A morte do papa Francisco, aos 88 anos, na madrugada de 21 de abril de 2025, abalou líderes mundiais e fiéis católicos, marcando o fim de um pontificado de 12 anos que transformou a Igreja Católica com gestos de humildade e defesa dos mais pobres. Entre as inúmeras manifestações de pesar, o rei Charles III, monarca do Reino Unido e chefe da Igreja Anglicana, destacou-se com uma nota oficial que expressou profunda tristeza e admiração pelo legado do pontífice argentino. O comunicado, divulgado pelo Palácio de Buckingham, relembrou o encontro recente entre Charles, a rainha Camilla e Francisco no Vaticano, no dia 9 de abril, um momento que, segundo o rei, reforçou o impacto global do líder religioso. A nota também sublinhou a devoção de Francisco à Igreja e sua preocupação com a unidade e a criação, valores que ecoaram em diversas comunidades ao redor do mundo. A relação entre o monarca britânico e o papa, construída ao longo de anos, foi evidenciada como um símbolo de respeito mútuo entre diferentes tradições cristãs.
Charles III, que assumiu o trono em 2022 após a morte de sua mãe, a rainha Elizabeth II, já havia se encontrado com Francisco em ocasiões anteriores, em 2017 e 2019, quando ainda era príncipe de Gales. Esses encontros reforçaram laços diplomáticos e espirituais entre a Coroa britânica e a Santa Sé, apesar das diferenças históricas entre a Igreja Anglicana e a Católica, separadas desde o cisma de 1534. A visita de abril de 2025, inicialmente adiada devido à saúde frágil do papa, foi marcada por um tom de celebração, já que Francisco fez questão de parabenizar Charles e Camilla pelo 20º aniversário de casamento. O gesto, descrito como caloroso e pessoal, ocorreu em um momento em que o pontífice ainda se recuperava de uma longa internação de 38 dias no hospital Gemelli, em Roma, para tratar uma pneumonia bilateral.
O impacto da morte de Francisco transcendeu fronteiras religiosas e políticas, com líderes de diversas nações expressando condolências. A escolha do papa argentino, nascido Jorge Mario Bergoglio, como o primeiro pontífice latino-americano em 2013, trouxe uma nova perspectiva à Igreja, com foco em inclusão, diálogo inter-religioso e cuidado com o meio ambiente. Sua passagem pelo Vaticano foi marcada por reformas significativas, como a abertura do sínodo para a participação de mulheres e leigos, e por gestos de proximidade com comunidades marginalizadas, incluindo sua defesa de migrantes e pessoas em situação de vulnerabilidade.
- Encontro no Vaticano: Charles e Camilla se reuniram com Francisco em 9 de abril de 2025, após adiamento devido à saúde do papa.
- Internação prolongada: Francisco passou 38 dias internado por pneumonia, recebendo alta em 23 de março.
- Legado de Francisco: Primeiro papa latino-americano, promoveu reformas e diálogo com outras religiões.
- Relação histórica: Charles encontrou Francisco em 2017 e 2019, antes de se tornar rei.

Contexto da visita real ao Vaticano
A visita de Charles III e Camilla ao Vaticano em abril de 2025 ocorreu em um momento delicado para ambos os líderes. Francisco, ainda convalescente, surpreendeu ao insistir no encontro, que durou cerca de 20 minutos e foi descrito como um gesto de afeto e respeito mútuo. O papa, mesmo debilitado, demonstrou disposição ao receber o casal real em uma audiência privada, um evento que não estava inicialmente previsto devido às recomendações médicas de repouso. A reunião coincidiu com a celebração dos 20 anos de casamento de Charles e Camilla, e o pontífice fez questão de destacar a data, parabenizando o casal em um tom descontraído. O Palácio de Buckingham destacou a satisfação do rei e da rainha por terem podido expressar pessoalmente seus votos de recuperação ao papa, que enfrentava desafios de saúde desde fevereiro.
A viagem do casal real à Itália, entre 7 e 10 de abril, fazia parte de uma agenda diplomática para fortalecer os laços do Reino Unido com a Europa após o Brexit. Além do encontro com Francisco, Charles e Camilla participaram de compromissos oficiais em Roma, incluindo uma missa na Capela Sistina com foco na preservação ambiental, tema caro tanto ao monarca quanto ao papa. A agenda também incluiu reuniões com o presidente italiano, Sergio Mattarella, e a primeira-ministra, Giorgia Meloni, reforçando a relação bilateral entre os dois países. A decisão de Francisco de manter o encontro, apesar de sua condição, foi vista como um reflexo de sua determinação em promover o diálogo ecumênico e a cooperação internacional.
A saúde de Francisco vinha sendo motivo de preocupação desde sua internação em 14 de fevereiro de 2025, quando foi diagnosticado com uma infecção respiratória grave. Durante o período no hospital, o pontífice enfrentou complicações, incluindo uma crise respiratória que exigiu ventilação mecânica e transfusão de sangue devido a anemia. Apesar de sua alta em 23 de março, ele permaneceu com atividades reduzidas, delegando a leitura de sua homilia pascal ao cardeal Angelo Comastri durante a Missa de Páscoa, em 20 de abril. A breve aparição na varanda da Basílica de São Pedro, onde deu a bênção Urbi et Orbi, foi sua última antes da morte, causada por um acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.
O legado de Francisco e a reação de Charles III
Jorge Mario Bergoglio, eleito papa em 13 de março de 2013, marcou a história da Igreja Católica como o primeiro jesuíta e latino-americano a ocupar o cargo. Seu pontificado foi caracterizado por uma abordagem inclusiva, com ênfase na misericórdia, na justiça social e no combate às desigualdades. Francisco também se destacou por sua defesa do meio ambiente, expressa na encíclica Laudato Si’, que inspirou líderes globais, incluindo Charles III, conhecido por seu engajamento em causas ambientais. A nota de Charles destacou essa conexão, elogiando a crença de Francisco de que o cuidado com a criação é uma expressão de fé, um princípio que ressoou em diversas culturas e religiões.
A homenagem do rei britânico foi uma das mais detalhadas entre as manifestações de líderes mundiais. Em sua nota, Charles descreveu Francisco como um líder cuja compaixão e compromisso com a unidade da Igreja deixaram um impacto duradouro. Ele também expressou gratidão pelos encontros ao longo dos anos, especialmente o de abril de 2025, que reforçou a admiração mútua entre os dois. A relação entre a Coroa britânica e o Vaticano, embora marcada por diferenças históricas, foi fortalecida por gestos como a visita da rainha Elizabeth II a Francisco em 2014 e a presença do cardeal Pietro Parolin, representando o papa, na coroação de Charles em 2023.
A morte de Francisco também gerou reações de outros líderes. O presidente da Argentina, Javier Milei, expressou tristeza pela perda de seu compatriota, destacando sua bondade e sabedoria. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, elogiou a humildade do papa, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, lembrou sua mensagem de esperança e união. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump publicou uma breve mensagem desejando paz ao pontífice, e o vice-presidente JD Vance, que se encontrou com Francisco recentemente, descreveu-o como visivelmente debilitado em seus últimos dias.
- Reformas de Francisco: Permitiu a participação de mulheres e leigos no sínodo de 2023.
- Diálogo inter-religioso: Promoveu encontros com líderes de outras religiões, como muçulmanos e judeus.
- Encíclica ambiental: Laudato Si’ influenciou políticas globais de sustentabilidade.
- Inclusão social: Defendeu migrantes, pobres e minorias, como mulheres transexuais.
Cronologia dos últimos meses de Francisco
Os últimos meses de vida do papa Francisco foram marcados por desafios de saúde que limitaram suas atividades, mas não sua determinação em cumprir seu papel. A seguir, um resumo dos principais eventos que precederam sua morte:
- 14 de fevereiro de 2025: Francisco é internado no hospital Gemelli com uma infecção respiratória grave.
- 22 de fevereiro de 2025: Crise respiratória exige ventilação mecânica e transfusão de sangue.
- 23 de março de 2025: Alta hospitalar após 38 dias, com recomendações de repouso.
- 9 de abril de 2025: Encontro com Charles III e Camilla no Vaticano, apesar da saúde fragilizada.
- 20 de abril de 2025: Aparece na Basílica de São Pedro para a bênção Urbi et Orbi, sua última aparição pública.
- 21 de abril de 2025: Morre às 2h35 (horário de Brasília) devido a um AVC e insuficiência cardíaca.
Impacto global da morte de Francisco
A notícia da morte de Francisco, anunciada pelo cardeal Kevin Farrell, camerlengo da Igreja, reverberou imediatamente pelo mundo. Na Praça de São Pedro, o sino da Basílica tocou em sinal de luto, enquanto turistas e peregrinos expressavam choque e tristeza. O funeral, previsto para ocorrer entre 25 e 27 de abril, será um evento de grande simbolismo, com a presença de chefes de Estado, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Francisco quebrou tradições ao determinar que seu sepultamento ocorrerá na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, e não na cripta vaticana, uma decisão que reflete sua simplicidade e devoção à Virgem Maria.
O pontificado de Francisco foi um marco para a Igreja Católica, com iniciativas que aproximaram a instituição dos fiéis e de outras religiões. Sua ênfase na periferias existenciais, como ele mesmo descrevia, inspirou mudanças na forma como a Igreja aborda questões sociais e espirituais. A abertura para o diálogo com o Islã, o Judaísmo e outras tradições foi um dos pilares de seu legado, assim como sua crítica ao consumismo e à indiferença perante os mais pobres. A mensagem de Francisco durante a Páscoa de 2025, pedindo um cessar-fogo em Gaza e condenando o antissemitismo, foi um de seus últimos apelos por paz.
Charles III, em sua nota, reconheceu a capacidade de Francisco de tocar a vida de milhões com sua mensagem de compaixão. O monarca, que também enfrenta desafios de saúde devido a um tratamento contra o câncer, demonstrou empatia ao destacar a dedicação do papa mesmo em seus momentos finais. A relação entre os dois líderes, construída em encontros marcados por respeito e diálogo, simboliza a possibilidade de cooperação entre diferentes tradições cristãs em um mundo cada vez mais dividido.
Ritos e preparativos no Vaticano
Após a morte de Francisco, o Vaticano iniciou uma série de ritos tradicionais para marcar a transição para a sede vacante, período em que a Igreja Católica fica sem um papa. O cardeal Kevin Farrell presidiu o rito de constatação da morte, seguido pela preparação do corpo para o funeral. O corpo de Francisco será exposto na Basílica de São Pedro a partir de 23 de abril, permitindo que fiéis se despeçam. O funeral, conduzido pelo decano do Colégio dos Cardeais, Giovanni Battista Re, deverá atrair milhares de pessoas à Praça de São Pedro.
A escolha de Francisco por um funeral simplificado, aprovada por ele em 2024, reflete sua visão de uma Igreja mais humilde. O uso de um único caixão de madeira, em vez dos tradicionais três, e a designação de Santa Maria Maggiore como local de sepultamento são exemplos dessa abordagem. Durante os nove dias de luto, conhecidos como novendiali, missas serão celebradas em memória do papa, enquanto o Colégio dos Cardeais se prepara para o conclave que elegerá o próximo pontífice.
A administração da Santa Sé, sob a responsabilidade do camerlengo, garantirá a continuidade das operações do Vaticano durante esse período. O conclave, previsto para começar cerca de 15 dias após o funeral, reunirá cardeais de todo o mundo na Capela Sistina para escolher o sucessor de Francisco. A eleição, conduzida em segredo, é um dos momentos mais significativos da tradição católica, e a expectativa é de que o próximo papa continue as reformas iniciadas por Bergoglio.
- Ritos fúnebres: Constatação da morte, exposição do corpo e funeral entre 25 e 27 de abril.
- Sede vacante: Período sem papa, gerenciado pelo cardeal camerlengo Kevin Farrell.
- Conclave: Eleição do novo papa na Capela Sistina, prevista para maio de 2025.
- Sepultamento: Francisco será enterrado na Basílica de Santa Maria Maggiore, quebrando tradição.
Homenagens de líderes mundiais
Além de Charles III, outros líderes expressaram condolências que destacaram diferentes facetas do pontificado de Francisco. O secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu-o como um símbolo de compaixão e serviço, especialmente para os marginalizados. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que Francisco foi um dos líderes mais transcendentais de seu tempo, enquanto o ex-presidente boliviano Evo Morales o elogiou como defensor dos direitos humanos e da justiça. O presidente russo, Vladimir Putin, destacou a autoridade internacional de Francisco e sua contribuição para o diálogo entre a Igreja Católica e a Ortodoxa Russa.
Na América Latina, a morte de Francisco teve um impacto particular, dado seu status como primeiro papa da região. A ex-presidente argentina Cristina Kirchner lembrou seus sete encontros com Bergoglio, incluindo momentos no Brasil e em Cuba. No Brasil, a participação de Francisco na Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro, foi lembrada como um marco de sua proximidade com os jovens. O Documento de Aparecida, redigido por Bergoglio em 2007, também foi citado como um guia para a Igreja latino-americana, com foco na missão evangelizadora.
A mensagem de Charles III, no entanto, destacou-se pelo tom pessoal e pela ênfase na conexão espiritual entre os dois líderes. O rei, que assumiu o papel de governador supremo da Igreja da Inglaterra, encontrou em Francisco um parceiro para discussões sobre fé, meio ambiente e unidade cristã. A nota do Palácio de Buckingham reforçou a ideia de que o legado de Francisco continuará a inspirar ações em prol do bem comum, independentemente de fronteiras religiosas ou políticas.