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Como Rosane Svartman usa flashbacks para cativar público em Dona de Mim na Globo

Rosane Svartman
Rosane Svartman - Foto: Instagram Rosane Svartman - Foto: Instagram

A novela Dona de Mim, exibida na faixa das 19h da Globo, tem conquistado o público com uma narrativa envolvente e estratégica. Rosane Svartman, autora conhecida por sucessos como Vai na Fé e Totalmente Demais, apostou em cenas de flashback para estruturar a trama, evitando divisões tradicionais em fases. Essa escolha, segundo especialistas, trouxe dinamismo à história de Leona, interpretada por Clara Moneke, e Marlon, vivido por Humberto Morais. A audiência respondeu positivamente, com números que superam antecessoras recentes.

A estratégia de Svartman reflete sua habilidade em equilibrar humor, drama e temas sociais. A trama, ambientada no bairro carioca de São Cristóvão, acompanha a trajetória de uma babá marcada por traumas do passado. Desde a estreia, em 28 de abril de 2025, a novela registra médias expressivas, consolidando-se como um dos destaques da programação.

‘Dona de Mim’ é uma novela criada por Rosane Svartman (Foto: Léo Rosario, Globo)
‘Dona de Mim’ é uma novela criada por Rosane Svartman (Foto: Léo Rosario, Globo)
  • Audiência inicial: 22,2 pontos de média, superando Volta por Cima (21,2) e Família É Tudo (19,8).
  • Temas centrais: Maternidade, segurança pública, saúde mental e diferenças de classe.
  • Recurso narrativo: Flashbacks frequentes para revelar o passado de Leona e Marlon.

Primeiros números impressionam

A estreia de Dona de Mim marcou um feito significativo para a Globo. Com 22,2 pontos de média e pico de 22,9, a novela superou as antecessoras Volta por Cima e Família É Tudo, alcançando 33,9% de share. Esses números refletem o impacto imediato da trama, que combina uma protagonista carismática com uma narrativa acessível. Rosane Svartman, ao optar por flashbacks, evitou o risco de dividir a novela em duas fases, uma prática que pode alienar parte do público.

A decisão de estruturar a história sem rupturas temporais mantém a fluidez narrativa. Leona, uma jovem que perdeu um bebê em uma gestação avançada, carrega cicatrizes emocionais que são reveladas gradualmente por meio de cenas do passado. Essas sequências, bem integradas ao presente, criam uma conexão emocional com o espectador, que acompanha sua jornada de superação. O sucesso inicial sugere que a abordagem de Svartman pode redefinir padrões para novelas das sete.

Estratégia narrativa em foco

Rosane Svartman demonstrou domínio ao usar flashbacks como ferramenta central em Dona de Mim. Diferentemente de novelas que separam a trama em fases distintas, a autora optou por intercalar passado e presente de forma orgânica. Essa técnica permite explorar o trauma de Leona sem interromper o ritmo da história. A babá, descrita como divertida e desajeitada, esconde uma dor profunda, revelada em momentos-chave que mantêm o espectador intrigado.

A escolha por flashbacks também resolve um desafio comum em folhetins: manter a coerência narrativa ao abordar temas complexos. A novela discute questões como maternidade solo, violência urbana e saúde mental, mas o faz com leveza, característica da faixa das 19h. A direção artística de Allan Fiterman reforça a abordagem, com transições visuais que integram as cenas retrospectivas ao enredo principal.

  • Temas sociais abordados:
    • Maternidade não biológica e suas nuances emocionais.
    • Segurança pública, com foco na humanização de policiais.
    • Saúde mental, destacando a superação de traumas.
    • Diferenças de classe entre a elite carioca e a periferia.
  • Impacto visual: Cenas de flashback com tons mais escuros para diferenciar do presente.

Elenco estelar sustenta a trama

O sucesso de Dona de Mim também se deve ao elenco cuidadosamente selecionado. Clara Moneke, no papel de Leona, entrega uma atuação que combina humor e vulnerabilidade. Sua química com Humberto Morais, intérprete de Marlon, é um dos pontos altos da novela. A história do casal, marcada por um romance interrompido no passado, ganha profundidade com os flashbacks, que revelam os motivos de sua separação.

Nomes como Tony Ramos, no papel do empresário Abel, e Camila Pitanga, como a falecida mãe de Sofia, agregam peso à trama. Claudia Abreu, interpretando Filipa, e Rafael Vitti, no papel de Davi, completam o núcleo principal, trazendo camadas adicionais à narrativa. A jovem Elis Cabral, que vive Sofia, surpreende pela naturalidade, especialmente nas cenas em que interage com Leona. A escolha de atores experientes e novatos reflete a intenção de Svartman de criar uma novela diversa e representativa.

São Cristóvão como pano de fundo

A ambientação em São Cristóvão, bairro da zona norte do Rio de Janeiro, confere autenticidade à trama. Rosane Svartman, que já explorou periferias cariocas em Vai na Fé e Bom Sucesso, utiliza o bairro como um personagem vivo, com suas ruas, comércio e dinâmica social. A fábrica de lingerie de Abel, cenário central, simboliza o choque entre a elite decadente e a classe trabalhadora.

As cenas gravadas no bairro capturam a essência de uma comunidade vibrante, mas também expõem suas vulnerabilidades, como a violência urbana. A pesquisa de campo, conduzida por Suzan Stanley, garantiu verossimilhança, com detalhes que enriquecem a narrativa. A escolha de São Cristóvão reforça o compromisso da autora em retratar a realidade brasileira de forma crível e envolvente.

Flashbacks evitam armadilha comum

A decisão de Rosane Svartman de priorizar flashbacks em vez de dividir Dona de Mim em fases foi um movimento arriscado, mas bem-sucedido. Novelas com fases distintas, como algumas produções recentes, correm o risco de perder o público na transição. Ao manter a história em uma linha temporal contínua, com recuos pontuais ao passado, a autora garante que o espectador permaneça conectado aos personagens.

Essa abordagem também permite explorar o desenvolvimento emocional de Leona e Marlon sem pressa. As cenas retrospectivas, que mostram o casal antes da perda gestacional, criam empatia e contexto para suas ações no presente. A frequência dos flashbacks, embora criticada por alguns como excessiva, tem sido apontada como um diferencial que mantém a trama dinâmica.

  • Vantagens dos flashbacks:
    • Evitam rupturas abruptas na narrativa.
    • Aprofundam a conexão emocional com os personagens.
    • Permitem explorar temas sensíveis, como perda gestacional, com delicadeza.
    • Mantêm o ritmo acelerado, típico das novelas das sete.

Temas sociais ganham destaque

Dona de Mim se destaca por abordar questões sociais com sensibilidade e humor. A maternidade, tema central, é explorada em suas diversas facetas, incluindo a relação não biológica entre Leona e Sofia. A novela também discute segurança pública por meio de Marlon, um policial militar que busca humanizar sua profissão. A saúde mental, outro pilar da trama, é tratada com cuidado, especialmente na jornada de superação de Leona.

A inclusão de temas como violência urbana e mudanças climáticas reflete a intenção de Svartman de dialogar com o público brasileiro. A autora, conhecida por sua escuta atenta às demandas sociais, incorpora essas questões de forma orgânica, sem perder o tom leve da faixa horária. A pesquisa com policiais e especialistas garantiu que a representação de Marlon fosse realista, destacando os desafios enfrentados por agentes de segurança.

Química entre atores impulsiona romances

Os triângulos amorosos, marca registrada de Rosane Svartman, estão presentes em Dona de Mim com força total. A autora, que criou casais icônicos em Totalmente Demais e Bom Sucesso, aposta na química entre Clara Moneke e Humberto Morais para cativar o público. O romance interrompido de Leona e Marlon, revisitado por meio de flashbacks, é o coração da trama, mas outros relacionamentos, como o de Samuel (Juan Paiva) e Davi (Rafael Vitti), adicionam camadas à narrativa.

A flexibilidade de uma obra aberta permite que Svartman ajuste a trama com base na recepção do público. As torcidas pelos casais, amplificadas nas redes sociais, influenciam decisões criativas, garantindo que os romances permaneçam envolventes. A autora destaca que a fidelidade às motivações dos personagens é essencial para que os triângulos amorosos funcionem, criando histórias de amor autênticas e cativantes.

Recepção inicial e críticas

A primeira semana de Dona de Mim foi marcada por elogios, mas também por algumas ressalvas. O público celebrou a estreia com 22,2 pontos de audiência, mas parte dos espectadores apontou excessos nos flashbacks. Críticas nas redes sociais destacaram que as cenas retrospectivas, embora bem executadas, poderiam ser mais equilibradas para dar espaço ao desenvolvimento dos personagens no presente.

Apesar disso, a trama foi elogiada pela abordagem sensível de temas como perda gestacional e pela representatividade do elenco. A escolha de Clara Moneke como protagonista, uma mulher negra periférica, reforça o compromisso de Svartman com a diversidade. A novela também foi reconhecida por sua capacidade de entreter enquanto aborda questões sociais, um equilíbrio que a autora domina desde Vai na Fé.

  • Pontos positivos destacados:
    • Atuação de Clara Moneke e química com Humberto Morais.
    • Temas sociais tratados com leveza e profundidade.
    • Ambientação autêntica em São Cristóvão.
    • Uso criativo de flashbacks para evitar divisões em fases.
  • Críticas recebidas:
    • Excesso de flashbacks na primeira semana.
    • Desenvolvimento inicial dos personagens secundários aquém do esperado.

Produção enfrenta desafios

A produção de Dona de Mim enfrentou obstáculos antes mesmo da estreia. Em fevereiro de 2025, um incêndio atingiu parte da cidade cenográfica, causando preocupação entre a equipe. Apesar do susto, os danos foram minimizados, e a reconstrução foi concluída a tempo para as gravações. Rosane Svartman destacou o esforço dos profissionais envolvidos, que garantiram a continuidade do projeto sem comprometer a qualidade.

As gravações, iniciadas em fevereiro, envolveram workshops e leituras de texto com o elenco, garantindo que os atores estivessem alinhados com a visão da autora. A direção de Allan Fiterman, que já trabalhou com Svartman em No Rancho Fundo, trouxe consistência visual à trama, com destaque para as cenas em São Cristóvão. A produção, liderada por Mariana Pinheiro, enfrentou o desafio de recriar um bairro carioca com autenticidade, tarefa cumprida com sucesso.

IZA na abertura reforça apelo popular

A escolha da música “Dona de Mim”, de IZA, como tema de abertura foi um acerto estratégico. O single, anunciado como hino atemporal, ressoa com a história de Leona, uma mulher que busca reconstruir sua vida após um trauma. A faixa, lançada originalmente em 2020, ganhou nova relevância ao ser associada à novela, ampliando seu alcance nas plataformas digitais.

A abertura, com imagens vibrantes de São Cristóvão e do elenco, captura a essência da trama, misturando humor e emoção. A decisão de usar uma música de IZA reforça o apelo popular da novela, conectando-se a um público jovem e diverso. A escolha também reflete a intenção de Svartman de criar uma obra que dialogue com a cultura brasileira contemporânea.

Equipe de roteiro experiente

Rosane Svartman reuniu uma equipe de roteiristas talentosos para dar vida a Dona de Mim. Nomes como Juan Jullian, Renata Sofia, Jacqueline Vargas, Michel Carvalho, Mario Viana e Carolina Santos colaboraram na construção da trama, trazendo perspectivas diversas. A pesquisadora Suzan Stanley desempenhou um papel crucial, garantindo que os temas sociais fossem abordados com profundidade e precisão.

A sala de roteiro, inaugurada em dezembro de 2024, foi descrita como um espaço criativo e colaborativo. A experiência de Svartman, aliada ao talento de seus colaboradores, resultou em uma narrativa coesa e envolvente. A autora, que já trabalhou com equipes robustas em Vai na Fé e Bom Sucesso, destacou a importância da troca de ideias para o sucesso da novela.

  • Membros da equipe de roteiro:
    • Juan Jullian, com experiência em tramas sociais.
    • Renata Sofia, especialista em diálogos realistas.
    • Jacqueline Vargas, focada em triângulos amorosos.
    • Michel Carvalho, responsável por cenas de ação.
    • Carolina Santos, com olhar atento à representatividade.

Expectativas para os próximos capítulos

A novela, com 221 capítulos previstos até janeiro de 2026, promete manter o ritmo acelerado. Os próximos episódios devem aprofundar a relação entre Leona e Sofia, enquanto novos conflitos na família Boaz, dona da fábrica de lingerie, ganham destaque. A rivalidade entre Filipa e Abel, aliada às ambições de Samuel e Davi, deve movimentar a trama, com reviravoltas que testarão a lealdade dos personagens.

A trajetória de Marlon como policial militar também será explorada em maior profundidade, com cenas que mostram os desafios de sua profissão. A amizade com Ryan, um jovem em processo de ressocialização, trará discussões sobre justiça e redenção. Rosane Svartman, atenta às reações do público, pode ajustar o rumo da história, mantendo o equilíbrio entre drama e humor que caracteriza suas obras.

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