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Julio Manzur, ex-Santos, preso em Luque por liderar rede de tráfico de drogas

Manzur
Manzur - Foto:: (Foto: Divulgação/ Santo(Foto: Divulgação/ Santo(Foto: Divulgação/ Santos) Manzur - Foto:: (Foto: Divulgação/ Santo(Foto: Divulgação/ Santo(Foto: Divulgação/ Santos)

Um operativo policial em Luque, cidade próxima a Assunção, capital do Paraguai, resultou na prisão de Julio César Manzur, ex-zagueiro da seleção paraguaia e jogador do Santos em 2006. A detenção ocorreu na noite de quarta-feira, 7 de maio de 2025, em uma ação coordenada pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) no bairro Ykua Duré.

Manzur, de 44 anos, foi surpreendido enquanto, segundo as autoridades, tentava negociar cerca de 6 quilos de cocaína. A operação, que mobilizou agentes especializados, também levou à prisão de outros dois indivíduos ligados ao esquema.

O caso chocou o meio esportivo, especialmente no Paraguai, onde Manzur é conhecido por sua trajetória como medalhista olímpico e atleta de clubes renomados. A seguir, detalhes da operação e da carreira do ex-jogador:

  • Ação policial: Quatro meses de investigações culminaram na prisão.
  • Quantidade de droga: Aproximadamente 6 kg de cocaína boliviana foram apreendidos.
  • Envolvidos: Além de Manzur, dois “colaboradores” foram detidos.
  • Modus operandi: A rede utilizava eventos esportivos, como torneios de piki-vôlei, para distribuir drogas.

A investigação revelou que o grupo operava no mercado de microtráfico, atendendo a um público de alto poder aquisitivo na região metropolitana de Assunção.

Trajetória de Julio Manzur no futebol

Julio César Manzur Caffarena nasceu em 22 de janeiro de 1981, na cidade de Limpio, Paraguai. Com 1,85 metro de altura, destacou-se como zagueiro pela força física e presença em campo. Sua carreira começou no clube Cerro Corá, mas foi no Guaraní, outro time paraguaio, que ganhou projeção.

Em 2006, Manzur chegou ao Santos por empréstimo, tornando-se o quinto jogador paraguaio a vestir a camisa do clube. Durante sua passagem, contribuiu para a conquista do Campeonato Paulista, em uma temporada marcada pela solidez defensiva do time, que sofreu apenas 19 gols em 19 partidas. Apesar do sucesso, ele não aceitou a proposta de renovação do empréstimo e deixou o Peixe no fim do ano.

Após o Santos, o zagueiro passou por clubes como Pachuca e León, no México, Tigre, na Argentina, e Olimpia, no Paraguai. Sua última equipe foi o Rubio Ñú, onde encerrou a carreira em 2016.

  • Principais conquistas: Medalha de prata nas Olimpíadas de 2004 com o Paraguai.
  • Seleção paraguaia: 32 jogos e um gol, com participação na Copa do Mundo de 2006.
  • Clubes notáveis: Santos, Pachuca, Olimpia e Guaraní.
  • Encerramento: Aposentou-se aos 35 anos, após passagem pelo Rubio Ñú.

A trajetória de Manzur no futebol, marcada por momentos de glória, contrasta com os eventos recentes que o colocaram no centro de uma investigação criminal.

Operação em Luque

A prisão de Manzur foi resultado de um trabalho de inteligência que começou quatro meses antes, segundo César Diarte, representante da Polícia Antinarcótica do Paraguai. Os agentes monitoraram atividades suspeitas no bairro Ykua Duré, identificado como ponto de distribuição de drogas.

Na noite de 7 de maio, a Senad realizou uma abordagem em uma residência onde Manzur e seus associados foram encontrados. Além dos 6 quilos de cocaína, os policiais apreenderam materiais usados na comercialização da droga, como embalagens e balanças de precisão.

A droga, de origem boliviana, era destinada a consumidores de alto padrão, segundo as autoridades. A rede liderada por Manzur, conforme a investigação, operava com discrição, utilizando eventos sociais e esportivos como fachada para as transações.

Modus operandi da rede

A investigação revelou que a organização comandada por Manzur tinha uma estrutura sofisticada. Torneios de piki-vôlei e futebol, populares no Paraguai, serviam como ponto de encontro para distribuidores e clientes. Esses eventos atraíam pessoas de classes mais abastadas, facilitando a comercialização sem levantar suspeitas.

Os agentes da Senad identificaram que a rede contava com pelo menos dois “empregados” de Manzur, responsáveis por transportar e entregar a droga. Esses indivíduos, também detidos na operação, atuavam como intermediários, enquanto o ex-jogador seria o principal investidor e coordenador do esquema.

  • Locais de operação: Áreas metropolitanas de Assunção e Luque.
  • Público-alvo: Consumidores de alto poder aquisitivo.
  • Eventos usados: Torneios de piki-vôlei e jogos de futebol amador.
  • Origem da droga: Cocaína importada da Bolívia.
  • Quantidade apreendida: 6 kg, avaliados em milhares de dólares no mercado local.

A operação desmantelou uma rede que, embora focada no microtráfico, movimentava quantidades significativas de entorpecentes.

Reação no meio esportivo

A notícia da prisão de Manzur reverberou entre torcedores e ex-companheiros. No Paraguai, onde o futebol é uma paixão nacional, a detenção de um ex-medalhista olímpico gerou surpresa e decepção. Clubes como Olimpia e Guaraní, onde Manzur jogou, não emitiram comunicados oficiais até o momento.

No Brasil, torcedores do Santos manifestaram espanto nas redes sociais. Muitos lembraram da passagem do zagueiro pelo clube, marcada pela conquista do Paulista de 2006. A diretoria do Santos também optou por não comentar o caso, considerando que Manzur não tem vínculo com a equipe há quase duas décadas.

A comunidade esportiva paraguaia, por sua vez, enfrenta o impacto de ver mais um ex-atleta envolvido em atividades criminosas. Casos semelhantes, embora raros, já ocorreram no país, levantando debates sobre o acompanhamento de atletas após o fim de suas carreiras.

Contexto do narcotráfico no Paraguai

O Paraguai é um ponto estratégico no tráfico de drogas na América do Sul, especialmente por sua localização entre Bolívia, Brasil e Argentina. Nos últimos anos, o país intensificou o combate ao narcotráfico, com operações frequentes na fronteira e em áreas urbanas.

Luque, onde Manzur foi preso, é uma cidade conhecida por sua proximidade com Assunção e por abrigar redes de microtráfico. A Senad tem focado esforços em desmantelar essas organizações, que muitas vezes operam com estruturas pequenas, mas bem organizadas.

  • Rotas de tráfico: Drogas bolivianas entram pelo norte do Paraguai.
  • Destino: Parte da cocaína é consumida localmente; outra é enviada ao Brasil.
  • Ações policiais: A Senad realizou 120 operações em 2024, apreendendo 15 toneladas de entorpecentes.
  • Perfil das redes: Pequenos grupos com alto nível de discrição.

A prisão de Manzur reforça a complexidade do combate ao tráfico no país, que envolve desde grandes cartéis até redes locais como a desarticulada em Ykua Duré.

Declarações de Manzur

Após a prisão, Julio Manzur falou brevemente com a imprensa local. Ele negou envolvimento com o tráfico, afirmando que apenas prestava serviços de transporte para terceiros. Segundo o ex-jogador, ele não tinha conhecimento do conteúdo das mercadorias que transportava.

As autoridades, no entanto, contestam a versão de Manzur. Evidências coletadas durante os quatro meses de investigação, incluindo interceptações telefônicas e testemunhos, apontam para seu papel central na rede. O Ministério Público do Paraguai acompanha o caso e deve formalizar as acusações nos próximos dias.

A defesa de Manzur ainda não se pronunciou oficialmente. O ex-zagueiro permanece detido em uma unidade policial em Luque, à espera de transferência para uma penitenciária.

Histórico de atletas e crimes

A prisão de Manzur não é um caso isolado no mundo do esporte. Outros atletas, especialmente no futebol, já enfrentaram acusações criminais após o fim de suas carreiras. No Paraguai, a falta de suporte financeiro e psicológico para ex-jogadores é apontada como um fator que pode levar a escolhas ilícitas.

No Brasil, casos como o do ex-goleiro Edinho, filho de Pelé, condenado por tráfico de drogas, e do atacante Jobson, ex-Botafogo, também envolvido em crimes, ganharam destaque. Esses episódios alimentam discussões sobre a transição de carreira de atletas e a necessidade de programas de reintegração.

  • Casos notórios: Edinho (tráfico), Jobson (tráfico), Breno (incêndio criminoso).
  • Fatores de risco: Fim precoce da carreira, dívidas e falta de planejamento.
  • Soluções propostas: Programas de apoio psicológico e financeiro para ex-atletas.
  • Impacto na imagem: Escândalos afetam a reputação de clubes e seleções.

O caso de Manzur, embora distinto, reacende o debate sobre o destino de ex-jogadores em contextos socioeconomicamente desafiadores.

Próximos passos judiciais

O Ministério Público do Paraguai informou que Manzur e os outros dois detidos passarão por audiências preliminares nos próximos dias. As acusações iniciais incluem tráfico de drogas e associação criminosa, com penas que podem chegar a 15 anos de prisão.

A investigação continua, com os agentes da Senad buscando identificar outros possíveis membros da rede. A origem exata da cocaína apreendida também está sob análise, já que as autoridades suspeitam de conexões com fornecedores bolivianos.

Enquanto isso, a Justiça paraguaia avalia se Manzur será mantido em prisão preventiva ou transferido para um presídio de segurança máxima. A decisão dependerá das evidências apresentadas pelo Ministério Público e da estratégia da defesa.

Legado esportivo em xeque

A carreira de Julio Manzur, que incluiu momentos memoráveis como a medalha de prata nas Olimpíadas de 2004 e a participação na Copa do Mundo de 2006, agora está ofuscada por sua prisão. No Paraguai, torcedores lamentam que a imagem de um ídolo esportivo tenha sido manchada por acusações graves.

No Santos, onde Manzur deixou sua marca em 2006, o caso é visto como um episódio distante, mas que reacende memórias de uma temporada vitoriosa. A torcida, no entanto, foca no presente, com o clube disputando competições nacionais e internacionais.

A trajetória de Manzur, que já foi sinônimo de superação e talento, agora enfrenta um novo capítulo, marcado por investigações e processos judiciais. O desfecho do caso dependerá das próximas etapas do sistema judiciário paraguaio.

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