Brasil

Caso do ovo de Páscoa envenenado: vingança deixa dois mortos e mãe internada no Maranhão

Mãe e irmã de menino de 7 anos que morreu após comer ovo de Páscoa
Mãe e irmã de menino de 7 anos que morreu após comer ovo de Páscoa - Foto: Reprodução/TV Mirante Mãe e irmã de menino de 7 anos que morreu após comer ovo de Páscoa - Foto: Reprodução/TV Mirante

Uma tragédia abalou a cidade de Imperatriz, no sudoeste do Maranhão, após um ovo de Páscoa supostamente envenenado ser entregue a uma família, resultando na morte de duas crianças e na internação grave de sua mãe. O caso, que chocou a população local, teve como motivação ciúmes e vingança, segundo investigações da Polícia Civil. A suspeita, identificada como Jordélia Pereira Barbosa, de 35 anos, foi presa e teria agido por inconformismo com o relacionamento de seu ex-marido com a vítima, Mirian Lira, de 32 anos. O crime, planejado com detalhes, envolveu disfarces, identidades falsas e uma viagem de mais de 380 quilômetros para executar o plano.

Mirian Lira, mãe das vítimas, estava internada em estado grave até ser extubada no último domingo, dia 20 de abril. Ela perdeu seus dois filhos, Luís Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evelyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos, que morreram após consumirem o chocolate. A adolescente faleceu cinco dias após o irmão, vítima de choque vascular e falência de múltiplos órgãos. A mãe, agora em recuperação na enfermaria, foi liberada para acompanhar o velório e o enterro da filha, mas precisou ser sedada ao receber a notícia das mortes.

O caso ganhou repercussão nacional devido à crueldade do crime e às circunstâncias que o cercam. A suspeita, que nega ter colocado veneno no chocolate, mas admite tê-lo comprado, enfrenta acusações de duplo homicídio qualificado, tentativa de homicídio e falsidade ideológica. A Polícia Civil segue investigando para identificar a substância usada no envenenamento e confirmar se houve outros envolvidos.

Contexto do crime

A história por trás do crime remonta a um relacionamento amoroso marcado por ciúmes. Mirian Lira e o ex-marido de Jordélia Pereira Barbosa, cujo nome não foi divulgado, tiveram um namoro na adolescência, em Santa Inês, cidade onde ambos residiam. O relacionamento terminou, e Mirian mudou-se para Imperatriz, onde construiu sua vida e teve dois filhos, Luís Fernando e Evelyn Fernanda, com outro parceiro. Esse relacionamento também chegou ao fim em dezembro do ano passado.

Jordélia Pereira Barbosa,
Jordélia Pereira Barbosa,

Enquanto isso, o ex-namorado de Mirian permaneceu em Santa Inês, onde se casou com Jordélia e teve dois filhos com ela. O casamento, no entanto, terminou há dois anos, e, em janeiro deste ano, Mirian e seu antigo namorado retomaram o contato. O novo relacionamento, mantido à distância por chamadas telefônicas, reacendeu o ciúme de Jordélia, que, segundo a polícia, planejou o crime como forma de vingança contra a atual companheira de seu ex-marido.

O último encontro presencial entre Mirian e seu namorado ocorreu há mais de um mês, o que reforça a tese de que o crime foi motivado por ressentimentos antigos e não por um conflito imediato. A Polícia Civil destaca que a suspeita agiu com premeditação, elaborando um plano que envolveu disfarces, deslocamento entre cidades e a manipulação de um presente aparentemente inofensivo: um ovo de Páscoa.

Planejamento meticuloso do crime

Jordélia Pereira Barbosa demonstrou cuidado extremo ao executar o crime. Ela viajou de Santa Inês para Imperatriz, uma distância de aproximadamente 384 quilômetros, na madrugada de 16 de abril. A viagem, feita em um ônibus intermunicipal, teve como objetivo entregar o ovo de Páscoa à família de Mirian Lira. Para evitar ser reconhecida, a suspeita usou disfarces, como perucas e óculos escuros, ao comprar o chocolate em uma loja local.

Além disso, Jordélia se hospedou em um hotel em Imperatriz usando uma identidade falsa. Apresentando-se como Gabrielle Barcelli, ela alegou ser uma mulher trans em processo de regularização de documentos para justificar a ausência de identificação oficial. A suspeita também apresentou um crachá falso, com erros de grafia, que indicava sua suposta profissão na área de gastronomia.

  • Compra disfarçada: Jordélia foi flagrada por câmeras de segurança comprando o ovo de Páscoa em uma loja de Imperatriz, usando uma peruca preta e óculos escuros.
  • Hospedagem com identidade falsa: No hotel, ela usou o nome Gabrielle Barcelli e apresentou um crachá falso para evitar identificação.
  • Entrega planejada: O chocolate foi entregue por um motoboy, acompanhado de um bilhete com a mensagem “Com amor, para Mirian Lira. Feliz Páscoa”.
  • Degustação falsa: Jordélia realizou uma suposta degustação de trufas próximo ao local de trabalho de Mirian, apresentando bilhetes falsos com elogios aos chocolates.

Impacto na família

A entrega do ovo de Páscoa, na noite de 16 de abril, marcou o início da tragédia. Mirian Lira recebeu o chocolate como um presente anônimo, acompanhado de um bilhete que parecia inofensivo. Após consumir o doce com seus filhos, Luís Fernando foi o primeiro a apresentar sintomas graves. O menino, de apenas 7 anos, relatou sentir-se “mole” e foi levado às pressas ao Hospital Municipal de Imperatriz. Apesar dos esforços médicos, ele não resistiu e faleceu na madrugada do dia 17 de abril.

Mirian, que inicialmente acompanhava o filho no hospital, começou a sentir sintomas de envenenamento, como mãos roxas e dificuldade para respirar. Ela foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu entubada por dias. Evelyn Fernanda, a filha de 13 anos, também foi internada com os mesmos sintomas, que evoluíram para um quadro gravíssimo. A adolescente morreu na segunda-feira, dia 22 de abril, após sofrer choque vascular e falência de múltiplos órgãos.

Mirian, única sobrevivente da família, foi extubada no dia 20 de abril e transferida para a enfermaria no dia seguinte. Apesar da melhora em seu quadro clínico, ela enfrenta o trauma emocional de ter perdido os dois filhos. A notícia das mortes foi comunicada à vítima, que precisou ser sedada devido ao impacto psicológico.

Investigações em andamento

A Polícia Civil do Maranhão agiu rapidamente para identificar a autora do crime. Com base em depoimentos, imagens de câmeras de segurança e comprovantes de compras, Jordélia Pereira Barbosa foi localizada e presa na tarde de 17 de abril, quando retornava a Santa Inês em um ônibus intermunicipal. A operação envolveu a Delegacia de Homicídios de Imperatriz e o Centro de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública.

Durante a prisão, a polícia apreendeu itens que reforçam a suspeita de premeditação. Entre os objetos encontrados estavam duas perucas (uma loira e uma preta), restos de chocolate armazenados em bolsas térmicas, bilhetes de passagens de ônibus e uma substância que pode ser veneno, encaminhada para análise pericial. Amostras do ovo de Páscoa consumido pela família também foram coletadas e enviadas ao Instituto de Criminalística, com resultados esperados em até 10 dias.

Jordélia, em depoimento, admitiu ter comprado o chocolate, mas nega ter adicionado qualquer substância tóxica. Apesar da negativa, a Polícia Civil afirma que os indícios apontam para sua autoria, destacando a motivação de ciúmes e vingança. A suspeita foi transferida para a Unidade Prisional de Ressocialização Feminina de São Luís, onde permanecerá durante as investigações.

Repercussão na comunidade

O caso do ovo de Páscoa envenenado gerou comoção em Imperatriz e em todo o Maranhão. A morte de duas crianças e o sofrimento de Mirian Lira mobilizaram a comunidade local, que se reuniu para prestar homenagens às vítimas. O velório de Luís Fernando ocorreu em uma igreja evangélica, seguido de seu sepultamento no Cemitério Bom Jesus. O velório de Evelyn Fernanda, por sua vez, foi realizado na Igreja Assembleia de Deus Mensageiro da Paz, com o enterro marcado para o dia 23 de abril.

Moradores de Santa Inês, onde Jordélia residia, expressaram surpresa com o envolvimento da suspeita no crime. Conhecida no ramo da beleza, ela mantinha um estúdio de estética em sua casa e era vista como uma profissional dedicada. Em redes sociais, com mais de 12 mil seguidores, Jordélia compartilhava mensagens de motivação e divulgava seu trabalho como esteticista, o que contrastava com a gravidade das acusações contra ela.

  • Perfil público: Jordélia era conhecida como esteticista e instrutora em cursos de estética, com um estúdio em casa.
  • Reação da comunidade: Vizinhos a descreviam como trabalhadora, mas relatos apontam um casamento conturbado com o ex-marido.
  • Luto coletivo: As cerimônias fúnebres das crianças reuniram familiares e moradores, que exigem justiça.

Cronologia dos acontecimentos

O caso se desenrolou em poucos dias, mas foi marcado por uma sequência de eventos que revelam a complexidade do crime. Abaixo, os principais momentos:

  • 14 de abril: Jordélia compra passagens de ônibus de Santa Inês para Imperatriz.
  • 16 de abril: A suspeita chega a Imperatriz, hospeda-se em um hotel com identidade falsa e compra o ovo de Páscoa disfarçada.
  • Noite de 16 de abril: O chocolate é entregue à família de Mirian Lira por um motoboy, com um bilhete.
  • Madrugada de 17 de abril: Luís Fernando morre após ser internado. Mirian e Evelyn apresentam sintomas graves.
  • Tarde de 17 de abril: Jordélia é presa ao retornar a Santa Inês.
  • 20 de abril: Mirian é extubada e transferida para a enfermaria.
  • 22 de abril: Evelyn Fernanda morre no hospital.
  • 23 de abril: Mirian recebe liberação para acompanhar o velório e enterro da filha.

Detalhes do crime

A elaboração do plano de Jordélia incluiu ações para despistar as autoridades. Além de usar disfarces e uma identidade falsa, ela realizou uma suposta degustação de trufas próximo ao local de trabalho de Mirian, possivelmente para se aproximar da vítima sem levantar suspeitas. Bilhetes falsos, com frases como “uma sensação incrível, uma explosão de sabor”, foram apresentados como se fossem de clientes satisfeitos, reforçando a fachada de uma profissional do ramo alimentício.

A entrega do ovo de Páscoa foi cuidadosamente planejada. O motoboy, que não tinha conhecimento do conteúdo, foi contratado para levar o chocolate à residência de Mirian. Após a entrega, uma ligação anônima foi feita à vítima, questionando se o presente havia sido recebido. Mirian, sem saber quem estava do outro lado da linha, perguntou pela identidade da pessoa, mas recebeu apenas a resposta enigmática: “Você vai saber quem é”.

A Polícia Civil investiga se Jordélia agiu sozinha ou contou com cúmplices. A análise dos materiais apreendidos, incluindo a substância encontrada em sua posse, será crucial para esclarecer a natureza do veneno utilizado. O caso também levanta questões sobre a segurança de alimentos entregues como presentes, especialmente em datas festivas como a Páscoa.

Estado de saúde de Mirian

Mirian Lira, única sobrevivente da tragédia, apresentou uma discreta melhora em seu quadro clínico nos últimos dias. Após dias entubada na UTI, ela foi transferida para a enfermaria e já consegue se comunicar, embora ainda não tenha plena mobilidade. O boletim médico mais recente, divulgado na terça-feira, dia 22 de abril, indica que ela responde bem ao tratamento e pode receber alta nas próximas 72 horas, caso a evolução continue.

A recuperação física, no entanto, contrasta com o impacto emocional sofrido por Mirian. A perda de seus dois filhos, comunicada enquanto ela ainda estava internada, exigiu cuidados adicionais da equipe médica. A sedação foi necessária para ajudá-la a lidar com o luto, e a liberação para acompanhar o velório de Evelyn Fernanda foi um momento de grande emoção para a família.

Aspectos legais

Jordélia Pereira Barbosa enfrenta acusações graves. Inicialmente detida em Santa Inês, ela teve sua prisão preventiva decretada no dia 18 de abril e foi transferida para a Unidade Prisional de Ressocialização Feminina de São Luís no dia 20. A Polícia Civil a indiciou por duplo homicídio qualificado, em razão das mortes de Luís Fernando e Evelyn Fernanda, além de tentativa de homicídio contra Mirian Lira e falsidade ideológica, devido ao uso de identidade falsa.

A Justiça do Maranhão mantém a suspeita sob custódia enquanto as investigações prosseguem. O laudo pericial, que analisará o ovo de Páscoa e o material biológico das vítimas, será determinante para confirmar a substância utilizada no crime. A polícia também busca esclarecer se houve outros envolvidos, embora, até o momento, Jordélia seja considerada a única responsável pelo planejamento e execução do crime.

Reações oficiais

Autoridades locais acompanharam o caso de perto. O governador do Maranhão, Carlos Brandão, manifestou solidariedade à família das vítimas e destacou que a Polícia Civil está comprometida em esclarecer o caso. A Secretaria de Segurança Pública reforçou a prioridade das investigações, que envolvem perícias detalhadas e o depoimento de testemunhas próximas às vítimas e à suspeita.

A delegada Alana Lima, em entrevista à TV Mirante, detalhou os esforços para montar o quebra-cabeça do crime. Segundo ela, a combinação de imagens de câmeras de segurança, depoimentos e evidências materiais foi essencial para a prisão rápida de Jordélia. A Polícia Civil também solicitou a análise de amostras de sangue das vítimas para identificar o tipo de veneno utilizado, um passo crucial para robustecer o inquérito.

Impacto social e prevenção

O caso trouxe à tona discussões sobre a segurança de presentes alimentícios e a necessidade de maior cautela com entregas anônimas. Em Imperatriz, a tragédia gerou debates sobre como evitar situações semelhantes, especialmente em datas festivas, quando a troca de chocolates e outros itens é comum. A população local passou a questionar a procedência de alimentos recebidos, e comerciantes do setor de confeitaria relataram um aumento na demanda por informações sobre a origem dos produtos.

Organizações comunitárias e líderes religiosos, que acompanharam os velórios das crianças, pediram justiça e apoio psicológico para Mirian Lira e outros familiares afetados. A tragédia também reacendeu o debate sobre os impactos de conflitos amorosos mal resolvidos, que, em casos extremos, podem levar a atos de violência com consequências devastadoras.

Perfil da suspeita

Jordélia Pereira Barbosa, de 35 anos, era uma figura conhecida em Santa Inês. Mãe de dois filhos, frutos de seu casamento com o ex-marido que hoje namora Mirian, ela construiu uma carreira no ramo da beleza. Seu estúdio de estética, localizado em sua residência, atendia clientes da região, e ela atuava como instrutora em cursos profissionalizantes desde 2019. Em suas redes sociais, Jordélia compartilhava conteúdos sobre estética facial e corporal, além de mensagens motivacionais, projetando uma imagem de superação e sucesso profissional.

No entanto, relatos de vizinhos e conhecidos apontam que seu casamento com o ex-marido foi marcado por conflitos. Frequentadores de uma igreja evangélica, onde o casal participava de cultos, descreveram brigas frequentes, algumas ocorridas em público. Esses episódios sugerem que o término do relacionamento deixou mágoas profundas, que podem ter contribuído para a motivação do crime.

Legado da tragédia

A morte de Luís Fernando e Evelyn Fernanda deixou uma marca indelével em Imperatriz. A comunidade, ainda em luto, busca formas de apoiar Mirian Lira em sua recuperação. Grupos de voluntários organizaram arrecadações para ajudar a família, que enfrenta não apenas a perda emocional, mas também desafios financeiros devido à internação prolongada.

O caso também serve como um alerta sobre os perigos de vinganças pessoais e a importância de resolver conflitos de forma pacífica. Enquanto a Justiça segue seu curso, a história de Mirian e seus filhos permanece como um lembrete da fragilidade da vida e das consequências devastadoras de atos movidos por ciúmes e ressentimento.

Medidas em investigação

A Polícia Civil continua aprofundando as investigações para esclarecer todos os detalhes do crime. Além da análise pericial, os investigadores estão ouvindo testemunhas próximas à família de Mirian e à suspeita. O depoimento do namorado de Mirian, que também é ex-marido de Jordélia, foi fundamental para direcionar as suspeitas, mas outros familiares e conhecidos estão sendo chamados para prestar esclarecimentos.

A possibilidade de envolvimento de terceiros ainda não foi descartada, embora a polícia acredite que Jordélia tenha agido sozinha na execução do plano. A análise do material apreendido, incluindo a substância suspeita de ser veneno, será essencial para confirmar a forma como o chocolate foi contaminado. Até que os laudos sejam concluídos, o caso permanece sob sigilo para não comprometer as investigações.

  • Análise pericial: Amostras do ovo de Páscoa e do material biológico das vítimas estão sendo examinadas.
  • Depoimentos: Familiares, o motoboy e pessoas próximas à suspeita estão sendo ouvidos.
  • Substância suspeita: A substância encontrada com Jordélia pode ser a chave para identificar o veneno utilizado.
To Top