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Fumaça branca à vista: Como o conclave escolherá o sucessor do Papa Francisco

Conclave
Conclave - Foto: Marco Iacobucci Epp / Shutterstock.com Conclave - Foto: Marco Iacobucci Epp / Shutterstock.com

Na Capela Sistina, sob os afrescos de Michelangelo, 133 cardeais eleitores se reunirão a partir de 7 de maio para escolher o próximo papa. O conclave, um dos rituais mais antigos da Igreja Católica, marca a sucessão de Francisco, falecido em 21 de abril de 2025. A votação secreta, realizada em total isolamento, culminará na fumaça branca, sinal de que o mundo conhecerá o 267º pontífice.

O processo, regido por normas seculares, ocorre após um período de luto de nove dias, conhecido como Novendiales. A eleição, que pode durar dias ou até semanas, reflete a complexidade de um colégio cardinalício diversificado, com representantes de 71 países. A expectativa global cresce enquanto fiéis aguardam o anúncio do novo líder da Igreja Católica.

  • O que define o conclave? Um ritual fechado, com votação secreta e isolamento total dos cardeais.
  • Quem participa? Cardeais com menos de 80 anos, atualmente 133, vindos de todos os continentes.
  • Por que a fumaça? Sinaliza o resultado: preta para votação inconclusiva, branca para a escolha do papa.

Origem histórica do conclave

O termo “conclave” deriva do latim cum clave, que significa “fechado com chave”. A prática teve início formal em 1274, quando o papa Gregório X, após a eleição mais longa da história, estabeleceu regras para evitar atrasos. Entre 1268 e 1271, o conclave de Viterbo durou quase três anos, com 18 cardeais trancados no Palácio Papal. A população local, exasperada, chegou a racionar alimentos e remover parte do telhado para forçar uma decisão.

A constituição apostólica Ubi Periculum, promulgada por Gregório X, introduziu o isolamento dos cardeais e a exigência de uma maioria de dois terços para a eleição. Essas normas, ajustadas ao longo dos séculos, permanecem a base do processo atual. Hoje, a Capela Sistina, com sua chaminé icônica, é o palco desse ritual que combina espiritualidade e tradição.

Papa Francisco
Papa Francisco – Foto: mshady1/Shutterstock.com

Preparativos para 7 de maio

A data de início do conclave foi definida na Quinta Congregação Geral, realizada em 28 de abril. Após o sepultamento de Francisco, em 26 de abril, o Vaticano seguiu o período de luto oficial. A missa Pro Eligendo Pontifice, marcada para as 10h de 7 de maio (horário de Roma), abrirá o processo. Os cardeais, hospedados na Casa Santa Marta, seguirão em procissão até a Capela Sistina, onde prestarão juramento de sigilo.

  • Missa solene: Celebração na Basílica de São Pedro, pedindo orientação do Espírito Santo.
  • Juramento: Cardeais prometem sigilo e fidelidade ao processo, sob pena de excomunhão.
  • Isolamento: Proibidas comunicações externas, com verificação de câmeras e microfones.
  • Votação inicial: Apenas uma sessão no primeiro dia, às 19h, com fumaça preta ou branca.

O Vaticano já instalou a chaminé na Capela Sistina, um sinal visível dos preparativos. A brigada de incêndio do Vaticano testou o sistema que emitirá a fumaça, garantindo que o mundo acompanhe o progresso da eleição.

O papel da fumaça no ritual

A fumaça é o elemento mais reconhecível do conclave. Após cada sessão de votação, as cédulas são queimadas em um fogareiro especial. Se nenhum candidato alcançar os dois terços necessários, uma substância química produz fumaça preta. Quando o novo papa é eleito, a fumaça branca surge, seguida pelo anúncio Habemus Papam na Praça São Pedro.

O sistema de fumaça evoluiu ao longo dos séculos. No passado, palha úmida era usada para criar fumaça preta, mas hoje substâncias químicas garantem maior precisão. A chaminé, instalada no telhado da Capela Sistina, torna-se o foco das atenções globais, com multidões e jornalistas aguardando o sinal. Em 2013, a eleição de Francisco gerou fumaça branca após apenas cinco votações, um processo rápido para os padrões históricos.

Diversidade no colégio cardinalício

O colégio cardinalício de 2025 é o mais diverso da história, com 135 eleitores de 71 países. Francisco nomeou 108 desses cardeais, priorizando regiões periféricas, como Ásia, África e América Latina. Apenas 44% dos eleitores são europeus, um marco em relação aos conclaves do passado, dominados pelo continente.

Sete cardeais brasileiros participam da votação: Sérgio da Rocha, Jaime Spengler, Odilo Scherer, Orani Tempesta, Paulo Cezar Costa, João Braz de Aviz e Leonardo Steiner. Cada um traz perspectivas distintas, refletindo a influência de Francisco em diversificar a liderança da Igreja. A presença de cardeais de nações como Gana, Filipinas e Papua-Nova Guiné reforça a globalização do processo.

  • Europa: 60 eleitores, com destaque para Itália (24 cardeais).
  • América Latina: 18 eleitores, incluindo sete brasileiros e três argentinos.
  • Ásia: 20 eleitores, com forte representação das Filipinas e Índia.
  • África: 16 eleitores, incluindo cardeais de Gana e África do Sul.
  • Oceania e América do Norte: 19 eleitores, com Austrália e Estados Unidos em destaque.

Regras e votação

A eleição exige uma maioria qualificada de dois terços, ou seja, 89 votos, considerando os 133 eleitores. Cada cardeal escreve o nome de seu escolhido em uma cédula com a frase Eligo in Summum Pontificem. Após a votação, três cardeais sorteados contam os votos, enquanto outros três revisam o processo. As cédulas são perfuradas e amarradas antes de serem queimadas.

Se não houver consenso após três dias, o conclave pausa por 24 horas para oração e reflexão. Após sete votações sem resultado, outra pausa ocorre, com uma exortação espiritual do cardeal protodiácono, Dominique Mamberti. O processo pode continuar por semanas, embora os conclaves modernos, como os de 2005 e 2013, tenham durado no máximo cinco dias.

Cardeais cotados para o papado

Diversos nomes surgem como possíveis sucessores de Francisco. O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, é frequentemente mencionado por sua experiência diplomática. Jean-Marc Aveline, arcebispo de Marselha, representa uma visão progressista, enquanto Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha, é conhecido por seu trabalho com os pobres.

Fora da Europa, o cardeal Peter Turkson, de Gana, destaca-se por sua defesa de questões climáticas e direitos humanos. Luis Antonio Tagle, das Filipinas, é outro nome forte, com carisma e proximidade com as periferias. A escolha dependerá de debates intensos na Capela Sistina, onde os cardeais avaliam o futuro da Igreja.

Logística e isolamento

Os cardeais ficam hospedados na Casa Santa Marta, residência escolhida por Francisco durante seu papado. O local foi preparado para garantir conforto, especialmente para os mais idosos. A Capela Sistina, fechada para visitantes desde o início dos preparativos, foi inspecionada para evitar qualquer interferência externa, como microfones ou câmeras.

Durante o conclave, os eleitores não têm acesso a telefones, internet ou meios de comunicação. Funcionários essenciais, como seguranças e mestres de cerimônias, também juram sigilo. O cardeal camerlengo, Kevin Farrell, supervisiona a logística, enquanto o decano, Giovanni Battista Re, preside as reuniões. A ordem Extra Omnes marca o início do isolamento, quando todos os não participantes deixam a capela.

Tradições do anúncio

Quando um cardeal atinge os 89 votos necessários, o decano pergunta: Acceptasne electionem de te canonice factam in Summum Pontificem? (Aceita sua eleição canônica como Sumo Pontífice?). Em caso afirmativo, o eleito escolhe seu nome papal. As cédulas são então queimadas, produzindo a fumaça branca.

O cardeal protodiácono, Dominique Mamberti, aparece na varanda da Basílica de São Pedro para o anúncio Habemus Papam. O novo papa concede a bênção Urbi et Orbi, dirigida a Roma e ao mundo. Em 2013, Francisco surpreendeu ao pedir orações antes de abençoar a multidão.

  • Sala das Lágrimas: O eleito veste os paramentos papais, preparados em três tamanhos.
  • Te Deum: Hino entoado após a eleição, marcando o fim do conclave.
  • Bênção inaugural: O papa aparece na varanda para sua primeira saudação.

Influência de Francisco no processo

O pontificado de Francisco deixou marcas profundas no colégio cardinalício. Dos 135 eleitores, 108 foram nomeados por ele, refletindo sua visão de uma Igreja mais inclusiva e voltada para as periferias. Cardeais de regiões remotas, como Tonga e Mianmar, participam pela primeira vez, ampliando o debate sobre os rumos da Igreja.

A ênfase de Francisco no diálogo inter-religioso e na justiça social influencia as discussões. Cardeais como Jaime Spengler, de Porto Alegre, destacam a importância da oração e da orientação espiritual, rejeitando visões políticas do conclave. Odilo Scherer, de São Paulo, reforça que o próximo papa terá sua própria identidade, sem ser uma cópia de Francisco.

Expectativas para a duração

Não há prazo fixo para o conclave. Enquanto o de Viterbo durou quase três anos, os conclaves modernos são mais rápidos. A eleição de Bento XVI, em 2005, levou dois dias, com quatro votações. Francisco, em 2013, foi eleito em cinco votações, também em dois dias.

Alguns cardeais esperam um processo curto, considerando o Jubileu de 2025, que exige a presença de um papa para eventos globais. Outros acreditam que a diversidade do colégio cardinalício pode prolongar as discussões, já que os eleitores, vindos de contextos distintos, precisam alinhar visões. A chaminé da Capela Sistina, observada por fiéis e jornalistas, será o termômetro do progresso.

Rituais fúnebres e transição

Antes do conclave, o Vaticano cumpriu os rituais fúnebres de Francisco. O corpo do papa foi velado na Basílica de São Pedro, onde milhares de fiéis prestaram homenagens. O funeral, em 26 de abril, reuniu chefes de Estado e líderes religiosos na Praça São Pedro. O cardeal Giovanni Battista Re conduziu a cerimônia, destacando o legado de Francisco em prol dos pobres e da paz.

O período de Sé Vacante é administrado pelo camerlengo, Kevin Farrell, que coordena as decisões urgentes da Igreja. As congregações gerais, realizadas desde 22 de abril, definiram detalhes do conclave, como a data de início e a logística. A missa de 27 de abril, presidida por Pietro Parolin, e a visita ao túmulo de Francisco em Santa Maria Maggiore reforçaram a espiritualidade do processo.

Curiosidades do conclave

O conclave é repleto de tradições únicas, muitas desconhecidas pelo público. A Capela Sistina, além de seu valor artístico, é um espaço sagrado que inspira os cardeais durante as votações. O juramento de sigilo, feito diante do Juízo Final de Michelangelo, reforça a gravidade do momento.

  • Cédulas perfuradas: Após a contagem, as cédulas são amarradas com linha para arquivo.
  • Sala das Lágrimas: Nome dado à sacristia onde o novo papa veste os paramentos.
  • Chaminé histórica: Usada desde o século XIX, é um símbolo global do conclave.
  • Voto secreto: Cardeais não podem votar em si mesmos, garantindo imparcialidade.

O processo, embora antigo, adapta-se aos tempos modernos. A verificação de dispositivos eletrônicos, por exemplo, reflete a preocupação com a privacidade em uma era digital.

Nomes papais e tradições

A escolha do nome papal é um momento simbólico. Francisco, ao adotar o nome em homenagem a São Francisco de Assis, sinalizou sua missão de simplicidade e cuidado com os pobres. Outros papas, como João Paulo II, escolheram nomes que evocavam continuidade ou reverência a antecessores.

O novo papa, ao responder Quo nomine vis vocari? (Como quer ser chamado?), define sua identidade. Nomes como Pedro, nunca usado desde o apóstolo, são evitados por tradição. A escolha reflete a visão do pontífice para seu papado, influenciando a percepção dos fiéis.

Logística global e cobertura midiática

O conclave atrai atenção mundial, com jornalistas de dezenas de países na Praça São Pedro. O Vaticano prorrogou credenciais de imprensa até 31 de maio, prevendo uma cobertura extensa. Canais de TV e redes sociais transmitem ao vivo a chaminé da Capela Sistina, capturando cada sinal de fumaça.

A Praça São Pedro, com capacidade para milhares de pessoas, espera receber peregrinos de todo o mundo. A segurança foi reforçada, com barreiras e policiamento intensivo. A missa de posse do novo papa, realizada dias após a eleição, será outro evento global, com transmissão para milhões de telespectadores.

Influência do Jubileu de 2025

O conclave ocorre durante o Jubileu de 2025, um ano santo que atrai peregrinos ao Vaticano. A escolha rápida de um papa é vista como essencial para liderar celebrações como a abertura da Porta Santa e eventos ecumênicos. Cardeais estão cientes da necessidade de um pontífice ativo para coordenar as atividades jubilares.

O Jubileu, iniciado em dezembro de 2024, tem como tema a esperança, um conceito que Francisco enfatizou. O novo papa herdará a tarefa de guiar a Igreja em um momento de renovação espiritual, com eventos planejados em Roma e outras cidades. A eleição, portanto, ganha urgência para manter a continuidade do calendário jubilar.

Participação brasileira

Os sete cardeais brasileiros têm papéis ativos no conclave. Sérgio da Rocha, arcebispo de Salvador, é visto como uma voz influente no diálogo sobre a Igreja latino-americana. Jaime Spengler, de Porto Alegre, destacou a importância da oração no processo, enquanto Odilo Scherer, de São Paulo, enfatizou a singularidade do próximo papa.

Orani Tempesta, do Rio de Janeiro, Paulo Cezar Costa, de Brasília, João Braz de Aviz, arcebispo emérito, e Leonardo Steiner, de Manaus, completam a delegação. A presença brasileira reflete a relevância da América Latina, que abriga 40% dos católicos do mundo. Suas contribuições nas congregações gerais moldam o debate sobre o futuro da Igreja.

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