Em 8 de maio de 2025, a fumaça branca emergiu da chaminé da Capela Sistina, sinalizando a eleição do novo papa. Milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano, celebraram o momento com aplausos e cânticos, enquanto os sinos da Basílica ecoavam. O conclave, iniciado no dia anterior, reuniu 133 cardeais eleitores de cinco continentes, que escolheram o sucessor de Francisco, falecido em 21 de abril. A espera pelo anúncio do “Habemus Papam” concentrou olhares do mundo inteiro na varanda da Basílica.
A multidão, composta por peregrinos de países como México, Filipinas e Nigéria, aguardava ansiosa. Muitos seguravam rosários e bandeiras, enquanto jornalistas de 56 idiomas transmitiam o evento ao vivo. O conclave, regido por tradições centenárias, manteve o sigilo absoluto, com os cardeais isolados na Casa Santa Marta.
O processo eleitoral, que exige dois terços dos votos, foi marcado por duas fumaças pretas antes do sucesso na tarde do segundo dia. Abaixo, alguns destaques do evento:
- Juramento de sigilo: Cardeais prometeram segredo sob pena de excomunhão.
- Votação secreta: Cédulas foram usadas para registrar os votos.
- Fumaça branca: Compostos químicos garantiram clareza no sinal.
- Liderança do conclave: Pietro Parolin presidiu as sessões.
Tradição da fumaça no conclave
A fumaça, símbolo do conclave, é um ritual que combina história e tecnologia. Desde o século XIX, a queima das cédulas indica o resultado das votações. Antes de 2005, palha úmida e piche geravam fumaças ambíguas, confundindo os fiéis. Hoje, compostos como clorato de potássio e lactose produzem a fumaça branca, enquanto perclorato de potássio e antraceno criam a preta. Dois fornos, um tradicional e outro eletrônico, asseguram que o sinal seja visível da Praça de São Pedro.
O sistema moderno, implementado em 2005, usa ventiladores e aquecedores para intensificar a fumaça. Cada cartucho pirotécnico contém seis granadas, emitindo fumaça por sete minutos. O ritual, além de prático, conecta fiéis contemporâneos às raízes da Igreja. Em 2025, a fumaça branca apareceu às 15h, no horário de Brasília, após a terceira votação do segundo dia.
Organização do conclave de 2025
A preparação para o conclave começou após a morte de Francisco, em 21 de abril, por AVC e insuficiência cardíaca. A Capela Sistina foi fechada ao público em 28 de abril para a instalação da chaminé e de equipamentos de votação. Bombeiros do Vaticano fixaram o cano visível da praça, enquanto técnicos garantiram a ausência de dispositivos de gravação. Cinco congregações gerais, entre 21 de abril e 6 de maio, discutiram temas como evangelização e mudanças climáticas.
Na manhã de 7 de maio, a missa Pro Eligendo Pontifice reuniu 180 cardeais, incluindo não eleitores, na Basílica de São Pedro. Às 11h30, os 133 eleitores entraram na Capela Sistina, onde Raniero Cantalamessa conduziu uma meditação. O comando “Extra omnes” marcou o início do isolamento. Sete cardeais brasileiros participaram: Leonardo Ulrich Steiner, João Braz de Aviz, Paulo Cezar Costa, Odilo Pedro Scherer, Raymundo Damasceno Assis, Geraldo Majella Agnelo e José Freire Falcão.
Funcionamento das votações
O conclave segue regras da Universi Dominici Gregis, de João Paulo II, com ajustes de Bento XVI. Até quatro votações diárias ocorrem, com cédulas retangulares onde os cardeais escrevem o nome do escolhido. Após a contagem, três escrutinadores verificam os votos, e as cédulas são queimadas. Se nenhum candidato atinge 89 votos após três dias, uma pausa de 24 horas é feita. Após 34 votações sem consenso, um segundo turno entre os dois mais votados é iniciado.
Em 2025, o processo foi ágil, com a eleição concluída em dois dias. Abaixo, as etapas principais:
- Missa inicial: Celebração na Basílica de São Pedro.
- Juramento: Cardeais prometeram sigilo e fidelidade.
- Votação: Cédulas depositadas em urna de prata.
- Fumaça: Resultado anunciado após cada sessão.
- Anúncio: “Habemus Papam” na varanda da Basílica.
Reações na Praça de São Pedro
A fumaça branca transformou a Praça de São Pedro em um cenário de emoção. Cerca de 45 mil pessoas, incluindo famílias e peregrinos de diversos países, celebraram o momento. Muitos acompanhavam a transmissão pelo celular, compartilhando vídeos nas redes sociais. Bandeiras do México, Polônia e Filipinas coloriam a multidão, enquanto rosários eram erguidos em oração.
O cardeal protodiácono Dominique Mamberti, responsável pelo “Habemus Papam”, era aguardado na varanda central. O anúncio, esperado entre 30 e 60 minutos após a fumaça, revelaria o nome de batismo e o nome pontifício do novo papa. A bênção Urbi et Orbi, primeira interação do pontífice com os fiéis, marcaria o início de seu ministério.
Química da fumaça
A produção da fumaça combina tradição e ciência. Um forno de ferro fundido, usado desde 1939, queima as cédulas, enquanto um forno eletrônico adiciona compostos químicos. A fumaça branca é gerada por clorato de potássio, lactose e colofônia, criando uma nuvem espessa. A preta, produzida por perclorato de potássio, antraceno e enxofre, sinaliza votações inconclusivas.
Massimiliano De Sanctis, especialista em pirotecnia, forneceu o sistema em 2005 e 2013. Cada cartucho pirotécnico, acionado por um botão, emite fumaça por sete minutos. O processo garante visibilidade mesmo em dias nublados, como ocorreu em 8 de maio de 2025, quando a fumaça branca foi vista claramente.
História do papado
O papado, com mais de dois mil anos, já contou com 266 pontífices até Francisco. João Paulo II, primeiro não italiano em 455 anos, e Francisco, primeiro latino-americano, marcaram a instituição com visões globais. O conclave de 2025, com 80% de cardeais nomeados por Francisco, reflete sua influência. Curiosidades incluem:
- Anel do Pescador: Personalizado para cada papa, destruído após sua morte.
- Sala das Lágrimas: Espaço para reflexão do eleito.
- Vestes papais: Preparadas em três tamanhos.
- Nomes papais: Nenhum papa escolheu Pedro, em respeito a São Pedro.
O menor pontificado, de Urbano VII, durou 13 dias, enquanto Pio IX governou por 31 anos. A escolha do nome pontifício, revelada no “Habemus Papam”, carrega simbolismo, com possibilidades como João Paulo, Bento ou um nome inédito.
Preparativos técnicos
A Capela Sistina passou por semanas de organização. A chaminé foi instalada em 28 de abril, e varreduras eletrônicas garantiram o sigilo. Os cardeais, alojados na Casa Santa Marta, seguiram uma rotina de orações e votações. A missa Pro Eligendo Pontifice, em 7 de maio, reuniu 180 cardeais, e a meditação de Raniero Cantalamessa precedeu o isolamento.
O conclave de 2025 destacou a diversidade da Igreja, com eleitores de Ásia, África, Américas, Europa e Oceania. A presença de sete brasileiros reforçou a representatividade latino-americana, influenciada pelo pontificado de Francisco.
Legado de Francisco
Francisco, morto aos 88 anos, deixou um Colégio de Cardeais diversificado, com maior presença de Ásia e África. Seus dez consistórios nomearam 80% dos eleitores de 2025, moldando o perfil do conclave. Temas como ecumenismo, mudanças climáticas e justiça social, enfatizados por ele, guiaram as discussões pré-conclave.
Nomes como Pietro Parolin, Luis Antonio Tagle e Péter Erdő surgiram como possíveis candidatos, mas a eleição papal é imprevisível. O novo papa assumirá a liderança de 1,4 bilhão de fiéis, enfrentando questões como inclusão, proteção ambiental e diálogo inter-religioso.
Momentos do conclave
O processo seguiu um calendário rigoroso:
- 21 de abril: Morte de Francisco.
- 26 de abril: Funeral na Praça de São Pedro.
- 28 de abril: Anúncio da data do conclave.
- 7 de maio: Início do conclave, com fumaça preta.
- 8 de maio: Fumaça branca às 15h.
O cancelamento do Anel do Pescador e do Selo de Chumbo marcou o fim do pontificado de Francisco. As congregações gerais abordaram prioridades como a evangelização e crises globais, preparando os cardeais para a eleição.
Anúncio do novo papa
O “Habemus Papam”, pronunciado por Dominique Mamberti, é um dos momentos mais aguardados. O cardeal revela o nome de batismo e o nome pontifício do eleito, seguido pela bênção Urbi et Orbi. Em 2013, a eleição de Francisco foi anunciada 45 minutos após a fumaça. Em 2025, o intervalo deve ser semelhante, com o novo papa aparecendo na varanda da Basílica.
A Sala das Lágrimas, onde o eleito reflete antes de se apresentar, é um espaço de emoção. As vestes papais, preparadas em três tamanhos, garantem que o pontífice esteja pronto para sua primeira aparição, sob o afresco de Michelangelo.
Cobertura global
A eleição atraiu atenção mundial, com transmissões em 56 idiomas pelo Vatican News. Jornais como L’Osservatore Romano distribuíram edições especiais na Praça de São Pedro. Fiéis de Nigéria, Índia e Argentina reforçaram o caráter universal da Igreja, compartilhando o momento nas redes sociais. A presença de jornalistas de diversos países destacou a relevância do evento.
O novo papa, ainda não revelado no momento da fumaça, será responsável por liderar a Igreja em um mundo marcado por conflitos e desafios éticos. Sua escolha de nome pontifício oferecerá pistas sobre suas prioridades, seja seguindo a tradição ou inovando.