos, no entanto, precisarão lidar com a pressão imediata por resultados e a expectativa de resgatar o futebol vistoso que marcou a história brasileira.
Próximos passos da CBF
A reunião de sexta-feira entre Ednaldo Rodrigues, Dorival Júnior e Rodrigo Caetano será decisiva. O presidente da CBF, que evitou a imprensa após a goleada, deve anunciar os rumos do departamento de futebol nos próximos dias. A tendência é que a entidade busque uma solução rápida com Jorge Jesus, mantendo Ancelotti como plano de longo prazo, caso a situação de Dorival se torne insustentável.
Enquanto isso, a Seleção Brasileira só volta a campo em junho, mas os bastidores prometem ser agitados bem antes disso. A escolha do novo treinador definirá não apenas o futuro imediato da equipe, mas também as chances de sucesso na Copa de 2026.