Milhares de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) correm o risco de ter seus pagamentos suspensos caso não retirem os valores depositados em até 60 dias após a data prevista. A medida, que visa proteger o sistema previdenciário contra fraudes e pagamentos indevidos, é uma norma aplicada há anos, mas ganha destaque com os recentes alertas do órgão. Em março de 2025, o INSS reforçou a importância de os segurados ficarem atentos ao calendário de depósitos e às regras para evitar transtornos. A suspensão ocorre automaticamente quando o banco devolve os créditos não sacados, exigindo que o beneficiário tome providências para reativar o recebimento. Casos como o de um renomado músico brasileiro, que teve o Benefício de Prestação Continuada (BPC) suspenso por esse motivo, ilustram a relevância do tema.
O prazo de 60 dias começa a contar a partir do dia estipulado para o pagamento, que varia conforme o número final do benefício e o cronograma anual divulgado pelo INSS. Quando o valor não é retirado, a instituição bancária responsável pelo depósito o retorna ao órgão, que então interrompe os repasses até que a situação seja regularizada. Essa regra existe para garantir que os recursos sejam destinados apenas a quem de fato tem direito, evitando, por exemplo, saques indevidos em casos de falecimento do titular. Em 2024, dados do INSS apontaram que mais de 150 mil benefícios foram devolvidos por falta de movimentação, número que reflete tanto descuido quanto desconhecimento das normas por parte dos segurados.
Regularizar a situação é um processo relativamente simples, mas exige iniciativa. O beneficiário precisa acessar o serviço “Solicitar Emissão de Pagamento não Recebido” pelo aplicativo ou site Meu INSS, utilizando CPF e senha, ou entrar em contato com a Central de Atendimento 135, disponível de segunda a sábado, das 7h às 22h. A ligação é gratuita tanto de telefones fixos quanto de celulares, o que facilita o acesso. Após a solicitação, o INSS analisa o caso e, se aprovado, libera os valores retidos, incluindo os retroativos, para saque na conta indicada.
Benefícios em risco: o que acontece após a suspensão
A suspensão de um benefício por falta de saque não significa a perda definitiva do direito, mas pode gerar atrasos e complicações. Quando o pagamento é devolvido, o INSS cessa os depósitos mensais até que o beneficiário comprove sua situação. Em alguns casos, isso pode levar meses, especialmente se houver pendências adicionais, como a necessidade de atualização cadastral no Cadastro Único (CadÚnico) para quem recebe o BPC. No Paraná, por exemplo, um caso registrado em 2018 mostrou como a demora no saque levou à interrupção de um benefício, reativado anos depois, mas novamente suspenso em janeiro de 2025 por descumprimento do prazo.
Outro ponto crítico é a confusão sobre a responsabilidade pelo acompanhamento dos depósitos. Muitos segurados acreditam que o INSS ou o banco devem notificá-los diretamente, mas a autarquia esclarece que a gestão do calendário é de responsabilidade do beneficiário. Em 2024, o órgão intensificou campanhas informativas nas redes sociais e em seus canais oficiais, como Instagram e YouTube, para alertar a população. A medida busca reduzir o número de suspensões, que impactam especialmente idosos e pessoas com deficiência, grupos que dependem do BPC ou de aposentadorias para subsistência.
Casos reais evidenciam os desafios. Um artista famoso da música brasileira enfrentou problemas com o BPC no início de 2025. O benefício, inicialmente mantido no Paraná, foi reativado após uma suspensão em 2018, com os valores retroativos liberados. No entanto, como os saques não foram realizados dentro do prazo de 60 dias, o pagamento foi novamente interrompido em janeiro e transferido para o Rio de Janeiro em fevereiro. A situação só foi resolvida após intervenção direta do beneficiário, o que reforça a necessidade de atenção às datas.
Como funciona o prazo de 60 dias
O prazo de 60 dias é uma regra fixa aplicada a todos os benefícios pagos pelo INSS, incluindo aposentadorias, pensões e o BPC. Ele começa a contar no dia em que o valor é disponibilizado na conta ou na agência bancária, conforme o calendário oficial. Para quem recebe por cartão magnético, o prazo é o mesmo, e o não uso do saldo leva à devolução. Em 2023, o INSS processou cerca de 12 milhões de pagamentos mensais, dos quais uma parcela significativa ficou sem movimentação por descuido ou falta de informação.
Os motivos para o não saque variam. Alguns beneficiários mudam de cidade sem atualizar o cadastro, outros enfrentam dificuldades de acesso às agências, e há ainda aqueles que, por problemas de saúde, deixam de retirar os valores. Em áreas rurais, onde o acesso a bancos é limitado, o problema é ainda mais recorrente. Dados mostram que, em 2024, cerca de 8% dos benefícios devolvidos vieram de regiões com baixa infraestrutura bancária, como o interior do Norte e Nordeste.
Para evitar transtornos, o INSS recomenda algumas ações simples:
- Conferir o calendário de pagamentos no início de cada ano.
- Manter os dados atualizados no Meu INSS ou no CadÚnico.
- Solicitar a transferência do benefício para uma conta acessível em caso de mudança.
- Entrar em contato com o 135 em caso de dúvidas sobre o depósito.
Essas medidas ajudam a garantir que o dinheiro chegue ao beneficiário sem interrupções, especialmente para quem depende do valor mensal.
Prova de vida: mito e realidade
Diferentemente do que circula em redes sociais, a suspensão de benefícios por falta de saque não está ligada à prova de vida. Desde 2023, o INSS assumiu a responsabilidade por essa comprovação, utilizando o cruzamento de dados com outros órgãos públicos, como cartórios e sistemas de saúde. Em 14 de julho de 2024, por exemplo, o procedimento foi realizado para o músico brasileiro mencionado anteriormente, confirmando que o bloqueio de seu BPC não teve relação com essa exigência. Uma portaria do Ministério da Previdência suspendeu os bloqueios por falta de prova de vida, reforçando que a medida não é mais um obstáculo para os segurados.
A desinformação sobre o tema, no entanto, persiste. Postagens recentes sugeriram que a suspensão do benefício do artista ocorreu por descumprimento dessa regra, mas o INSS esclareceu que o problema foi exclusivamente o não saque. A autarquia destaca que o cruzamento de dados abrange mais de 90% dos beneficiários anualmente, reduzindo a necessidade de comparecimento presencial às agências. Em 2024, cerca de 34 milhões de pessoas receberam benefícios, e a maioria teve a vida comprovada sem qualquer ação direta.
O que é o BPC e quem tem direito
O Benefício de Prestação Continuada (BPC) é uma assistência social prevista na Lei 8.742, de 7 de dezembro de 1993, voltada para idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência de qualquer idade. Gerido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e operacionalizado pelo INSS, ele garante um salário-mínimo mensal a quem tem renda familiar per capita de até um quarto do salário-mínimo. Em 2025, esse limite equivale a R$ 363, considerando o salário de R$ 1.452. Para acessá-lo, é obrigatório estar inscrito no CadÚnico, que monitora as condições socioeconômicas dos beneficiários.
Cerca de 5 milhões de pessoas recebem o BPC atualmente, segundo dados de 2024. O benefício não exige contribuição prévia à Previdência, o que o diferencia de aposentadorias, mas impõe critérios rigorosos de elegibilidade. A cada dois anos, o cadastro deve ser atualizado, e qualquer mudança na renda familiar pode levar à revisão do direito. Em 2023, o INSS identificou mais de 200 mil casos de irregularidades no pagamento do BPC, muitos ligados a fraudes ou falta de atualização cadastral.
Passo a passo para regularizar o benefício
Quando um pagamento é suspenso por falta de saque, o beneficiário precisa agir rápido. O processo pode ser feito de forma digital ou por telefone, mas exige atenção aos detalhes. Veja como proceder:
- Acesse o Meu INSS (site ou aplicativo) com CPF e senha.
- Procure a opção “Solicitar Emissão de Pagamento não Recebido”.
- Preencha os dados solicitados, como período do benefício não sacado.
- Acompanhe o pedido pelo sistema ou ligue para o 135 para confirmar.
Para quem prefere o atendimento telefônico, a Central 135 é uma alternativa prática. O serviço registra a solicitação e informa os prazos para liberação, que podem variar de 30 a 60 dias, dependendo da análise. Em 2024, mais de 500 mil atendimentos relacionados a pagamentos não recebidos foram realizados por esse canal.
Calendário de pagamentos: fique atento
O INSS divulga anualmente o calendário de pagamentos, que organiza os depósitos com base no número final do benefício, desconsiderando o dígito após o traço. Para 2025, o cronograma segue um padrão já conhecido:
- Final 1: pagamento em 25 de janeiro (ou o primeiro dia útil seguinte).
- Final 2: 26 de janeiro.
- Final 3: 27 de janeiro, e assim por diante.
- Benefícios acima de um salário-mínimo têm datas distintas, geralmente no início do mês seguinte.
Esse cronograma é essencial para evitar atrasos no saque. Beneficiários que recebem em contas digitais ou por cartão magnético devem checar os depósitos regularmente, pois o prazo de 60 dias se aplica a todos os formatos de pagamento.
Impactos na vida dos segurados
A suspensão de benefícios por falta de saque afeta diretamente a vida de milhões de brasileiros. Para idosos e pessoas com deficiência, que muitas vezes dependem exclusivamente do BPC ou de aposentadorias, a interrupção pode significar dificuldades para pagar contas básicas, como alimentação e medicamentos. Em 2024, o INSS estimou que cerca de 10% dos beneficiários enfrentaram algum tipo de suspensão temporária, seja por não saque ou por pendências cadastrais.
Regiões com menor acesso a serviços bancários são as mais impactadas. No Amazonas, por exemplo, beneficiários de áreas ribeirinhas frequentemente precisam viajar horas para chegar a uma agência, o que aumenta o risco de perder o prazo. O INSS tem investido em parcerias com bancos digitais para ampliar o alcance, mas a adesão ainda é baixa entre os mais velhos, que preferem o atendimento presencial.
A história do músico brasileiro ilustra como até mesmo pessoas com visibilidade enfrentam esses problemas. Após a transferência do benefício para o Rio de Janeiro em fevereiro de 2025, ele conseguiu regularizar a situação, mas os valores retroativos só foram liberados após semanas de espera. Casos assim mostram que a atenção às regras é indispensável, independentemente da condição social.
Dicas para não perder o benefício
Evitar a suspensão exige cuidados simples, mas que fazem diferença. Além de seguir o calendário, os beneficiários podem adotar algumas práticas:
- Criar lembretes mensais para verificar o depósito.
- Informar familiares ou responsáveis sobre o calendário, em caso de dificuldade de locomoção.
- Utilizar o aplicativo Meu INSS para acompanhar os pagamentos em tempo real.
Essas ações ajudam a manter o benefício ativo e evitam transtornos desnecessários, garantindo que o dinheiro chegue a quem precisa.