George Kaplan, ex-assistente pessoal de Sean “Diddy” Combs, chocou o tribunal com revelações sobre as chamadas “freak offs”, maratonas sexuais organizadas pelo rapper. Durante seu depoimento em 21 de maio de 2025, Kaplan descreveu a rotina de limpar quartos de hotel repletos de garrafas de álcool, frascos de óleo de bebê e resíduos de drogas, garantindo que nenhuma evidência comprometedora permanecesse. Preso desde setembro de 2024, Diddy enfrenta acusações graves, incluindo tráfico sexual e associação ilícita. O julgamento, iniciado em maio, tem exposto detalhes perturbadores sobre o comportamento do magnata da música.
O depoimento de Kaplan não foi o único destaque do dia. Um agente federal apresentou armas encontradas na mansão de Diddy em Miami, enquanto uma psicóloga abordou as dinâmicas de relacionamentos abusivos, ecoando denúncias feitas por Cassie, ex-namorada do rapper. A seguir, os principais pontos do julgamento até agora:
- Kaplan limpava quartos para encobrir as orgias de Diddy.
- Armas e drogas foram apreendidas em operação policial.
- Cassie relatou abusos e coerção em “freak offs”.
- A defesa alega que as relações eram consensuais.
Depoimento de George Kaplan
Kaplan, que trabalhou para Diddy entre 2013 e 2015, revelou que sua função ia além de tarefas administrativas. Ele era responsável por apagar qualquer vestígio das maratonas sexuais, conhecidas como “freak offs”, que podiam durar dias. Nos quartos de hotel, encontrava garrafas vazias, lubrificantes, óleo de bebê e substâncias como MDMA, que ele próprio comprava a pedido do rapper. A limpeza meticulosa visava proteger a imagem pública de Diddy, uma prioridade implícita em seu trabalho.
O ex-assistente, hoje com 34 anos, testemunhou sob imunidade, após inicialmente invocar a Quinta Emenda dos EUA contra autoincriminação. Ele descreveu um ambiente de pressão constante, com Diddy ameaçando seu emprego por detalhes triviais, como o tamanho errado de uma garrafa de água. Kaplan também entregava sacolas com medicamentos prescritos e analgésicos ao rapper, reforçando a dependência de substâncias químicas nas festas. Seu depoimento, que continua em 22 de maio, expôs a extensão do controle que Diddy exercia sobre sua equipe.
Operação policial em Miami
Durante o julgamento, um agente federal detalhou uma operação realizada em março de 2024 na mansão de Diddy em Miami. A ação, que envolveu cerca de 80 a 90 agentes, resultou na apreensão de duas armas de fogo, munição e uma caixa de drogas rotulada com o apelido “Puffy”. Entre os itens encontrados, estavam dezenas de frascos de óleo de bebê e lubrificantes, considerados marcas registradas das “freak offs”.
A operação, descrita pela defesa como exagerada, incluiu um veículo blindado para derrubar o portão e patrulhas de barco ao redor da propriedade. Uma busca simultânea na mansão de Diddy em Los Angeles revelou mais evidências, como câmeras instaladas para gravar as orgias. Os promotores alegam que essas gravações eram usadas como chantagem para silenciar participantes e testemunhas, uma prática que sustenta as acusações de extorsão e tráfico sexual.
As acusações contra Diddy
Sean Combs, de 55 anos, enfrenta cinco acusações federais, incluindo tráfico sexual, conspiração para extorsão e transporte para prostituição. Preso em setembro de 2024, ele pode ser condenado à prisão perpétua se considerado culpado. Os promotores afirmam que Diddy usava seu império empresarial, incluindo a gravadora Bad Boy Entertainment, para coordenar as “freak offs”, que envolviam coerção, drogas e violência.
As maratonas sexuais, segundo a acusação, eram cuidadosamente organizadas, com quartos de hotel preparados com iluminação especial, lubrificantes e substâncias como ecstasy e cetamina. Profissionais do sexo, tanto homens quanto mulheres, eram pagos em dinheiro, e os eventos podiam durar até quatro dias. Abaixo, os principais elementos das acusações:
- Uso de drogas para subjugar vítimas.
- Gravações de atos sexuais como ferramenta de chantagem.
- Ameaças de violência contra funcionários e participantes.
- Envolvimento de subordinados na organização das orgias.
- Abuso físico e emocional de mulheres, incluindo Cassie.
O papel de Cassie no julgamento
Cassie Ventura, ex-namorada de Diddy, foi uma das primeiras a denunciar o rapper, em uma ação civil movida em novembro de 2023. Embora o processo tenha sido resolvido fora dos tribunais, seu depoimento no julgamento, iniciado em 13 de maio, foi devastador. Ela descreveu um relacionamento de 10 anos marcado por violência, coerção e participação forçada nas “freak offs”.
A cantora, que conheceu Diddy aos 19 anos, relatou ter sido agredida repetidamente, incluindo um episódio em 2016 capturado por câmeras de segurança do Hotel InterContinental, em Los Angeles. No vídeo, Diddy aparece chutando e arrastando Cassie pelo corredor, uma prova central da acusação. Cassie também afirmou que consumia drogas como cetamina para suportar as orgias, que a faziam se sentir “objetificada” e “suja”. Seu depoimento emocionado, dado enquanto grávida de seu terceiro filho, reforçou as alegações de abuso sistemático.
A defesa de Diddy
A equipe de defesa, liderada por Teny Geragos e Marc Agnifilo, admite episódios de violência doméstica, mas nega as acusações de tráfico sexual e extorsão. Eles retratam as “freak offs” como encontros consensuais, parte de um estilo de vida excêntrico, mas não criminoso. A estratégia inclui questionar a credibilidade de testemunhas como Cassie, sugerindo que ela participava voluntariamente das orgias e tinha um relacionamento amoroso, embora conturbado, com Diddy.
Durante o contrainterrogatório de Cassie, a defesa exibiu mensagens de texto nas quais ela expressava interesse em atividades sexuais, tentando pintá-la como uma participante ativa. No entanto, o vídeo de 2016 e o depoimento de Kaplan, que confirmou ter pedido demissão após presenciar uma agressão contra Cassie, dificultam a narrativa da defesa. Os advogados também criticaram a operação policial em Miami, alegando que o uso de força excessiva visava sensacionalizar o caso.

Dinâmicas de abuso explicadas
Uma psicóloga chamada Dawn Hughes testemunhou no mesmo dia que Kaplan, oferecendo insights sobre relacionamentos abusivos. Ela descreveu como vítimas frequentemente permanecem com seus agressores devido à baixa autoestima e à esperança de reviver a “fase de lua de mel” inicial. Hughes também explicou que memórias de abuso podem ser fragmentadas, com vítimas retendo a sensação de trauma, mas confundindo detalhes específicos.
Embora não tenha mencionado Diddy ou Cassie diretamente, o depoimento da psicóloga corroborou as experiências relatadas pela cantora. Hughes, que recebeu US$ 6.000 para testemunhar, destacou que a manipulação emocional e o controle são características comuns em relações abusivas, o que reforça as acusações de coerção feitas contra o rapper.
Itens apreendidos nas buscas
As buscas nas mansões de Diddy em Miami e Los Angeles revelaram uma quantidade impressionante de evidências. Além das armas e da caixa de drogas marcada com “Puffy”, os agentes encontraram mais de mil frascos de lubrificante e óleo de bebê, brinquedos sexuais, saltos plataforma e substâncias ilícitas, incluindo cocaína rosa e comprimidos multicoloridos.
Outros itens incluíam um fuzil AR-15 com número de série raspado, balas douradas, cogumelos psicodélicos e uma cômoda contendo dildos e suplementos para disfunção erétil. As fotos apresentadas no tribunal mostraram até um espelho de banheiro com frases como “Love you daddy” e “You a legend”, sugerindo o culto à personalidade de Diddy. Esses objetos reforçam a narrativa dos promotores de que as “freak offs” eram eventos meticulosamente planejados.
Envolvimento de subordinados
Os promotores alegam que Diddy contava com uma rede de subordinados para executar e encobrir suas atividades. Além de Kaplan, figuras como Kristina Khorram, chefe de gabinete do rapper, teriam desempenhado papéis cruciais, como manter estoques de drogas à disposição. A acusação descreve esses funcionários como peças de uma “empresa criminosa” que garantia a realização das orgias e o silêncio dos envolvidos.
Kaplan testemunhou que as ameaças de demissão eram frequentes, criando um ambiente de medo entre a equipe. Outros subordinados, como seguranças e assistentes pessoais, organizavam transporte, hospedagem e pagamentos aos profissionais do sexo. A lealdade exigida por Diddy, segundo os promotores, era mantida por intimidação e chantagem, com gravações das festas usadas para controlar participantes e testemunhas.
Testemunhas adicionais
Além de Kaplan e Cassie, outras testemunhas têm contribuído para o caso. Israel Florez, ex-segurança do Hotel InterContinental, depôs sobre o incidente de 2016, descrevendo o “olhar diabólico” de Diddy enquanto agredia Cassie. Ele relatou ter encontrado a cantora com um olho roxo e escoriações, além de receber uma oferta de suborno para ficar calado.
Outra testemunha, um profissional do sexo identificado como Philip, descreveu encontros com Cassie organizados por Diddy, incluindo um episódio em que foi instruído a urinar na cantora enquanto o rapper se masturbava. Esses depoimentos reforçam a alegação de que as “freak offs” envolviam humilhação e coerção, com Diddy controlando cada detalhe dos eventos.
A rede de celebridades
As “freak offs” de Diddy atraíam figuras conhecidas do entretenimento, embora os nomes citados no julgamento sejam limitados. Cassie mencionou que as festas privadas, realizadas em quartos de hotel, diferiam das públicas “White Parties” nos Hamptons, que contavam com celebridades como Jay-Z, Beyoncé e Leonardo DiCaprio. Enquanto as “White Parties” eram eventos sociais, as “freak offs” ocorriam em ambientes fechados, com participantes selecionados.
Nomes como Jennifer Lopez, ex-namorada de Diddy, e Justin Bieber, que colaborou com o rapper, surgiram em especulações, mas não há evidências diretas de seu envolvimento nas orgias. Um incidente de 1999, quando Lopez e Diddy foram presos após um tiroteio em uma boate, foi mencionado em um documentário, mas não está diretamente ligado ao julgamento atual. A presença de celebridades nas festas públicas de Diddy, no entanto, adiciona uma camada de fascínio ao caso.
Cronologia dos eventos
O caso contra Diddy ganhou força após a ação civil de Cassie em 2023, mas as acusações abrangem duas décadas, de 2004 a 2024. Abaixo, uma linha do tempo dos principais marcos:
- 2005: Cassie conhece Diddy, iniciando um relacionamento abusivo.
- 2016: Vídeo de agressão no Hotel InterContinental é gravado.
- 2023: Cassie entra com ação civil, resolvida fora dos tribunais.
- Março de 2024: Buscas nas mansões de Diddy em Miami e Los Angeles.
- Setembro de 2024: Diddy é preso em Nova York.
- Maio de 2025: Julgamento começa, com depoimentos de Cassie e Kaplan.
O ambiente das “freak offs”
As “freak offs” eram descritas como espetáculos elaborados, com quartos de hotel equipados com velas vermelhas, câmeras e grandes quantidades de lubrificantes. Cassie relatou que Diddy exigia que os corpos dos participantes “brilhassem” com óleo de bebê, criando uma estética específica para suas gravações. As orgias, que podiam durar até 48 horas, deixavam os participantes exaustos, com alguns recebendo fluidos intravenosos para se recuperar.
O depoimento de Jeff Wittek, um comediante que participou de uma festa de Diddy em 2010, reforça a estranheza desses eventos. Ele descreveu uma mansão com oito andares, onde as atividades sexuais ficavam mais intensas à medida que se subia. Embora Wittek não tenha testemunhado no tribunal, suas declarações em um podcast corroboram a narrativa de ambientes cuidadosamente orquestrados para as orgias.
Reações nas redes sociais
O julgamento de Diddy tem gerado intensa discussão online, especialmente em plataformas como o X. Fãs e críticos acompanham cada depoimento, com muitos chocados pelos detalhes das “freak offs”. Postagens recentes destacam a brutalidade das agressões contra Cassie e o uso de gravações para chantagem, enquanto outros questionam a veracidade das acusações, apontando para o estilo de vida extravagante do rapper. A hashtag #DiddyTrial tem sido usada para compartilhar atualizações e opiniões sobre o caso.