Milhões de trabalhadores brasileiros com carteira assinada ganharam uma nova opção para acessar crédito com juros mais baixos. O Nubank, fintech que já conta com mais de 70 milhões de clientes no país, anunciou no início de abril a liberação do empréstimo consignado para quem trabalha no regime CLT. Batizado de “Crédito do Trabalhador”, o programa foi lançado pelo governo federal em março de 2025 e agora conta com a adesão do banco digital, que promete facilitar o processo por meio de sua plataforma. A modalidade permite que até 35% do salário bruto seja comprometido com parcelas descontadas diretamente na folha de pagamento, oferecendo segurança aos bancos e taxas reduzidas aos consumidores. Com isso, a expectativa é movimentar bilhões em crédito e ampliar o acesso a financiamentos mais baratos para cerca de 47 milhões de pessoas.
A iniciativa chega em um momento estratégico, em que muitos buscam alternativas para organizar as finanças ou quitar dívidas mais caras, como as de cartão de crédito ou cheque especial. O Nubank começou a liberar o crédito gradualmente, permitindo simulações pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital) e a finalização no próprio app da fintech. Em breve, todo o processo poderá ser feito diretamente na plataforma do banco, eliminando etapas e tornando a experiência mais ágil para os usuários.
Além do Nubank, outras 80 instituições financeiras estão habilitadas a oferecer o consignado para CLT, incluindo gigantes como Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal. A concorrência entre bancos e fintechs deve pressionar as taxas de juros para baixo, beneficiando trabalhadores formais, como empregados domésticos, rurais e contratados por microempreendedores individuais (MEIs).

O que é o Crédito do Trabalhador
Lançado em 12 de março de 2025 por meio de uma Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Crédito do Trabalhador é uma modalidade de empréstimo consignado voltada para o setor privado. Diferente do consignado tradicional, restrito a servidores públicos e aposentados do INSS, esse programa abrange todos os trabalhadores com carteira assinada, incluindo categorias antes excluídas, como domésticos e rurais. A operação começou oficialmente em 21 de março, mas a adesão em massa dos grandes bancos está prevista para 25 de abril, quando poderão usar suas próprias plataformas digitais.
O programa utiliza o desconto em folha como garantia principal, reduzindo o risco de inadimplência para as instituições financeiras. Isso permite oferecer juros bem abaixo da média do mercado, que hoje ultrapassa 90% ao ano para crédito pessoal, enquanto o consignado para CLT pode variar entre 1,46% e 3,17% ao mês, dependendo do banco e do perfil do cliente.
- Limite de 35% do salário bruto para parcelas.
- Uso de até 10% do saldo do FGTS como garantia.
- 100% da multa rescisória em caso de demissão.
- Portabilidade disponível a partir de junho de 2025.
Como o Nubank entrou no consignado
Com mais de 70 milhões de clientes, o Nubank viu no Crédito do Trabalhador uma oportunidade de ampliar seu portfólio de produtos financeiros. A fintech anunciou em 1º de abril que trabalhadores CLT já podem simular o empréstimo na CTPS Digital e concluir a contratação pelo aplicativo do banco. A proposta é integrar a experiência 100% digital que já é marca registrada da empresa, oferecendo um processo simples e transparente.
Desde o início de 2025, o Nubank vinha expandindo suas opções de crédito com garantia, como a antecipação do saque-aniversário do FGTS e o consignado para servidores públicos e militares. A entrada no consignado privado reforça essa estratégia, mirando um público que antes dependia de convênios entre empresas e bancos para acessar essa modalidade. A expectativa é que, com a concorrência de outras instituições, o Nubank consiga oferecer taxas competitivas, começando em torno de 2% ao mês, conforme o mercado se ajusta.
Quem pode contratar o empréstimo
Trabalhadores formais com carteira assinada são o público-alvo do consignado do Nubank e das demais instituições participantes. Isso inclui cerca de 47 milhões de pessoas no Brasil, sendo 2,2 milhões de empregados domésticos, 4 milhões de trabalhadores rurais e os contratados por MEIs. Para ser elegível, o interessado precisa ter mais de 18 anos e estar empregado formalmente, com vínculo ativo registrado no eSocial, sistema que unifica informações trabalhistas.
Não é necessário ter conta no Nubank para contratar o empréstimo, mas a finalização pelo app exige o cadastro na plataforma. Quem já possui outros tipos de consignado pode migrar para o novo modelo a partir de 25 de abril, enquanto a portabilidade entre bancos estará disponível em junho. Em caso de demissão, o pagamento pode ser ajustado com o uso do FGTS e da multa rescisória, garantindo flexibilidade ao trabalhador.
Passo a passo para contratar no Nubank
Contratar o empréstimo consignado no Nubank é um processo que combina etapas digitais e práticas. O trabalhador começa acessando o aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, disponível para Android e iOS. Lá, na aba “Crédito do Trabalhador”, ele autoriza o compartilhamento de dados como nome, CPF, margem consignável e tempo de empresa. Em até 24 horas, recebe propostas de diversas instituições, incluindo o Nubank.
Escolhida a oferta do Nubank, o usuário é direcionado ao aplicativo da fintech, onde finaliza a contratação. O valor solicitado e o número de parcelas são definidos na simulação, respeitando o limite de 35% do salário. Após a aprovação, o dinheiro é depositado na conta do cliente, e as parcelas passam a ser descontadas automaticamente na folha de pagamento, via eSocial.
A partir de 25 de abril, o Nubank planeja oferecer o serviço diretamente em seu app, sem a necessidade de passar pela CTPS Digital. Isso deve agilizar o processo, reduzindo o tempo entre a simulação e a liberação do crédito.
Vantagens do consignado para CLT
O crédito consignado para trabalhadores CLT traz benefícios claros em comparação com outras linhas de financiamento. As taxas de juros mais baixas são o principal atrativo, variando entre 1,46% e 3,17% ao mês em bancos como Caixa e Banco do Brasil, e espera-se que o Nubank siga essa faixa. Isso é possível porque o desconto em folha reduz o risco para as instituições financeiras, eliminando a necessidade de cobranças adicionais.
Outra vantagem é a possibilidade de usar o FGTS e a multa rescisória como garantias. Em caso de demissão sem justa causa, até 10% do saldo do fundo e 100% da multa (40% do FGTS) podem quitar ou amortizar a dívida, evitando que o trabalhador fique inadimplente. Além disso, o limite de 35% do salário protege contra o superendividamento, garantindo que o restante da renda fique disponível para despesas essenciais.
Para quem tem dívidas caras, como as do cartão de crédito, que chegam a 400% ao ano, o consignado oferece uma chance de substituir esses débitos por parcelas mais acessíveis. A flexibilidade de renegociação em caso de perda de emprego também é um diferencial, especialmente em um mercado de trabalho volátil.
Taxas e condições do Nubank
Embora o Nubank ainda não tenha divulgado oficialmente suas taxas para o consignado CLT, o mercado estima que elas fiquem entre 2% e 3% ao mês, alinhadas com a média do setor. A ausência de um teto de juros fixado pelo governo permite que as instituições definam suas próprias condições, mas a concorrência entre 80 bancos e fintechs deve manter os valores atrativos. Na Caixa, por exemplo, as taxas variam de 1,6% a 3,17%, enquanto o Banco do Brasil começa em 1,46%.
O valor do empréstimo depende da renda do trabalhador e da margem consignável de 35%. Um salário de R$ 3 mil, por exemplo, permite parcelas de até R$ 1.050, com o total liberado variando conforme o prazo escolhido. O Nubank promete personalizar as ofertas, analisando o perfil do cliente para ajustar taxas e condições.
- Juros estimados: 2% a 3% ao mês.
- Prazo: até 48 meses, dependendo da análise.
- Garantias: FGTS e multa rescisória.
- Limite: 35% do salário bruto, incluindo extras como comissões.
Impacto econômico do programa
A entrada do Nubank e de outras instituições no consignado CLT deve gerar um impacto significativo na economia brasileira. O Ministério do Trabalho estima que os empréstimos ultrapassem R$ 100 bilhões nos primeiros três meses do programa, iniciado em 21 de março. Em quatro anos, a projeção da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) é de R$ 120 bilhões, com 19 milhões de trabalhadores contratando a modalidade.
Esse volume de crédito pode aquecer o consumo, já que muitos usarão o dinheiro para compras ou pagamento de dívidas. Pequenos comércios e o setor de serviços tendem a se beneficiar, especialmente em regiões onde o acesso ao crédito era limitado. Além disso, a substituição de dívidas caras por financiamentos mais baratos pode aumentar o poder de compra das famílias, reduzindo o superendividamento.
Concorrência no mercado de crédito
Com 80 instituições habilitadas, o mercado de consignado para CLT está aquecido. A Caixa Econômica Federal foi uma das primeiras a oferecer o crédito, com taxas a partir de 1,6% ao mês, enquanto o Banco do Brasil começa em 1,46%. Bradesco, Itaú e Santander planejam aderir em massa a partir de 25 de abril, quando poderão usar seus próprios canais digitais. Fintechs como Nubank e Inter entram na disputa com a promessa de processos mais rápidos e taxas competitivas.
A concorrência é vista como um fator chave para reduzir os juros. Enquanto o crédito pessoal tradicional chega a 90% ao ano, o consignado CLT deve ficar em torno de 40% anuais, segundo projeções do governo. O Nubank, conhecido por sua abordagem digital, pode se destacar ao oferecer uma experiência simplificada, desafiando os bancos tradicionais a inovarem.
Desafios iniciais do programa
Apesar do potencial, o Crédito do Trabalhador enfrenta obstáculos operacionais. Nos primeiros dias, a plataforma da Dataprev, responsável por calcular a margem consignável, apresentou falhas, como considerar o salário bruto em vez do líquido. Outro problema foi a falta de integração com consignados securitizados de fintechs não cadastradas, o que poderia gerar duplicidade de empréstimos.
A Febraban informou que o setor bancário e o governo estão ajustando o sistema para garantir pleno funcionamento nas próximas semanas. A adesão tímida de grandes bancos no início reflete a cautela com um produto novo, mas a expectativa é que, a partir de 25 de abril, a oferta se normalize, com o Nubank e outros ampliando o alcance.
Benefícios além do financeiro
Além de oferecer crédito acessível, o consignado CLT tem impactos sociais importantes. Para trabalhadores domésticos e rurais, que historicamente tinham pouco acesso a financiamentos, a modalidade abre portas para investimentos em educação, moradia ou pequenos negócios. A possibilidade de usar o FGTS como garantia também dá segurança extra, especialmente em tempos de incerteza no mercado de trabalho.
O programa incentiva a educação financeira, já que o limite de 35% do salário força o planejamento. Com taxas menores, os trabalhadores podem sair do ciclo de dívidas caras, como o rotativo do cartão, que consome grande parte da renda mensal. Isso pode melhorar a qualidade de vida e reduzir o estresse financeiro.
Como o FGTS é usado no consignado
O uso do FGTS é um dos pilares do Crédito do Trabalhador. Até 10% do saldo do fundo pode ser dado como garantia, enquanto 100% da multa rescisória (40% do FGTS) é usada em caso de demissão sem justa causa. Se um trabalhador tem R$ 20 mil no FGTS, por exemplo, R$ 2 mil podem ser vinculados ao empréstimo. Em caso de desligamento, os R$ 8 mil da multa ajudam a quitar a dívida.
Se o saldo do empréstimo for maior que as garantias, a dívida é suspensa até o trabalhador conseguir novo emprego, quando os descontos em folha voltam a ocorrer. Esse mecanismo protege tanto o cliente quanto o banco, mantendo a inadimplência baixa e os juros acessíveis.
Exemplos práticos de uso
Imagine um trabalhador com salário de R$ 2.500 mensais. Ele pode comprometer até R$ 875 por mês com o consignado. Contratando R$ 10 mil em 24 parcelas a 2% ao mês, pagaria cerca de R$ 526 mensais, totalizando R$ 12.624. Comparado a um crédito pessoal de 5% ao mês, que custaria R$ 16.800 no mesmo prazo, a economia é de mais de R$ 4 mil.
Outro exemplo é uma empregada doméstica ganhando R$ 1.500. Com margem de R$ 525, ela pode pegar R$ 5 mil em 12 meses a 1,8% ao mês, pagando R$ 450 mensais. O dinheiro pode ser usado para reformar a casa ou quitar uma dívida de cartão, aliviando o orçamento.
O futuro do consignado no Nubank
O Nubank planeja aprimorar o consignado CLT com o tempo. A integração total ao seu aplicativo, prevista para após 25 de abril, deve simplificar o acesso, eliminando a dependência da CTPS Digital. A fintech também pode oferecer ferramentas de gestão financeira, como alertas sobre margem consignável e simulações em tempo real, reforçando sua posição como líder em inovação no setor.
A longo prazo, a entrada no consignado privado pode atrair mais clientes para o Nubank, especialmente entre os 47 milhões de trabalhadores elegíveis. Com a base de 70 milhões de usuários, a fintech tem potencial para se tornar um dos maiores players dessa modalidade, desafiando bancos tradicionais e outras fintechs.
Calendário de implementação
O Crédito do Trabalhador segue um cronograma claro. Desde 21 de março, novos contratos estão disponíveis via CTPS Digital. A partir de 25 de abril, bancos como Nubank, Caixa e Bradesco passam a operar em suas plataformas próprias. Em 6 de junho, a portabilidade entre instituições começa, permitindo que trabalhadores busquem melhores taxas.
Para quem já tem consignado, a migração para o novo modelo é possível desde 25 de abril, dentro da mesma instituição. O prazo de 120 dias para ajustes operacionais termina em julho, quando o programa deve estar plenamente funcional em todo o país.
Dicas para contratar com segurança
Escolher o consignado exige atenção. Antes de contratar, o trabalhador deve comparar as propostas recebidas em até 24 horas na CTPS Digital, priorizando a menor taxa de juros e o prazo mais adequado. Evitar comprometer toda a margem de 35% é recomendável, deixando espaço para imprevistos.
- Simule diferentes valores e prazos para encontrar o melhor custo-benefício.
- Verifique se o desconto em folha cabe no orçamento mensal.
- Considere usar o crédito para quitar dívidas mais caras, como cartão ou cheque especial.
- Leia os termos do contrato no app do Nubank antes de confirmar.
Transformação no acesso ao crédito
A chegada do consignado CLT, com o Nubank à frente, marca uma mudança no cenário financeiro brasileiro. Antes restrito a convênios entre empresas e bancos, o crédito com desconto em folha agora é acessível a milhões de trabalhadores sem burocracia. A digitalização do processo, liderada por fintechs como o Nubank, reduz barreiras e democratiza o acesso.
Com R$ 120 bilhões previstos em quatro anos, o programa pode transformar a relação dos brasileiros com o crédito, oferecendo uma alternativa viável ao endividamento caro. O Nubank, com sua base sólida e foco em tecnologia, está bem posicionado para liderar essa revolução, trazendo benefícios diretos aos trabalhadores e à economia.