Milhões de brasileiros já começam 2025 de olho no décimo terceiro salário, um benefício que promete movimentar a economia com cifras expressivas. Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aguardam a confirmação de uma possível antecipação das parcelas, prática que ganhou força nos últimos anos como medida de estímulo financeiro. Enquanto isso, trabalhadores do setor privado, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), contam com datas fixas que injetam bilhões no mercado entre novembro e dezembro. Com o salário mínimo projetado em R$ 1.518 e um total estimado de R$ 388 bilhões circulando, o impacto desse abono deve alcançar mais de 90 milhões de pessoas, reforçando seu papel como um dos principais motores econômicos do país.
A relevância do décimo terceiro transcende os números brutos. Para os 33,7 milhões de segurados do INSS, o pagamento representa um alívio em meses tradicionalmente marcados por despesas como impostos e matrículas escolares. Em 2024, a antecipação liberou R$ 67,6 bilhões entre abril e junho, aquecendo o comércio em cidades pequenas e grandes centros urbanos. Já no setor privado, os cerca de 60 milhões de empregados formais movimentaram R$ 320 bilhões no fim do ano passado, com projeções de crescimento para 2025. Esse fluxo de recursos, que pode superar 3% do Produto Interno Bruto (PIB), evidencia como o benefício sustenta o consumo interno em um momento de recuperação econômica.
O governo federal e as empresas já se preparam para atender às expectativas. A antecipação do INSS, adotada desde 2020 em resposta à pandemia de Covid-19, depende da aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA), prevista para março. Sem ela, os pagamentos seguem o calendário padrão, entre agosto e novembro. No setor privado, a rigidez das datas legais garante previsibilidade, mas também pressiona empregadores a organizar finanças com antecedência. Em ambos os casos, o aumento do salário mínimo e o crescimento no número de beneficiários devem ampliar o alcance do décimo terceiro em 2025.
Possível antecipação do INSS em 2025
A possibilidade de antecipar o décimo terceiro para aposentados e pensionistas do INSS é um dos assuntos mais aguardados no início do ano. Nos últimos cinco anos, o governo consolidou essa estratégia para injetar recursos na economia em momentos estratégicos. Em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que liberou as parcelas entre abril e maio, beneficiando milhões de segurados. Já em 2024, os depósitos começaram em 24 de abril e terminaram em 7 de junho, alcançando 33,7 milhões de pessoas com um total de R$ 67,6 bilhões distribuídos em duas etapas.
Para 2025, a expectativa é que o cronograma siga um padrão semelhante, com a primeira parcela prevista para o fim de abril e a segunda entre maio e junho. A decisão final, no entanto, está atrelada a fatores como a aprovação do Orçamento e a situação fiscal do país. Caso a antecipação não ocorra, os pagamentos serão feitos em agosto e novembro, conforme o calendário tradicional. Dos mais de 40 milhões de benefícios pagos mensalmente pelo INSS, 28,2 milhões estão no teto do salário mínimo, enquanto 12,3 milhões superam esse valor, o que reforça o peso econômico desse abono.

Regiões mais dependentes dos recursos previdenciários já sentem os efeitos dessa possibilidade. Em cidades do interior, o comércio local ajusta estoques e promoções para o primeiro semestre, contando com o dinheiro extra dos aposentados. A estimativa para 2025 é que a antecipação alcance R$ 68 bilhões, valor ajustado pelo aumento do número de segurados e pela correção dos benefícios com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que em 2024 registrou 4,77%.
Cronograma fixo para trabalhadores da CLT
Diferente do INSS, o décimo terceiro dos trabalhadores do setor privado segue um calendário rígido estabelecido pela legislação. As empresas têm até 30 de novembro para pagar a primeira parcela e até 20 de dezembro para quitar a segunda, um prazo em vigor desde a criação do benefício em 1962. Em 2024, esse fluxo alcançou cerca de 60 milhões de empregados formais, incluindo temporários, rurais e domésticos, movimentando R$ 320 bilhões. Para 2025, a projeção é de um salto significativo, impulsionado pelo reajuste do salário mínimo para R$ 1.518.
O cálculo do benefício é direto: divide-se o salário bruto por 12 e multiplica-se pelos meses trabalhados, considerando períodos acima de 15 dias como um mês completo. Para empregados com renda variável, como comissões ou horas extras, a média anual é ajustada na segunda parcela, que também desconta INSS e Imposto de Renda, quando aplicável. Mesmo em casos de demissão sem justa causa, o valor proporcional é garantido, pago junto à rescisão, o que amplia o alcance do direito.
Quem recebe o décimo terceiro em 2025
Nem todos os beneficiários do INSS têm direito ao décimo terceiro. O abono é pago a aposentados, pensionistas e segurados com auxílio-doença, auxílio-acidente ou auxílio-reclusão, totalizando 33,7 milhões de pessoas em 2024. Já os beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e da Renda Mensal Vitalícia (RMV), por serem assistenciais, ficam fora da lista. Esse critério deve se manter em 2025, com um leve aumento no número de elegíveis devido a novas aposentadorias.
No setor privado, o direito é mais amplo. Todo trabalhador com pelo menos 15 dias de vínculo em um mês tem acesso ao benefício, seja em contratos fixos ou temporários. Empregados contratados no meio do ano recebem proporcionalmente, enquanto demitidos sem justa causa têm o valor incluído na rescisão. Essa universalidade beneficia cerca de 60 milhões de pessoas anualmente, consolidando o décimo terceiro como um pilar dos direitos trabalhistas.
- INSS: Aposentados, pensionistas e auxílios específicos recebem; BPC e RMV estão excluídos.
- Setor privado: Empregados formais, temporários e domésticos com mais de 15 dias de trabalho no ano.
- Exceções: Desempregados sem vínculo ativo e beneficiários assistenciais não têm direito.
Como os valores são definidos
O cálculo do décimo terceiro varia entre os grupos. No INSS, o valor equivale ao benefício mensal, pago integralmente para quem esteve ativo o ano todo ou proporcionalmente ao tempo de recebimento. Um aposentado com R$ 1.518 em 2025 receberá R$ 759 na primeira parcela e o restante na segunda, já com possíveis descontos. Quem começou a receber em julho, por exemplo, terá direito a 6/12 do total.
Para trabalhadores da CLT, o valor é o salário bruto dividido por 12, multiplicado pelos meses trabalhados. Um empregado com R$ 3.000 mensais que atuou o ano inteiro receberá R$ 1.500 por parcela, com ajustes na segunda para encargos. Horas extras e comissões entram na média anual, garantindo precisão para rendas variáveis. O reajuste do salário mínimo para R$ 1.518, previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias, eleva os valores em ambos os casos.
Impactos regionais do benefício
O décimo terceiro afeta a economia de forma distinta entre as regiões. No Sudeste, onde se concentram a maioria dos trabalhadores formais e segurados do INSS, o volume de recursos é maior. Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro registraram em 2024 um aumento nas vendas de fim de ano, impulsionadas pelos R$ 320 bilhões do setor privado. O comércio varejista e os serviços absorvem boa parte desse montante.
No Nordeste e no Norte, os pagamentos do INSS têm peso maior em municípios menores. Muitos dependem desses recursos para sustentar feiras livres e lojas locais, especialmente com a antecipação. No Sul, o benefício do setor privado destaca-se, com a indústria e o agronegócio canalizando os valores de dezembro para investimentos e consumo. Essa dinâmica sazonal ajuda a reduzir desigualdades regionais em períodos-chave.
Desafios para liberar a antecipação
Confirmar a antecipação do INSS em 2025 enfrenta obstáculos. O atraso na votação da LOA, adiada de dezembro de 2024 para março, pode restringir os R$ 68 bilhões estimados. Sem o Orçamento aprovado, o governo opera com limites fiscais que dificultam grandes desembolsos. A situação econômica, com debates sobre controle de gastos, também influencia a decisão.
A logística entre o Ministério da Previdência Social e o INSS exige coordenação precisa. Nos últimos anos, o anúncio oficial veio entre março e abril, sugerindo que os segurados acompanhem as próximas atualizações. A pressão para manter a antecipação é forte, dado seu impacto nas finanças de milhões de famílias e no comércio.
Curiosidades sobre o décimo terceiro
O benefício tem raízes históricas marcantes. Criado em 1962 pela Lei 4.090, surgiu de demandas sindicais sob o governo de João Goulart. Hoje, é um direito constitucional de 1988 e peça-chave no planejamento anual. Alguns detalhes chamam atenção:
- A primeira parcela do INSS é isenta de descontos, enquanto a segunda inclui INSS e Imposto de Renda.
- Empresas podem pagar tudo até 30 de novembro, se optarem por parcela única.
- No INSS, o cálculo proporcional beneficia até quem se aposentou em 2025.
- O setor privado ajusta médias de horas extras na segunda parcela.
Esses aspectos mostram como o décimo terceiro evoluiu para atender às demandas do país.
Calendário esperado para 2025
O INSS organiza os pagamentos pelo número final do benefício, sem o dígito verificador. Para quem recebe até um salário mínimo, os depósitos começam no fim do mês; acima disso, nos primeiros dias úteis do mês seguinte. Se antecipado, o calendário de 2025 deve iniciar em 24 de abril e encerrar em 7 de junho, seguindo 2024. Sem antecipação, agosto e novembro são os meses principais.
Os segurados podem verificar datas pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135, disponível das 7h às 22h. A confirmação oficial é esperada até o fim de março, trazendo alívio aos beneficiários.
Projeções econômicas para o ano
Com R$ 68 bilhões do INSS e R$ 320 bilhões do setor privado em 2024 como base, 2025 deve superar R$ 388 bilhões no total. O aumento do salário mínimo e a expansão dos beneficiários impulsionam essa alta. Economistas apontam que o consumo interno, especialmente no varejo, será o maior beneficiado, com picos em maio e dezembro.
A antecipação do INSS pode aliviar pressões fiscais no segundo semestre, enquanto os pagamentos da CLT sustentam o fim de ano. Essa combinação reforça o décimo terceiro como um instrumento de equilíbrio econômico em um país de realidades tão diversas.