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Smart planeja volta ao Brasil com dois modelos elétricos em 2026 sob comando da Geely

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Smart-1-Geely - Foto: Divulgação Smart-1-Geely - Foto: Divulgação

A mobilidade elétrica no Brasil está prestes a ganhar um novo capítulo com a volta da Smart, marca que agora opera sob a gigante chinesa Geely. Após uma passagem sem grande sucesso entre 2009 e 2016, a fabricante prepara seu retorno ao mercado brasileiro até 2026, trazendo consigo uma proposta renovada: veículos elétricos maiores, mais potentes e alinhados às demandas atuais por sustentabilidade e tecnologia. A Smart será a quarta marca do grupo Geely a atuar no país, ao lado de Volvo, Zeekr e Lynk & Co, consolidando a estratégia da companhia de expandir sua presença no segmento de eletrificados na América Latina.

O retorno da Smart não é apenas uma reestreia, mas uma reinvenção. Diferentemente dos subcompactos de dois lugares que marcaram sua primeira fase no Brasil, a nova geração de veículos da marca aposta em SUVs elétricos de porte médio, com design moderno e tecnologia de ponta. A joint venture entre a Mercedes-Benz e a Geely, iniciada em 2020, transferiu a produção e a sede da Smart para a China, onde a marca utiliza a plataforma SEA (Sustainable Experience Architecture) da Geely, a mesma que sustenta modelos de outras marcas do grupo. Essa base tecnológica permite à Smart oferecer veículos com maior autonomia, desempenho robusto e preços competitivos, características essenciais para conquistar o mercado brasileiro.

A estratégia de retorno da Smart ao Brasil começou a ser desenhada há cerca de um ano, com um planejamento que abrange não apenas o mercado nacional, mas também outros países da América Latina, como Chile, Colômbia, Equador e Uruguai. No Chile, a marca já iniciou suas operações no final de 2024, adotando parcerias com empresas locais para representar seus produtos. No Brasil, ainda não está claro se a Smart optará por uma operação independente, como a Zeekr, ou se seguirá o modelo da Geely, que delegou a gestão de seus negócios à Renault, incluindo a possibilidade de produção local em São José dos Pinhais, no Paraná.

Por que a Smart aposta no Brasil?

O Brasil representa o maior mercado automotivo da América do Sul, com uma frota de mais de 57 milhões de veículos e um crescente interesse por carros eletrificados. Em 2024, o país registrou um recorde histórico na venda de veículos elétricos e híbridos, com 61.615 emplacamentos de elétricos puros, um aumento de 219% em relação a 2023. Esse crescimento é impulsionado pela maior oferta de modelos, redução de preços e uma conscientização ambiental que ganha força entre os consumidores. A Smart enxerga nesse cenário uma oportunidade para se posicionar como uma marca premium acessível no segmento de SUVs elétricos, competindo com nomes como BYD, GWM e Volvo.

A escolha do Brasil como parte do plano de expansão da Smart reflete a relevância do país na estratégia global da Geely. A marca planeja trazer ao mercado brasileiro dois modelos principais, que já fazem sucesso na Europa: o Smart #1 e o Smart #3. Esses veículos representam uma evolução significativa em relação aos compactos do passado, oferecendo maior espaço interno, potência e autonomia. A decisão de focar em SUVs também acompanha uma tendência global, já que esse segmento domina as vendas no Brasil, representando cerca de 40% do mercado automotivo em 2024.

  • Smart #1: Um SUV compacto com 4,27 metros de comprimento, equipado com um motor elétrico de 272 cv na versão padrão. A variante Brabus, mais esportiva, combina dois motores para entregar 428 cv e tração integral.
  • Smart #3: Um SUV médio de 4,44 metros, com opções de motorização semelhante ao #1, incluindo a versão Brabus de 428 cv. Seu design cupê destaca-se pela aerodinâmica e estética moderna.
  • Plataforma SEA: Ambos os modelos utilizam a arquitetura elétrica da Geely, que suporta baterias de alta capacidade e recarga rápida, com autonomias que podem superar 400 km no ciclo WLTP.

Uma nova Smart para um novo mercado

A primeira passagem da Smart pelo Brasil, entre 2009 e 2016, foi marcada por desafios. Na época, a marca, então controlada exclusivamente pela Mercedes-Benz, apostava em modelos como o Fortwo, um subcompacto de dois lugares voltado para a mobilidade urbana. Apesar do conceito inovador, o preço elevado, equivalente ao de carros maiores, limitou sua aceitação. Em 2016, com vendas abaixo do esperado, a Smart encerrou suas operações no país, deixando uma lacuna no mercado de compactos premium.

A transformação da Smart sob a gestão da Geely mudou completamente sua proposta. A joint venture, que divide o controle da marca equally entre Mercedes-Benz (design e engenharia) e Geely (produção e tecnologia), permitiu uma redução de custos e uma expansão para novos segmentos. A produção na China, aliada à plataforma SEA, trouxe economias de escala que tornaram os novos modelos mais acessíveis. Além disso, a mudança para SUVs elétricos alinha a Smart às preferências atuais dos consumidores, que buscam veículos versáteis, tecnológicos e sustentáveis.

No Brasil, a Smart enfrentará um mercado competitivo, mas promissor. Marcas chinesas como BYD e GWM dominam as vendas de elétricos, com modelos como o BYD Dolphin Mini (21.968 unidades emplacadas em 2024) e o GWM Ora 03 (6.326 unidades). A Volvo, também parte do grupo Geely, lidera entre os SUVs premium com o EX30, que vendeu 2.748 unidades no último ano. A Smart terá que se diferenciar com uma combinação de design europeu, tecnologia avançada e preços estratégicos para conquistar sua fatia nesse cenário.

O crescimento dos elétricos no Brasil

O mercado de veículos elétricos no Brasil vive um momento de expansão sem precedentes. Em 2024, o segmento de eletrificados (elétricos e híbridos) alcançou 177.357 emplacamentos, superando o total de 2023 antes mesmo do fim do ano. Os elétricos puros representaram 34,7% desse total, enquanto os híbridos plug-in e convencionais responderam pelo restante. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) prevê que, até o final de 2025, o Brasil terá cerca de 200.000 novos emplacamentos de eletrificados, com os elétricos respondendo por até 36% do mercado.

A chegada de novas marcas e modelos tem sido um dos principais motores desse crescimento. Em 2024, o Brasil recebeu lançamentos como o Chevrolet Blazer EV, o Porsche Macan elétrico e o Volvo EX90, além de modelos chineses como o GAC Aion Y Plus e o Neta X, que se destacou como o SUV elétrico médio mais acessível do país. A Smart, com sua proposta de SUVs compactos e médios, entra nesse contexto com a vantagem de contar com a expertise da Geely em veículos elétricos e a reputação premium herdada da Mercedes-Benz.

A infraestrutura de recarga, embora ainda limitada, também evolui. Em 2024, o Brasil contava com cerca de 600 pontos de recarga públicos, um aumento significativo em relação aos 350 de 2019. Grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília já possuem redes de carregadores rápidos, enquanto iniciativas privadas, como as da ABB e da Volvo, ampliam a acessibilidade. A Smart, ao planejar sua operação, deverá considerar parcerias para oferecer soluções de recarga aos seus clientes, especialmente em regiões urbanas onde a demanda por elétricos é maior.

Modelos que vão liderar a volta da Smart

A estratégia da Smart para o Brasil inclui a introdução de dois modelos principais, ambos já consolidados em mercados como Europa e China. O Smart #1 é um SUV compacto que combina dimensões ideais para o uso urbano com desempenho robusto. Com 4,27 metros de comprimento, ele compete diretamente com modelos como o Volvo EX30 e o BYD Yuan Plus. Sua versão padrão, com motor traseiro de 272 cv, oferece uma condução ágil e eficiente, enquanto a variante Brabus, com tração integral e 428 cv, apela aos consumidores que buscam esportividade.

O Smart #3, por sua vez, é um SUV médio com design cupê, medindo 4,44 metros de comprimento. Sua estética aerodinâmica e linhas modernas o posicionam como uma alternativa premium a modelos como o BYD Song Plus e o GWM Haval H6. Assim como o #1, o #3 oferece opções de motorização que vão de 272 cv na versão básica até 428 cv na Brabus, com autonomias que variam entre 400 e 450 km no ciclo WLTP, dependendo da configuração da bateria.

  • Características do Smart #1: Motor traseiro de 272 cv ou tração integral de 428 cv (Brabus), autonomia de até 440 km, recarga rápida de 150 kW (10% a 80% em 30 minutos).
  • Características do Smart #3: Design cupê, motor de 272 cv ou 428 cv (Brabus), autonomia de até 455 km, interior com materiais reciclados e tecnologia de conectividade avançada.
  • Tecnologia embarcada: Ambos os modelos contam com sistemas de assistência à condução (nível 2+), telas multimídia de alta resolução e integração com aplicativos de navegação e recarga.

Cronograma da Smart no Brasil

A preparação para o retorno da Smart ao Brasil segue um cronograma estruturado, que reflete o cuidado da marca em estabelecer uma operação sólida na América Latina. O planejamento começou em 2023, com foco inicial em mercados como o Chile, onde a marca já está ativa. No Brasil, a expectativa é que as vendas comecem até o primeiro semestre de 2026, embora o cronograma possa ser ajustado com base em questões logísticas e regulatórias.

  • 2023: Início do planejamento estratégico para a América Latina, com estudos de mercado e definição de modelos.
  • 2024: Lançamento da Smart no Chile e início das negociações para operações no Brasil, Colômbia, Equador e Uruguai.
  • 2025: Estruturação da rede de concessionárias e parcerias locais no Brasil, com possível anúncio oficial dos modelos.
  • 2026: Início das vendas no Brasil, com entrega dos primeiros Smart #1 e #3 aos consumidores.

Desafios e oportunidades no mercado brasileiro

A volta da Smart ao Brasil não será isenta de desafios. O mercado de elétricos, embora em crescimento, ainda enfrenta barreiras como a alta tributação, que eleva o preço dos veículos importados, e a infraestrutura de recarga, que precisa se expandir para atender a demanda futura. Além disso, a concorrência é acirrada, com marcas consolidadas como BYD, que respondeu por 71,2% dos elétricos emplacados em 2024, e novas entrantes como GAC e Neta, que apostam em preços acessíveis.

Por outro lado, a Smart tem vantagens competitivas. A associação com a Mercedes-Benz confere à marca um apelo premium, enquanto a tecnologia da Geely garante eficiência e inovação. A escolha de SUVs, que dominam as preferências dos brasileiros, também é um acerto estratégico. A possibilidade de produção local, ainda em discussão, poderia reduzir custos e tornar os modelos mais acessíveis, seguindo o exemplo de marcas como a Renault, que já fabrica o Kwid E-Tech no Paraná.

A experiência da Smart em outros mercados latinos, como o Chile, será crucial para adaptar sua estratégia ao Brasil. No Chile, a marca optou por representantes locais, uma abordagem que pode ser replicada no Brasil caso a operação independente não seja viável. A construção de uma rede de concessionárias e serviços pós-venda será outro ponto-chave, já que os consumidores de elétricos valorizam suporte técnico e acesso a peças.

Impacto no mercado de elétricos

A chegada da Smart ao Brasil reforça a tendência de consolidação do mercado de veículos elétricos no país. Com a previsão de que 1,4 milhão de carros elétricos circulem nas ruas brasileiras até 2030, a entrada de novas marcas é essencial para diversificar as opções e estimular a concorrência. A Smart, com sua proposta de SUVs premium acessíveis, pode atrair tanto consumidores que buscam sua primeira experiência com elétricos quanto aqueles que já adotaram a tecnologia e procuram um upgrade.

A presença da Geely como controladora da Smart também sinaliza um movimento maior de expansão das marcas chinesas no Brasil. Além da Smart, a Geely planeja trazer o EX5, um SUV elétrico que competirá com o BYD Yuan Plus, enquanto a Zeekr já comercializa o X e o 001, com potências de até 789 cv. Essa ofensiva reforça a posição da China como líder na produção de elétricos, com 55% dos 1,4 milhão de elétricos previstos para 2030 sendo de origem chinesa.

A Smart terá a oportunidade de se beneficiar dessa rede de marcas, compartilhando tecnologias e estratégias de mercado. A plataforma SEA, por exemplo, é um ativo valioso, permitindo atualizações remotas e integração com sistemas de inteligência artificial, características que estão se tornando padrão nos elétricos modernos. A marca também poderá explorar parcerias com outras empresas do grupo Geely, como a Volvo, para oferecer serviços como assinatura de veículos ou programas de recarga.

O futuro da mobilidade elétrica no Brasil

O retorno da Smart ao Brasil é mais do que a volta de uma marca; é um reflexo do momento de transformação pelo qual o mercado automotivo brasileiro passa. A eletrificação, antes vista como um nicho, agora é uma realidade consolidada, com modelos para diferentes públicos e faixas de preço. A Smart, com sua história de inovação e sua nova identidade sob a Geely, tem o potencial de se tornar um player relevante nesse cenário, especialmente no segmento de SUVs elétricos premium.

A expectativa para 2026 é alta, tanto por parte dos consumidores quanto da indústria. A chegada dos modelos #1 e #3 será um teste para a capacidade da Smart de se adaptar às demandas brasileiras, que incluem preço competitivo, autonomia confiável e uma rede de suporte robusta. Se bem-sucedida, a marca pode abrir caminho para outras iniciativas da Geely no Brasil, como a produção local de baterias ou a introdução de novos modelos elétricos.

A mobilidade elétrica no Brasil está em plena ascensão, e a Smart chega em um momento estratégico para contribuir com esse crescimento. Com um mercado que deve atingir 200.000 emplacamentos de eletrificados em 2025, a marca tem a chance de conquistar seu espaço e reescrever sua história no país, agora com a força da tecnologia elétrica e a visão global da Geely.

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