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Adolescência: Minissérie da Netflix revela impacto da internet em jovens

Adolecencia.
Adolecencia. - Foto: Instagram Adolecencia. - Foto: Instagram

A minissérie Adolescência chegou ao catálogo da Netflix em 13 de março de 2025 e, em apenas duas semanas, alcançou a marca impressionante de 66,3 milhões de visualizações, consolidando-se como a série limitada mais assistida da plataforma nesse período. Produzida pela Plan B Entertainment, de Brad Pitt, e criada por Jack Thorne e Stephen Graham, a obra britânica de quatro episódios mergulha nas complexidades da juventude contemporânea, abordando temas como masculinidade tóxica, radicalização online e os desafios enfrentados por famílias na era digital. Filmada em plano-sequência, com cada episódio gravado em uma única tomada contínua, a série não apenas impressiona tecnicamente, mas também provoca debates globais sobre a influência da internet nos adolescentes.

Com um elenco liderado pelo jovem Owen Cooper, que estreia como Jamie Miller, e nomes consagrados como Stephen Graham e Ashley Walters, Adolescência narra a história de um garoto de 13 anos acusado de assassinar uma colega de escola. A trama, que se desdobra em tempo real ao longo de suas quatro horas, vai além do crime em si, explorando as camadas psicológicas e sociais que levam a atos extremos. A produção rapidamente dominou as listas de mais assistidos, alcançando o topo em mais de 70 países e quebrando recordes de audiência no Reino Unido, onde o primeiro episódio atraiu 6,45 milhões de telespectadores em sua semana de estreia.

A recepção crítica também reflete o impacto da série. Com 99% de aprovação no Rotten Tomatoes, Adolescência é elogiada por sua abordagem corajosa e realista, embora não esteja isenta de críticas pontuais, como a de Inkoo Kang, do New Yorker, que impediu uma pontuação perfeita. Enquanto isso, a inovação técnica de filmar cada episódio sem cortes tem fascinado o público e a imprensa, elevando o nível de exigência para produções futuras. A combinação de narrativa densa e execução impecável transformou a minissérie em um marco televisivo.

Por que Adolescência se tornou um fenômeno global

O sucesso estrondoso de Adolescência não é obra do acaso. A série toca em questões urgentes que ressoam com pais, educadores e jovens ao redor do mundo. A história de Jamie Miller, um adolescente aparentemente comum que se envolve em um crime chocante, reflete preocupações crescentes sobre o impacto das redes sociais e das comunidades online na formação da identidade juvenil. A produção destaca, por exemplo, a influência de figuras como Andrew Tate e do chamado “manosphere”, um universo digital que promove ideias misóginas e anti-feministas.

Além disso, a escolha de filmar em plano-sequência confere uma sensação de urgência e autenticidade à narrativa. Cada episódio, com cerca de uma hora, foi gravado em uma única tomada, exigindo semanas de ensaios e uma sincronia impecável entre elenco e equipe. O diretor Philip Barantini, conhecido por Boiling Point, trouxe essa técnica para o centro das atenções, enquanto o inexperiente Owen Cooper, em seu primeiro papel, entregou uma atuação que tem sido descrita como “esforço natural” e “reveladora”. A combinação de inovação técnica e relevância temática explica por que a série se destacou em um catálogo tão competitivo.

A produção também ganhou força por sua capacidade de gerar conversas. Desde o lançamento, pais relatam sentir-se despreparados para lidar com os desafios digitais enfrentados por seus filhos, enquanto especialistas apontam a série como um ponto de partida para discutir violência juvenil e o papel da tecnologia. Em países como Índia e Estados Unidos, fóruns online e redes sociais fervilham com debates sobre como educar meninos em um mundo saturado de mensagens contraditórias.

Temas sensíveis ganham destaque na trama

Adolescência não foge de assuntos difíceis. A série explora a solidão, a busca por validação e a vulnerabilidade masculina em um contexto de exposição constante às redes sociais. Jamie Miller, interpretado por Owen Cooper, é um garoto que lida com baixa autoestima e bullying, encontrando refúgio em comunidades online que, aos poucos, distorcem sua visão de mundo. A narrativa mostra como ideias como “80% das mulheres são atraídas por 20% dos homens” — uma crença recorrente no “manosphere” — podem alimentar ressentimentos e justificar comportamentos extremos.

A família de Jamie também está no centro da trama. Stephen Graham, que vive o pai Eddie Miller, entrega uma performance visceral ao retratar um homem comum devastado pela acusação contra o filho. Ashley Walters, como o detetive responsável pelo caso, adiciona outra camada de tensão à história, enquanto Erin Doherty, no papel da psicóloga Briony Ariston, brilha no terceiro episódio, um confronto de quase uma hora com Jamie que muitos consideram o ponto alto da série. Esses personagens refletem as lutas de adultos tentando entender um mundo que parece escapar de seu controle.

O realismo da série é reforçado por detalhes como o uso de emojis com significados ocultos, algo que surpreendeu muitos espectadores. O emoji de pílula, por exemplo, é associado à ideia de “ver a verdade” sobre relações de gênero, enquanto o símbolo “100” remete à teoria da hipergamia mencionada na trama. Esses elementos, tirados de subculturas reais da internet, mostram o cuidado dos criadores em retratar um fenômeno contemporâneo com precisão.

Números impressionantes da minissérie

Os dados de audiência de Adolescência falam por si só:

  • 24,3 milhões de visualizações nos primeiros quatro dias.
  • 42 milhões de views adicionais na semana de 17 a 23 de março, totalizando 66,3 milhões em duas semanas.
  • No Reino Unido, o primeiro episódio registrou 6,45 milhões de espectadores, superando programas tradicionais como The Apprentice (5,8 milhões).
  • A série liderou o ranking da Netflix em mais de 70 países, incluindo Estados Unidos e Brasil.

Esses números a colocam acima de sucessos como The Queen’s Gambit em termos de ritmo inicial de visualizações, embora a minissérie de xadrez tenha acumulado mais views a longo prazo. A façanha é ainda mais notável por se tratar de uma obra de apenas quatro episódios, sem grandes nomes de Hollywood no elenco principal, exceto pela associação com Brad Pitt na produção.

Uma produção que desafia limites técnicos

A decisão de filmar Adolescência em plano-sequência não foi apenas um capricho estilístico. Philip Barantini revelou que a técnica exigiu uma preparação rigorosa, com ensaios que duraram semanas e um planejamento meticuloso para cada movimento de câmera e ator. O terceiro episódio, um diálogo intenso entre Jamie e sua psicóloga, foi o primeiro a ser gravado, servindo como teste para Owen Cooper, que nunca havia atuado profissionalmente antes. O resultado é uma imersão rara, que faz o público sentir o peso de cada momento.

A equipe também enfrentou desafios logísticos. O colégio Minsthorpe Community College, no norte da Inglaterra, serviu de locação para as cenas escolares, enquanto a casa da família Miller foi filmada em uma residência real próxima. A estação de polícia e o centro de detenção juvenil foram construídos em estúdio, em um processo que levou seis semanas. Um detalhe curioso é o uso da voz da atriz que interpreta a vítima, Katie, no coral da trilha sonora, mantendo sua presença simbólica ao longo da série.

A inovação não passou despercebida. Críticos destacam a fluidez das transições, como a sequência de drone no final do segundo episódio, que exigiu uma passagem de câmera precisa entre operadores. Esse nível de execução elevou o padrão técnico da televisão, inspirando discussões sobre o futuro do formato em plataformas de streaming.

A realidade por trás da ficção

Embora Adolescência não seja baseada em um caso específico, seus criadores se inspiraram em notícias reais sobre crimes juvenis no Reino Unido, especialmente aqueles envolvendo facas. Jack Thorne, que já havia abordado temas sociais em obras como The Virtues, mergulhou nos cantos mais sombrios da internet para entender a radicalização de jovens. Stephen Graham, por sua vez, sentiu o coração “doer” ao ler sobre meninos cometendo atos violentos, o que o motivou a cocriar a série.

A violência retratada reflete uma preocupação crescente. No Reino Unido, os crimes com faca entre jovens aumentaram nos últimos anos, com estatísticas apontando um pico de incidentes em áreas urbanas. A série conecta esses eventos ao isolamento e à exposição a conteúdos tóxicos online, algo que ressoa em outros países, incluindo o Brasil, onde o bullying e a violência escolar também são temas recorrentes.

Pais que assistiram à série relatam um misto de choque e reflexão. Muitos dizem sentir “medo” ao perceber o quanto desconhecem das vidas digitais de seus filhos. A trama também inspirou movimentos como o de Jack Thorne, que passou a apoiar a ideia de proibir smartphones para menores de 14 anos, uma proposta que ganhou eco no Reino Unido após o lançamento.

Elenco e atuações que marcam

Owen Cooper, de apenas 13 anos, é a grande surpresa de Adolescência. Escolhido por sua autenticidade — ele nunca havia atuado antes —, o jovem foi descoberto em uma agência pequena e conquistou a equipe com uma audição simples, quase como uma conversa casual. Stephen Graham, que o descreveu como o “maior achado” da série, apostou em sua naturalidade para dar vida a Jamie Miller, um personagem complexo que oscila entre inocência e escuridão.

Erin Doherty, conhecida por The Crown, rouba a cena no terceiro episódio, um confronto psicológico que muitos chamam de “aula de atuação”. Sua interação com Cooper, filmada em uma única tomada de quase uma hora, é tensa e emocionante, mostrando o talento de ambos. Ashley Walters e Stephen Graham, veteranos do cinema britânico, completam o elenco com atuações que reforçam o peso emocional da narrativa.

A escolha de Cooper também influenciou a ambientação. Originalmente, a série não tinha um local definido, mas o sotaque do jovem ator levou a equipe a situar a história no norte da Inglaterra, adicionando um toque regional que enriquece o realismo da produção.

Debate sobre smartphones e juventude

A estreia de Adolescência reacendeu discussões sobre o uso de smartphones por crianças e adolescentes. No Reino Unido, a série alimentou pedidos por uma proibição de redes sociais para menores, com jornais locais publicando dezenas de artigos sobre o tema. Jack Thorne, pai de um menino de 8 anos, defende que os dispositivos sejam adiados até os 16 anos, enquanto pais entrevistados expressam dificuldade em monitorar o que os filhos acessam online.

A série mostra como Jamie é influenciado por conteúdos misóginos que encontra em plataformas digitais, um reflexo de uma realidade preocupante. Estudos recentes indicam que adolescentes passam, em média, mais de sete horas por dia em telas, com boa parte desse tempo em redes sociais. A exposição a ideias radicais, como as do “manosphere”, é facilitada por algoritmos que promovem conteúdos controversos para atrair atenção.

No Brasil, o tema também ganha relevância. Casos de violência escolar ligados a bullying e radicalização online têm aparecido com mais frequência, levantando alertas entre educadores e autoridades. Adolescência, ao expor essas questões, serve como um catalisador para conversas que vão além da ficção.

Cronologia do sucesso da série

A trajetória de Adolescência é marcada por marcos impressionantes:

  • 13 de março: Lançamento mundial na Netflix.
  • 17 a 23 de março: Série atinge 42 milhões de visualizações, somando 66,3 milhões em duas semanas.
  • 26 de março: Confirmação de recorde como a minissérie mais vista da plataforma em seu início.
  • 27 de março: Domínio das paradas no Reino Unido, com 6,45 milhões de views no primeiro episódio.

Essa linha do tempo reflete a rapidez com que a produção capturou a atenção global, consolidando-se como um fenômeno cultural em menos de um mês.

Reações do público e da crítica

A recepção de Adolescência é quase unânime em sua intensidade. Bollywood rendeu elogios, com Sara Ali Khan chamando a série de “dilacerante” e inspiradora. No Brasil, espectadores destacam a relevância dos temas, enquanto no Reino Unido o primeiro-ministro chegou a mencioná-la em um discurso no Parlamento, sinalizando seu impacto político.

Críticos também se rendem. O Guardian deu cinco estrelas, chamando-a de “perfeição televisiva”, enquanto a Variety destacou sua “retratação implacável” da crise entre jovens. A única nota dissonante veio do New Yorker, mas não foi suficiente para abalar o consenso de que a série é um marco.

Fãs nas redes sociais celebram detalhes como a trilha sonora, que inclui um coral com crianças da escola onde foi filmada, e a atuação de Cooper, cuja audição foi divulgada pela Netflix, encantando o público com sua simplicidade.

Curiosidades sobre a produção

Alguns fatos destacam o cuidado por trás de Adolescência:

  • A série foi filmada em ordem não cronológica, começando pelo terceiro episódio.
  • O coral da trilha inclui a voz da atriz que interpreta Katie, a vítima.
  • A casa dos Miller pertence a moradores reais, Dylan Naylor e Bethany Fletcher.
  • Owen Cooper foi escolhido por sua falta de experiência, trazendo autenticidade ao papel.

Esses elementos reforçam o compromisso da equipe em criar uma obra única e impactante.

O futuro de Adolescência

Apesar do clamor por uma segunda temporada, os criadores descartam continuar a história de Jamie Miller, afirmando que seu arco está concluído. Jack Thorne e Stephen Graham, no entanto, deixam a porta aberta para novos projetos no mesmo formato de plano-sequência, abordando outros temas sociais relevantes. A Netflix, diante do sucesso, já demonstra interesse em desenvolver mais parcerias com a dupla.

A influência da série também se estende além do entretenimento. Escolas no Reino Unido começam a usar trechos da trama em debates sobre bullying e tecnologia, enquanto pais buscam formas de dialogar com os filhos sobre os perigos online. O legado de Adolescência, assim, promete ir muito além de seus quatro episódios.

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