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Saque em dobro: abono salarial e cotas do PIS/PASEP liberam até R$ 2.800 em abril para milhões

Abono Salarial PIS PASEP
Abono Salarial PIS PASEP - Foto: rafastockbr/Shutterstock.com Abono Salarial PIS PASEP - Foto: rafastockbr/Shutterstock.com

Milhões de trabalhadores brasileiros têm motivos para comemorar neste mês de abril. Dois benefícios distintos ligados ao PIS (Programa de Integração Social) e ao PASEP (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público) estão disponíveis para saque, oferecendo valores que podem chegar a R$ 2.800, dependendo de cada caso. O abono salarial, pago anualmente, beneficia quem trabalhou com carteira assinada em 2023, enquanto as cotas esquecidas do fundo extinto atendem aqueles que atuaram entre 1971 e 1988 e ainda não resgataram o dinheiro. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil já se preparam para atender públicos diferentes, com calendários específicos e processos bem definidos para cada tipo de pagamento.

Estima-se que cerca de 24 milhões de pessoas tenham direito ao abono salarial neste ano, com a maior parte sendo trabalhadores da iniciativa privada que recebem o PIS pela Caixa. Já as cotas esquecidas, oriundas do antigo fundo PIS/PASEP, podem alcançar até 10 milhões de beneficiários, incluindo herdeiros de trabalhadores falecidos. Os valores variam: o abono depende do tempo trabalhado em 2023 e do salário mínimo vigente, enquanto as cotas têm uma média de R$ 2.800 por pessoa, corrigidas pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15).

A liberação desses recursos movimenta a economia e traz alívio financeiro a muitas famílias. Para o abono salarial, o pagamento começou em fevereiro e segue até agosto, com abril sendo o mês de liberação para quem nasceu em março e abril. Já as cotas esquecidas, que totalizam R$ 26 bilhões, têm um cronograma próprio, com saques escalonados até janeiro de 2026, dependendo da data do pedido. Entender quem tem direito e como acessar cada benefício é essencial para não perder essas oportunidades.

Quem pode sacar o abono salarial em abril

A partir do dia 15 de abril, trabalhadores nascidos em março e abril recebem o abono salarial referente ao ano-base 2023. Esse benefício é direcionado a quem trabalhou com carteira assinada por pelo menos 30 dias naquele ano, recebendo até dois salários mínimos mensais, atualmente fixados em R$ 1.302 por mês na época. Além disso, é necessário estar cadastrado no PIS/PASEP há pelo menos cinco anos e ter os dados corretamente informados pelo empregador no eSocial ou na RAIS (Relação Anual de Informações Sociais).

O valor do abono varia conforme o tempo de serviço em 2023. Com o salário mínimo de 2025 estipulado em R$ 1.518, o cálculo é simples: divide-se esse montante por 12 e multiplica-se pelo número de meses trabalhados. Quem atuou por apenas um mês recebe R$ 127, enquanto quem trabalhou o ano inteiro tem direito aos R$ 1.518 integrais. Para os nascidos em maio e junho, o pagamento está agendado para 15 de maio, seguindo o calendário unificado pelo mês de nascimento, instituído pela Resolução CODEFAT nº 1.011, de 2024.

Cerca de 21,95 milhões de trabalhadores da iniciativa privada recebem o PIS pela Caixa Econômica Federal, enquanto 2,72 milhões de servidores públicos, empregados de estatais e militares têm o PASEP depositado pelo Banco do Brasil. Os critérios são idênticos para ambos os grupos, e o pagamento segue o mesmo cronograma, garantindo igualdade no acesso ao benefício anual que funciona como um complemento de renda para milhões de brasileiros.

Calendário completo do abono salarial

O cronograma de pagamento do abono salarial começou em 17 de fevereiro e se estende até 15 de agosto, com datas definidas pelo mês de nascimento do trabalhador. Veja como funciona:

  • Nascidos em janeiro: 17 de fevereiro
  • Nascidos em fevereiro: 17 de março
  • Nascidos em março e abril: 15 de abril
  • Nascidos em maio e junho: 15 de maio
  • Nascidos em julho e agosto: 16 de junho
  • Nascidos em setembro e outubro: 15 de julho
  • Nascidos em novembro e dezembro: 15 de agosto

Os valores ficam disponíveis até 29 de dezembro deste ano. Após essa data, será necessário aguardar uma convocação especial do Ministério do Trabalho e Emprego para resgatar o dinheiro, o que pode atrasar o acesso aos recursos.

PIS PASEP ABONOS
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Como funciona o pagamento do abono

Receber o abono salarial é um processo simples para a maioria dos beneficiários. Para quem tem conta corrente ou poupança na Caixa, o depósito do PIS é feito automaticamente na data estipulada. Já os trabalhadores sem vínculo com o banco recebem por meio de uma conta poupança social digital, acessível pelo aplicativo Caixa Tem, que permite movimentações como transferências, pagamentos de contas e compras com cartão de débito virtual.

Para os beneficiários do PASEP, o Banco do Brasil também realiza o crédito automático em contas de correntistas. Quem não possui conta no BB pode fazer a transferência via TED nos terminais de autoatendimento ou diretamente nas agências, apresentando um documento oficial de identificação. Caso o saque não seja possível por esses meios, o trabalhador pode usar o Cartão do Cidadão nos caixas eletrônicos, lotéricas ou pontos Caixa Aqui, desde que respeite o calendário.

O benefício anual é um direito assegurado pela Constituição Federal desde 1988, mas muitos ainda deixam de recebê-lo por desconhecimento ou falhas no cadastro. Por isso, consultar a situação no aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou no portal Gov.br é uma forma prática de confirmar a elegibilidade e o valor a ser recebido.

Cotas esquecidas: um benefício do passado

Além do abono salarial, outro tipo de saque do PIS/PASEP está disponível neste mês: as cotas do fundo extinto, que beneficiam quem trabalhou com carteira assinada entre 1971 e 1988. Diferente do abono, esse valor não é anual, mas sim um resgate único de recursos acumulados no antigo Fundo PIS/PASEP, extinto em 2020 e transferido inicialmente para o FGTS e, depois, para o Tesouro Nacional em 2023.

Cerca de 10,5 milhões de pessoas ainda não sacaram essas cotas, que somam R$ 26 bilhões. O valor médio por beneficiário é estimado em R$ 2.800, mas pode variar conforme o tempo de serviço e o salário da época, corrigido pelo IPCA-15. Originalmente, o saque só era permitido em situações específicas, como aposentadoria, doença grave ou ao atingir 70 anos. Desde 2018, porém, o governo flexibilizou as regras, permitindo o resgate irrestrito para trabalhadores e herdeiros.

Muitos desconhecem esse direito, mesmo após campanhas maciças de divulgação. Em 2019, cerca de 10,8 milhões ainda tinham valores a receber do PIS, e 30 mil do PASEP. Hoje, o número caiu, mas milhões continuam com dinheiro parado, que pode ser solicitado até setembro de 2028. Após esse prazo, os recursos serão incorporados definitivamente ao Tesouro Nacional, sem possibilidade de resgate.

Herdeiros também têm direito às cotas

Os herdeiros de trabalhadores falecidos que atuaram entre 1971 e 1988 também podem solicitar as cotas do PIS/PASEP. Para isso, é necessário comprovar o vínculo com o beneficiário original, apresentando documentos como certidão de óbito e um dos seguintes: certidão PIS/PASEP/FGTS com a relação de dependentes habilitados à pensão por morte, emitida pela Previdência Social; declaração de dependentes emitida pelo órgão pagador do benefício; ou autorização judicial/escritura pública assinada por todos os dependentes e sucessores, confirmando a liberação do saque.

Esse processo garante que o dinheiro acumulado não se perca e chegue às famílias. Desde setembro de 2023, quando os recursos foram transferidos ao Tesouro, mais de 25 mil pedidos de saque foram registrados, muitos deles feitos por herdeiros. A Caixa analisa cada solicitação e, após aprovação, repassa os dados ao Ministério da Fazenda para a liberação dos valores.

A facilidade para herdeiros acessarem o benefício aumentou em 2019, quando as regras foram simplificadas. Antes, o processo era mais burocrático, exigindo trâmites demorados. Agora, com a plataforma Repis Cidadão e o aplicativo FGTS, a consulta inicial ficou mais acessível, embora o pedido formal ainda exija trâmite presencial em alguns casos.

Passo a passo para resgatar as cotas esquecidas

Solicitar o resgate das cotas do PIS/PASEP requer atenção aos procedimentos. O primeiro passo é verificar se há valores disponíveis, o que pode ser feito pelo portal Repis Cidadão, acessado com uma conta Gov.br nos níveis prata ou ouro, ou pelo aplicativo FGTS. No Repis, basta informar o CPF e o NIS (Número de Identificação Social), encontrado na carteira de trabalho, extrato do FGTS ou portal Meu INSS.

Confirmado o direito, o trabalhador ou herdeiro deve protocolar o pedido de ressarcimento em uma agência da Caixa Econômica Federal. Para o titular, é necessário apenas um documento de identificação oficial. Já os herdeiros precisam levar os documentos comprobatórios mencionados anteriormente. Após a solicitação, a Caixa analisa o pedido e, se aprovado, o pagamento é liberado conforme o calendário oficial.

O processo presencial ainda é obrigatório para as cotas, diferentemente do abono salarial, que tem depósito automático. Por isso, é importante agir rápido, já que os saques dependem da data do pedido e da disponibilidade orçamentária do governo, que define as liberações mensais até janeiro de 2026.

Cronograma de pagamento das cotas esquecidas

Os pagamentos das cotas seguem um calendário baseado na data do pedido, com liberações mensais até o início de 2026. Confira as datas:

  • Pedidos até 28/02/2025: 28/03/2025
  • Pedidos até 31/03/2025: 25/04/2025
  • Pedidos até 30/04/2025: 26/05/2025
  • Pedidos até 31/05/2025: 25/06/2025
  • Pedidos até 30/06/2025: 25/07/2025
  • Pedidos até 31/07/2025: 25/08/2025
  • Pedidos até 31/08/2025: 25/09/2025
  • Pedidos até 30/09/2025: 27/10/2025
  • Pedidos até 31/10/2025: 25/11/2025
  • Pedidos até 30/11/2025: 26/12/2025
  • Pedidos até 31/12/2025: 26/01/2026

Os valores são depositados diretamente em conta bancária na Caixa ou em uma poupança social digital, movimentada pelo Caixa Tem, garantindo praticidade para quem não tem conta ativa no banco.

Diferenças entre abono e cotas

Entender as diferenças entre o abono salarial e as cotas do PIS/PASEP é fundamental para aproveitar os dois benefícios. O abono é um pagamento anual, instituído pela Constituição de 1988, voltado a trabalhadores ativos no ano-base, neste caso, 2023. Já as cotas são um resgate único, ligado ao fundo extinto em 2020, que acumulava contribuições de empregadores entre 1971 e 1988 para trabalhadores da época.

Enquanto o abono tem valor máximo de R$ 1.518, dependendo dos meses trabalhados, as cotas podem chegar a R$ 2.800 ou mais, conforme o histórico de cada beneficiário. Outro ponto é o público: o abono atinge quem está no mercado de trabalho atual, e as cotas beneficiam trabalhadores antigos ou seus herdeiros. O processo de saque também difere, com o abono sendo automático para muitos e as cotas exigindo solicitação formal.

Essa dualidade permite que, em abril, alguns trabalhadores recebam ambos os benefícios, somando valores significativos. Por exemplo, quem trabalhou 12 meses em 2023 e tem cotas esquecidas pode embolsar até R$ 4.318, caso as condições sejam atendidas para os dois saques.

Impacto econômico dos saques

A liberação simultânea do abono salarial e das cotas do PIS/PASEP injeta bilhões de reais na economia. Só o abono deve distribuir R$ 22,6 bilhões a 24 milhões de trabalhadores, enquanto as cotas podem liberar até R$ 26 bilhões para 10,5 milhões de beneficiários. Esse montante, somado, ultrapassa R$ 48 bilhões, valor que aquece o consumo, especialmente em um período de recuperação econômica.

Para trabalhadores de baixa renda, o abono funciona como um 14º salário, ajudando a pagar contas ou investir em necessidades básicas. Já as cotas, por serem um resgate único, muitas vezes servem para quitar dívidas maiores ou realizar projetos pessoais, como reformas ou compras de bens duráveis. A correção pelo IPCA-15 garante que o poder de compra das cotas não seja corroído pela inflação, beneficiando ainda mais os recebedores.

O governo também ganha com a iniciativa, já que os valores não sacados até 2028 voltam ao Tesouro Nacional, reforçando o caixa público. Até lá, porém, a prioridade é garantir que o dinheiro chegue aos bolsos dos trabalhadores e herdeiros, movimentando a economia local e nacional.

Dicas para não perder os benefícios

Garantir o saque do abono salarial e das cotas exige organização. Para o abono, o trabalhador deve verificar se os dados foram corretamente informados pelo empregador no eSocial ou RAIS, já que erros podem bloquear o pagamento. A consulta no aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou no portal Gov.br é o primeiro passo para confirmar o direito e o valor.

Já para as cotas, o ideal é checar a existência de valores no Repis Cidadão ou no aplicativo FGTS o quanto antes, especialmente para herdeiros, que precisam reunir a documentação necessária. Anotar as datas do calendário de pagamento e agir dentro do prazo evita atrasos ou a perda definitiva do dinheiro, como ocorrerá em 2028 com as cotas não resgatadas.

Outras recomendações incluem:

  • Manter o cadastro no PIS/PASEP atualizado junto à Caixa ou ao Banco do Brasil
  • Conferir o NIS em documentos oficiais para consultas rápidas
  • Usar o Caixa Tem para movimentar os valores depositados, evitando filas em agências
  • Para herdeiros, organizar certidões e autorizações com antecedência

Essas ações simples podem fazer a diferença entre receber os benefícios ou deixá-los escapar.

Tecnologia facilita o acesso aos valores

A digitalização trouxe avanços significativos no acesso aos benefícios do PIS/PASEP. O aplicativo FGTS, por exemplo, permite consultar tanto o abono quanto as cotas de forma rápida, enquanto o portal Repis Cidadão, lançado pelo Ministério da Fazenda, centraliza informações sobre as cotas esquecidas. Ambos exigem autenticação via Gov.br, garantindo segurança e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados.

O Caixa Tem, por sua vez, revolucionou o recebimento ao oferecer uma conta digital gratuita para quem não tem vínculo com a Caixa, eliminando a necessidade de deslocamentos para saques menores. Para o PASEP, o Banco do Brasil também modernizou o processo com transferências via TED e consultas online, reduzindo a burocracia que antes afastava muitos beneficiários.

Essas ferramentas mostram como a tecnologia está alinhada ao esforço do governo para democratizar o acesso aos recursos, especialmente para as cotas, que ficaram décadas esquecidas por falta de informação ou dificuldade de resgate. Hoje, basta um smartphone para iniciar o processo, embora o pedido das cotas ainda demande uma etapa presencial.

O que fazer com o dinheiro recebido

Com valores que podem chegar a R$ 2.800 das cotas e até R$ 1.518 do abono, os trabalhadores têm diversas opções para usar o dinheiro. Para muitos, o foco é cobrir despesas essenciais, como contas de luz, água ou supermercado, aliviando o orçamento mensal. Outros planejam quitar dívidas acumuladas, como parcelas de cartão de crédito ou empréstimos, aproveitando o montante extra para reorganizar as finanças.

Há também quem veja nos saques uma chance de investir em melhorias pessoais, como a compra de eletrodomésticos, consertos em casa ou até cursos de capacitação. Para herdeiros, o dinheiro das cotas pode servir como um legado inesperado, usado para honrar a memória do familiar com projetos que ele valorizava. Seja qual for o destino, os benefícios chegam em um momento oportuno, oferecendo fôlego financeiro em tempos de incerteza econômica.

Curiosidades sobre o PIS/PASEP

O PIS e o PASEP têm uma história rica no Brasil. Criado em 1970, o PIS visava incrementar a poupança dos trabalhadores do setor privado, enquanto o PASEP, instituído em 1971, tinha foco nos servidores públicos. Em 1975, os dois programas foram unificados no Fundo PIS/PASEP, que funcionou até 1988, quando foi substituído pelo abono salarial atual. Durante esse período, os empregadores depositavam contribuições que formaram as cotas hoje disponíveis para resgate.

Alguns fatos interessantes incluem:

  • Até 2018, cerca de 23,8 milhões de pessoas tinham direito a R$ 35,7 bilhões em cotas
  • O fundo já pagou juros anuais aos trabalhadores, mas muitos nunca souberam disso
  • A extinção em 2020, durante a pandemia, transferiu os recursos ao FGTS para reforçar o caixa público
  • A plataforma Repis Cidadão foi desenvolvida pelo Serpro, com foco em transparência e facilidade de acesso

Esses detalhes mostram como o programa evoluiu ao longo das décadas, adaptando-se às necessidades do país e dos trabalhadores.

Volume de pedidos reflete procura intensa

Desde que as cotas foram liberadas para saque irrestrito, a demanda tem sido alta. Em setembro de 2023, quando os recursos passaram ao Tesouro Nacional, cerca de 25 mil pedidos foram registrados em poucos meses, especialmente por herdeiros e trabalhadores que descobriram o benefício tardiamente. Para o abono salarial, a procura é ainda maior, com milhões acessando os valores a cada lote liberado.

A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil reforçaram os canais de atendimento para dar conta do volume. Agências, aplicativos e call centers, como a Central Alô Trabalho (158), estão preparados para orientar os beneficiários, especialmente aqueles com dúvidas sobre documentação ou prazos. A expectativa é que os números de pedidos aumentem em abril, com a coincidência dos saques do abono e das cotas, beneficiando públicos distintos ao mesmo tempo.

A intensidade da procura reflete a importância desses recursos para a população. Para muitos, o dinheiro chega como um alívio inesperado, enquanto para outros é a realização de um direito há muito esquecido, mas que agora ganha nova vida graças à modernização dos processos e à ampla divulgação.

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