Na manhã desta sexta-feira, 2 de maio de 2025, o céu acima da Praça de São Pedro testemunhou um momento simbólico: bombeiros do Vaticano escalaram o telhado da Capela Sistina para instalar a chaminé que anunciará o próximo papa. A estrutura, um cilindro metálico visível a todos que se reúnem na praça, marca o início dos preparativos para o conclave, agendado para começar em 7 de maio. O processo, carregado de tradição, atrai olhares do mundo inteiro, enquanto 133 cardeais se preparam para escolher o sucessor de Francisco, falecido em 21 de abril. Milhares de fiéis e turistas já se aglomeram na expectativa do ritual centenário.
A instalação da chaminé, realizada com precisão por uma equipe de bombeiros especializados, ocorreu sob condições climáticas favoráveis, com o sol iluminando os afrescos de Michelangelo abaixo. O procedimento, que durou cerca de duas horas, envolveu a fixação do tubo que conecta dois fogões dentro da capela: um para queimar as cédulas de votação e outro para liberar a fumaça colorida. A tradição da fumaça – preta para votações inconclusivas e branca para a escolha do novo pontífice – permanece como o principal sinal ao mundo.
O conclave, que reunirá cardeais de diversas nações, será precedido por uma missa solene na Basílica de São Pedro. Durante o processo, os eleitores ficarão isolados, sem contato externo, em um ambiente de sigilo absoluto. A chaminé, agora erguida, simboliza a ponte entre o segredo do conclave e a expectativa global.
O Vaticano se preparar para o conclave na próxima semana e funcionários instalaram a chaminé no telhado da Capela Sistina que será usada para queimar as cédulas que elegerá o sucessor do papa Francisco.
— InfoMoney (@infomoney) May 2, 2025
A reunião secreta começa em 7 de maio, e os cardeais vão usar a chaminé para… pic.twitter.com/952sZ4QQ7y
- Preparativos intensos: O Vaticano fechou a Capela Sistina para turistas em 28 de abril, iniciando ajustes no local.
- Equipe especializada: Bombeiros da Santa Sé, treinados para atuar em estruturas históricas, conduziram a instalação.
- Símbolo universal: A fumaça da chaminé será acompanhada por milhões via transmissões ao vivo.
Preparativos históricos para o conclave
A instalação da chaminé não é apenas um ato técnico, mas um ritual enraizado em séculos de história. Desde o século XIII, a eleição papal ocorre em conclaves, e a chaminé da Capela Sistina tornou-se um ícone global desde o século XX. Em 2025, o processo mantém sua essência, mas incorpora ajustes modernos, como o uso de compostos químicos para garantir a visibilidade da fumaça.
Os bombeiros, equipados com ferramentas específicas, trabalharam sob a supervisão de engenheiros do Vaticano. A chaminé, feita de aço inoxidável, foi projetada para resistir às intempéries e suportar o calor dos fogões. O procedimento exigiu cuidado para não danificar o telhado da capela, construído no século XV e restaurado ao longo dos anos.
A preparação da Capela Sistina começou dias antes, com a elevação do piso para facilitar a movimentação dos cardeais. Dois fogões foram instalados: um, de ferro fundido, usado desde 1939, queima as cédulas; o outro, eletrônico, adiciona os compostos químicos que produzem a fumaça preta ou branca.
- Compostos químicos: Para fumaça preta, usa-se perclorato de potássio, antraceno e enxofre.
- Fumaça branca: Clorato de potássio, lactose e colofônia garantem o tom claro.
- Fogões sincronizados: Ambos operam juntos, com a fumaça saindo por uma única chaminé.
Significado da fumaça na eleição papal
A fumaça que sairá da chaminé é o elemento central da comunicação do conclave com o mundo. Quando os cardeais não alcançam os dois terços necessários para eleger o papa, as cédulas são queimadas com um composto que produz fumaça preta. Esse sinal indica que as votações continuam, mantendo a expectativa na Praça de São Pedro.
Quando o novo papa é escolhido, a fumaça branca surge, acompanhada, desde 2005, pelo toque dos sinos da Basílica de São Pedro. O momento, conhecido como “Habemus Papam”, é seguido pelo anúncio oficial na varanda da basílica, onde o novo pontífice se apresenta ao mundo. Em 2013, a eleição de Francisco foi marcada por uma fumaça branca clara, após dois dias de votação.
O sistema de fumaça foi aprimorado ao longo dos anos para evitar confusões. Em conclaves anteriores, como o de 1958, a fumaça ambígua causou incertezas entre os fiéis. Hoje, os compostos químicos garantem cores distintas, e testes prévios são realizados para assegurar o funcionamento dos fogões.
Cardeais se reúnem em Roma
Desde a morte de Francisco, cardeais de todo o mundo viajaram a Roma para participar das reuniões preparatórias, conhecidas como congregações gerais. Essas discussões, iniciadas em 28 de abril, abordam os desafios da Igreja Católica, que conta com 1,4 bilhão de fiéis. Apenas cardeais com menos de 80 anos podem votar, totalizando 133 eleitores em 2025.
As reuniões ocorrem no Sínodo dos Bispos, um espaço moderno no Vaticano. Os cardeais, vindos de países como México, Filipinas e Ucrânia, debatem temas como abusos sexuais, finanças da Santa Sé e o papel da Igreja em um mundo polarizado. Cerca de 80% dos eleitores foram nomeados por Francisco, o que reflete sua influência no colégio cardinalício.
- Diversidade global: Cardeais de 66 países participam do conclave.
- Temas em pauta: Inclusão, justiça social e crise climática estão entre os debates.
- Sigilo absoluto: Os cardeais fazem um juramento de segredo antes do conclave.
Nomes cotados para o papado
A sucessão de Francisco desperta especulações sobre o próximo líder da Igreja. Entre os nomes mais mencionados está o cardeal filipino Luis Antonio Tagle, conhecido por sua proximidade com os pobres e carisma pastoral. O italiano Pietro Parolin, ex-secretário de Estado do Vaticano, também aparece como forte candidato, dado seu conhecimento das finanças e diplomacia da Santa Sé.
Outros nomes incluem o ganês Peter Turkson, defensor de questões ambientais, e o cardeal húngaro Peter Erdö, respeitado por sua formação teológica. A escolha de um papa de fora da Europa, como ocorreu com Francisco em 2013, é uma possibilidade real, dado o crescimento do catolicismo na África e na Ásia.
Cada cardeal eleitor depositará sua cédula em uma urna, com a frase “Eligo in Summum Pontificem” (Eu escolho como Sumo Pontífice). As votações, até quatro por dia, seguem até que um candidato alcance 89 votos, o equivalente a dois terços do colégio.
Tradição e modernidade no conclave
O conclave combina rituais antigos com adaptações contemporâneas. Os cardeais entram na Capela Sistina em procissão solene, após a missa Pro Eligendo Papa. Dentro da capela, prestam juramento de sigilo, prometendo não divulgar detalhes do processo sob pena de excomunhão. O grito “Extra Omnes” (Todos fora) marca o fechamento da capela, deixando apenas os eleitores.
A tecnologia também está presente. Desde 2005, bloqueadores de sinal impedem comunicações externas, garantindo a privacidade das votações. A chaminé, embora tradicional, é conectada a um sistema eletrônico que controla a liberação da fumaça, testado dias antes do conclave.
- Juramento solene: Cada cardeal promete cumprir o “munus petrinum” se eleito.
- Isolamento total: Os eleitores ficam na Casa Santa Marta, sem acesso a telefones.
- Testes prévios: A chaminé foi testada em 1º de maio para garantir funcionamento.
Logística do conclave
A organização do conclave exige planejamento detalhado. A Capela Sistina, fechada ao público desde 28 de abril, passou por ajustes estruturais, como a instalação de cadeiras e urnas para os cardeais. A segurança é reforçada por guardas suíços e policiais italianos, enquanto a Praça de São Pedro recebe barreiras para controlar o fluxo de fiéis.
Os cardeais se hospedam na Casa Santa Marta, um edifício confortável dentro do Vaticano. Durante o conclave, refeições são servidas por freiras e funcionários de confiança, todos sob juramento de sigilo. O transporte dos cardeais até a capela é feito em vans discretas, evitando exposição pública.
O Vaticano também preparou a Basílica de São Pedro para a missa inicial e o anúncio do novo papa. A varanda central, onde o pontífice fará sua primeira aparição, foi inspecionada em 30 de abril para garantir segurança.
Expectativa na Praça de São Pedro
Milhares de pessoas já se reúnem diariamente na Praça de São Pedro, esperando sinais da chaminé. Turistas, fiéis e jornalistas ocupam o espaço, equipados com câmeras e binóculos. Telões foram instalados para transmitir a missa de abertura e o momento do “Habemus Papam”.
A presença de fiéis reflete a importância do conclave para os católicos. Muitos viajaram de longe, como peregrinos das Filipinas e do Brasil, para testemunhar o evento. A prefeitura de Roma reforçou o transporte público e a segurança, prevendo um aumento no fluxo de visitantes até o fim do conclave.
- Multidão crescente: Cerca de 10 mil pessoas visitaram a praça em 2 de maio.
- Transmissão global: Canais de TV de 120 países cobrirão o evento.
- Infraestrutura reforçada: Roma ampliou linhas de metrô para a região do Vaticano.
Papel de Francisco na história
Francisco, o primeiro papa latino-americano, deixou um legado marcante. Eleito em 2013, Jorge Mario Bergoglio priorizou a inclusão, visitando favelas e defendendo refugiados. Sua encíclica Laudato si’ destacou a crise climática, enquanto suas viagens à Península Arábica promoveram o diálogo inter-religioso.
O pontífice enfrentou desafios, como escândalos de abusos sexuais e críticas por suas reformas. Ainda assim, sua proximidade com os fiéis transformou a imagem da Igreja. A escolha de seu sucessor será influenciada por esses 12 anos de papado, com cardeais buscando um líder que equilibre tradição e renovação.
Processo de votação detalhado
As votações no conclave seguem regras rígidas. Cada cardeal escreve o nome de seu candidato em uma cédula, que é depositada em uma urna. Três escrutinadores contam os votos, enquanto outros três revisores conferem o resultado. Se não houver vencedor, as cédulas são queimadas com o composto de fumaça preta.
Após três dias sem consenso, o conclave pausa por 24 horas para orações. Outra pausa pode ocorrer após sete votações adicionais. Se 34 rodadas não resultarem em um papa, os dois candidatos mais votados disputam um “segundo turno”. O processo garante que a escolha seja deliberada e consensual.
Influência global do conclave
A eleição do novo papa terá repercussões além do Vaticano. Líderes mundiais acompanham o processo, dado o papel da Igreja em questões como paz, direitos humanos e meio ambiente. Em 2013, a escolha de Francisco surpreendeu por sua origem latino-americana, e agora a possibilidade de um papa africano ou asiático é debatida.
Países com grandes populações católicas, como Brasil e Filipinas, enviaram delegações de fiéis a Roma. A mídia internacional, com mais de 5 mil jornalistas credenciados, cobre cada detalhe, desde a instalação da chaminé até os rumores sobre candidatos. A chaminé, visível a quilômetros, tornou-se o foco das atenções.
- Cobertura midiática: 5,2 mil jornalistas estão credenciados no Vaticano.
- Fiéis engajados: Peregrinos de 80 países já estão em Roma.
- Repercussão política: Governos de 20 nações enviaram mensagens ao Vaticano.
Preparativos finais no Vaticano
Nos dias que antecedem o conclave, o Vaticano finaliza os preparativos. A chaminé passou por uma última inspeção em 2 de maio, enquanto os fogões foram testados para garantir a clareza da fumaça. A Capela Sistina, agora isolada, recebeu os últimos ajustes, como a instalação de cortinas para proteger a privacidade dos cardeais.
Os funcionários do Vaticano, incluindo eletricistas e carpinteiros, trabalham em turnos para assegurar que tudo esteja pronto. A Guarda Suíça, responsável pela segurança, aumentou sua presença na Praça de São Pedro. O conclave, que pode durar dias, exige uma logística impecável para funcionar sem interrupções.