O falecimento de Papa Francisco, ocorrido na manhã de 21 de abril, aos 88 anos, desencadeou uma série de ritos e cerimônias cuidadosamente planejados pelo Vaticano. A morte do primeiro pontífice latino-americano, vítima de um acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca, mobilizou milhões de fiéis e líderes globais. Neste sábado, 26 de abril, a Praça de São Pedro será palco da Missa Exequial, às 5h (horário de Brasília), presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re. Após a celebração, o corpo do papa será levado em procissão até a Basílica de Santa Maria Maggiore, onde será sepultado, atendendo a seu desejo expresso em testamento. A cerimônia, marcada pela simplicidade, reflete os valores de humildade que Francisco defendeu ao longo de seu papado. Mais de 130 delegações estrangeiras, incluindo 50 chefes de Estado e 10 representantes da realeza, já confirmaram presença, destacando a relevância global do pontífice argentino.
A trajetória de Jorge Mario Bergoglio, nascido em Buenos Aires, foi marcada por gestos de inclusão e reformas na Igreja Católica. Eleito em 2013, Francisco se tornou símbolo de humildade, escolhendo viver na Casa Santa Marta em vez do Palácio Apostólico. Sua morte, após complicações de saúde que incluíram internações por bronquite e pneumonia, gerou comoção mundial. Desde o anúncio de seu falecimento, fiéis lotaram a Basílica de São Pedro para prestar homenagens, com mais de 60 mil pessoas passando pelo local até o fechamento do velório, na sexta-feira, 25 de abril.
O funeral de Francisco é um marco histórico, sendo o primeiro em mais de um século a incluir um sepultamento fora do Vaticano. A escolha pela Basílica de Santa Maria Maggiore, onde o papa rezava frequentemente diante do ícone da Virgem Maria, reforça sua devoção mariana. A cerimônia, que seguirá o livro de ritos fúnebres do Vaticano, o Ordo Exsequiarum Romani Pontificis, foi simplificada por Francisco em 2024, eliminando tradições como o uso de três caixões e a exibição do corpo em um catafalco elevado.
- Ritos principais do funeral:
- Fechamento do caixão com véu de seda branca e moedas comemorativas.
- Missa Exequial na Praça de São Pedro, com presença de líderes globais.
- Procissão até a Basílica de Santa Maria Maggiore para sepultamento.
Preparativos intensos em Roma
A cidade de Roma se transformou para receber o funeral de Papa Francisco. Desde o início da semana, as autoridades italianas reforçaram a segurança, com patrulhas no rio Tibre, atiradores de elite e drones em torno da Praça de São Pedro. A Defesa Civil estima que cerca de 1,5 milhão de pessoas, entre fiéis e turistas, passem pela capital nos dias que cercam a cerimônia. O espaço aéreo foi fechado, e os aeroportos de Fiumicino, Ciampino e Pratica di Mare estão coordenando a chegada de delegações estrangeiras. A empresa ferroviária Trenitalia adicionou 260 mil assentos extras para atender à demanda de visitantes.
O velório público, iniciado na quarta-feira, 23 de abril, atraiu milhares de fiéis à Basílica de São Pedro. O caixão de Francisco, feito de madeira revestida de zinco, permaneceu aberto durante as visitas, permitindo que o público se despedisse do pontífice. Na sexta-feira, o fechamento do caixão, realizado em uma cerimônia reservada, marcou o fim do velório. Um véu de seda branca foi colocado sobre o rosto do papa, simbolizando paz e eternidade, enquanto moedas comemorativas e um documento sobre seu legado foram depositados no caixão.
Presença de líderes globais
A relevância de Francisco transcendeu fronteiras, atraindo uma lista expressiva de autoridades para seu funeral. A Santa Sé confirmou a participação de 130 delegações estrangeiras, com destaque para 50 chefes de Estado e 10 monarcas. Entre os líderes confirmados estão o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado da primeira-dama, Janja, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao lado de Melania Trump. O presidente argentino Javier Milei, apesar de divergências passadas com Francisco, também estará presente, acompanhado de sua irmã, Karina Milei, e de ministros de seu governo.
Outros nomes de peso incluem o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, o presidente francês Emmanuel Macron e o secretário-geral da ONU, António Guterres. Da realeza, destacam-se o príncipe Albert II de Mônaco, acompanhado da princesa Charlène, e o rei Philippe da Bélgica, com a rainha Mathilde. A Rússia, por decisão do presidente Vladimir Putin, será representada pela ministra da Cultura, Olga Liubimova. A presença de tantas autoridades reforça o impacto global do papado de Francisco, conhecido por suas mensagens de paz e justiça social.
- Líderes confirmados no funeral:
- Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil).
- Donald Trump e Melania Trump (Estados Unidos).
- Javier Milei (Argentina).
- Volodymyr Zelensky (Ucrânia).
- Emmanuel Macron (França).
- Príncipe Albert II e princesa Charlène (Mônaco).
Simplicidade como legado
Francisco, ao longo de seus 12 anos de papado, priorizou a simplicidade e a proximidade com os fiéis. Sua decisão de ser sepultado em um caixão único, sem ornamentos, e fora do Vaticano reflete esses valores. A Basílica de Santa Maria Maggiore, escolhida pelo pontífice, é um dos quatro templos papais de Roma e guarda o ícone da Salus Populi Romani, a protetora do povo romano, que Francisco visitava antes e depois de suas viagens internacionais. Em seu testamento, assinado em 2022, ele pediu que seu túmulo fosse simples, com apenas a inscrição “Franciscus”.
A reforma nos ritos fúnebres, aprovada por Francisco em 2024, eliminou práticas tradicionais, como o uso de três caixões interligados de cipreste, chumbo e carvalho, que juntos pesavam cerca de meia tonelada. O pontífice também optou por não ter seu corpo exibido em uma plataforma elevada, enfatizando seu papel como pastor, e não como chefe de Estado. Essas mudanças, segundo o mestre de cerimônias litúrgicas do Vaticano, monsenhor Diego Ravelli, visam destacar a essência espiritual do funeral papal.
Impacto global do papado
O papado de Francisco foi marcado por reformas corajosas e mensagens de inclusão. Ele defendeu a acolhida a migrantes, o diálogo inter-religioso e a proteção ambiental, temas que ecoaram em todo o mundo. Sua visita à Basílica de Santa Maria Maggiore após cada viagem apostólica simbolizava sua confiança na Virgem Maria, a quem dedicou seu ministério. A escolha do local de sepultamento reforça essa conexão espiritual, rompendo com a tradição de sepultar papas nas criptas da Basílica de São Pedro.
A presença de líderes de países sem relações diplomáticas com o Vaticano, como a China, que enviará uma delegação, e Taiwan, que declarou luto oficial, evidencia a influência de Francisco. Mesmo em meio a tensões geopolíticas, sua mensagem de fraternidade atraiu atenções globais. O funeral, esperado para reunir cerca de 300 mil fiéis na Praça de São Pedro, será um momento de reflexão sobre seu legado.
Cronograma das cerimônias
As cerimônias fúnebres de Francisco seguem um cronograma rigoroso, estabelecido pelo Vaticano. A sequência de eventos, iniciada com a certificação de sua morte na segunda-feira, 21 de abril, culmina no sepultamento neste sábado. Cada etapa reflete a combinação de tradição católica e as reformas implementadas pelo próprio pontífice.
- Cronograma dos ritos:
- 21 de abril: Certificação da morte e colocação do corpo na Casa Santa Marta.
- 23 de abril: Início do velório público na Basílica de São Pedro.
- 25 de abril: Fechamento do caixão em cerimônia reservada.
- 26 de abril: Missa Exequial às 5h (horário de Brasília) e procissão para sepultamento.
- 27 de abril: Missa em sufrágio na Basílica de São Pedro, às 5h30 (horário de Brasília).
Desafios logísticos e segurança
A chegada de milhares de fiéis e líderes mundiais impõe desafios logísticos à cidade de Roma. Além do reforço na segurança, com drones e atiradores de elite, as autoridades locais preparam a capital para um fluxo intenso de visitantes. A procissão do caixão, que percorrerá cerca de 4 km entre o Vaticano e a Basílica de Santa Maria Maggiore, atravessando o rio Tibre, deve atrair multidões ao longo do trajeto.
A coordenação entre os aeroportos da cidade foi intensificada para receber as delegações estrangeiras. A operadora dos aeroportos de Roma estima um aumento de 20 mil passageiros em relação ao previsto para o período da Páscoa. A mobilidade urbana também foi ajustada, com a adição de trens e ônibus para facilitar o acesso à capital italiana.
Homenagens e comoção
Desde o anúncio da morte de Francisco, mensagens de condolências chegaram de todos os continentes. Líderes religiosos, políticos e cidadãos comuns destacaram a humildade e o compromisso do papa com os mais vulneráveis. Em Buenos Aires, sua cidade natal, missas em homenagem ao pontífice reuniram milhares de fiéis, e o bairro onde nasceu, Flores, tornou-se ponto de peregrinação.
No Vaticano, a presença de figuras próximas a Francisco, como a freira francesa Geneviève Jeanningros e Laura Esquivel, a primeira mulher trans a cumprimentar o papa, marcou o velório. Essas exceções ao protocolo reforçam o caráter inclusivo do pontífice, que buscou aproximar a Igreja de grupos marginalizados. A cerimônia de sábado será um reflexo dessa abertura, com a participação de representantes de diversas religiões e nações.
Legado para o futuro
O funeral de Francisco não apenas encerra um capítulo na história da Igreja Católica, mas também abre espaço para reflexões sobre seu sucessor. O conclave, previsto para começar entre 6 e 11 de maio, escolherá o novo papa entre os 135 cardeais eleitores, 80% dos quais foram nomeados por Francisco. Sua influência na composição do Colégio Cardinalício sugere que o próximo pontífice poderá dar continuidade às suas reformas.
A escolha de um túmulo simples, sem ornamentos, e a decisão de ser sepultado fora do Vaticano reforçam a mensagem de Francisco sobre a humildade. Sua devoção à Virgem Maria, expressa em visitas frequentes à Basílica de Santa Maria Maggiore, ficará marcada no local de seu repouso eterno. O túmulo, acessível ao público, será um ponto de peregrinação para fiéis que desejarem homenagear o papa que defendeu a fraternidade e a justiça.
- Legado de Francisco:
- Defesa da inclusão de migrantes e minorias.
- Reformas para simplificar os ritos fúnebres papais.
- Nomeação de cardeais de regiões periféricas, como África e Ásia.
- Mensagens de paz e proteção ambiental.