A volatilidade tomou conta do mercado de criptomoedas após o anúncio das tarifas recíprocas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, implementadas em 2 de abril, batizadas como “Dia da Libertação”. O Bitcoin, maior ativo digital do mundo, acumula uma queda de 9,30% nos últimos 30 dias, enquanto altcoins como Solana, XRP e Cardano registram perdas ainda mais acentuadas, variando entre 20% e 34%. Esse cenário, impulsionado por incertezas econômicas globais e temores de uma guerra comercial, derrubou os preços, mas abriu portas para oportunidades de compra, segundo analistas de 11 casas especializadas em criptoativos, incluindo exchanges, fundos e empresas de pesquisa. A perspectiva de recuperação, especialmente para o Bitcoin, é vista como promissora, com fatores como os ETFs nos Estados Unidos e uma possível flexibilização monetária no horizonte. A política pró-cripto do governo Trump também alimenta o otimismo, apesar dos solavancos iniciais causados pelas tarifas. Enquanto o mercado digere os impactos, sete criptomoedas emergem como destaques para investidores atentos em abril.
O “Dia da Libertação” trouxe um choque imediato aos ativos digitais. As tarifas, que visam equilibrar o comércio internacional, geraram uma onda de vendas no mercado, refletindo o receio de inflação e instabilidade econômica. Solana caiu 25,75%, XRP recuou 27,08%, e Cardano despencou 34%, evidenciando a sensibilidade das altcoins a eventos macroeconômicos. Apesar disso, especialistas apontam que a correção pode ser temporária, com o Bitcoin liderando uma possível retomada, apoiado por fluxos institucionais e um ambiente regulatório mais favorável nos EUA.
Por outro lado, a queda generalizada não assusta os analistas. Para eles, o momento é de acumulação, especialmente para ativos com fundamentos sólidos. Além do Bitcoin, nomes como Solana, XRP, Sui, Aave, Ondo Finance e Cardano aparecem em pelo menos duas recomendações entre as 11 casas consultadas, como Mercado Bitcoin, Foxbit e QR Capital. A combinação de tecnologia robusta, parcerias estratégicas e potencial de valorização em um cenário pós-tarifas sustenta a confiança nesses criptoativos.
Criptomoedas em foco neste mês
- Bitcoin (BTC): 7 recomendações, queda de 9,30% em 30 dias.
- Solana (SOL): 5 recomendações, queda de 25,75%.
- XRP (XRP): 4 recomendações, queda de 27,08%.
- Sui (SUI): 3 recomendações, queda de 23,15%.
- Aave (AAVE): 3 recomendações, queda de 23,90%.
- Ondo Finance (ONDO): 2 recomendações, queda de 29,76%.
- Cardano (ADA): 2 recomendações, queda de 34%.

Bitcoin lidera apostas de recuperação
O Bitcoin segue como o carro-chefe das recomendações, com sete menções entre as casas analisadas. Apesar da queda de 9,30% nos últimos 30 dias, o ativo é visto como um porto seguro em meio à turbulência. A entrada constante de capital em ETFs à vista nos Estados Unidos tem sustentado uma demanda institucional que pode impulsionar os preços nas próximas semanas. Além disso, a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve no segundo trimestre aumenta o apetite por risco, favorecendo o BTC. A política de Donald Trump, que já sinalizou apoio ao setor cripto, também é um fator positivo, com analistas destacando o papel do Bitcoin como reserva de valor em tempos de incerteza fiscal. A cotação atual, próxima de US$ 82 mil após tocar mínimas recentes, é vista como ponto de entrada para quem aposta na recuperação.
Outro ponto forte do Bitcoin é sua resiliência histórica. Em crises passadas, como a guerra comercial entre EUA e China em 2018, o ativo enfrentou quedas iniciais, mas se recuperou à medida que investidores buscavam alternativas ao sistema financeiro tradicional. Hoje, com um mercado mais maduro e a presença de ETFs, o potencial de alta é ainda maior, especialmente se a volatilidade diminuir e as tarifas de Trump trouxerem menos impacto do que o esperado.
Solana atrai por ecossistema robusto
Negociada atualmente na faixa de US$ 127, a Solana aparece com cinco recomendações, mesmo após uma correção de 25,75% em 30 dias. O ativo, que já atingiu US$ 250 no último ano, mantém um ecossistema ativo em finanças descentralizadas (DeFi) e NFTs, com transações rápidas e taxas baixas que o diferenciam de concorrentes como o Ethereum. Analistas apontam que a resistência de US$ 147,50 é o nível a ser monitorado. Um rompimento claro dessa faixa pode indicar uma retomada bullish, com potencial para alcançar resistências mais altas, como US$ 170 ou até US$ 200, caso o mercado cripto volte a ganhar tração.
A força da Solana não está apenas no preço, mas em sua infraestrutura. A blockchain processa milhares de transações por segundo, o que a torna atraente para desenvolvedores e usuários de DeFi. Mesmo com a queda recente, a atividade na rede segue elevada, sugerindo que a correção pode ser mais um reflexo do pânico geral do que uma fraqueza intrínseca do projeto.
XRP ganha força com proximidade de Trump
Com quatro recomendações e uma queda de 27,08% em 30 dias, a XRP está no radar por sua relação com o governo Trump. A Ripple Labs, empresa por trás do ativo, mantém laços próximos à administração, e a recente retirada de um processo de quatro anos pela SEC americana reforça a percepção de um ambiente regulatório mais ameno. Isso pode atrair investidores especulativos nas próximas semanas, especialmente se a cotação, atualmente em torno de US$ 2,60, mostrar sinais de retomada. A XRP é vista como uma aposta de curto prazo, mas com potencial de valorização significativa caso a flexibilização regulatória se concretize.
A história da XRP é marcada por altos e baixos, mas sua função como ponte para pagamentos internacionais continua sendo um diferencial. Com transações processadas em segundos e custos irrisórios, o ativo tem apelo em um mundo onde as tarifas de Trump podem encarecer as remessas tradicionais.
Sui e o impulso do World Liberty Financial
A Sui, com três recomendações e queda de 23,15%, emerge como uma surpresa na lista. Negociada a US$ 2,46, a criptomoeda ganhou destaque por seu acordo com o World Liberty Financial, projeto de DeFi apoiado por Trump. Esse vínculo pode ser um divisor de águas, trazendo visibilidade e adoção. Há quem veja na Sui uma vantagem fiscal futura, já que, por ser desenvolvida nos EUA, poderia escapar de impostos sobre ganhos de capital. No entanto, um padrão gráfico conhecido como “death cross” sugere cautela, com possíveis quedas para US$ 2,23 ou até US$ 1,96, o que também torna essa faixa uma zona de acumulação para investidores de longo prazo.
O ecossistema da Sui é jovem, mas promissor. Focado em escalabilidade e eficiência, o projeto tem atraído atenção de desenvolvedores e pode se beneficiar de um ambiente regulatório mais favorável sob Trump, especialmente se o World Liberty Financial ganhar tração.
Aave domina empréstimos descentralizados
Também com três recomendações, a Aave registra uma queda de 23,90% em 30 dias, mas mantém sua força no setor de DeFi. Com mais de 70% do mercado de empréstimos descentralizados, governança sólida e 90% dos tokens já em circulação, o ativo é uma aposta segura contra diluições futuras. Após uma correção de 60% em três meses, a cotação atual, próxima de US$ 150, é vista como ponto de entrada. A clareza regulatória recente no setor de finanças descentralizadas também favorece a Aave, que pode se beneficiar de um aumento na adoção de protocolos DeFi.
A robustez da Aave vem de sua posição dominante. Enquanto outras plataformas lutam por market share, ela mantém uma base de usuários fiel e um modelo de negócios testado, o que a torna resiliente mesmo em tempos de volatilidade.
Ondo Finance aposta em tokenização
- Ondo Finance (ONDO): queda de 29,76%, duas recomendações.
- Destaque: integração com a Mastercard para tokenizar ativos tradicionais.
- Potencial: liderança na tese de Real World Assets (RWA) em um ambiente regulatório favorável.
Cardano mira avanços tecnológicos
Com duas recomendações e uma queda de 34%, a Cardano negocia em torno de US$ 0,72. O ativo ganhou fôlego após ser mencionado na Reserva de Criptomoedas dos EUA, anunciada por Trump. Atualizações na blockchain, que prometem maior capacidade de processamento e governança descentralizada, podem posicioná-la como concorrente global. Um rompimento da resistência em US$ 0,85 é aguardado por analistas, o que poderia levar a uma valorização expressiva.
Calendário do mercado em abril
O desempenho das criptomoedas neste mês dependerá de eventos-chave:
- 2 de abril: implementação do “Dia da Libertação” e impacto imediato das tarifas.
- Meados de abril: divulgação de dados econômicos dos EUA que podem influenciar o Fed.
- Final de abril: possível estabilização do mercado cripto com redução da volatilidade.
Perspectiva para investidores
A volatilidade desencadeada pelas tarifas de Trump desafia o mercado, mas os fundamentos de projetos como Bitcoin, Solana e XRP permanecem sólidos. O interesse institucional, via ETFs e parcerias como a da Ondo com a Mastercard, sinaliza um futuro promissor. Para quem busca lucrar com a correção, a estratégia é monitorar níveis de suporte e resistência, como os US$ 147,50 da Solana ou os US$ 2 da Sui.
A política pró-cripto de Trump, somada à expectativa de cortes de juros, pode ser o catalisador para uma retomada. Enquanto o “Dia da Libertação” sacode os preços, os analistas veem na crise uma janela de oportunidade para acumulação, especialmente em ativos com ecossistemas fortes e respaldo institucional.