A saída de Dorival Júnior do comando da seleção brasileira marca o fim de uma passagem turbulenta, mas com um desfecho financeiro significativo para o treinador. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou que arcará com o pagamento integral dos salários do técnico até o término de seu contrato, previsto para o encerramento da Copa do Mundo de 2026, além de uma multa rescisória que engloba não apenas os vencimentos mensais, mas também direitos de imagem. O custo mensal de Dorival ultrapassa a casa de R$ 1 milhão, o que transforma a rescisão em um dos acordos mais caros da história recente da entidade. A decisão foi tomada após uma série de resultados aquém do esperado nas Eliminatórias e pressões internas por mudanças no comando técnico.
O treinador, que assumiu a seleção em janeiro de 2023, tinha como missão principal reestruturar a equipe após a eliminação nas quartas de final da Copa de 2022, no Catar. Durante seu período à frente do time, Dorival implementou um estilo de jogo baseado em disciplina tática e intensidade, mas enfrentou dificuldades para alinhar os jogadores às suas ideias. Em sua última partida, contra a Argentina, ele cobrou maior comprometimento dos atacantes, especialmente na recomposição defensiva, algo que não foi plenamente atendido em campo. A derrota por 1 a 0 em Buenos Aires, no início de março, acabou sendo o estopim para a decisão da CBF de encerrar o ciclo do treinador.
Paralelamente, a demissão de Dorival não será um caso isolado na cúpula da seleção. O diretor de seleções, Rodrigo Caetano, também terá seu contrato rescindido nas mesmas condições financeiras. Assim como o técnico, Caetano receberá os salários integrais até o fim do vínculo, previsto para 2026, acrescidos de uma multa proporcional aos vencimentos. A dupla aguarda apenas a formalização das saídas em uma reunião marcada para esta sexta-feira, 28 de março, com o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, que vem enfrentando críticas pela gestão da entidade.
- O contrato de Dorival Júnior com a CBF foi assinado em 2023 e tinha validade até julho de 2026.
- O custo mensal do técnico, somando salários e direitos de imagem, supera R$ 1 milhão.
- Rodrigo Caetano, diretor de seleções, terá待遇similar na rescisão contratual.
Jorge Jesus e Ancelotti na mira da CBF
Com a saída de Dorival Júnior confirmada, a CBF já se movimenta para definir o próximo treinador da seleção brasileira. Nos bastidores, o nome de Jorge Jesus, atualmente no Al-Hilal, da Arábia Saudita, ganhou força nas últimas semanas. O português, que deixou uma marca vitoriosa no Flamengo entre 2019 e 2020, incluindo a conquista da Libertadores, tem se articulado para voltar ao radar da entidade. Sua experiência em competições sul-americanas e o estilo de jogo ofensivo são vistos como trunfos, embora sua relação estremecida com Neymar, astro da seleção, possa pesar contra a escolha.
Enquanto isso, outro nome cotado é Carlo Ancelotti, técnico do Real Madrid. O italiano, que já manifestou interesse em comandar uma seleção na reta final de sua carreira, é considerado o “plano A” da CBF. Negociações com o treinador devem avançar nas próximas semanas, mas a entidade teme a concorrência de propostas milionárias do futebol árabe, que poderiam seduzir Ancelotti com valores astronômicos. A decisão sobre o novo comandante será crucial para os rumos da equipe nas Eliminatórias, que seguem em andamento com o Brasil ocupando a quinta posição, dentro da zona de classificação, mas com desempenho irregular.
A pressão por resultados imediatos também recai sobre Ednaldo Rodrigues. Eleito presidente da CBF em 2022, o dirigente prometeu modernizar a gestão da seleção, mas os tropeços recentes reacenderam críticas de torcedores e da imprensa. A escolha do próximo técnico será um teste decisivo para sua administração, especialmente com a Copa de 2026 se aproximando e a necessidade de recuperar o prestígio da seleção no cenário mundial.
Custos elevados e impacto financeiro
A rescisão de Dorival Júnior e Rodrigo Caetano representa um ônus financeiro considerável para a CBF. O pagamento integral dos salários até 2026, somado às multas rescisórias, pode ultrapassar os R$ 40 milhões no caso do treinador, dependendo dos detalhes contratuais ainda não divulgados. Para Caetano, o valor deve seguir proporções semelhantes, embora os vencimentos do diretor sejam inferiores aos do técnico. Esses números evidenciam o alto custo de encerrar contratos de longo prazo, prática que não é novidade na história da entidade.
Historicamente, a CBF já enfrentou situações similares. Em 2016, por exemplo, a demissão de Dunga após a eliminação na fase de grupos da Copa América Centenário também envolveu pagamentos significativos. Desta vez, porém, o contexto é agravado pela proximidade do próximo Mundial e pela necessidade de investimentos em uma nova comissão técnica. A entidade, que tem como uma de suas principais fontes de receita os patrocínios e direitos de transmissão, precisará equilibrar as contas para não comprometer outros projetos, como o desenvolvimento das categorias de base.
- Dorival Júnior: mais de R$ 1 milhão por mês até 2026, além de multa rescisória.
- Rodrigo Caetano: salários integrais e multa proporcional ao contrato.
- Impacto total pode superar R$ 80 milhões, considerando ambos os profissionais.
Cronograma da transição na seleção
A troca no comando técnico da seleção brasileira segue um calendário apertado. Com jogos das Eliminatórias previstos para junho, a CBF trabalha para anunciar o novo treinador ainda em abril, garantindo tempo para adaptação antes das próximas convocações. Veja os principais eventos esperados:
- 28 de março: reunião para formalizar a demissão de Dorival e Caetano.
- Abril: início das negociações oficiais com Jorge Jesus e Carlo Ancelotti.
- Maio: anúncio do novo técnico e planejamento para as Eliminatórias.
- Junho: primeiros jogos sob novo comando, contra Paraguai e Colômbia.
Esse cronograma reflete a urgência da entidade em estabilizar a seleção, que enfrenta concorrentes diretos como Argentina e Uruguai na disputa pelas vagas sul-americanas na Copa de 2026. A competição, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, terá um formato ampliado, com 48 seleções, o que aumenta as chances de classificação, mas também eleva a expectativa por um desempenho convincente do Brasil.
Números da passagem de Dorival pela seleção
A trajetória de Dorival Júnior no comando da seleção brasileira foi marcada por altos e baixos. Em 15 meses à frente da equipe, ele disputou 18 partidas, com um aproveitamento de 55%, resultado considerado mediano para os padrões da equipe pentacampeã mundial. Foram 9 vitórias, 3 empates e 6 derrotas, com 28 gols marcados e 19 sofridos. O desempenho nas Eliminatórias, principal foco de sua gestão, foi irregular: o Brasil venceu apenas 50% dos jogos disputados até março, o que o deixou atrás de líderes como a Argentina, atual campeã mundial.
Entre os momentos mais marcantes de sua passagem estão a vitória por 4 a 1 sobre o Uruguai, em outubro de 2023, e a derrota para a Argentina, que selou seu destino. Dorival também enfrentou desafios extracampo, como a pressão por resultados imediatos e a dificuldade de lidar com a transição geracional de jogadores, com nomes como Vinicius Jr. e Rodrygo assumindo protagonismo em meio à ausência prolongada de Neymar por lesão.
O que esperar do futuro da seleção
A saída de Dorival Júnior abre espaço para uma reformulação no comando técnico da seleção, mas também levanta questionamentos sobre o planejamento da CBF. Jorge Jesus, com seu estilo enérgico e histórico de títulos, poderia trazer uma identidade mais agressiva ao time, algo que os torcedores cobram desde a eliminação no Catar. Já Ancelotti, com sua vasta experiência em clubes europeus e três títulos de Liga dos Campeões, traria um perfil mais estratégico, focado em competições de alto nível como a Copa do Mundo.
Independentemente da escolha, o próximo treinador terá pela frente o desafio de recuperar a confiança da torcida e melhorar o desempenho nas Eliminatórias. O Brasil, que não vence um Mundial desde 2002, vive um jejum de 24 anos, o maior desde o intervalo entre 1970 e 1994. A Copa de 2026, com seu formato expandido, será uma oportunidade de ouro para encerrar essa seca, mas exigirá um trabalho sólido desde já.
A reunião desta sexta-feira, 28 de março, será o ponto de partida oficial para essa transição. Enquanto Dorival Júnior e Rodrigo Caetano encerram seus ciclos com a garantia financeira de seus contratos, a CBF volta seus olhos para o futuro, ciente de que cada decisão será acompanhada de perto por milhões de torcedores.