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PM elimina líder do TCP, TH, em operação na Maré; vias são interditadas

Thiago da Silva Folly, o TH da Maré
Thiago da Silva Folly, o TH da Maré Thiago da Silva Folly, o TH da Maré

A madrugada desta terça-feira, 13 de maio de 2025, foi marcada por um intenso confronto no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A operação da Polícia Militar, que resultou na morte de Thiago da Silva Folly, conhecido como TH, chefe do Terceiro Comando Puro (TCP), gerou horas de tensão. Moradores relatam disparos desde as 3h, com barricadas em chamas e vias cruciais interditadas.

O desfecho da ação, classificada como “cirúrgica” pelo comando da PM, trouxe alívio às forças de segurança, mas também impactos significativos. Escolas fecharam, a UFRJ suspendeu avaliações, e motoristas enfrentaram caos nas ruas. A operação expôs, mais uma vez, a complexidade do combate ao crime organizado no Rio.

  • O que aconteceu: Thiago da Silva Folly, o TH, foi morto pelo Bope em um bunker no Morro do Timbau.
  • Consequências imediatas: Linha Amarela, Linha Vermelha e Avenida Brasil foram interditadas temporariamente.
  • Impactos na comunidade: 43 unidades escolares municipais foram afetadas, e a UFRJ alterou sua rotina acadêmica.

Detalhes da operação

O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) liderou a ação no Complexo da Maré, após oito meses de monitoramento conduzido pela Subsecretaria de Inteligência. Thiago da Silva Folly, um dos criminosos mais procurados do estado, foi localizado em um bunker fortificado no Morro do Timbau. O confronto foi inevitável, com troca de tiros que ecoaram por horas na comunidade. Além de TH, dois de seus seguranças foram baleados e não resistiram, sendo levados ao Hospital Municipal Evandro Freire, na Ilha do Governador.

A operação envolveu um grande contingente de policiais, com veículos blindados e apoio tático. O secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, destacou a precisão da ação, que mirava um alvo específico. Segundo ele, TH era responsável direto pela morte de dois agentes do Bope em julho de 2024, além de acumular diversas acusações criminais, incluindo tráfico de drogas e homicídios.

Moradores relatam que os tiroteios começaram por volta das 3h, com intensidade suficiente para acordar a comunidade. Vídeos enviados à imprensa mostram balas traçantes cortando o céu, um indicativo do armamento pesado utilizado pelos criminosos. A polícia informou que traficantes tentaram impedir o avanço das equipes ateando fogo a barricadas nos acessos ao complexo, uma tática comum em confrontos na região.

Interdições e caos no trânsito

As consequências da operação se estenderam além da Maré, afetando a mobilidade em toda a cidade. A Avenida Brasil, uma das principais vias do Rio, foi interditada em ambos os sentidos por alguns minutos, com caminhões atravessados na pista para bloquear o tráfego. A Linha Amarela, que conecta a Zona Norte à Barra da Tijuca, também foi fechada no sentido Fundão, enquanto a Linha Vermelha enfrentou interrupções temporárias.

O Rio Ônibus, consórcio que gerencia o transporte público, informou que todas as linhas que passam pela Avenida Brasil e Linha Vermelha sofreram desvios. Motoristas relataram longos engarrafamentos, com muitos optando por retornar na contramão para evitar as áreas de conflito. Por volta das 6h, as vias começaram a ser liberadas, mas o impacto no trânsito permaneceu durante a manhã.

  • Avenida Brasil: Caminhões foram usados como barricadas, interrompendo o fluxo em ambos os sentidos.
  • Linha Amarela: Fechada no sentido Fundão, com liberação parcial após o controle da situação.
  • Linha Vermelha: Interdições temporárias causaram atrasos em trajetos essenciais.
  • Transporte público: Ônibus foram desviados, afetando milhares de passageiros.

Impactos na educação

A operação policial trouxe reflexos diretos na rotina educacional da região. A Secretaria Municipal de Educação informou que 43 unidades escolares na Maré foram impactadas, com suspensão das aulas em creches, escolas e espaços de desenvolvimento infantil. A medida foi tomada para garantir a segurança de alunos e funcionários, diante do risco representado pelos tiroteios.

A Secretaria Estadual de Educação também anunciou o fechamento de duas escolas estaduais localizadas próximas ao Complexo da Maré. Professores e estudantes foram orientados a permanecer em casa, enquanto as unidades aguardavam a estabilização da segurança na área.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cuja Cidade Universitária fica próxima à Maré, adotou medidas emergenciais. A instituição suspendeu a aplicação de provas e avaliações em todas as suas unidades, além de não exigir a presença de estudantes e servidores. A decisão foi comunicada por meio de redes sociais, com grupos de alunos relatando dificuldades para chegar ao campus devido às interdições.

Por conta do tiroteio, PM precisou fechar Linha Amarela — Foto Reprodução TV Globo
Por conta do tiroteio, PM precisou fechar Linha Amarela — Foto Reprodução TV Globo

Outros baleados no confronto

Além das mortes de TH e seus seguranças, a madrugada registrou outros dois baleados em um incidente separado, mas na mesma região. Diogo Santos, de 27 anos, e Valfrido Rodrigues, de 41 anos, foram atingidos por volta da 1h, antes do início da operação contra o TCP. Ambos são moradores em situação de rua e foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros.

Levados ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, os dois receberam atendimento imediato. Diogo passou por cirurgia e segue internado, mas sem risco de vida, enquanto Valfrido já recebeu alta. Inicialmente, a polícia suspeitou que os ferimentos estavam relacionados ao confronto com o TCP, mas investigações apontaram que os disparos partiram de ocupantes de um veículo que passou atirando na região.

A ocorrência levantou questionamentos sobre a segurança na Maré, especialmente em áreas próximas às entradas do complexo. Moradores relatam que episódios de violência armada, mesmo fora de operações policiais, são frequentes, expondo a população a riscos constantes.

Quem era Thiago da Silva Folly

Thiago da Silva Folly, conhecido como TH, era uma figura central no comando do tráfico no Complexo da Maré. Líder do Terceiro Comando Puro (TCP), ele dividia o controle da região com outros dois chefes: Edmilson Marques de Oliveira, o Cria, e Michel de Souza Malveira, conhecido como Bill ou Mangolê. A Maré, um conjunto de 16 comunidades, é considerada um dos principais pontos de atuação do TCP no Rio de Janeiro.

TH acumulava diversas acusações criminais, incluindo tráfico de drogas, associação ao crime organizado e homicídios. Sua atuação violenta o colocou no topo da lista de procurados da polícia fluminense. Em julho de 2024, ele foi apontado como responsável pela morte de dois agentes do Bope durante uma operação na mesma comunidade, o que intensificou os esforços para sua captura.

  • Perfil criminoso: Liderança no TCP, com envolvimento em homicídios e narcotráfico.
  • Histórico: Responsável pela morte de dois policiais do Bope em 2024.
  • Monitoramento: Alvo de oito meses de investigação pela Subsecretaria de Inteligência.
  • Local de atuação: Morro do Timbau, onde foi encontrado em um bunker fortificado.

Barricadas e tensão na comunidade

Os confrontos na Maré não se limitaram aos tiroteios. Traficantes ergueram barricadas em pontos estratégicos, incluindo a entrada da Vila do João, uma das comunidades do complexo. Pneus e objetos foram incendiados, criando cortinas de fumaça que dificultavam a visibilidade e o avanço das equipes policiais. Imagens divulgadas pela imprensa mostram chamas intensas e veículos bloqueando as vias de acesso.

Moradores relatam que a estratégia de barricadas é frequentemente usada por criminosos para retardar operações policiais, permitindo a fuga de alvos ou a reorganização de grupos armados. A tática, porém, intensifica o clima de medo na comunidade, com famílias se abrigando em casa durante os confrontos. O uso de balas traçantes, visíveis em vídeos, reforça a percepção de um conflito de alta intensidade.

A polícia informou que as barricadas foram desmontadas ao longo da manhã, com o apoio de equipes especializadas. Apesar disso, a sensação de insegurança permaneceu, com relatos de disparos esporádicos mesmo após o fim da operação principal.

Reação das autoridades

O comando da Polícia Militar celebrou o resultado da operação, destacando a eliminação de um alvo de alta periculosidade. O coronel Marcelo de Menezes Nogueira classificou TH como um “narcoterrorista” e reforçou que a ação foi planejada com base em inteligência policial. Ele também informou que as investigações continuam para localizar outros líderes do TCP na Maré, como Cria e Bill, que seguem foragidos.

A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro emitiu uma nota reforçando o compromisso com o combate ao crime organizado. A pasta destacou que operações como a desta terça-feira visam desarticular facções criminosas e reduzir a violência nas comunidades. No entanto, não foram divulgados detalhes sobre possíveis apreensões de armas ou drogas durante a ação.

A operação também reacendeu debates sobre a presença policial em áreas de conflito. Organizações de direitos humanos, que monitoram ações na Maré, cobram maior transparência sobre os impactos das operações na população local, incluindo o risco de balas perdidas e a interrupção de serviços essenciais.

Cronologia dos eventos

A madrugada de 13 de maio foi marcada por uma sequência de acontecimentos que transformaram a rotina do Complexo da Maré e de vias próximas. A seguir, os principais momentos da operação:

  • 1h: Dois moradores em situação de rua são baleados em um incidente isolado, na região da Maré.
  • 3h: Tiroteios têm início, com relatos de disparos e barricadas incendiadas.
  • 4h: Bope localiza TH em um bunker no Morro do Timbau; confronto resulta na morte do traficante e de dois seguranças.
  • 5h: Avenida Brasil, Linha Amarela e Linha Vermelha são interditadas, causando caos no trânsito.
  • 6h: Vias começam a ser liberadas, mas escolas e a UFRJ suspendem atividades.

Mobilização comunitária

A operação policial gerou reações diversas entre os moradores da Maré. Enquanto alguns expressaram alívio com a morte de um líder criminoso, outros manifestaram preocupação com a violência recorrente na região. Grupos comunitários usaram redes sociais para orientar a população sobre medidas de segurança, como evitar circular próximo às áreas de confronto.

Associações de moradores também cobraram apoio do poder público para mitigar os impactos da operação. A suspensão das aulas, por exemplo, deixou milhares de crianças sem atividades educacionais, enquanto o fechamento de vias dificultou o acesso a empregos e serviços. A Maré, que abriga cerca de 140 mil pessoas, enfrenta desafios históricos relacionados à segurança e à infraestrutura.

Organizações não governamentais que atuam na comunidade reforçaram a necessidade de políticas públicas que vão além das operações policiais. Projetos sociais, como os voltados para a educação e o esporte, têm buscado oferecer alternativas para jovens em meio ao contexto de violência.

Operações anteriores na Maré

O Complexo da Maré tem sido palco de frequentes operações policiais nos últimos anos, muitas delas com desdobramentos semelhantes aos de 13 de maio. Em dezembro de 2024, uma ação da PM resultou em três mortes e 13 prisões, com interdições na Avenida Brasil e Linha Amarela. Já em fevereiro de 2025, tiroteios durante outra operação deixaram quatro feridos, incluindo um policial.

Essas ações fazem parte da Operação Torniquete, iniciativa da Polícia Militar para combater o domínio de facções criminosas na região. Apesar dos resultados, como prisões e apreensões de armas, as operações frequentemente geram críticas pela interrupção da rotina dos moradores e pelo risco à segurança da população.

A morte de TH é vista como um marco no combate ao TCP, mas a continuidade do controle da facção na Maré depende da captura de outros líderes. A polícia informou que as investigações seguem em curso, com foco em desmantelar as estruturas criminosas que operam na comunidade.

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