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Marca chinesa BYD vende mais que Honda e agita setor automotivo brasileiro

BYD
BYD - Foto: LewisTsePuiLung/istockphoto.com BYD - Foto: LewisTsePuiLung/istockphoto.com

O mercado automotivo brasileiro vive um momento de transformação em 2025. A ascensão meteórica da chinesa BYD, que superou a Honda em emplacamentos em abril, sinaliza uma mudança no comportamento do consumidor e nas estratégias das montadoras. Com 8.345 veículos vendidos no quarto mês do ano, a BYD conquistou a sétima posição no ranking geral, deixando a Honda, com 8.298 unidades, em oitavo lugar. Esse marco reflete o avanço das marcas chinesas, que combinam tecnologia híbrida, preços competitivos e um portfólio alinhado às demandas por sustentabilidade.

A força da BYD não é novidade para quem acompanha o setor. Mesmo antes de iniciar a produção local em Camaçari, na Bahia, prevista para setembro, a montadora já desafia gigantes tradicionais. Em 2024, a empresa terminou o ano como a décima marca mais vendida no Brasil, com 76.402 emplacamentos, enquanto a Honda ocupava a oitava posição, com 91.450 unidades. A diferença, que era de 15 mil veículos, foi reduzida significativamente em poucos meses, evidenciando a velocidade do crescimento chinês.

No acumulado de 2025, a Honda ainda mantém uma vantagem, com 32.244 unidades contra 29.723 da BYD, segundo dados da Fenabrave. Contudo, a distância de 2.521 veículos é pequena diante do ritmo acelerado da concorrente. A BYD aposta em modelos como o Song Pro e o Dolphin Mini, que lideram o segmento de eletrificados, enquanto a Honda enfrenta desafios com alguns de seus modelos, como o ZR-V, que não figura entre os mais vendidos.

Byd Dolphin - Foto: Divulgação
Byd Dolphin – Foto: Divulgação
  • Principais destaques do mercado em abril de 2025:
    • Volkswagen lidera com 26.688 emplacamentos.
    • Fiat mantém a segunda posição com 24.550 unidades.
    • BYD sobe para sétimo, superando a Honda por apenas 47 veículos.
    • Setor automotivo cresce 5,4% em relação a março, com 184.383 veículos emplacados.

Produção local impulsiona competitividade da BYD

A BYD planeja iniciar a produção em sua fábrica em Camaçari no segundo semestre de 2025, com capacidade inicial de 150 mil veículos por ano. A operação, que começa em regime SKD (montagem de peças importadas), permitirá à montadora reduzir custos logísticos e tributários, tornando seus modelos ainda mais acessíveis. O Song Pro, por exemplo, já é o híbrido mais vendido do Brasil, com 3.140 unidades emplacadas em abril, superando até mesmo o Dolphin Mini, que registrou 2.175 vendas no mesmo período.

A estratégia da BYD combina preços agressivos com tecnologia avançada. O Song Pro, com valor inicial de R$ 194.800, oferece um sistema híbrido plug-in que garante autonomia de até 1.100 km, um diferencial frente a rivais como o Toyota Corolla Cross e o Honda HR-V. A produção local também deve ampliar a oferta de versões e acessórios, aumentando a penetração da marca em diferentes faixas de preço. Em dezembro de 2024, promoções como a redução de R$ 20 mil no preço do Song Pro, de R$ 189.800 para R$ 169.990, impulsionaram as vendas, colocando o modelo entre os cinco SUVs mais vendidos do país.

Enquanto isso, a Honda enfrenta dificuldades para manter sua competitividade. O HR-V, principal ativo da marca, vendeu 5.259 unidades em abril, garantindo a oitava posição entre os modelos mais emplacados. No entanto, outros veículos, como o City e o ZR-V, não acompanham o desempenho, limitando o crescimento da montadora japonesa. A aposta no retorno do WR-V, que será produzido localmente como SUV de entrada, é uma tentativa de recuperar espaço no mercado.

Song Pro lidera segmento híbrido

O BYD Song Pro tornou-se um símbolo do sucesso chinês no Brasil. Lançado em julho de 2024, o SUV híbrido plug-in registrou crescimento constante, culminando em 4.083 emplacamentos em dezembro do mesmo ano. Esse número superou modelos consagrados, como o Jeep Renegade (4.002 unidades) e o Toyota Corolla Cross (3.771). Em abril de 2025, o modelo manteve a liderança entre os híbridos, com 3.140 unidades, consolidando sua posição como o veículo eletrificado mais popular do país.

O sucesso do Song Pro deve-se a uma combinação de fatores. Seu sistema híbrido DM-i, que integra um motor 1.5 aspirado a um elétrico de 197 cv, oferece eficiência de até 22,7 km/l, ideal para consumidores preocupados com o custo de combustível. Além disso, o SUV conta com um porta-malas de 520 litros, superior ao do Honda HR-V (354 litros) e próximo ao do Corolla Cross (440 litros). A BYD também investe em design moderno e tecnologia embarcada, como telas digitais e assistentes de condução, que atraem um público jovem e conectado.

  • Vantagens competitivas do Song Pro:
    • Autonomia de 1.100 km, combinando motor elétrico e combustão.
    • Preço inicial reduzido em promoções sazonais.
    • Porta-malas amplo, ideal para famílias.
    • Sistema híbrido plug-in com eficiência de 22,7 km/l.
    • Tecnologia avançada, incluindo assistente de estacionamento e conectividade.

Honda aposta em renovação para reagir

A Honda, embora superada pela BYD em abril, não fica parada. A montadora japonesa prepara mudanças significativas em seu portfólio para 2025. O HR-V, que passará por uma reformulação ainda este ano, é a principal aposta para recuperar terreno. Com preço inicial de R$ 156.100, o SUV compacto mantém apelo entre consumidores que valorizam confiabilidade e baixo custo de manutenção. Em abril, o modelo foi o oitavo mais vendido do Brasil, mas enfrenta concorrência direta de SUVs como o Volkswagen T-Cross e o Hyundai Creta.

Outra novidade é o retorno do WR-V, que será repositionado como o SUV de entrada da marca. Produzido localmente, o modelo visa atrair consumidores que buscam opções mais acessíveis, competindo diretamente com o Fiat Pulse e o Renault Captur. A Honda também planeja atualizações no City, tanto na versão hatch quanto sedã, para tentar recuperar espaço no segmento de compactos, onde enfrenta forte concorrência do Chevrolet Onix e do Hyundai HB20.

A queda de modelos como o ZR-V, que não aparece entre os 50 mais vendidos, reflete a dificuldade da Honda em diversificar seu portfólio. Com preço de R$ 214.500, o SUV médio não conseguiu atrair consumidores em um segmento dominado pelo Jeep Compass e pelo Toyota Corolla Cross. A marca japonesa precisa acelerar sua estratégia de eletrificação para acompanhar o ritmo de concorrentes como a BYD, que já domina o mercado de híbridos e elétricos.

Byd Dolphin - Foto: Divulgação
Byd Dolphin – Foto: Divulgação

Volkswagen e Fiat dominam o topo

Enquanto BYD e Honda disputam posições intermediárias, o topo do ranking permanece estável. A Volkswagen liderou as vendas em abril com 26.688 emplacamentos, garantindo 16,4% de participação de mercado. Modelos como o Polo (8.120 unidades) e o T-Cross (6.512) foram os principais responsáveis pelo desempenho. A Fiat, com 24.550 unidades, ficou em segundo lugar, impulsionada pela Strada (10.257) e pelo Argo (8.247), que subiu para a segunda posição entre os modelos mais vendidos.

A Hyundai, com 16.254 emplacamentos, e a General Motors, com 16.017, completam o grupo das cinco marcas mais vendidas. A Toyota, apesar de um desempenho sólido com 12.391 unidades, perdeu participação em relação a fevereiro, caindo de 9,2% para 8% do mercado. A Jeep, com 9.289 vendas, mantém a sexta posição, beneficiada pelo Compass, que vendeu 4.018 unidades em abril.

  • Ranking das marcas em abril de 2025:
    • Volkswagen: 26.688 unidades (16,4% de mercado).
    • Fiat: 24.550 unidades (15,1%).
    • Hyundai: 16.254 unidades (10%).
    • General Motors: 16.017 unidades (9,8%).
    • Toyota: 12.391 unidades (7,6%).

Crescimento dos eletrificados no Brasil

O segmento de veículos eletrificados, que inclui híbridos e elétricos, registrou 17.587 unidades vendidas em março de 2025, representando 9,6% do total de emplacamentos. O número é 10,4% superior ao de fevereiro e 30,6% maior que o de março de 2024. A BYD lidera com folga, respondendo por cerca de 90% do mercado de elétricos, segundo dados do setor. O Dolphin Mini, com 2.432 unidades em março, é o elétrico mais vendido, enquanto o Song Pro domina entre os híbridos.

O crescimento dos eletrificados reflete uma mudança no perfil do consumidor brasileiro, que busca opções mais econômicas e sustentáveis. A BYD capitaliza essa tendência com modelos acessíveis e infraestrutura de recarga em expansão. Em 2024, a marca vendeu 76.713 veículos no Brasil, um aumento de 327,68% em relação a 2023, consolidando o país como seu maior mercado fora da China. A produção local deve reforçar ainda mais essa posição, com previsão de 300 mil unidades anuais até 2027.

A Honda, por sua vez, ainda não tem uma presença forte no segmento de eletrificados. A marca anunciou planos para lançar modelos híbridos no Brasil, mas a ausência de opções competitivas em 2025 limita seu desempenho. Concorrentes como a Toyota, com o Corolla Cross híbrido, e a GWM, com o Haval H6, também pressionam a montadora japonesa a acelerar sua estratégia.

BYD King desafia Toyota Corolla

Outro destaque da BYD é o sedã King, que compete diretamente com o Toyota Corolla. Em abril de 2025, o modelo alcançou 1.599 emplacamentos, subindo para a 31ª posição no ranking geral, contra a 40ª em janeiro. Equipado com o mesmo sistema híbrido DM-i do Song Pro, o King oferece desempenho robusto e eficiência energética, com preço inicial mais acessível que o rival japonês. O Corolla, com 3.044 unidades vendidas em março, mantém a liderança no segmento de sedãs médios, mas enfrenta pressão crescente.

O King atrai consumidores com seu design arrojado e tecnologia embarcada, incluindo sistemas avançados de assistência ao motorista. A BYD também aposta em promoções sazonais para ampliar as vendas, como descontos oferecidos no fim de 2024, que impulsion Immediate Start. A produção local do King, prevista para começar em 2025, deve reduzir preços, tornando-o ainda mais competitivo. A estratégia da BYD inclui parcerias com locadoras e frotistas, que representaram 47,6% das vendas em março de 2025, um aumento em relação aos 43,9% de fevereiro.

  • Diferenciais do BYD King:
    • Sistema híbrido plug-in com 197 cv e 30,6 kgfm de torque.
    • Autonomia combinada de até 1.000 km.
    • Preço inicial competitivo, a partir de R$ 179.800.
    • Design moderno com tela central de 12,8 polegadas.

Investimentos bilionários da BYD no Brasil

A BYD anunciou investimentos de R$ 10 bilhões no Brasil até 2027, com foco na verticalização da produção de veículos elétricos e híbridos. A fábrica de Camaçari, que inicia operações em setembro de 2025, será a primeira da marca na América do Sul e terá capacidade para produzir baterias e componentes localmente. A iniciativa inclui a exploração e processamento de lítio, essencial para a fabricação de baterias, e a construção de 250 concessionárias até o fim de 2024.

O investimento reflete a confiança da BYD no potencial do mercado brasileiro, que registrou 2,63 milhões de emplacamentos em 2024, um aumento de 14% em relação a 2023. A marca também planeja lançar novos modelos, como a picape Shark, uma híbrida plug-in com quase 500 cv, que chegará entre 2025 e 2026. A produção local deve gerar milhares de empregos e fortalecer a posição do Brasil como hub de veículos eletrificados na América do Sul.

Outras montadoras, como a Volkswagen (R$ 16 bilhões), a Toyota (R$ 11 bilhões) e a Hyundai (R$ 5,5 bilhões), também anunciaram investimentos no Brasil em 2025, sinalizando um aquecimento do setor. A BYD, no entanto, destaca-se pelo foco em eletrificação e pela rapidez na implementação de sua estratégia, que inclui parcerias com universidades e centros de pesquisa para desenvolver tecnologias locais.

Desafios logísticos e tributários

A expansão da BYD no Brasil enfrenta obstáculos, como atrasos na construção da fábrica de Camaçari, inicialmente prevista para julho de 2025. Questões logísticas, como a importação de peças da China, e tributações elevadas para veículos eletrificados ainda impactam os custos. Em 2024, denúncias de irregularidades trabalhistas na obra da fábrica geraram críticas, embora a empresa tenha prometido corrigir as falhas.

Apesar disso, a BYD mantém uma vantagem competitiva com sua cadeia de suprimentos global. A empresa planeja importar componentes essenciais da China e montar veículos localmente, reduzindo o impacto de tarifas. A estratégia é semelhante à adotada em outros mercados, como Tailândia e Hungria, onde a BYD também constrói fábricas. No Brasil, a redução de custos deve permitir que modelos como o Song Pro e o Dolphin Mini fiquem mais acessíveis, ampliando a participação da marca no mercado.

Exportações e mercado regional

O Brasil também é um ponto estratégico para as exportações da BYD na América do Sul. Em 2024, o país exportou 428.000 veículos, com Argentina recuperando a posição de principal destino, à frente do México. A produção local da BYD deve aumentar esse número, com previsão de 7,4% de crescimento nas exportações em 2025. Modelos como o Dolphin Mini, que recebeu cinco estrelas no Latin NCAP, são bem recebidos em mercados vizinhos, como Uruguai e Paraguai.

A BYD também planeja explorar novos mercados na América Latina e no Sudeste Asiático, onde a aceitação de marcas chinesas é alta. A empresa espera dobrar suas vendas internacionais para 800.000 unidades em 2025, com o Brasil desempenhando um papel central. A capacidade de oferecer veículos com custo-benefício superior, aliada à produção local, posiciona a BYD como uma das principais concorrentes no cenário global.

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