A busca por um novo técnico no Corinthians ganhou novos capítulos com a dificuldade em fechar um acordo com Dorival Júnior, ex-treinador da Seleção Brasileira. Enquanto a diretoria mantém o foco no brasileiro, o nome de Roberto Mancini, renomado técnico italiano, emergiu como uma alternativa de peso. O clube vive um momento delicado, sem treinador desde a demissão de Ramón Díaz em 17 de abril, e precisa de uma solução rápida para liderar a equipe na Copa Sul-Americana, Brasileirão e Copa do Brasil. A pressão por resultados e a expectativa da torcida intensificam as movimentações nos bastidores do Parque São Jorge, com negociações que podem definir o rumo da temporada.
A situação com Dorival Júnior, inicialmente visto como o favorito, enfrenta entraves financeiros. O técnico, que deixou a Seleção Brasileira recentemente, demonstrou interesse no projeto corinthiano, mas a pedida salarial de seu estafe, que chegou a R$ 3 milhões mensais, surpreendeu a diretoria. Fabinho Soldado, executivo de futebol, lidera as tratativas com discrição, mas o alto custo e a demora nas conversas abriram espaço para outras opções. Roberto Mancini, com passagens marcantes por clubes como Manchester City e Inter de Milão, autorizou seus representantes a dialogarem com o Corinthians, trazendo um novo cenário para o clube.
Enquanto isso, o Corinthians enfrenta o Racing-URU pela Copa Sul-Americana, sob o comando interino de Orlando Ribeiro, técnico do sub-20. A necessidade de um treinador experiente é urgente, especialmente após a equipe somar apenas um ponto em dois jogos na competição continental. A diretoria, encabeçada pelo presidente Augusto Melo, trabalha contra o tempo para anunciar um nome antes do próximo compromisso, contra o Flamengo, pelo Brasileirão, no domingo.
- Dorival Júnior: Negociações avançadas, mas travadas por questões salariais.
- Roberto Mancini: Autorizou representantes a negociarem, com interesse em treinar no Brasil.
- Luís Castro: Cogitado, mas altos custos dificultam a contratação.
Por que Dorival Júnior segue como prioridade
Dorival Júnior, de 62 anos, é o plano A do Corinthians por sua vasta experiência no futebol brasileiro. Com passagens por clubes como Flamengo, São Paulo e Santos, ele conquistou a Copa Libertadores de 2022 e a Copa do Brasil no mesmo ano, comandando o rubro-negro carioca. Sua passagem pela Seleção Brasileira, embora breve, com 16 jogos e um aproveitamento de 56%, reforça seu currículo. O treinador é visto como ideal para gerenciar o elenco corinthiano, que inclui jogadores de peso como Memphis Depay e Yuri Alberto, e para corrigir problemas táticos, especialmente na defesa, que sofreu 12 gols nas últimas cinco partidas do Brasileirão.
As negociações com Dorival começaram logo após a demissão de Ramón Díaz, mas o contato inicial, feito por alguém próximo a Augusto Melo e não por Fabinho Soldado, gerou desconforto interno. Apesar disso, o treinador se reuniu com o executivo em Florianópolis, onde reside, e demonstrou entusiasmo com o projeto esportivo do clube. Uma nova reunião está marcada para esta quinta-feira, com a presença do empresário Edson Khodor, para discutir cláusulas financeiras e bônus. O Corinthians ofereceu um salário próximo ao pago a Ramón Díaz, cerca de R$ 1 milhão mensal, mas a contraproposta do estafe de Dorival, que inclui luvas e premiações, elevou os valores a patamares considerados inviáveis.
A resistência de parte da torcida também pesa contra Dorival. Críticas nas redes sociais apontam sua passagem irregular pelo São Paulo e a falta de títulos expressivos na Seleção Brasileira. Mesmo assim, a diretoria acredita que sua experiência e capacidade de gestão de vestiário são essenciais para o momento atual. Caso as tratativas não avancem, o clube já estuda alternativas para evitar um vácuo de comando, que poderia comprometer o desempenho nas competições em andamento.
Roberto Mancini: um nome de peso no radar
Roberto Mancini, de 60 anos, surge como uma opção inesperada e ambiciosa para o Corinthians. O italiano, conhecido por sua trajetória vitoriosa na Europa, autorizou seus representantes a iniciarem conversas com a diretoria alvinegra. Mancini esteve presente na Neo Química Arena durante o jogo contra o Racing-URU, acompanhado por César, ex-lateral do clube e pessoa próxima ao treinador. A possibilidade de treinar no Brasil, um mercado novo para ele, é vista com entusiasmo pelo técnico, que busca um desafio após sua saída da seleção da Arábia Saudita em outubro de 2024.
O currículo de Mancini impressiona. Ele conquistou a Premier League de 2011-12 com o Manchester City, encerrando um jejum de 44 anos do clube, além de três títulos do Campeonato Italiano com a Inter de Milão. Pela seleção italiana, levou o país ao título da Eurocopa de 2020, superando a Inglaterra na final. Sua passagem pela Arábia Saudita, com 18 jogos e um aproveitamento de 48%, foi menos brilhante, mas não diminui seu prestígio. No Corinthians, Mancini teria a missão de implantar um estilo de jogo disciplinado, com ênfase na organização defensiva e transições rápidas, algo que o time atual carece.
Apesar do interesse, a contratação de Mancini enfrenta obstáculos. Seu salário, estimado em cerca de R$ 2,5 milhões mensais no mercado europeu, está acima do orçamento corinthiano. Além disso, a adaptação ao futebol brasileiro, com suas particularidades táticas e pressão constante, seria um desafio para um treinador sem experiência no país. A diretoria, por enquanto, nega negociações oficiais, mas a presença de representantes do italiano na Arena indica que o nome está em avaliação.
- Títulos de Mancini: Premier League (2012), Serie A (2006, 2007, 2008), Eurocopa (2020).
- Estilo de jogo: Foco em organização defensiva e contra-ataques rápidos.
- Desafio: Adaptação ao futebol brasileiro e gestão de um elenco com estrelas.
Luís Castro e outras opções no mercado
Além de Dorival e Mancini, o Corinthians sondou Luís Castro, técnico português que passou pelo Botafogo em 2023. Castro, que deixou o Al-Nassr em 2024, é bem avaliado por sua capacidade de montar equipes ofensivas e por sua experiência internacional. No entanto, sua pedida salarial, na casa de R$ 2 milhões mensais, e questões burocráticas com seu ex-clube na Arábia Saudita dificultam o avanço. O Corinthians já havia tentado contratar Castro em 2022, mas ele optou pelo Botafogo, o que gerou críticas de parte da torcida à diretoria na época.
Outros nomes especulados incluem Fábio Carille, atualmente no Vasco, e Tite, que chegou a negociar com o clube, mas desistiu por questões de saúde mental. Carille, tricampeão paulista pelo Corinthians entre 2017 e 2019, é uma opção viável, com uma multa rescisória de R$ 500 mil, mas sua situação no Vasco, onde enfrenta pressão, ainda não está clara. Tite, por sua vez, era o favorito de Augusto Melo, mas sua recusa em assumir o comando, após uma crise de ansiedade, obrigou o clube a retomar as conversas com Dorival.
O mercado de treinadores disponíveis também inclui nomes como Jorge Sampaoli, que recusou o Santos recentemente, e Hernán Crespo, ex-São Paulo. No entanto, a preferência da diretoria é por um técnico com experiência em clubes grandes e capacidade de lidar com a pressão da torcida corinthiana, que lotou a Neo Química Arena em 2025, com mais de 600 mil torcedores em jogos oficiais até abril. A escolha do novo treinador será crucial para manter o apoio das arquibancadas e evitar protestos.
O impacto da indefinição no desempenho do time
A ausência de um treinador fixo já afeta o Corinthians em campo. Sob o comando interino de Orlando Ribeiro, a equipe venceu o Sport por 2 a 1 no Brasileirão, mas segue com desempenho irregular na Copa Sul-Americana, onde precisa de uma vitória contra o Racing-URU para se recuperar no Grupo C. A falta de consistência tática, com falhas na transição defensiva e pouca criatividade no ataque, tem sido criticada por jogadores como Memphis Depay, que apontou a necessidade de ajustes na estrutura do time.
Fabinho Soldado, responsável pelas negociações, adotou uma postura reservada para evitar vazamentos. Ele restringiu as conversas a um círculo reduzido, reportando-se diretamente a Augusto Melo. A estratégia visa proteger o clube de especulações, mas a demora na definição do treinador gera ansiedade entre os torcedores. A diretoria planeja anunciar o novo comandante antes do jogo contra o Flamengo, no Maracanã, mas a complexidade das negociações pode adiar a decisão.
A pressão por resultados é agravada pelo calendário apertado. Após o Racing, o Corinthians enfrenta o Flamengo pelo Brasileirão e, na sequência, o Novorizontino pela Copa do Brasil. Sem um técnico experiente, o risco de tropeços aumenta, especialmente em competições eliminatórias. A diretoria sabe que a escolha do novo treinador será um divisor de águas para a temporada, que ainda pode trazer títulos e uma vaga na Libertadores de 2026.
- Jogos próximos: Racing-URU (Sul-Americana), Flamengo (Brasileirão), Novorizontino (Copa do Brasil).
- Desafios táticos: Melhorar a defesa e aumentar a eficiência no ataque.
- Expectativa da torcida: Anúncio de um treinador antes do fim de abril.
Histórico de treinadores no Corinthians em 2025
O Corinthians vive um ano de instabilidade no comando técnico. Ramón Díaz, demitido em 17 de abril, assumiu o cargo em 2024 após a saída de António Oliveira. O argentino, que tinha contrato até dezembro de 2025, conquistou apenas 45% dos pontos no Brasileirão e foi eliminado na Copa do Brasil pelo Flamengo, o que precipitou sua saída. A passagem de Díaz foi marcada por críticas à falta de padrão tático, apesar de vitórias importantes, como o clássico contra o Palmeiras.
Antes de Díaz, António Oliveira enfrentou problemas semelhantes, com uma campanha irregular no Brasileirão de 2024. A rotatividade de treinadores reflete a pressão por resultados imediatos no clube, que não conquista um título nacional desde o Brasileirão de 2017, sob o comando de Fábio Carille. A diretoria espera que o próximo técnico traga estabilidade e um projeto de longo prazo, algo que Dorival Júnior e Roberto Mancini, cada um à sua maneira, poderiam oferecer.
A escolha do treinador também terá impacto financeiro. A rescisão com Ramón Díaz custou ao clube cerca de R$ 3 milhões, e a contratação de um nome como Mancini ou Dorival exigirá um investimento significativo. Augusto Melo já declarou que o clube está comprometido em equilibrar as finanças, mas não hesitará em buscar um treinador de peso para atender às expectativas da torcida.
Calendário e próximos passos do Corinthians
O Corinthians enfrenta um período decisivo nas próximas semanas, com jogos que testarão a capacidade do elenco e do comando técnico, seja interino ou definitivo. A diretoria trabalha para alinhar a chegada do novo treinador com os compromissos imediatos, mas a complexidade das negociações pode prolongar a indefinição.
- 24 de abril: Corinthians x Racing-URU (Copa Sul-Americana, Neo Química Arena).
- 27 de abril: Flamengo x Corinthians (Brasileirão, Maracanã).
- 1 de maio: Novorizontino x Corinthians (Copa do Brasil, terceira fase).
- 8 de maio: Corinthians x Nacional-PAR (Copa Sul-Americana, Neo Química Arena).
A partida contra o Racing é crucial para manter as chances de classificação na Sul-Americana, onde o Corinthians está em terceiro no Grupo C, com apenas um ponto. No Brasileirão, o time ocupa a 10ª posição após cinco rodadas, com duas vitórias, um empate e duas derrotas. A Copa do Brasil, por sua vez, representa uma oportunidade de título, mas exige consistência em jogos de ida e volta.
A torcida e o peso da Neo Química Arena
A torcida do Corinthians, conhecida por sua paixão e exigência, tem papel central na pressão por um novo treinador. Em 2025, a Neo Química Arena registrou uma média de 38 mil torcedores por jogo, com picos de 45 mil em clássicos. A presença massiva dos alvinegros reflete o apoio ao time, mas também a cobrança por resultados. Protestos recentes, como os realizados após a eliminação na Copa do Brasil de 2024, mostram que a paciência da Fiel está no limite.
A escolha entre Dorival Júnior, Roberto Mancini ou outro nome será avaliada não apenas pelo currículo, mas também pela capacidade de conquistar a torcida. Mancini, com seu prestígio internacional, poderia gerar entusiasmo inicial, mas precisaria de resultados rápidos para se consolidar. Dorival, por outro lado, é uma aposta em um treinador acostumado à pressão do futebol brasileiro, mas enfrenta resistência por parte dos torcedores.
A diretoria, ciente do impacto da decisão, mantém contato com líderes de torcidas organizadas, como a Gaviões da Fiel, para evitar atritos. A transparência nas negociações, porém, é limitada, com Fabinho Soldado priorizando a confidencialidade para proteger o clube de especulações. A expectativa é que o anúncio do novo treinador traga alívio e renove as esperanças para a sequência da temporada.
Estratégias para o futuro do Corinthians
A escolha do novo treinador é apenas uma parte do planejamento do Corinthians para 2025. Augusto Melo e Fabinho Soldado trabalham para reforçar o elenco, com foco em manter pilares como Memphis Depay, Yuri Alberto e Romero. A diretoria também busca soluções financeiras para quitar dívidas, como os R$ 40 milhões arrecadados pela campanha de doações para a Neo Química Arena, liderada pela Gaviões da Fiel.
O próximo treinador terá a missão de maximizar o potencial do elenco e implementar um estilo de jogo que combine com a identidade do clube. A defesa, que sofreu gols em 80% dos jogos do Brasileirão até abril, precisa de ajustes urgentes. No ataque, a dependência de Depay, que marcou cinco gols em 10 jogos, exige maior participação de outros jogadores, como Coronado e Romero.
O Corinthians também planeja investir nas categorias de base, com jovens como Nícollas, de 17 anos, que assinou contrato até 2027. A integração de promessas ao elenco principal será uma das responsabilidades do novo técnico, que precisará equilibrar experiência e juventude para construir um time competitivo.
Perspectivas para a Copa Sul-Americana
A Copa Sul-Americana é uma das prioridades do Corinthians em 2025. Após a eliminação precoce na Libertadores de 2024, a competição continental oferece uma chance de título e uma vaga na Libertadores de 2026. O grupo C, com Racing-URU, Nacional-PAR e Argentinos Juniors, é considerado acessível, mas o início irregular do Corinthians preocupa.
O novo treinador, seja Dorival, Mancini ou outro nome, terá pouco tempo para implantar suas ideias antes dos próximos jogos. A partida contra o Nacional-PAR, em 8 de maio, será um teste decisivo para as ambições do clube na competição. Uma vitória contra o Racing já nesta quinta-feira pode dar o impulso necessário para a equipe recuperar a confiança.
O Corinthians também precisa lidar com desfalques, como o meia Garro, que se recupera de lesão, e dúvidas no elenco, como a condição física de Yuri Alberto. A gestão do departamento médico será outro desafio para o treinador, que precisará manter o elenco em condições para o calendário intenso de maio.
O legado dos técnicos estrangeiros no Corinthians
A possibilidade de contratar Roberto Mancini reacende o debate sobre técnicos estrangeiros no Corinthians. O clube já teve experiências com treinadores de fora, como Ramón Díaz, que deixou o cargo com um aproveitamento de 45%, e Daniel Passarella, em 2005, cuja passagem foi marcada por conflitos internos. A chegada de um nome como Mancini seria um marco, dado seu prestígio e experiência em competições de alto nível.
No entanto, a adaptação ao futebol brasileiro é um obstáculo recorrente. Técnicos estrangeiros enfrentam dificuldades com a intensidade do calendário, a pressão da torcida e as diferenças táticas em relação ao futebol europeu. Mancini, com sua experiência em mercados como Inglaterra e Itália, teria que se ajustar rapidamente para atender às expectativas do Corinthians.
A diretoria, por sua vez, parece disposta a assumir o risco, desde que o investimento seja justificado por resultados. A comparação com Dorival Júnior, que conhece profundamente o futebol brasileiro, será inevitável caso Mancini seja o escolhido. A decisão final dependerá de fatores como orçamento, aceitação da torcida e a visão de longo prazo para o clube.