Copa do Mundo

CBF planeja contratar Jorge Jesus para a Seleção com multa de R$ 18 milhões em maio

Jorge Jesus
Jorge Jesus - Foto: Ververidis Vasilis / Shutterstock.com Jorge Jesus - Foto: Ververidis Vasilis / Shutterstock.com

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vive um momento de transição no comando técnico da Seleção Brasileira após a demissão de Dorival Júnior, anunciada por Ednaldo Rodrigues, presidente da entidade, em março. A goleada de 4 a 1 sofrida para a Argentina nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026 acendeu o alerta na entidade, que agora busca um nome de peso para assumir o cargo. Entre os cotados, Jorge Jesus, atual treinador do Al Hilal, da Arábia Saudita, surge como o principal candidato, mas a negociação envolve desafios de calendário e valores financeiros que demandam paciência e estratégia. A CBF adota uma postura discreta, evitando alarde, enquanto avalia o melhor momento para avançar nas conversas com o português, cuja multa rescisória com o clube saudita cai quase pela metade em maio.

O interesse em Jorge Jesus não é novidade. O técnico português, que já brilhou no Brasil à frente do Flamengo entre 2019 e 2020, conquistando a Libertadores e o Brasileirão, é visto como uma opção viável por seu conhecimento do futebol brasileiro e sua capacidade de entregar resultados expressivos. Atualmente, ele comanda o Al Hilal, onde mantém um desempenho sólido, com a equipe na briga pelo título da Liga Saudita e classificada para as finais da Supercopa Saudita. No entanto, sua saída do clube árabe depende de fatores como o término da Champions League Asiática, que acontece entre 25 de abril e 3 de maio, e a situação do campeonato nacional, que se encerra em 25 de maio. Esses compromissos são cruciais para definir o timing da CBF.

Enquanto isso, a entidade mantém outras opções na manga. Nomes como Carlo Ancelotti, Abel Ferreira e José Mourinho também estão na mesa de discussões, mas cada um apresenta obstáculos próprios. Ancelotti, favorito de longa data de Ednaldo Rodrigues, tem contrato com o Real Madrid até junho de 2026 e só poderia assumir após o Mundial de Clubes, em julho. Abel Ferreira, multicampeão pelo Palmeiras, está vinculado ao clube até dezembro de 2025, e José Mourinho, no Fenerbahçe, tem compromisso até meados de 2026. Diante desse cenário, Jorge Jesus se destaca como o mais acessível no curto prazo, desde que a CBF esteja disposta a esperar o momento certo.

Por que Jorge Jesus é o foco da CBF

A escolha de Jorge Jesus como prioridade reflete uma combinação de fatores estratégicos e práticos. Aos 70 anos, o treinador português já demonstrou interesse em comandar uma seleção nacional, algo que ainda não realizou em sua longa carreira. Sua passagem pelo Flamengo deixou marcas profundas, com um estilo de jogo ofensivo e organizado que encantou torcedores e trouxe títulos. Além disso, sua adaptação ao futebol brasileiro, incluindo o entendimento da cultura e das características dos jogadores, é um diferencial em relação a outros estrangeiros cotados.

No Al Hilal, Jorge Jesus segue acumulando feitos. A equipe está a quatro pontos do líder Al Ittihad na Liga Saudita, com nove rodadas restantes, e já garantiu vaga na final da Supercopa Saudita, marcada para abril. Esses compromissos, porém, são o principal entrave para uma liberação imediata. O português deixou claro que só negocia sua saída após a Champions League Asiática, e a CBF, ciente disso, planeja usar o tempo a seu favor. A redução da multa rescisória, que passa de 5 milhões de euros (R$ 31 milhões) em abril para menos de 3 milhões de euros (R$ 18 milhões) em maio, também pesa na decisão, tornando o negócio financeiramente mais viável.

Os desafios do calendário saudita

Negociar com o Al Hilal exige cautela. O clube saudita não tem intenção de liberar Jorge Jesus antes do fim de seus compromissos na temporada, especialmente enquanto houver chances de título na Liga Saudita. A competição termina em 25 de maio, mas uma saída antecipada poderia ser viabilizada caso o Al Hilal perca terreno na disputa pelo bicampeonato. Até lá, a CBF monitora a situação de perto, evitando qualquer movimento que possa gerar atrito com os sauditas, conhecidos por investimentos pesados no futebol e por sua postura firme em negociações.

A Champions League Asiática é outro ponto crítico. Com a final marcada para 3 de maio, em Riad, Jorge Jesus prioriza o torneio continental, que pode ser mais um troféu em sua galeria. Só após essa data ele deve abrir conversas diretas com o Al Hilal sobre uma possível rescisão. Para a CBF, isso significa que o treinador só estaria disponível para assumir a Seleção a partir de maio, o que coincide com a preparação para a próxima Data Fifa, em junho, quando o Brasil enfrenta Equador e Paraguai pelas Eliminatórias.

Datas Fifa e o impacto na escolha

O calendário da Seleção Brasileira também influencia a estratégia da CBF. A entidade precisa enviar a lista larga de convocados à Fifa até 18 de maio, com a apresentação dos jogadores marcada para 2 de junho. Os jogos contra o Equador, fora de casa, no dia 5, e contra o Paraguai, em local ainda indefinido, no dia 10, são os primeiros desafios do novo treinador. Caso Jorge Jesus seja confirmado, sua chegada em maio permitiria um início de trabalho a tempo de comandar esses confrontos, algo que a CBF considera essencial para evitar a necessidade de um interino.

  • 18 de maio: Prazo para envio da lista larga de convocados à Fifa.
  • 2 de junho: Apresentação dos jogadores para a Data Fifa.
  • 5 de junho: Brasil enfrenta o Equador, em Quito.
  • 10 de junho: Brasil recebe o Paraguai, sede a definir.

Essas datas reforçam a preferência por Jorge Jesus, já que Ancelotti, por exemplo, só poderia assumir após o Mundial de Clubes, em julho, o que deixaria a Seleção sem um técnico definitivo nos jogos de junho. Abel Ferreira e José Mourinho, por outro lado, enfrentam barreiras contratuais mais longas, tornando suas contratações menos prováveis no curto prazo.

Outros nomes na disputa

Embora Jorge Jesus lidere a corrida, a CBF não descarta alternativas. Carlo Ancelotti, técnico do Real Madrid, é o sonho de consumo de Ednaldo Rodrigues desde 2023, quando a entidade chegou a cogitar Fernando Diniz como interino à espera do italiano. No entanto, a renovação de Ancelotti com o clube espanhol até 2026 e sua relutância em romper o vínculo antes do Mundial de Clubes dificultam o plano. O italiano já declarou publicamente que seu foco está no Real Madrid, onde disputa o Campeonato Espanhol, a Liga dos Campeões e o torneio da Fifa.

Abel Ferreira, por sua vez, é um nome forte no Brasil. O português transformou o Palmeiras em uma potência, com títulos como a Libertadores de 2020 e 2021, o Brasileirão de 2022 e diversos troféus regionais. Seu contrato até dezembro de 2025, porém, é um obstáculo. A multa rescisória de 3 milhões de euros (R$ 16 milhões) não assusta a CBF, mas a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, já sinalizou que não teme perder o treinador e que não houve contato oficial da entidade. A relação de Abel com o clube, abalada após a perda do Paulista para o Corinthians, também é um fator a ser considerado.

José Mourinho completa a lista. O “Special One”, atualmente no Fenerbahçe, da Turquia, tem contrato até junho de 2026 e uma multa de 8 milhões de euros (R$ 43 milhões). Aos 62 anos, ele já expressou o desejo de treinar uma seleção, algo que ainda não fez em sua carreira repleta de conquistas, como duas Ligas dos Campeões e títulos nacionais em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha. Sua experiência e carisma o tornam uma opção atraente, mas o prazo longo de seu vínculo com o clube turco é um empecilho.

A questão financeira da multa

A multa rescisória de Jorge Jesus é um dos aspectos mais favoráveis à CBF. Em março, o valor estava em 5 milhões de euros (R$ 31 milhões), mas a partir de maio cai para menos de 3 milhões de euros (R$ 18 milhões), uma redução significativa que facilita o planejamento financeiro da entidade. Esse montante é inferior às multas de Abel Ferreira (R$ 16 milhões) e José Mourinho (R$ 43 milhões), e não se compara à complexidade de negociar com o Real Madrid por Ancelotti, cujo contrato não prevê uma cláusula acessível.

O contrato de Jorge Jesus com o Al Hilal vai até 30 de junho, com uma extensão automática caso o clube avance no Mundial de Clubes. Como o torneio acontece entre junho e julho, e o português já sinalizou que abriria mão da competição para assumir a Seleção, a CBF vê maio como o momento ideal para fechar o acordo. A queda no valor da multa, aliada à disposição do treinador, torna a operação mais palpável do que as demais alternativas.

O que Jorge Jesus traz à Seleção

Experiência é a palavra-chave no currículo de Jorge Jesus. Com passagens marcantes por clubes como Benfica, Sporting e Flamengo, ele acumula mais de 20 títulos em sua carreira, incluindo ligas nacionais, copas e competições continentais. No Brasil, sua passagem pelo Flamengo em 2019 foi um divisor de águas, com um futebol envolvente que resultou em cinco troféus em menos de um ano, incluindo a Libertadores e o Brasileirão. Esse histórico pesa a seu favor na visão da CBF, que busca um nome capaz de resgatar o prestígio da Seleção após resultados decepcionantes.

Outro ponto forte é sua familiaridade com o futebol brasileiro. Diferentemente de Ancelotti e Mourinho, que nunca trabalharam no país, Jorge Jesus conhece os jogadores, as competições e as peculiaridades do esporte local. Sua relação com Neymar, no entanto, é um tema sensível. Em janeiro, o craque deixou o Al Hilal insatisfeito com declarações do treinador, que questionou sua condição física. Apesar disso, o assunto não foi abordado nas conversas com a CBF até o momento, e o português já afirmou que não tem problemas pessoais com o camisa 10.

Como fica a Seleção até junho

Enquanto as negociações avançam, a CBF precisa decidir como gerenciar a Seleção até a chegada do novo treinador. A demissão de Dorival Júnior, após 16 jogos com apenas sete vitórias, deixou o Brasil na quarta posição das Eliminatórias, com 21 pontos, dez a menos que a líder Argentina. A pressão por resultados é alta, e a entidade avalia se um técnico interino será necessário para os jogos de junho, caso as tratativas com Jorge Jesus ou outro nome se estendam além do previsto.

A possibilidade de um interino ganha força se o Al Hilal mantiver Jorge Jesus até o fim da Liga Saudita, em 25 de maio. Nesse cenário, o treinador só assumiria após a Data Fifa, o que obrigaria a CBF a escalar alguém temporariamente. Nomes como Renato Gaúcho e Filipe Luís, do Flamengo, já foram ventilados nos bastidores, mas a preferência é por uma solução definitiva que evite mais instabilidade no comando técnico.

Curiosidades sobre os candidatos

Os quatro nomes na mira da CBF trazem histórias distintas ao futebol mundial. Confira alguns destaques:

  • Jorge Jesus: Único treinador a vencer a Libertadores e a Liga Europa, com passagens por sete países.
  • Carlo Ancelotti: Recordista com quatro títulos da Liga dos Campeões como técnico, além de cinco como jogador e treinador combinados.
  • Abel Ferreira: Primeiro português a conquistar a Libertadores, com dois troféus pelo Palmeiras.
  • José Mourinho: Criador do apelido “Special One”, com 26 títulos em clubes de cinco países diferentes.

Esses perfis mostram o nível de excelência que a CBF busca para a Seleção, mas também evidenciam os desafios de tirá-los de seus clubes atuais.

O futuro da Seleção em jogo

A escolha do próximo treinador é um marco para a Seleção Brasileira, que vive um período de reconstrução após a saída de Tite, em 2022, e os altos e baixos com Fernando Diniz e Dorival Júnior. A goleada para a Argentina expôs fragilidades táticas e emocionais, e a CBF sabe que o novo comandante precisará unir experiência, autoridade e resultados rápidos para recolocar o Brasil entre os favoritos ao título mundial de 2026.

Jorge Jesus, com sua trajetória vitoriosa e proximidade com o futebol brasileiro, parece o mais preparado para o desafio no momento. A espera até maio, com a redução da multa e o fim dos compromissos no Al Hilal, é vista como um investimento estratégico pela entidade. Enquanto isso, os torcedores acompanham ansiosos os próximos passos, na esperança de ver a amarelinha recuperar seu brilho nos gramados internacionais.

A CBF mantém o silêncio oficial, mas nos bastidores o trabalho não para. A discrição nas conversas com Jorge Jesus reflete a cautela de quem sabe que o sucesso da negociação depende de timing e paciência. Se tudo correr como planejado, o português pode estar à beira do campo em junho, pronto para liderar o Brasil contra Equador e Paraguai. Até lá, o futuro do comando técnico segue em aberto, com a entidade equilibrando prazos, valores e expectativas.

To Top