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Onça-pintada capturada após ataque fatal a caseiro em Aquidauana é levada ao Cras para exames

Jorge Avalo
Jorge Avalo - Foto: Reprodução/Redes Sociais Jorge Avalo - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Na madrugada de 24 de abril, a Polícia Militar Ambiental (PMA) capturou uma onça-pintada macho de 94 quilos em um pesqueiro na região de Touro Morto, às margens do rio Miranda, em Aquidauana, Mato Grosso do Sul. O animal rondava o local onde Jorge Avalo, caseiro de 60 anos, foi atacado e morto na manhã de 21 de abril. Encaminhado ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) em Campo Grande, o felino passará por exames para determinar se foi o responsável pela tragédia que chocou a comunidade pantaneira. A operação, determinada pelo governo estadual, envolveu mais de dez armadilhas e contou com a participação de especialistas, incluindo o pesquisador Gediendson Ribeiro de Araújo, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O caso, considerado raro por especialistas, levanta debates sobre a coexistência entre humanos e onças-pintadas no Pantanal, um dos biomas mais preservados do planeta. Enquanto a investigação avança, o Cras foi isolado para garantir a segurança durante o manejo do animal, e a comunidade local permanece em luto pela perda de Avalo, conhecido como “Jorginho” e descrito como uma figura respeitada na região.

O ataque a Jorge Avalo ocorreu em um pesqueiro particular, em uma área de difícil acesso, a cerca de 150 quilômetros de Miranda. A denúncia foi feita por um guia de pesca que, ao visitar o rancho para comprar mel, notou a ausência do caseiro e encontrou vestígios de sangue e pegadas de um felino de grande porte. As buscas, iniciadas na segunda-feira, envolveram equipes da PMA de Corumbá, Miranda e Aquidauana, além de familiares e moradores locais. Na terça-feira, partes do corpo de Avalo foram localizadas em uma mata fechada, a 300 metros do local do ataque, próximas a uma toca do animal. Durante o resgate, a onça retornou e atacou um dos policiais, ferindo-o levemente, o que intensificou os esforços para capturar o felino.

Vídeos gravados dias antes da tragédia mostram que Avalo já alertava sobre a presença de onças na região. Em um registro, ele aparece ao lado de um conhecido, apontando rastros de dois felinos e comentando sobre uma possível disputa territorial. A captura do animal, realizada com armadilhas estrategicamente posicionadas, marca o desfecho de uma operação que mobilizou helicópteros, drones e embarcações devido à localização remota do pesqueiro. A perícia confirmou que o ataque foi causado por uma onça-pintada, com marcas de mordidas e garras no corpo da vítima.

A comunidade de Touro Morto, onde Avalo trabalhava há cerca de 20 anos, ainda tenta compreender a tragédia. Conhecido por sua personalidade solitária e destemida, o caseiro era uma figura querida, frequentemente relatando avistamentos de onças sem nunca ter sido ameaçado. O incidente, descrito como uma fatalidade rara, reacende discussões sobre a segurança de trabalhadores em áreas isoladas do Pantanal e a necessidade de protocolos para minimizar conflitos com a fauna silvestre.

Fatos marcantes do caso

O ataque a Jorge Avalo e a subsequente captura da onça-pintada destacam a complexidade da convivência com predadores no Pantanal. Abaixo, os principais pontos do incidente:

  • Localização remota: O pesqueiro fica a 150 km de Miranda, acessível apenas por barco ou aeronave.
  • Raridade do ataque: Especialistas afirmam que onças-pintadas raramente atacam humanos.
  • Mobilização intensa: A operação envolveu PMA, UFMS, helicópteros, drones e armadilhas.
  • Comportamento do felino: A onça retornou ao local e atacou um policial durante as buscas.
  • Destino do animal: O felino de 94 kg está isolado no Cras para exames e manejo.

Um ataque inesperado no coração do Pantanal

Jorge Avalo, conhecido como “Jorginho”, trabalhava como caseiro em um pesqueiro particular na confluência dos rios Miranda e Aquidauana, uma área conhecida pela rica biodiversidade e pela presença de onças-pintadas. Na manhã de 21 de abril, por volta das 5h30, ele foi atacado enquanto preparava café no deck do rancho. Vestígios encontrados no local, como rastros de sangue e pegadas, indicam que o felino invadiu a estrutura de madeira e perseguiu Avalo, que tentou fugir, mas foi alcançado. A ausência de câmeras de segurança funcionando no momento do ataque dificultou a reconstrução exata dos eventos, mas a perícia confirmou a violência do encontro, com partes do corpo da vítima encontradas espalhadas em uma mata próxima.

A denúncia partiu de um guia de pesca que, ao chegar ao rancho para comprar mel, estranhou a ausência de Avalo. Ele encontrou sangue no deck, objetos pessoais, como o celular do caseiro, e marcas de um animal de grande porte. Rapidamente, a PMA foi acionada, iniciando uma operação que exigiu logística complexa devido ao acesso limitado da região. Helicópteros e drones foram usados para mapear a área, enquanto embarcações transportaram equipes de Corumbá, Miranda e Aquidauana. A participação de familiares, incluindo o cunhado de Avalo, Valmir de Araújo, foi crucial para localizar o corpo, encontrado a 300 metros do pesqueiro, em uma toca do felino.

O comportamento agressivo da onça durante as buscas, incluindo o ataque a um policial, levantou hipóteses sobre as causas do incidente. Especialistas sugerem que a escassez de presas, o período reprodutivo do macho ou uma atitude involuntária da vítima podem ter desencadeado o ataque. O Pantanal, embora seja um habitat natural para onças-pintadas, enfrenta desafios como desmatamento e mudanças climáticas, que podem reduzir a disponibilidade de alimento e forçar os felinos a se aproximarem de áreas habitadas. A captura do animal, realizada com armadilhas e monitoramento constante, visa esclarecer se ele apresenta condições fisiológicas anormais que expliquem sua agressividade.

A captura da onça-pintada

A operação para capturar a onça-pintada começou logo após a confirmação da morte de Avalo. Determinada pelo governo de Mato Grosso do Sul, a ação envolveu a PMA, com apoio de dez policiais, e o pesquisador Gediendson Ribeiro de Araújo, especialista em manejo de onças-pintadas. Mais de dez armadilhas foram instaladas ao redor do pesqueiro, aproveitando o comportamento territorialista do felino, que tende a retornar ao local de suas caças. Na madrugada de 24 de abril, o animal, um macho de 94 quilos, foi capturado e imediatamente transportado ao Cras em Campo Grande, onde ficará isolado para exames veterinários.

O Cras, referência no tratamento de animais silvestres, foi fechado para visitações durante o manejo do felino, garantindo segurança e privacidade. Os exames buscam identificar se a onça apresenta problemas de saúde, como doenças ou lesões, que possam ter contribuído para o comportamento atípico. A captura foi celebrada como um sucesso pela PMA, mas também gerou debates. Enquanto alguns moradores defendem a preservação do animal, outros pedem medidas mais drásticas, como sua remoção permanente da região, temendo novos ataques. Biólogos, no entanto, reforçam que a onça-pintada é uma espécie protegida e que incidentes como esse são excepcionais.

Quem era Jorge Avalo

Jorge Avalo, carinhosamente chamado de “Jorginho”, era uma figura conhecida na comunidade de Touro Morto. Aos 60 anos, trabalhava como caseiro no pesqueiro há cerca de duas décadas, vivendo de forma solitária, mas mantendo boas relações com pescadores e moradores locais. Descrito como destemido, ele frequentemente compartilhava vídeos e relatos sobre a presença de onças na região, sem demonstrar medo. Um vídeo gravado uma semana antes de sua morte mostra Avalo apontando rastros de duas onças próximas ao rancho, enquanto um amigo brincava, dizendo que o felino poderia atacá-lo. Avalo, com bom humor, respondia: “Não vai comer, não!”.

Pai de dois filhos, Avalo foi sepultado em Anastácio, cidade vizinha a Aquidauana, na tarde de 23 de abril, em um caixão fechado e sem velório, devido ao estado do corpo. A família, abalada, recebeu apoio da comunidade, que lamentou a perda de um homem respeitado por sua simplicidade e coragem. Seu cunhado, Valmir de Araújo, desempenhou um papel central nas buscas, localizando o corpo com a ajuda de um irmão e de um militar. A história de Avalo, marcada por sua conexão com o Pantanal, destaca os riscos enfrentados por trabalhadores em áreas remotas, onde a natureza ainda reina soberana.

Raridade do incidente

Ataques de onças-pintadas a humanos são extremamente raros, segundo especialistas em conservação. O biólogo Gustavo Figueroa, da ONG SOS Pantanal, explica que os felinos tendem a evitar contato com pessoas, preferindo presas naturais, como capivaras, jacarés e cervos. Estudos sobre a dieta das onças no Pantanal, conduzidos por instituições como a UFMS, confirmam que humanos não fazem parte de seu cardápio. O médico veterinário Diego Viana, especialista em felinos, reforça que incidentes ocorrem apenas quando protocolos de segurança são ignorados ou em situações excepcionais, como estresse ambiental ou problemas de saúde do animal.

No caso de Avalo, hipóteses levantadas incluem a escassez de presas na região, possivelmente agravada por mudanças climáticas e incêndios recentes, que reduzem a disponibilidade de alimento. O período reprodutivo, quando machos se tornam mais agressivos, também é considerado. Outra possibilidade é que uma atitude involuntária de Avalo, como uma tentativa de afugentar o felino, tenha desencadeado uma reação defensiva. Apesar da gravidade do incidente, especialistas pedem cautela para evitar retaliações contra a espécie, que desempenha um papel crucial no equilíbrio do ecossistema pantaneiro.

Impacto na comunidade local

A morte de Jorge Avalo abalou a comunidade de Touro Morto, uma região marcada pela convivência próxima com a fauna selvagem. Pescadores e ribeirinhos relatam que a presença de onças é comum, mas ataques a humanos são praticamente inéditos. Vídeos recentes, enviados por Valmir de Araújo, mostram que outros felinos continuam rondando o pesqueiro, com um deles invadindo uma sala onde Avalo limpava peixes, rasgando uma tela de ferro e derrubando uma pia. Esses registros intensificaram o temor entre os moradores, que agora questionam a segurança de trabalhar em áreas isoladas.

A captura da onça trouxe alívio parcial, mas também gerou divisões. Enquanto alguns defendem a preservação do felino, destacando sua importância ecológica, outros pedem medidas mais rigorosas, como a remoção de todos os animais da região. A PMA, por sua vez, optou por não capturar outras onças avistadas nas proximidades, a menos que representem uma ameaça direta. A decisão reflete a política de conservação do estado, que busca equilibrar a segurança humana com a proteção de espécies ameaçadas, como a onça-pintada, listada como vulnerável pelo ICMBio.

A tragédia também reacendeu debates sobre o suporte a trabalhadores rurais em áreas remotas. Muitos, como Avalo, vivem sozinhos em ranchos e pesqueiros, sem acesso imediato a ajuda ou sistemas de monitoramento eficazes. A ausência de câmeras de segurança funcionando no pesqueiro, por exemplo, dificultou a investigação inicial. Moradores pedem maior investimento em tecnologias, como sensores de movimento e alarmes, para prevenir incidentes semelhantes, além de treinamentos sobre como agir em encontros com animais selvagens.

Esforços de conservação no Pantanal

A captura da onça-pintada e sua transferência para o Cras refletem o compromisso do Mato Grosso do Sul com a conservação da fauna silvestre. O Pantanal, que abriga a maior população de onças-pintadas do mundo, com cerca de 15 mil indivíduos, é um hotspot de biodiversidade, mas enfrenta pressões como desmatamento, queimadas e expansão agropecuária. Programas como o Felinos Pantaneiros, mantido pelo Instituto Homem Pantaneiro, promahashi orientações para minimizar conflitos entre humanos e felinos, enfatizando a importância de evitar contato direto e respeitar o habitat natural dos animais.

O Cras de Campo Grande, onde a onça está sendo examinada, é um centro de referência na reabilitação de animais silvestres, recebendo cerca de 1.200 animais por ano, incluindo aves, répteis e mamíferos. A decisão de isolar o local durante o manejo do felino demonstra o cuidado com a segurança pública e a saúde do animal. Caso os exames revelem problemas fisiológicos, como doenças ou lesões, a onça poderá ser tratada e, se possível, reintroduzida em uma área menos habitada. Se for considerada um risco permanente, outras medidas, como mantê-la em cativeiro, serão avaliadas.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) coordena as ações, trabalhando em parceria com a PMA e a UFMS. A operação de captura, que envolveu armadilhas e monitoramento 24 horas, foi elogiada por sua eficiência, mas também destacou a necessidade de investimentos contínuos em pesquisa e monitoramento. Projetos como a Plataforma SALVE, mantida pelo ICMBio, fornecem dados atualizados sobre a população de onças-pintadas, ajudando a mapear áreas de maior risco de conflitos.

Cronograma da operação

As ações relacionadas ao ataque e à captura da onça-pintada seguiram um cronograma intenso, marcado por desafios logísticos e emoção. Abaixo, os principais marcos:

  • 21 de abril: Jorge Avalo é atacado e morto no pesqueiro Touro Morto; PMA inicia buscas.
  • 22 de abril: Partes do corpo são encontradas; onça ataca policial durante resgate.
  • 23 de abril: Sepultamento de Avalo em Anastácio; buscas pelo felino continuam.
  • 24 de abril: Onça de 94 kg é capturada e transferida ao Cras em Campo Grande.
  • Próximos 10 dias: Laudo pericial e exames veterinários devem esclarecer detalhes do caso.

Desafios de coexistência no Pantanal

Viver no Pantanal exige uma relação de respeito com a natureza, mas incidentes como o de Avalo expõem os desafios dessa convivência. Onças-pintadas, como predadores de topo, desempenham um papel essencial no controle de populações de presas, contribuindo para o equilíbrio do ecossistema. No entanto, a proximidade com áreas habitadas aumenta o risco de encontros indesejados, especialmente em períodos de seca ou após queimadas, que reduzem a disponibilidade de alimento. Dados do ICMBio indicam que, entre 2000 e 2024, menos de cinco ataques fatais de onças a humanos foram registrados no Brasil, reforçando a raridade do caso.

Moradores do Pantanal, como pescadores e caseiros, frequentemente relatam avistamentos de onças, mas a maioria desses encontros termina sem incidentes. Avalo, por exemplo, convivia com a presença dos felinos há anos, enviando vídeos de rastros e comentando sobre sua rotina sem temor. A tragédia, portanto, pegou a comunidade de surpresa, levantando questões sobre como prevenir futuros acidentes. Especialistas recomendam medidas simples, como evitar deixar restos de comida expostos, instalar cercas reforçadas e usar dispositivos de alerta em áreas isoladas.

A captura da onça, embora bem-sucedida, não resolve o problema de forma definitiva. A PMA identificou outras quatro onças na região de Touro Morto, indicando que o pesqueiro está em uma área de alta densidade de felinos. A decisão de não capturar esses animais, a menos que representem uma ameaça, reflete a prioridade de preservar a espécie, mas também destaca a necessidade de estratégias de longo prazo, como corredores ecológicos e programas de educação ambiental para comunidades ribeirinhas.

Legado de Jorge Avalo

A história de Jorge Avalo, marcada por sua dedicação ao trabalho e sua conexão com o Pantanal, deixa um impacto profundo na comunidade de Aquidauana. Sua morte, embora trágica, serve como um lembrete da força da natureza e da necessidade de harmonizar a presença humana com a vida selvagem. A família de Avalo, que optou por um sepultamento discreto, recebeu condolências de moradores, pescadores e autoridades, que destacaram sua generosidade e coragem. O caso também inspirou reflexões sobre o valor dos trabalhadores rurais, muitas vezes expostos a riscos sem o devido reconhecimento.

A captura da onça-pintada, agora sob cuidados no Cras, marca o início de uma nova fase na investigação. Os resultados dos exames, esperados nos próximos dias, poderão esclarecer se o animal agiu por instinto, necessidade ou algum problema de saúde. Enquanto isso, a comunidade de Touro Morto tenta retomar a rotina, com um misto de luto e esperança de que medidas preventivas evitem novas tragédias. A memória de “Jorginho” permanece viva, como um símbolo da vida pantaneira, onde a beleza e os perigos da natureza caminham lado a lado.

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