Na noite de 31 de março, um Airbus A319 da Latam Airlines, operando o voo LA3276 de São Paulo (Guarulhos) para Chapecó, em Santa Catarina, ultrapassou os limites da pista do Aeroporto Serafin Enoss Bertaso durante o pouso às 19h37. A forte chuva que atingia a região no momento contribuiu para o incidente, que terminou com a aeronave parada no gramado após percorrer toda a extensão da pista 29 e avançar alguns metros além da cabeceira oposta. A bordo estavam 107 passageiros e cinco tripulantes, totalizando 112 pessoas, que passaram por momentos de tensão, mas foram desembarcados em segurança, sem registro de feridos. A concessionária Voe Xap, responsável pelo aeroporto, mobilizou equipes imediatamente para prestar assistência, enquanto a Latam cancelou o voo de retorno, LA3277, previsto para a mesma noite com destino a Guarulhos. O incidente gerou transtornos, mas a rápida resposta evitou consequências mais graves, e a empresa já deslocou equipes para remover a aeronave e retomar as operações normais no terminal.
Passageiros relataram que a aeronave tentou pousar duas vezes. Na primeira tentativa, a baixa visibilidade forçou uma arremetida, e, após cerca de 15 minutos circulando, o piloto anunciou uma nova abordagem. Vídeos divulgados por ocupantes mostram aplausos ao fim do pouso, apesar do susto, indicando alívio pela segurança do desfecho. A Latam confirmou que está oferecendo suporte integral aos clientes afetados, enquanto a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) deve investigar as causas, possivelmente relacionadas às condições climáticas adversas, como chuva leve com trovoadas e nuvens densas a 3.000 pés, conforme boletins meteorológicos da região.
O Aeroporto de Chapecó, que serve o oeste catarinense, ficou com a pista interditada após o ocorrido, impactando voos subsequentes. A concessionária informou que trabalha para liberar a área o mais rápido possível, mas, até as 21h21 do dia do incidente, a situação permanecia sem resolução. Esse tipo de evento, conhecido como overrun, é o mais comum entre acidentes de pouso, representando 96% dos casos entre 1995 e 2007, segundo a Flight Safety Foundation, e reforça a importância de medidas preventivas em condições climáticas desafiadoras.
Detalhes do voo e do incidente
- Voo: LA3276, São Paulo (Guarulhos) a Chapecó.
- Aeronave: Airbus A319-112, matrícula PR-MYM, 13,8 anos de operação.
- Horário: Pouso às 19h37, após decolagem às 17h40.
- Condição: Chuva forte, baixa visibilidade na primeira tentativa.
Contexto da aeronave envolvida
O Airbus A319-112, registrado como PR-MYM, integra a frota da Latam desde maio de 2016 e é um modelo narrowbody projetado para rotas regionais como a de São Paulo a Chapecó, com capacidade para cerca de 138 passageiros. A aeronave, que voava a FL340 (34.000 pés) durante o trajeto, não apresentou danos significativos visíveis após parar no gramado, segundo relatos iniciais. A Latam destacou que o avião realizou outro voo no mesmo dia, após o incidente, sugerindo que a estrutura permaneceu intacta. Contudo, a investigação da ANAC e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) deve avaliar fatores como manutenção, desempenho em pista molhada e decisões da tripulação.
A pista 29 do Aeroporto Serafin Enoss Bertaso tem 2.060 metros de comprimento, suficiente para operações do A319 em condições normais. No entanto, a chuva intensa pode ter reduzido a aderência, aumentando a distância de frenagem. Passageiros relataram uma manobra “forçada” na segunda tentativa, o que levanta questões sobre a avaliação de risco em um cenário de visibilidade limitada e pista encharcada. Bombeiros do aeroporto responderam rapidamente, mas a aeronave permaneceu no local até o início da operação de remoção, iniciada na manhã seguinte.
#BREAKING
— AEROIN (@aero_in) March 31, 2025
Avião da LATAM sai da pista ao pousar em Chapecó, Santa Catarina, procedente de Guarulhos
Até o momento sem relatos de feridos e o A319 de matrícula PR-MYM teria ficado apenas um pouco pra fora da pista, ainda dentro dos limites do aeroporto pic.twitter.com/n47nYihvyc
Reação dos passageiros e da tripulação
Relatos de dentro da cabine mostram a tensão vivida pelos 107 passageiros. Após a primeira arremetida, a tripulação informou que a pista havia sido fechada temporariamente, gerando apreensão. Na segunda tentativa, o pouso foi concluído com a aeronave deslizando até o gramado, mas o desembarque ocorreu sem incidentes. Um vídeo capturado por um passageiro registra aplausos, evidenciando o alívio coletivo pela ausência de feridos. A Latam reforçou que todos foram evacuados com segurança e que equipes de solo ofereceram assistência imediata.
A tripulação, composta por cinco membros, também saiu ilesa. O piloto, ao optar por uma segunda tentativa em vez de desviar para outro aeroporto, como Florianópolis, a 400 km de distância, tomou uma decisão que será analisada pelas autoridades. A experiência da equipe e o treinamento para pousos em condições adversas serão pontos centrais da investigação, que buscará entender se houve falha humana ou se o clima foi o fator determinante.
Impacto no Aeroporto de Chapecó
O incidente paralisou as operações no Aeroporto Serafin Enoss Bertaso, que atende cerca de 300 mil passageiros por ano, segundo dados recentes. Além do cancelamento do voo LA3277, outros cinco voos entre Chapecó e Guarulhos foram suspensos pela Latam, afetando dezenas de viajantes. A concessionária Voe Xap informou que trabalha em conjunto com a companhia para remover o Airbus A319 e liberar a pista, mas não há previsão exata para a retomada total das atividades. Equipes e materiais foram deslocados para o local, e a operação começou na manhã de 1º de abril.
A interrupção reflete a vulnerabilidade de aeroportos regionais a imprevistos climáticos. Chapecó, um hub importante no oeste de Santa Catarina, depende de sua única pista para conectar a região a grandes centros como São Paulo e Campinas. A chuva forte, comum no outono catarinense, expôs a necessidade de avaliar a infraestrutura local, como sistemas de drenagem e áreas de escape, para evitar futuros incidentes.
Condições climáticas no momento do pouso
Boletins meteorológicos indicaram chuva leve com trovoadas e nuvens a 3.000 pés (cerca de 900 metros) durante o pouso. Essas condições, combinadas com a pista molhada, podem ter causado aquaplanagem, reduzindo a capacidade de frenagem do A319. Dados do FlightRadar mostram que a aeronave tentou a primeira aterrissagem por volta das 19h20, arremetendo devido à visibilidade prejudicada. Na segunda tentativa, às 19h37, o pouso foi concluído, mas a velocidade e a umidade dificultaram a parada dentro dos limites da pista.
Especialistas apontam que pistas molhadas aumentam o risco de overruns, especialmente em aeroportos sem áreas de segurança amplas no fim da pista. Embora o gramado tenha funcionado como uma barreira natural, o incidente destaca a importância de tecnologias como o Runway Overrun Prevention System (ROPS), da Airbus, que alerta pilotos sobre riscos de ultrapassagem, mas não há confirmação de que o PR-MYM estava equipado com esse sistema.
Medidas tomadas pela Latam e autoridades
A Latam reagiu rapidamente, emitindo uma nota às 20h do dia 31 de março: todos os 112 ocupantes foram desembarcados em segurança, e a empresa está oferecendo assistência aos afetados. O voo de retorno foi cancelado, e a companhia deslocou equipes para Chapecó na manhã seguinte, completando a remoção do avião por volta do meio-dia de 1º de abril, conforme atualização em redes sociais. Passageiros impactados estão sendo realocados em outros voos ou recebendo suporte conforme a Resolução 400 da ANAC, que prevê hospedagem, alimentação e transporte em casos de cancelamento.
A ANAC e o Cenipa iniciaram investigações para determinar as causas exatas. Em 2024, a ANAC registrou 776 denúncias de irregularidades no setor aéreo, e esse incidente deve engrossar o relatório anual enviado ao Congresso. A análise incluirá dados da caixa-preta, depoimentos da tripulação e condições da pista, com foco em possíveis falhas operacionais ou climáticas.
Histórico de incidentes semelhantes
Esse não é o primeiro caso de um avião da Latam saindo da pista no Brasil. Em julho de 2023, um Airbus A321 (PT-MXM) derrapou em Florianópolis durante chuva forte, parando sem feridos, mas com danos visíveis. Em 2007, o voo TAM 3054, um A320, ultrapassou a pista em Congonhas (SP), colidindo com um prédio e matando 199 pessoas, o pior acidente aéreo do país. Esses eventos reforçam a necessidade de melhorias em infraestrutura e treinamento para condições adversas.
Globalmente, overruns são frequentes. Em 2016, um Boeing 737 com Mike Pence a bordo saiu da pista em LaGuardia (EUA), sendo parado por um sistema de contenção (EMAS). No Brasil, a falta de áreas de escape amplas em muitos aeroportos regionais, como Chapecó, aumenta os riscos, embora o gramado tenha evitado danos maiores neste caso.
Cronograma do incidente e resposta
- 17h40, 31/03: Decolagem do voo LA3276 de Guarulhos.
- 19h20: Primeira tentativa de pouso, seguida de arremetida.
- 19h37: Segunda tentativa, com overrun na pista 29.
- 20h00: Início do desembarque seguro dos 112 ocupantes.
- 01/04, manhã: Início da remoção do Airbus A319.
Lições para a aviação regional
Incidentes como esse expõem desafios enfrentados por aeroportos menores. Chapecó, com uma pista de 2.060 metros, atende voos regulares da Latam, Gol e Azul, mas sua infraestrutura pode ser insuficiente em condições extremas. A ausência de um Engineered Material Arresting System (EMAS), comum em aeroportos dos EUA, é um ponto a ser considerado, já que o gramado foi a única barreira disponível. Em 2020, o EMAS parou 15 aeronaves em overruns nos EUA, mostrando sua eficácia.
A investigação pode levar a recomendações como melhor drenagem da pista ou limites mais rígidos para pousos em chuva forte. Para os passageiros, o susto serviu como lembrete da importância da segurança aérea, enquanto a Latam e a Voe Xap trabalham para restaurar a normalidade no terminal.
#AtençãoPassageiros: A LATAM Airlines Brasil informa que o voo LA3276, com destino a Chapecó, ultrapassou o limite da pista durante o pouso e parou com segurança na área de escape. Todos os passageiros e tripulantes estão seguros. Prestaremos toda a assistência necessária aos…
— L∀T∀M Airlines Brasil (@LATAM_BRA) April 1, 2025
Implicações para os passageiros afetados
Os 107 passageiros enfrentaram transtornos significativos. Com o cancelamento do voo LA3277 e outros quatro voos subsequentes, muitos precisaram ajustar planos de viagem. A Latam ofereceu reacomodação em voos da Gol ou Azul, além de suporte logístico, mas a interrupção temporária das operações em Chapecó afetou a conectividade da região. A Resolução 400 da ANAC garante direitos como alimentação e hospedagem, e a companhia informou que está cumprindo essas obrigações.
Relatos nas redes sociais mostram alívio misturado com frustração. Alguns passageiros destacaram a habilidade da tripulação em evitar um desfecho pior, enquanto outros criticaram a decisão de pousar em condições tão adversas. A experiência, embora sem vítimas, deve influenciar a confiança em voos regionais sob mau tempo.