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Crise da Neta Auto se agrava e vendas no Brasil colapsam em 2025

Neta Aya
Neta Aya - Foto: Divulgação Neta Aya - Foto: Divulgação

A Neta Auto, marca chinesa de veículos elétricos, atravessa uma das crises mais severas de sua história, com reflexos diretos no mercado brasileiro. Desde o final de 2024, a empresa enfrenta dificuldades financeiras na China, onde acumulou dívidas bilionárias e viu sua produção praticamente paralisada. No Brasil, onde chegou com promessas de expansão em agosto de 2024, a situação não é menos alarmante: apenas 46 carros foram emplacados até abril de 2025. A combinação de problemas globais e entraves locais colocou a operação da Neta em xeque, levantando dúvidas sobre sua continuidade no país.

A entrada no mercado brasileiro foi marcada por expectativas ambiciosas. A Neta Auto planejava abrir 40 concessionárias até o final de 2025, começando por uma loja no Rio de Janeiro. Modelos como o Aya e o Neta X, posicionados como concorrentes de marcas como BYD, foram apresentados com preços competitivos. Contudo, a crise financeira na China, aliada a problemas operacionais no Brasil, frustrou esses planos, resultando em estoques parados e concessionárias adiando expansões.

A situação da Neta reflete um cenário maior de desafios no setor automotivo elétrico, especialmente para marcas chinesas que buscam se estabelecer em mercados internacionais. No Brasil, a empresa enfrentou obstáculos como baixa demanda, dificuldades logísticas e uma comunicação interrompida com os consumidores, evidenciada pelo site fora do ar e redes sociais inativas. Esses fatores contribuíram para o desempenho comercial abaixo do esperado.

  • Dívidas acumuladas: A Neta deve cerca de R$ 8 bilhões na China, incluindo valores a fornecedores e concessionários.
  • Produção paralisada: Apenas 48 veículos foram fabricados na China em 2025, contra 18 mil unidades mensais em 2022.
  • Vendas no Brasil: Apenas 46 carros emplacados, com 19 unidades em janeiro e apenas seis em abril.
  • Expansão suspensa: Planos de novas concessionárias, como em Niterói, foram adiados indefinidamente.

Origem da crise financeira na China

A crise da Neta Auto teve início no final de 2024, quando a empresa começou a enfrentar dificuldades para manter sua operação na China. Com uma dívida estimada em US$ 1,4 bilhão (aproximadamente R$ 8 bilhões), a Hozon Auto, controladora da Neta, viu suas vendas despencarem 98% em janeiro de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. O colapso nas vendas foi acompanhado por uma redução drástica na produção, com apenas 48 veículos fabricados no país em 2025.

A empresa esperava um aporte financeiro de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) até abril de 2025 para reestruturar suas finanças e reativar as fábricas. A ausência desse investimento agravou a situação, levando a Hozon Auto a enfrentar um processo de revisão de falência iniciado pela agência de publicidade Yuxing. A agência cobra US$ 730 mil (R$ 4,1 milhões) por serviços prestados em 2022 e 2023, valor que a Neta não conseguiu quitar.

Neta Cupê elétrico GT
Neta Cupê elétrico GT – Foto: Divulgação

Além da Yuxing, outros credores, incluindo fornecedores e concessionários, pressionam a empresa. Em abril, concessionários chineses protestaram em frente à fábrica da Neta em Tongxiang, na província de Zhejiang, exigindo providências contra atrasos nos pagamentos. A Neta também enfrenta mais de 400 disputas judiciais e 90 processos de execução, o que intensifica a percepção de instabilidade financeira.

Desempenho comercial no Brasil

No Brasil, a Neta Auto iniciou suas operações em agosto de 2024, com o objetivo de conquistar espaço no crescente mercado de veículos elétricos. A marca trouxe dois modelos principais: o Aya, um SUV compacto com preço inicial de R$ 133.900, e o Neta X, um SUV médio a partir de R$ 209.900. Ambos foram posicionados como alternativas acessíveis a modelos como o BYD Dolphin e o Yuan Plus, com promessas de tecnologia avançada e design moderno.

Apesar do início promissor, as vendas não decolaram. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que a Neta emplacou apenas 46 unidades no Brasil até abril de 2025. O desempenho foi particularmente fraco em abril, com apenas seis carros vendidos, contra 19 em janeiro. A baixa procura levou concessionárias a oferecerem descontos de até R$ 10 mil e benefícios como financiamento com taxa zero e IPVA grátis para atrair compradores.

  • Vendas por mês: Janeiro (19 unidades), fevereiro (8), março (9) e abril (6).
  • Descontos oferecidos: Até R$ 25 mil em benefícios, incluindo Wallbox e emplacamento grátis.
  • Modelos disponíveis: Aya (R$ 133.900) e Neta X (R$ 209.900).
  • Concorrência: BYD Dolphin e Yuan Plus dominam o segmento de SUVs elétricos acessíveis.

Problemas operacionais no Brasil

A operação brasileira da Neta Auto enfrenta uma série de entraves que contribuíram para o fraco desempenho comercial. A concessionária Potenza, no Rio de Janeiro, foi a primeira a representar a marca no país, mas enfrenta dificuldades para escoar os estoques. Veículos permanecem parados nas lojas, e a baixa demanda levou a promoções agressivas que não conseguiram reverter o cenário.

Planos de expansão também foram comprometidos. O grupo responsável pela Potenza pretendia abrir uma segunda concessionária em Niterói, no Rio de Janeiro, em abril de 2025, mas as obras foram suspensas. Oficialmente, a justificativa é que o projeto ainda está em andamento, mas fontes do setor apontam que a crise global da Neta desmotivou novos investimentos.

A comunicação da marca com o público brasileiro também foi afetada. O site oficial da Neta Auto no Brasil está fora do ar desde o início de 2025, exibindo apenas uma mensagem de manutenção. A última publicação no perfil oficial da marca no Instagram foi feita em 17 de abril, e a página no LinkedIn da operação brasileira foi desativada. Esses sinais de inatividade reforçam a percepção de que a Neta enfrenta dificuldades para manter sua presença no país.

Rumores de aquisição pela Toyota

No início de maio de 2025, rumores sugeriram que a Toyota, gigante japonesa do setor automotivo, estaria interessada em adquirir a Neta Auto. A possível compra foi vista como uma tentativa de fortalecer a presença da Toyota no mercado de veículos elétricos na China, onde a Neta já teve uma base significativa de clientes. A aquisição também poderia salvar a Neta da falência, permitindo a continuidade de suas operações globais, incluindo no Brasil.

A Toyota, no entanto, negou categoricamente as especulações. Xu Yiming, chefe de comunicação da empresa na China, afirmou que a companhia nunca considerou a compra da Neta e pediu esclarecimentos sobre a origem dos rumores. A negativa da Toyota deixou a Neta sem uma solução imediata para seus problemas financeiros, aumentando a pressão sobre a Hozon Auto para encontrar alternativas.

  • Origem dos rumores: Especulações surgiram em portais automotivos chineses.
  • Resposta da Toyota: Negação oficial em comunicado à imprensa.
  • Impacto no mercado: Ações da Hozon Auto caíram após a negativa.

Comparação com outros mercados

Além do Brasil, a Neta Auto enfrenta dificuldades em outros mercados internacionais. Na Tailândia, considerada um mercado estratégico, a marca emplacou apenas 129 veículos em abril de 2025, contra 985 em janeiro. Apesar do declínio, a Neta mantém uma base de mais de 25 mil proprietários no país, o que demonstra um histórico de sucesso anterior. A empresa anunciou a construção de um novo centro de distribuição de peças na Tailândia, previsto para entrar em operação em maio de 2025, como parte de esforços para melhorar o atendimento pós-venda.

Na China, o colapso nas vendas foi ainda mais dramático. Em seu auge, em meados de 2022, a Neta chegava a comercializar 18 mil unidades por mês. Em 2025, no entanto, as vendas caíram para cerca de 400 unidades mensais, refletindo a incapacidade da empresa de competir com gigantes como BYD e Tesla em um mercado altamente competitivo.

Modelos prometidos e expectativas frustradas

A Neta Auto chegou ao Brasil com promessas de um portfólio diversificado. Além do Aya e do Neta X, a marca anunciou a intenção de lançar o cupê elétrico GT, um modelo esportivo com quase 400 cv de potência e preço estimado em R$ 400 mil. O GT seria uma aposta para atrair consumidores interessados em desempenho, mas até maio de 2025, o modelo não chegou às concessionárias brasileiras.

A marca também planejava introduzir uma versão de cinco lugares do Aya, em resposta à demanda do mercado. Testes de homologação estavam em andamento, mas a crise financeira e a incerteza sobre a continuidade da operação no Brasil colocaram esses planos em espera. A ausência de novos lançamentos limitou a capacidade da Neta de atrair consumidores e competir com marcas estabelecidas.

  • Modelos anunciados: Aya, Neta X e GT (cupê esportivo).
  • Aya de cinco lugares: Em processo de homologação, sem data confirmada.
  • GT atrasado: Lançamento prometido para 2025, mas sem previsão atual.

Planos de produção local

Apesar das dificuldades, a Neta Auto mantinha planos ambiciosos para o Brasil, incluindo a produção local de seus veículos em regime CKD (com kits totalmente desmontados). A empresa estudava a viabilidade de uma fábrica no país, com o objetivo de atender o mercado brasileiro e exportar para outros países do Mercosul. O prazo inicial para o início da produção era o primeiro semestre de 2026.

Rumores indicavam que a antiga fábrica da Troller, no Ceará, poderia ser usada para a montagem dos veículos da Neta, em parceria com uma empresa do setor automotivo. No entanto, a crise financeira da Hozon Auto e a falta de investidores tornaram esses planos incertos. A produção local seria uma forma de reduzir custos e aumentar a competitividade da marca, mas a situação atual sugere que a implementação está longe de se concretizar.

Concorrência no mercado elétrico brasileiro

O mercado de veículos elétricos no Brasil vive um momento de expansão, com 177.358 emplacamentos em 2024, segundo a ABVE. Marcas como BYD, GWM e Toyota dominam o segmento, com modelos como o BYD Dolphin Mini (quase 22 mil unidades vendidas em 2024) e o GWM Ora 03. A Neta, por outro lado, não conseguiu acompanhar o ritmo de crescimento do setor, ficando à margem da competição.

A BYD, em particular, consolidou sua liderança com uma estratégia agressiva de preços e uma ampla rede de concessionárias. A GWM também ganhou espaço com modelos acessíveis e investimentos em produção local. A incapacidade da Neta de oferecer promoções competitivas e manter uma presença ativa no mercado brasileiro contribuiu para sua irrelevância no cenário nacional.

  • Líderes do mercado: BYD (76.863 emplacamentos em 2024), GWM (29.219) e Toyota (20.358).
  • Crescimento do setor: 89% de aumento nas vendas de elétricos e híbridos em 2024.
  • Desvantagem da Neta: Falta de rede de concessionárias e comunicação inativa.

Reações do setor automotivo

O fraco desempenho da Neta Auto no Brasil gerou debates entre especialistas do setor automotivo. Alguns analistas apontam que a marca subestimou os desafios de entrar em um mercado competitivo como o brasileiro, especialmente sem uma estrutura consolidada de vendas e pós-venda. A crise na China também afastou potenciais investidores e parceiros, dificultando a expansão da Neta.

Outros destacam que a Neta poderia ter se beneficiado de parcerias locais ou de uma estratégia de marketing mais agressiva. A falta de atualizações no site e nas redes sociais, por exemplo, criou uma barreira entre a marca e os consumidores. A situação da Neta serve como um alerta para outras montadoras chinesas que planejam ingressar no Brasil, como a Xpeng, que anunciou operações para 2025.

Perspectivas para concessionárias

As concessionárias que representam a Neta no Brasil enfrentam um futuro incerto. A Potenza, no Rio de Janeiro, mantém estoques dos modelos Aya e Neta X, mas a baixa demanda e a interrupção dos planos de expansão geraram frustração entre os revendedores. Alguns concessionários relatam que os descontos oferecidos não foram suficientes para atrair compradores, especialmente em um mercado dominado por marcas mais conhecidas.

O grupo responsável pela Potenza chegou a projetar vendas de 40 unidades por mês na loja do Rio de Janeiro, mas a realidade ficou muito aquém das expectativas. A suspensão do projeto em Niterói reflete a cautela dos investidores diante da crise global da Neta. Sem novos modelos ou apoio da matriz, as concessionárias brasileiras operam com recursos limitados.

  • Projeção inicial: 40 vendas por mês na concessionária do Rio.
  • Realidade: Média de 11,5 unidades por mês em 2025.
  • Expansão suspensa: Niterói sem previsão de abertura.

Cenário global da eletromobilidade

A crise da Neta Auto ocorre em um momento de crescimento da eletromobilidade global. No Brasil, o setor de veículos elétricos e híbridos registrou 32.739 emplacamentos no primeiro bimestre de 2025, um aumento de 45% em relação a 2024. A expansão é impulsionada pela maior conscientização dos consumidores sobre os benefícios ambientais e financeiros dos elétricos, além de incentivos governamentais como o programa Mover.

No entanto, a Neta não conseguiu capitalizar esse crescimento. A falta de competitividade em preços, a ausência de novos lançamentos e os problemas financeiros da matriz limitaram sua participação no mercado. Enquanto marcas como BYD e GWM investem em fábricas locais e ampliam suas redes de distribuição, a Neta permanece estagnada, enfrentando dificuldades para manter sua operação.

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