O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, sob cuidados intensivos após uma cirurgia abdominal de 12 horas realizada no último domingo (13/4). A intervenção, considerada a mais complexa desde o atentado sofrido em 2018, foi necessária para tratar uma suboclusão intestinal causada por aderências cicatriciais de procedimentos anteriores. Acompanhado pela esposa, Michelle Bolsonaro, o político está em jejum oral, recebendo alimentação parenteral, e apresenta evolução clínica positiva, embora sem previsão de alta. A pressão arterial, que registrou alterações recentes, foi estabilizada, segundo boletim médico divulgado no domingo (20/4). Em postagem nas redes sociais, Bolsonaro agradeceu o apoio recebido e destacou a importância das orações dos seguidores, desejando uma feliz Páscoa.
A internação teve início em Natal, no Rio Grande do Norte, na sexta-feira (11/4), quando Bolsonaro sentiu fortes dores abdominais durante uma agenda política. Transferido de helicóptero para a capital potiguar, o ex-presidente foi diagnosticado com um quadro de suboclusão intestinal, uma obstrução parcial que impede o funcionamento normal do intestino. No sábado (12/4), ele foi levado a Brasília, onde a equipe médica optou por uma cirurgia de emergência. O procedimento, liderado pelo cirurgião Cláudio Birolini, envolveu a retirada de aderências e a reconstrução da parede abdominal, etapas que demandaram alta precisão devido ao estado delicado do intestino.
Enquanto Bolsonaro segue sob monitoramento, apoiadores organizam uma vigília em frente ao hospital, com orações, faixas e bandeiras do Brasil. O grupo, que se reveza desde a internação, mantém um cronograma de preces a cada três horas, entre 10h e meia-noite, segundo relatos de participantes. A presença de figuras como a senadora Damares Alves (Republicanos) reforça o apoio político ao ex-presidente, que enfrenta um momento delicado de saúde em meio a um cenário de polarização no país.
Histórico de complicações abdominais
O atual quadro de saúde de Bolsonaro está diretamente ligado ao atentado sofrido em 6 de setembro de 2018, durante a campanha presidencial em Juiz de Fora, Minas Gerais. Na ocasião, ele foi atingido por uma facada que perfurou o intestino, causando lesões graves e exigindo múltiplas cirurgias. Desde então, o ex-presidente passou por sete procedimentos abdominais, incluindo a retirada de uma bolsa de colostomia, correção de hérnias e tratamento de obstruções intestinais.
- 2018: Após o atentado, Bolsonaro passou 23 dias internado, com complicações como infecção bacteriana.
- 2019: Realizou cirurgia para retirada da bolsa de colostomia e correção de uma hérnia incisional.
- 2020: Submeteu-se a um procedimento para retirada de um cálculo na bexiga.
- 2021 e 2022: Internações por obstruções intestinais, com uma delas associada a um camarão não mastigado.
- 2023: Três internações, incluindo uma nos Estados Unidos, por desconfortos abdominais.
- 2024: Check-up anual e cirurgia para tratar refluxo gástrico e suboclusão.
- 2025: Atual cirurgia, a mais longa e invasiva, com 12 horas de duração.
Essas intervenções deixaram sequelas, como aderências intestinais, que se formam durante o processo de cicatrização e podem causar obstruções. O quadro atual, segundo o médico Cláudio Birolini, indica que Bolsonaro vinha enfrentando sintomas de suboclusão há meses, o que culminou na necessidade da cirurgia recente.
Detalhes da cirurgia e recuperação
A cirurgia realizada no domingo (13/4) foi descrita como “extremamente complicada” pela equipe médica. As primeiras duas horas foram dedicadas ao acesso à cavidade abdominal, um processo delicado devido às aderências acumuladas. A retirada dos tecidos cicatriciais levou de quatro a cinco horas, seguida pela reconstrução da parede abdominal. O intestino, descrito como “bastante sofrido”, exigiu cuidados minuciosos para evitar complicações.
Bolsonaro permanece na UTI, consciente e conversando, mas sob restrições rigorosas. A alimentação parenteral, que fornece nutrientes diretamente na veia, é necessária porque o intestino ainda não está funcionando normalmente. A sonda anal, utilizada para eliminar dejeitos, indica que o sistema digestivo está respondendo, um sinal positivo segundo os médicos. A equipe estima que o ex-presidente precise de 15 dias de internação e dois a três meses para uma recuperação completa, sem previsão de novas cirurgias.
A evolução clínica tem sido acompanhada por exames laboratoriais, que apontam melhoras consistentes. Na quinta-feira (17/4), Bolsonaro informou que não sentia dores significativas e que os sangramentos estavam controlados. A limpeza dos curativos, realizada regularmente, é parte do protocolo para prevenir infecções, uma preocupação constante devido ao histórico de complicações pós-cirúrgicas.
Contexto da internação e apoio popular
A internação de Bolsonaro ocorre em um momento de alta visibilidade política. Após deixar a Presidência em 2022, ele mantém uma base fiel de apoiadores, que se mobilizam tanto nas redes sociais quanto nas ruas. A vigília em frente ao Hospital DF Star reflete essa lealdade, com grupos organizados como o Movimento DF Feliz coordenando as atividades. As orações, transmitidas ao vivo pelo Instagram de lideranças como o bispo Fernando Fé, atraem evangélicos, católicos e espíritas, que se unem em prol da recuperação do ex-presidente.
A presença de faixas com mensagens como “Força, Bolsonaro” e bandeiras do Brasil transforma o entorno do hospital em um ponto de manifestação. Na segunda-feira (14/4), cerca de 20 pessoas participavam do ato, com picos de maior adesão durante as rodas de oração. A senadora Damares Alves, figura influente no meio evangélico, esteve presente, reforçando o caráter político da mobilização. Apesar de episódios isolados de resistência, como uma discussão com uma mulher que questionou o uso do nome de Jesus pelos apoiadores, o grupo mantém a vigília de forma pacífica.
Impacto das aderências intestinais
As aderências intestinais, principal causa da atual internação, são uma complicação comum em pacientes com histórico de cirurgias abdominais. Essas faixas de tecido cicatricial se formam entre o intestino e outros órgãos, comprometendo a mobilidade e podendo levar a obstruções. No caso de Bolsonaro, as múltiplas intervenções desde 2018 aumentaram o risco desse quadro, que pode evoluir silenciosamente até se manifestar com sintomas graves, como dores abdominais intensas e inchaço.
A suboclusão intestinal, diagnosticada em Natal, é uma obstrução parcial que impede a passagem normal de alimentos e enzimas digestivas. Esse quadro pode ser desencadeado por fatores como inflamações, tumores ou, como no caso de Bolsonaro, aderências. A gravidade do problema exigiu a transferência imediata para Brasília, onde a equipe médica pôde realizar uma avaliação mais detalhada e planejar a cirurgia.
- Causas das aderências: Cicatrização pós-cirúrgica, inflamações ou traumas abdominais.
- Sintomas: Dores abdominais, inchaço, náuseas e dificuldade para evacuar.
- Tratamento: Pode variar de medicação e repouso a cirurgias complexas, como a realizada.
- Prevenção: Difícil em casos de múltiplas cirurgias, mas monitoramento regular ajuda.
A complexidade do procedimento reflete o desafio de tratar um intestino com histórico de lesões graves. A equipe médica destacou que a reconstrução da parede abdominal foi essencial para evitar complicações futuras, mas o pós-operatório exige cuidados intensos para garantir a recuperação.
Mobilização nas redes sociais
Nas redes sociais, Bolsonaro mantém comunicação direta com seus seguidores, mesmo internado. Em postagens recentes, ele compartilhou fotos no leito hospitalar, agradeceu as orações e destacou a dedicação da equipe do Hospital DF Star. Em uma mensagem no domingo (20/4), ele escreveu: “A recomendação médica é de repouso absoluto, sem visitas, e ainda não há uma data definida para alta da UTI”. A interação virtual reforça sua imagem de resiliência, um traço que marca sua trajetória política.
A hashtag #ForçaBolsonaro ganhou tração, com milhares de mensagens de apoio compartilhadas por apoiadores e figuras públicas. A esposa, Michelle Bolsonaro, também utiliza as redes para atualizar o público, postando mensagens de fé e gratidão. A mobilização digital contrasta com críticas de opositores, que questionam a politização do quadro de saúde do ex-presidente.
Desafios do pós-operatório
O período pós-operatório de Bolsonaro é marcado por cuidados rigorosos para evitar complicações. A alimentação parenteral, embora eficaz, exige monitoramento para prevenir infecções ou desequilíbrios nutricionais. A ausência de alimentação oral reflete a necessidade de repouso intestinal, um processo que pode levar semanas até a retomada normal das funções digestivas.
A equipe médica também acompanha sinais vitais, como batimentos cardíacos e pressão arterial, que apresentaram instabilidade nos últimos dias, mas foram normalizados. A sonda anal, que facilita a eliminação de dejeitos, é um indicativo de que o intestino está começando a responder, mas a recuperação completa depende de fatores como a ausência de infecções e a cicatrização adequada.
A estimativa de 15 dias de internação reflete a gravidade do procedimento, mas o prazo pode se estender caso surjam intercorrências. Bolsonaro, conhecido por resistir a orientações médicas em internações anteriores, parece seguir as recomendações atuais, possivelmente devido à complexidade do quadro. A presença constante de Michelle Bolsonaro no hospital reforça o suporte familiar durante esse período.
Repercussão política da internação
A saúde de Bolsonaro, figura central na política brasileira, gera impactos além do âmbito pessoal. Sua internação reacende debates sobre sua influência no cenário político, especialmente em um ano de pré-campanha para as eleições municipais de 2026. Líderes do PL e aliados têm usado o momento para reforçar a narrativa de superação do ex-presidente, enquanto opositores evitam comentários diretos, focando em questões institucionais.
A vigília de apoiadores, embora pacífica, lembra os acampamentos organizados por bolsonaristas após as eleições de 2022, o que levanta preocupações sobre possíveis tensões políticas. A presença de bandeiras do Brasil e faixas com mensagens de apoio cria um ambiente de mobilização que pode ser explorado por lideranças de direita. No entanto, o foco atual dos apoiadores parece estar na recuperação de Bolsonaro, sem sinais de confrontos ou protestos.
Cuidados médicos e estrutura hospitalar
O Hospital DF Star, onde Bolsonaro está internado, é uma unidade privada de alto padrão, com 90 leitos, sendo 38 de UTI. Inaugurado em 2023, o hospital é descrito como “seis estrelas” por sua infraestrutura voltada para o público de classe A, com foco em conforto e tecnologia. A escolha do DF Star reflete a preferência de Bolsonaro por hospitais privados em suas internações, uma prática recorrente desde 2018.
A equipe médica, liderada por Cláudio Birolini, conta com especialistas em cirurgia digestiva e cuidados intensivos. Birolini, que acompanha Bolsonaro desde o atentado, destacou a gravidade do quadro atual, afirmando que foi o pior desde 2018. A expertise da equipe e a estrutura do hospital são fatores cruciais para o manejo do pós-operatório, especialmente em um caso de alta complexidade.
- Infraestrutura do DF Star: 16 pavimentos, 90 leitos, 38 UTIs, tecnologia de ponta.
- Equipe médica: Cirurgiões, intensivistas e nutricionistas especializados.
- Protocolos: Monitoramento contínuo, alimentação parenteral, prevenção de infecções.
A transparência dos boletins médicos, divulgados quase diariamente, ajuda a manter o público informado, embora a ausência de entrevistas coletivas limite o acesso a detalhes. A expectativa é que um novo boletim seja divulgado nas próximas horas, trazendo atualizações sobre o quadro de Bolsonaro.
Perspectivas para a recuperação
A recuperação de Bolsonaro dependerá de uma série de fatores, incluindo a resposta do intestino ao procedimento e a ausência de complicações como infecções ou novas obstruções. A estimativa de dois a três meses para a retomada plena das atividades reflete a necessidade de um pós-operatório cauteloso, com acompanhamento médico regular após a alta.
O ex-presidente, que mantém uma agenda intensa de eventos políticos, pode enfrentar restrições em suas atividades nos próximos meses. A família, que já vinha pedindo que ele adotasse hábitos mais saudáveis, como melhor alimentação e sono adequado, deve reforçar essas recomendações. A experiência de internações anteriores sugere que Bolsonaro tende a retomar suas atividades rapidamente, mas a gravidade da cirurgia atual pode impor um ritmo mais lento.
A mobilização de apoiadores, tanto presencial quanto virtual, continuará sendo um elemento central durante a recuperação. A vigília, que já dura mais de uma semana, deve se manter enquanto Bolsonaro permanecer na UTI, com possíveis adesões de novas lideranças políticas. A presença de Michelle Bolsonaro e a comunicação ativa nas redes sociais ajudam a manter a conexão com a base de apoio, mesmo em um momento de fragilidade.