Londres transformou-se no epicentro das comemorações pelo 80º aniversário do Dia da Vitória na Europa, um marco histórico que sinalizou o fim dos conflitos na Segunda Guerra Mundial em 1945. Milhares de pessoas reuniram-se na capital britânica para prestar homenagem aos veteranos, com a família real desempenhando um papel central nos eventos. A Abadia de Westminster, palco de cerimônias icônicas, acolheu uma solenidade que reuniu o rei Charles III, a rainha Camilla, o príncipe William e Kate Middleton. O evento, carregado de simbolismo, marcou o encerramento de quatro dias de celebrações no Reino Unido.
A cerimônia na Abadia destacou a memória da rainha Elizabeth II, que, aos 19 anos, viveu intensamente o Dia da Vitória em 1945. Políticos de peso, como o primeiro-ministro Keir Starmer e a líder da oposição Kemi Badenoch, também compareceram, reforçando a relevância do evento. A data, celebrada em 8 de maio na maioria dos países aliados, ganha contornos especiais em 2025, em meio a tensões geopolíticas globais.
As celebrações começaram no início da semana, com um desfile militar que percorreu as ruas de Londres. O evento inicial, realizado em 5 de maio, contou com mais de 1.300 militares britânicos, além de tropas da Otan e ucranianas, simbolizando apoio à Ucrânia em seu conflito atual.
- Homenagem aos veteranos: Cerca de 50 ex-combatentes foram recebidos no Palácio de Buckingham para um chá com a família real.
- Participação internacional: Tropas ucranianas marcharam ao lado de forças britânicas, destacando solidariedade global.
- Símbolos históricos: O Big Ben tocou ao meio-dia, seguido pela leitura de trechos do discurso de Winston Churchill.
Solenidade na Abadia de Westminster
A Abadia de Westminster, um dos locais mais emblemáticos do Reino Unido, foi escolhida para a cerimônia principal do Dia da Vitória. O rei Charles III chegou ao local acompanhado por membros da família real, incluindo a rainha Camilla, que participou ativamente das homenagens. O príncipe William e Kate Middleton, acompanhados por seus três filhos, também marcaram presença, reforçando o compromisso da monarquia com a memória histórica. A solenidade incluiu hinos tradicionais e leituras que evocaram o sacrifício dos soldados aliados.
Milhares de cidadãos lotaram as proximidades da Abadia, muitos carregando bandeiras do Reino Unido. A presença de veteranos, alguns com mais de 100 anos, trouxe emoção ao evento. Um coral militar entoou canções da época da guerra, enquanto projeções visuais exibiam imagens de 1945, incluindo a icônica aparição de Winston Churchill na varanda do Palácio de Buckingham.
- Presença de veteranos: Ex-combatentes compartilharam histórias de batalhas na Normandia e outros fronts.
- Homenagem musical: O coral da Guarda Real apresentou músicas que marcaram a era da Segunda Guerra.
- Exibição visual: Telões exibiram cenas históricas, conectando o público às memórias de 1945.
Participação política reforça unidade
Políticos britânicos de diferentes espectros compareceram à cerimônia, destacando a importância de preservar a memória do Dia da Vitória. Keir Starmer, primeiro-ministro trabalhista, esteve ao lado de ex-primeiros-ministros, como Boris Johnson e Liz Truss, em um raro momento de unidade política. Kemi Badenoch, líder conservadora, também participou, enfatizando a relevância do evento para as gerações futuras. A presença de figuras públicas reforçou a mensagem de gratidão aos que lutaram contra o regime nazista.
Starmer organizou uma recepção em Downing Street, onde veteranos foram homenageados com medalhas honorárias. O evento contou com a participação de famílias de ex-combatentes, que compartilharam relatos emocionantes. A cerimônia na Abadia incluiu um momento de silêncio nacional, observado em todo o Reino Unido às 11h, em memória dos caídos.
Conexão histórica com Elizabeth II
A rainha Elizabeth II, falecida em 2022, foi uma figura central nas homenagens. Em 1945, ainda princesa, ela e sua irmã Margaret escaparam do Palácio de Buckingham para se misturar à multidão em Londres, em uma celebração espontânea do fim da guerra. Essa história, recontada durante a cerimônia, emocionou os presentes. Elizabeth descreveu a experiência como uma das noites mais memoráveis de sua vida, marcada por alegria e alívio.

Durante a Segunda Guerra, Elizabeth contribuiu ativamente, servindo como mecânica no Serviço Territorial Auxiliar. Sua atuação, embora simbólica, inspirou gerações. A cerimônia na Abadia exibiu imagens de arquivo da jovem princesa, conectando o passado ao presente.
- Memórias de 1945: Elizabeth e Margaret caminharam incógnitas pelas ruas de Londres.
- Contribuição na guerra: A futura rainha aprendeu a dirigir caminhões militares.
- Legado duradouro: Sua história foi destacada como exemplo de resiliência.
Desfile militar abre celebrações
As comemorações do 80º aniversário começaram em 5 de maio com um grande desfile militar em Londres. Mais de 1.300 membros das Forças Armadas britânicas marcharam do Parlamento ao Palácio de Buckingham, acompanhados por tropas da Otan e 11 soldados ucranianos. O evento, assistido por milhares nas ruas, incluiu um sobrevoo de aeronaves históricas e da equipe acrobática Red Arrows, que deixou um rastro tricolor no céu.
O desfile foi iniciado por Alan Kennett, um veterano centenário da Normandia, que carregou uma tocha comemorativa. A participação ucraniana simbolizou o apoio britânico a Kiev, em um momento de tensões com a Rússia. O Cenotáfio, monumento de guerra, foi coberto com bandeiras britânicas pela primeira vez desde 1920.
Recepções honram veteranos
Além da cerimônia na Abadia, diversas recepções marcaram as celebrações. No Palácio de Buckingham, o rei Charles III recebeu cerca de 50 veteranos para um chá, onde ouviram relatos de batalhas e sacrifícios. O HMS Belfast, navio de guerra ancorado no Tâmisa, também foi palco de um evento que reuniu ex-combatentes e suas famílias.
A rainha Camilla visitou uma instalação artística na Torre de Londres, composta por 30 mil papoulas de cerâmica, símbolo das vítimas de conflitos. A exposição, que permanecerá até novembro, atraiu milhares de visitantes. Pubs britânicos receberam permissão para funcionar até 1h da manhã, incentivando celebrações populares.
- Chá no Palácio: Veteranos compartilharam histórias com a família real.
- HMS Belfast: O navio histórico sediou uma recepção para ex-combatentes.
- Papoulas na Torre: A instalação artística homenageou os caídos em guerras.
Simbolismo do Big Ben
O toque do Big Ben ao meio-dia de 5 de maio marcou o início oficial das comemorações. O ator Timothy Spall recitou trechos do discurso de Winston Churchill proferido em 1945, que celebrou a rendição nazista. A leitura, transmitida ao vivo, evocou a emoção de uma nação que superou anos de conflito. Churchill, figura central na vitória aliada, foi lembrado por sua liderança durante os anos mais sombrios da guerra.
O discurso destacou a união do povo britânico contra a tirania. Spall, conhecido por papéis em filmes históricos, trouxe gravidade à leitura, conectando o público às palavras de 80 anos atrás. O momento foi seguido por aplausos nas ruas de Londres.
Solidariedade com a Ucrânia
A participação de soldados ucranianos no desfile inicial reforçou o apoio do Reino Unido à Ucrânia em seu conflito com a Rússia. Os 11 militares, treinados no programa Operation Interflex, marcharam com a bandeira de seu país, recebendo aplausos da multidão. O gesto ocorreu em um contexto de pressões internacionais por um acordo de paz, lideradas pelo presidente americano Donald Trump.
O ministro da Defesa britânico, John Healey, destacou a relevância da presença ucraniana, lembrando que a Europa enfrenta sua primeira guerra em grande escala desde 1945. O Reino Unido destinou bilhões de libras em ajuda militar a Kiev desde 2022, incluindo equipamentos e treinamento.
- Apoio militar: O Reino Unido treina soldados ucranianos desde o início do conflito.
- Sanções à Rússia: Medidas econômicas foram intensificadas contra Moscou.
- Declarações oficiais: Healey enfatizou a luta pela liberdade na Europa.
Celebrações populares pelo país
Além dos eventos oficiais, o Reino Unido viu centenas de festas de rua, piqueniques e exposições. Comunidades locais organizaram eventos para homenagear veteranos, com escolas e igrejas promovendo atividades educativas. Em cidades como Manchester e Edimburgo, desfiles menores reuniram residentes e militares.
O governo incentivou a participação popular, distribuindo materiais educativos sobre a Segunda Guerra. Museus, como o Imperial War Museum, abriram exposições temporárias com artefatos de 1945, incluindo uniformes e cartas de soldados. As celebrações reforçaram o senso de comunidade em todo o país.
Encerramento com culto de ação de graças
A manhã de 8 de maio foi marcada por um culto de ação de graças na Abadia de Westminster, com a presença da família real. O evento, que incluiu leituras bíblicas e hinos, reuniu líderes religiosos e políticos. Um concerto na Horse Guards Parade encerrou as comemorações, com apresentações de bandas militares e artistas contemporâneos.
O culto incluiu um momento de silêncio nacional, observado em prédios governamentais e residências. A cerimônia destacou a gratidão aos aliados que combateram na guerra, incluindo Estados Unidos, França e a antiga União Soviética. O concerto noturno atraiu milhares ao centro de Londres.
- Silêncio nacional: Dois minutos de reflexão marcaram o culto.
- Bandas militares: Apresentações resgataram o espírito de 1945.
- Participação pública: Milhares assistiram ao concerto ao ar livre.
Memórias dos veteranos
Veteranos como Dennis Bishop, de 99 anos, compartilharam histórias durante as celebrações. Bishop, que serviu na Força Aérea, lembrou os colegas que não sobreviveram. Suas palavras, transmitidas em telões, emocionaram o público na Abadia. Outros ex-combatentes, como Alan Kennett, destacaram a importância de preservar a memória da guerra para as futuras gerações.
As celebrações de 2025 são vistas como uma das últimas oportunidades de homenagear veteranos vivos. Historiadores, como Robert Hazell, da University College London, apontaram que o número de sobreviventes diminui a cada ano, tornando os eventos ainda mais significativos.
Legado da vitória aliada
A rendição da Alemanha nazista, formalizada em 7 e 8 de maio de 1945, marcou o fim de quase seis anos de conflito na Europa. A assinatura dos documentos de rendição, liderada pelo general Dwight Eisenhower, ocorreu em Reims e Berlim. O Dia da Vitória, celebrado em 8 de maio no Ocidente e em 9 de maio na Rússia, permanece um símbolo de resiliência e unidade.
No Reino Unido, as celebrações de 1945 incluíram multidões nas ruas e discursos históricos. A participação de Churchill, George VI e da jovem Elizabeth na varanda do Palácio de Buckingham tornou-se um marco. Os eventos de 2025 recriaram esse espírito, unindo gerações em torno de um legado de paz.
- Rendição nazista: Documentos foram assinados em dois dias consecutivos.
- Liderança aliada: Eisenhower comandou as forças na Europa.
- Celebrações de 1945: Londres viu festas espontâneas nas ruas.