A morte do Papa Francisco, aos 88 anos, na segunda-feira, 21 de abril, desencadeou uma série de cerimônias cuidadosamente planejadas pelo Vaticano para homenagear o pontífice que liderou a Igreja Católica por 12 anos. O funeral, marcado para sábado, 26 de abril, às 5h (horário de Brasília), será realizado na Basílica de São Pedro, em Roma, e transmitido ao vivo para milhões de fiéis ao redor do mundo. A cerimônia, presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, segue um novo protocolo litúrgico aprovado pelo próprio Francisco em 2024, que simplifica os rituais fúnebres e enfatiza a humildade do papa como pastor. Pela primeira vez em mais de um século, o sepultamento ocorrerá fora do Vaticano, na Basílica de Santa Maria Maggiore, atendendo ao desejo expresso pelo pontífice argentino. Líderes mundiais, como os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, confirmaram presença, transformando o evento em um marco diplomático e religioso.
O corpo de Francisco, vestido com uma simples batina branca e vestes vermelhas, foi colocado em um caixão de madeira revestido de zinco na Casa Santa Marta, onde residia. Na quarta-feira, 23 de abril, às 4h (horário de Brasília), o caixão será trasladado em procissão até a Basílica de São Pedro, onde ficará exposto para homenagens públicas durante três dias. A expectativa é que milhares de fiéis, de Roma e de outros países, compareçam para se despedir do papa conhecido por sua defesa dos pobres, refugiados e pela abertura da Igreja a questões sociais contemporâneas. O trajeto da procissão passará pela Praça Santa Marta, Praça dos Protomártires Romanos e pelo Arco dos Sinos, culminando na entrada principal da basílica.
Além da exposição pública, o funeral inclui a celebração da Missa Exequial, um rito litúrgico central nas exéquias papais, seguido por uma procissão até a Basílica de Santa Maria Maggiore, onde Francisco será sepultado. A escolha do local reflete a forte devoção do papa à Virgem Maria, a quem ele recorria frequentemente em orações antes e depois de suas viagens apostólicas. A reforma dos rituais fúnebres, publicada no livro Ordo Exsequiarum Romani Pontificis, elimina tradições como o uso de três caixões e a exposição do corpo em uma plataforma elevada, reforçando a visão de Francisco de um papado despojado de pompa.
Principais etapas do funeral
O rito fúnebre do Papa Francisco é dividido em três momentos distintos, conforme estabelecido pela Igreja Católica:
- Constatação da morte: Realizada na segunda-feira, 21 de abril, pelo cardeal camerlengo Kevin Joseph Farrell, que chamou o papa pelo nome de batismo, Jorge Mario Bergoglio, três vezes, confirmando o óbito. O Anel do Pescador, símbolo do pontificado, foi destruído com um martelo cerimonial.
- Exposição pública: De 23 a 25 de abril, o corpo ficará na Basílica de São Pedro, em um caixão aberto, permitindo que fiéis prestem homenagens.
- Missa e sepultamento: No sábado, 26 de abril, a Missa Exequial será celebrada, seguida pela procissão ao local de sepultamento na Basílica de Santa Maria Maggiore.
Um papa reformador e sua visão de simplicidade
Francisco, o primeiro papa latino-americano e jesuíta, marcou seu pontificado com reformas que buscaram aproximar a Igreja dos desafios do mundo moderno. Nascido em Buenos Aires em 17 de dezembro de 1936, Jorge Mario Bergoglio assumiu o papado em 13 de março de 2013, após a renúncia de Bento XVI, um evento raro na história da Igreja. Durante seus 12 anos como líder, ele promoveu a inclusão de minorias, defendeu a justiça social e enfrentou questões como mudanças climáticas e desigualdade. Sua decisão de simplificar os rituais fúnebres reflete essa trajetória, rejeitando símbolos de poder em favor de uma imagem de pastor dedicado aos fiéis.
A reforma do protocolo fúnebre, aprovada em abril de 2024 e publicada em novembro do mesmo ano, elimina práticas como o uso de um catafalco, uma plataforma elevada tradicionalmente usada para exibir o corpo do papa. Em vez disso, o caixão de Francisco será colocado diretamente no solo da Basílica de São Pedro, simbolizando humildade. A substituição dos três caixões tradicionais (de cipreste, chumbo e carvalho) por um único de madeira com revestimento de zinco também reforça essa visão. A mudança no local de sepultamento, rompendo com a tradição de enterrar papas nas Grutas Vaticanas, destaca a conexão pessoal de Francisco com a Basílica de Santa Maria Maggiore, um dos maiores santuários marianos do mundo.
O impacto de suas decisões transcende o âmbito religioso. A presença de líderes globais no funeral, incluindo a premiê italiana Giorgia Meloni e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, evidencia a relevância de Francisco como uma figura de diálogo inter-religioso e político. A cerimônia, que será acompanhada por milhões de pessoas presencialmente e pela televisão, também marca o início do período de luto oficial de nove dias, conhecido como Novendiales, durante o qual missas serão celebradas em memória do pontífice.
O que esperar da cerimônia fúnebre
A Missa Exequial, ponto central do funeral, será realizada na Praça de São Pedro, em frente à basílica, devido à grande quantidade de fiéis esperados. O cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio dos Cardeais, conduzirá a celebração, que incluirá uma homilia sobre a vida e o legado espiritual de Francisco. A liturgia seguirá o rito descrito no Ordo Exsequiarum Romani Pontificis, com momentos como a Última Commendatio e a Valedictio, que marcam a despedida final do papa. Após a missa, o caixão será levado em procissão pelas ruas de Roma até a Basílica de Santa Maria Maggiore, onde ocorrerá o rito de inumação, presidido pelo cardeal camerlengo.
A escolha de realizar a missa ao ar livre, na Praça de São Pedro, considera as condições climáticas de abril e a necessidade de acomodar a multidão. O caixão, coberto por um evangelho aberto durante a cerimônia, será transportado por 12 carregadores, seguindo uma tradição antiga. A procissão até Santa Maria Maggiore incluirá cânticos litúrgicos, como o Salve Regina, e momentos de oração, reforçando a espiritualidade mariana que marcou o pontificado de Francisco. O túmulo, conforme seu testamento, será simples, escavado no solo e identificado apenas com a inscrição “Franciscus”.
Cronograma detalhado dos ritos
O Vaticano divulgou o calendário oficial das cerimônias fúnebres, que se estendem até o sepultamento:
- 21 de abril: Constatação da morte e primeira oração, com o Santo Rosário na Praça de São Pedro, conduzido pelo cardeal Mauro Gambetti.
- 23 de abril: Traslado do corpo da Casa Santa Marta à Basílica de São Pedro, às 4h (horário de Brasília), seguido da abertura para visitação pública.
- 24 e 25 de abril: Exposição do corpo na Basílica de São Pedro, com acesso contínuo para fiéis.
- 26 de abril: Missa Exequial às 5h (horário de Brasília), seguida pela procissão e sepultamento na Basílica de Santa Maria Maggiore.
- 27 de abril a 4 de maio: Período de Novendiales, com missas diárias em sufrágio ao papa.
A transição para o conclave
Enquanto o mundo se despede de Francisco, o Vaticano já se prepara para o próximo capítulo: a eleição de um novo papa. Durante o período de Sede Vacante, o cardeal camerlengo Kevin Joseph Farrell assume a administração temporária da Igreja, organizando tanto o funeral quanto o conclave. O Colégio dos Cardeais, composto por 252 membros, dos quais 138 com menos de 80 anos são aptos a votar, deve se reunir entre 5 e 10 de maio para iniciar o processo de escolha do sucessor. A eleição, realizada na Capela Sistina, exige uma maioria de dois terços dos votos e pode se estender por dias, com pausas para oração caso não haja consenso.
A destruição do Anel do Pescador, realizada após a morte de Francisco, simboliza o fim de seu pontificado e a transição para um novo liderança. O anel, gravado com a imagem de São Pedro pescando, era usado como selo em documentos oficiais. Sua quebra, feita pelo camerlengo, impede qualquer uso indevido e marca o início da Sede Vacante. Durante esse período, os cardeais também discutem questões administrativas e logísticas, preparando o Vaticano para o conclave, que será acompanhado com expectativa por católicos em todo o mundo.
O processo de eleição é envolto em sigilo, com os cardeais fazendo um juramento de segredo absoluto. A fumaça branca, que sai da chaminé da Capela Sistina, anunciará a escolha do novo papa, seguida pela proclamação Habemus Papam na sacada da Basílica de São Pedro. Até lá, a Igreja vive um momento de luto e reflexão, enquanto os fiéis recordam o legado de Francisco, um papa que buscou transformar a Igreja com gestos de simplicidade e abertura.
O impacto global da morte de Francisco
A morte de Francisco gerou comoção em todo o mundo, com manifestações de pesar de líderes religiosos, políticos e fiéis. Na Argentina, seu país natal, o presidente Javier Milei decretou luto oficial, enquanto igrejas em Buenos Aires realizaram missas em sua memória. Nos Estados Unidos, Donald Trump destacou o trabalho de Francisco em prol dos mais pobres, enquanto na Ucrânia, Volodymyr Zelensky lembrou seu apoio às vítimas da guerra. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou presença no funeral, reforçando os laços entre o país e o Vaticano.
A Basílica de Santa Maria Maggiore, escolhida por Francisco para seu descanso final, tem uma história que remonta ao século V e é considerada um dos maiores santuários dedicados à Virgem Maria no Ocidente. O papa visitava o local regularmente, rezando diante do ícone Salus Populi Romani, uma imagem venerada por sua ligação com milagres. Sua decisão de ser sepultado ali, em vez das Grutas Vaticanas, onde repousam 91 papas, rompe com uma tradição que só havia sido quebrada por Leão XIII, em 1903, enterrado na Basílica de São João de Latrão.
A presença de líderes de diversas religiões no funeral, incluindo representantes judaicos e muçulmanos, reflete o compromisso de Francisco com o diálogo inter-religioso. Durante seu pontificado, ele realizou encontros históricos, como a assinatura do Documento sobre a Fraternidade Humana com o grão-imame de Al-Azhar, em 2019, promovendo a paz entre cristãos e muçulmanos. Essas iniciativas deixam um legado que influenciará a escolha do próximo papa, em um momento em que a Igreja enfrenta desafios como secularização, crises internas e a necessidade de manter relevância global.
Como assistir ao funeral ao vivo
O funeral do Papa Francisco será transmitido ao vivo por emissoras de televisão e plataformas digitais, permitindo que fiéis de todo o mundo acompanhem a cerimônia. No Brasil, canais como GloboNews, Record News e TV Aparecida confirmaram a cobertura completa, com comentários de especialistas em religião e jornalistas em Roma. Plataformas de streaming, como o canal oficial do Vatican News no YouTube, também disponibilizarão a transmissão em tempo real, com opções em português, espanhol e inglês.
Para quem estiver em Roma, a Praça de São Pedro estará aberta ao público durante a Missa Exequial, com telões instalados para facilitar a visualização. A procissão até a Basílica de Santa Maria Maggiore, no entanto, terá acesso restrito, com prioridade para autoridades e membros do clero. O Vaticano recomenda que os fiéis cheguem cedo à Praça de São Pedro, já que a capacidade é limitada a cerca de 300 mil pessoas. Medidas de segurança reforçadas, incluindo detectores de metal e controle de multidões, serão implementadas para garantir a ordem durante o evento.
Detalhes do rito e sua simbologia
O rito fúnebre de Francisco é rico em simbolismo, refletindo tanto a tradição católica quanto as inovações introduzidas pelo papa. Durante a exposição pública, um pano branco será colocado sobre o rosto de Francisco antes do fechamento do caixão, uma prática mantida nos funerais papais. O caixão, que conterá um documento descrevendo seu pontificado e um saco com moedas de seu tempo como papa, será selado após a Missa Exequial. Esses elementos reforçam a ideia de continuidade e memória, conectando o legado de Francisco aos seus predecessores.
A procissão até Santa Maria Maggiore será acompanhada por cânticos gregorianos, como a Ladainha de Todos os Santos e o Responsório Subvenite Sancti Dei, que evocam a espiritualidade da Igreja primitiva. O cardeal camerlengo, ao aspergir água benta e incensar o caixão, realizará gestos que simbolizam purificação e entrega da alma do papa a Deus. A escolha de um túmulo simples, sem ornamentos, reflete o testamento de Francisco, que pediu para ser lembrado apenas como “Franciscus”, sem títulos adicionais.
A participação de fiéis de diferentes partes do mundo, muitos dos quais viajaram a Roma espontaneamente, destaca a universalidade da mensagem de Francisco. Durante seu pontificado, ele visitou mais de 60 países, incluindo o Brasil, onde celebrou a Jornada Mundial da Juventude em 2013. Sua habilidade de conectar-se com jovens, pobres e marginalizados deixou uma marca profunda, que será lembrada durante as cerimônias fúnebres.
O legado de Francisco e o futuro da Igreja
O pontificado de Francisco foi marcado por momentos de ruptura e continuidade. Ele enfrentou resistências internas por suas reformas, como a abertura a divorciados recasados e a maior participação de mulheres na Igreja, mas também consolidou a doutrina católica em temas como a defesa da vida e da família. Sua encíclica Laudato Si’, sobre a proteção do meio ambiente, tornou-se uma referência global, influenciando debates sobre sustentabilidade. A morte de Francisco abre um período de introspecção para a Igreja, que agora deve escolher um líder capaz de dar continuidade a seu projeto de renovação.
A Basílica de Santa Maria Maggiore, onde Francisco será sepultado, permanecerá aberta para visitas após o funeral, permitindo que fiéis prestem homenagens ao túmulo. O local, que abriga relíquias como o presépio atribuído a Jesus, é um ponto de peregrinação para católicos e reforçará a memória de Francisco como um papa mariano. A escolha do sepultamento fora do Vaticano também pode inspirar futuros pontífices a romper com tradições, personalizando seus legados de acordo com suas espiritualidades.
Figuras-chave no funeral e no conclave
Alguns nomes desempenham papéis centrais nas cerimônias e na transição da Igreja:
- Cardeal Kevin Joseph Farrell: Camerlengo, responsável pela administração durante a Sede Vacante e pela organização do funeral e do conclave.
- Cardeal Giovanni Battista Re: Decano do Colégio dos Cardeais, que presidirá a Missa Exequial.
- Cardeal Pietro Parolin: Secretário de Estado, que aparece em imagens orando ao lado do caixão de Francisco.
- Cardeal Mauro Gambetti: Conduziu o Santo Rosário na Praça de São Pedro no dia da morte do papa.
Um evento de proporções globais
O funeral de Francisco não é apenas um momento de luto, mas também uma celebração de sua vida e missão. A presença de líderes como José Ramos-Horta, presidente do Timor-Leste, e Melania Trump, primeira-dama dos Estados Unidos, destaca a relevância do evento no cenário internacional. A cobertura midiática, com equipes de jornalistas de todo o mundo em Roma, garante que cada detalhe da cerimônia alcance milhões de pessoas, reforçando a influência da Igreja Católica em um mundo cada vez mais secularizado.
A procissão pelas ruas de Roma, da Basílica de São Pedro à Santa Maria Maggiore, será um dos momentos mais simbólicos do funeral, unindo fiéis e autoridades em um gesto de despedida. O caixão, transportado em um veículo aberto, permitirá que a população se despeça de Francisco, que sempre buscou estar próximo do povo. A cerimônia de sepultamento, com o canto do Salve Regina, encerrará os ritos fúnebres, mas o legado de Francisco continuará a ecoar na Igreja e no mundo.